Maior índice de branqueamento de corais em 35 anos é registrado na APA Costa dos Corais

O branqueamento de colônias de corais acontece em razão da perda das algas que vivem em associação mutualística com o coral, as chamadas zooxantelas, causando a morte desses corais.

Branqueamento de coral. Foto: Pedro Pereira.

Tal fenômeno vem ocorrendo em nível global e está diretamente ligado ao aquecimento das águas dos oceanos causado pelas mudanças climáticas – e não parou por conta da pandemia.

Ao contrário. Uma recente expedição nos recifes de coral da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC), realizada pela gestão da unidade de conservação na semana passada, constatou que o pior está acontecendo. Os pesquisadores detectaram uma grande onda de branqueamento de várias colônias de corais em zonas de preservação e de visitação da APA em Maragogi, Alagoas, famoso ponto turístico.

De acordo com Pedro Henrique C. Pereira, pesquisador do projeto Águas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF Mar) e membro da equipe do ICMBio Costa dos Corais, esse é o pior evento de branqueamento dos últimos 35 anos. “Esse ano ocorreu o maior aquecimento das águas da APA desde 1985. Registramos mortes de até 70% para Millepora braziliensis (coral-de-fogo) e de 40% para Mussismilia hartii (coral-cérebro), espécie ameaçada de extinção”, diz.

O monitoramento foi realizado entre os dias 20 e 24 de julho, no qual a equipe do ICMBio Costa dos Corais, com o apoio do Projeto Conservação Recifal (PCR), mergulharam na Zona de Preservação da Vida Marinha (área fechada a visitantes) e nas Zonas de Visitação aquário e nas galés da APACC em Maragogi. Pereira explicou que o monitoramento dos corais é feito há vários anos, porém o último havia sido realizado apenas em março, devido à pandemia de coronavírus.

Monitoramento dos corais. Foto: Pedro Pereira.

A mais recente expedição tinha como objetivo avaliar os efeitos do isolamento social nos ambientes coralíneos, isto é, avaliar como o ambiente se comportou com a suspensão da visitação pública. “Infelizmente, apesar do isolamento social, os efeitos do branqueamento foram implacáveis, sendo observada grande mortalidade de corais e muitos corais ainda branqueados”, lamentou Pereira.

Os pesquisadores utilizaram dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA) para avaliar o aquecimento das águas oceânicas e o nível de alerta de branqueamento dos corais para 2020. “Apesar da falta de dados entre os meses de isolamento social, o monitoramento continuado dos recifes da APACC mostra que este é provavelmente o maior evento de mortalidade de corais das últimas décadas”, explicou Pereira.
Branqueamento de colônia de coral-cérebro (Mussismilia hartii). Foto: Pedro Pereira.

Questionado sobre como seria possível mitigar o fenômeno, Pereira destacou a urgente necessidade de redução dos impactos das mudanças climáticas. “A solução são os acordos internacionais de redução de poluentes. O aquecimento global só será revertido com uma demanda da sociedade em geral sobre os governantes dos países que mais poluem”.

O Brasil é o sétimo maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, segundo o SEEG para 2018 (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima).

APA Costa dos Corais

Branqueamento da Millepora sp. (coral de fogo). Foto: Pedro Pereira.A APA

Costa dos Corais (APACC) é a maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil. Possui mais de 400 mil hectares de área e cerca de 120 quilômetros de praias e mangues. Seu objetivo é a conservação ambiental e o equilíbrio entre os usos direto (pesca) e indireto (turismo e pesquisa) dos recursos naturais, garantindo-os para as gerações atuais e futuras.

Operação de limpeza tira 103 toneladas de plástico do mar

A ONG Ocean Voyages Institute bateu o próprio recorde de limpeza em mar aberto em uma expedição que durou 48 dias.

Uma recente operação de limpeza retirou em 48 dias cerca de 103 toneladas de lixo plástico do mar, entre redes e petrechos de pesca e itens plásticos que a humanidade consome no seu dia a dia.

A ação percorreu as costas da Califórnia e do Havaí e foi uma iniciativa do Ocean Voyages Institute que, com a coleta quebrou o próprio recorde de maior limpeza de lixo plástico dos oceanos.

Infelizmente, além do plástico, o navio recolheu muitos animais mortos e esqueletos que estavam envolvidos pelo lixo, em especial por redes de pesca abandonadas em mar aberto.

“Não existe uma solução rápida e simples para a quantidade de lixo nos oceanos. São necessários longos períodos no mar, com uma equipe extremamente competente, para que seja possível realizar ações de limpeza como esta”, explica Locky MacLean, ex-diretor da Sea Shepherd, ONG que atua na proteção da vida marinha.

Foto: Ocean Voyages Institute
Uma grande ilha de lixo se encontra entre o Havaí e a Califórnia, em uma das áreas mais remotas do Oceano Pacífico. Pesquisadores estimam que cerca de 80 mil toneladas de resíduos façam parte desta ilha de lixo, sendo a maior parte proveniente de petrechos de pesca.

As ilhas de lixo se formam graças à ação de correntes oceânicas circulares que concentram o lixo em áreas específicas.

Apesar das ações de limpezas serem parte da solução do problema, é necessário pensar na causa: todos os anos até 12,7 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e a estimativa é que um total de 150 milhões de toneladas do material circulem atualmente pelos mares.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

A poluição plástica é composta de micro plásticos a grandes redes de pesca, uma imensidão de produtos que não são biodegradáveis e ameaçam gravemente a vida marinha. Um triste exemplo do mal que estamos fazendo às espécies marinhas foi a baleia encontrada por pesquisadores filipinos com 40kg de plástico no estômago, incluindo.

Estamos comendo golfinhos, tartarugas e aves marinhas?

O que seu almoço tem a ver com golfinhos,
tartarugas e aves marinhas?

Se você achou essa pergunta sem sentido, precisamos conversar sobre pesca acidental. Este é um grave problema ambiental, que está contribuindo com a extinção de espécies no Brasil e no mundo. A pesca acidental ou captura acidental (bycatch, em inglês) pode ser definida como espécies que são capturadas de forma não intencional nas pescarias.

Para entendermos melhor este conceito, podemos pensar em um tiro ao alvo. O centro corresponde às “espécies-alvo” – aquelas com interesse econômico e comercial -, enquanto o entorno é repleto de outros animais que podem ser atingidos acidentalmente. Se considerarmos a pesca, há um desafio adicional nos arremessos: já que não vemos o que está no fundo do mar, é como se lançássemos os dardos com olhos vendados.

Por serem pouco seletivos, os artefatos utilizados na pesca acabam capturando muitos outros animais. Entre estes artefatos estão: redes de arrasto de fundo, que são arrastadas pelo fundo do mar para capturar principalmente camarões; redes de emalhe, que ficam esticadas na coluna d’água e capturam animais de passagem; e o espinhel, uma sequência de anzóis (20 a 300) presos em um cabo que permanece esticado em diferentes profundidades.

Ilustração de diferentes artefatos de pesca: (A) Arrasto de fundo; (B) Redes de emalhe; e (C) Espinhel. Fonte: adaptado de CEPSUL/IBAMA.

A consequente quantidade de animais capturados de forma não intencional é alarmante. Segundo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), entre 2010 e 2014 foram 9,1 milhões de toneladas de animais capturados por pesca acidental no mundo. Isso equivale a 3.600 piscinas olímpicas cheias de animais que serão descartados – mortos ou feridos. Uma das espécies-alvo com maior taxa de captura acidental associada é o camarão: neste caso, são capturados até 20 quilos de outros animais para cada quilo de camarão comercializado.

A triste realidade da captura acidental: são milhões de animais mortos a cada ano. Fonte: adaptado de Natural Environment Research Council; Food & Agriculture Organization of the United Nations.
De acordo com o mesmo relatório, as regiões que mais contribuem com a captura acidental no mundo estão no Hemisfério Norte: entre a Groenlândia e Noruega (nordeste do Oceano Atlântico); e na extensão costeira do Japão e leste da Rússia (noroeste do Oceano Pacífico). Ambas somam aproximadamente 40% da pesca acidental global. Contudo, é no Atlântico Sul Ocidental – região que inclui a costa brasileira e que se estende até o limite com a Antártica – que se encontra a faixa com a maior taxa de descarte. Isso quer dizer para cada tonelada de pescado comercializado, há uma maior proporção de animais descartados associada.

Distribuição das taxas de descarte pesqueiro no mundo (toneladas de descarte por toneladas de pesca). As estrelas vermelhas indicam as regiões com maior captura acidental absoluta (em toneladas). Fonte: adaptado de Natural Environment Research Council; Food & Agriculture Organization of the United Nations.
Que espécies são vítimas dos arremessos errados?

Os animais capturados de forma acidental incluem diversas espécies: podem ser peixes que não serão consumidos ou com tamanho muito pequeno, além de aves marinhas, tubarões, golfinhos, tartarugas marinhas, baleias. Muitos destes animais ficam presos nas redes e acabam morrendo por estresse ou afogamento.

Uma característica comum entre várias espécies que são capturadas acidentalmente é que estes animais se reproduzem em ritmos lentos. Isto quer dizer que têm poucos filhotes por vez e sua gestação é demorada. Dessa forma, ao terem as populações reduzidas, sua recuperação será lenta. Essas perdas são ainda mais graves quando falamos em espécies ameaçadas e que já têm populações pequenas.

A toninha (Pontoporia blainvillei) é um exemplo de animal que atende a todos esses pré-requisitos preocupantes: está entre os golfinhos mais ameaçados do mundo, as fêmeas têm apenas um filhote a cada dois anos e sua gestação dura 11 meses. Estes golfinhos só existem em águas rasas do Brasil, Argentina e Uruguai e suas populações estão diminuindo em função de várias ameaças. Dentre elas, a pesca acidental figura como principal causa de suas mortes.
Toninhas mortas por estresse, asfixia e afogamento após emalhe em rede de pesca. Foto: Santiago Anguita/PMP-BS/UDESC.

Toninha grávida, morta por afogamento e com marcas de emalhe em rede de pesca. Foto: PMP-BS/Univille.

As capturas desta espécie são alarmantes, pois além da população reduzida, a maioria dos animais que ficam presos em redes é jovem. Isto acontece porque indivíduos jovens ainda não desenvolveram de forma ampla o seu sentido de ecolocalização (capacidade de perceber o ambiente através dos sons e dos ecos produzidos). Como estes animais não conseguem detectar a presença das redes, acabam sendo as principais vítimas. Para a população, perder indivíduos jovens é inestimável: além da redução no número de indivíduos, estes jovens mortos não tiveram a oportunidade de se reproduzirem e deixarem descendentes.

A pesca acidental e suas consequências são problemas tão graves quanto complexos, mas a atenção que lhes é dada está longe de ser proporcional. Ao olhamos para o Brasil, o horizonte de solução parece ainda mais distante, já que sequer temos estatística pesqueira básica. Se quisermos uma mudança promissora nesse tiro ao alvo e a garantia de um oceano com vida, é imprescindível resgatarmos nossa gestão pesqueira da deriva.

Fonte: Instituto VIVA Verde e Azul.

*Textos produzidos pelos(as) alunos(as) da disciplina “Conservação da Biodiversidade no Antropoceno”, ministrada no Programa de pós-graduação em Ecologia da UFSC, pela Profa. Dra. Michele de Sá Dechoum (UFSC) e pela Dra. Paula Drummond de Castro (Labjor – UNICAMP). 

Este texto foi escrito por:

Larissa Dalpaz é bióloga, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFSC e bolsista “STOP Bycatch” do Instituto Viva Verde Azul.

Mario Tagliari é biólogo, doutorando do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFSC e idealizador do projeto de divulgação científica Ciência no Bar.

Samuel Costa é biólogo, Mestre em Ciências Ambientais e Professor do Instituto Federal de Santa Catarina.

Baleias vivas geram bilhões de dólares ao país em serviços ecossistêmicos

Por muito tempo, o valor econômico de uma baleia poderia ser medido pelo óleo extraído do animal morto, usado para iluminar as cidades antes do advento da eletricidade.
Observação de baleia em Porto Seguro, Bahia. Foto: Projeto Baleia Jubarte.

O que pouca gente sabe é que as baleias vivas também podem ser medidas em termos de ganhos econômicos. E a cifra não é pequena. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke estimou que as grandes baleias que trafegam pelas águas de jurisdição brasileira são avaliadas em cerca de 82,5 bilhões de dólares. Os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke (Carolina do Norte) calcularam, a pedido do Projeto Baleia Jubarte e da organização Great Whale Conservancy (GWC), o valor das baleias vivas para o Brasil levando em conta o turismo de observação que existe em torno desses animais, a captura de carbono e a fertilização marinha.

Esse mesmo grupo de economistas havia calculado, em 2019, o valor global dos serviços ecossistêmicos das baleias vivas em cerca de um trilhão de dólares norte-americanos.

Como foi feito o cálculo?

O Projeto Baleia Jubarte e a organização Great Whale Conservancy (GWC) forneceram estimativas das populações de baleias em águas brasileiras. Os economistas do FMI e da Universidade Duke pegaram essas estimativas e calcularam os valores dos serviços oferecidos pelas baleias em ecoturismo, sequestro de carbono, e estímulo ao crescimento do fitoplâncton, utilizando as ferramentas de Economia Financeira, como a Valoração.

“A principal dificuldade para nós era fazer previsões sobre as populações futuras, no caso de recursos naturais vivos, como as baleias. É especialmente difícil prever com que rapidez uma espécie ou ecossistema ameaçado crescerá. Felizmente, tivemos o apoio de outros cientistas especialistas em biologia das baleias, e uma de nossa equipe é especialista em modelagem matemática”, explica o economista Connel Fullenkamp, professor da Universidade Duke e um dos autores do estudo.

Baleia franca astral. Foto: Wikipédia

“No momento, estamos escrevendo um documento técnico que detalha os cálculos, e o publicaremos quando estiver pronto. Uma breve visão geral é que projetamos os serviços fornecidos pelas baleias no futuro e, usando estimativas dos preços de mercado desses serviços, localizamos o valor presente (o valor hoje) desses serviços”, disse, em entrevista a ((o))eco, por e-mail..

Capturadoras de carbono

As baleias acumulam carbono ao longo da vida. Cada grande baleia sequestra, em média, 33 toneladas de CO2, retirando esse carbono da atmosfera por séculos. Para efeito de comparação, uma árvore absorve, em média, apenas 7 kg de CO2 por ano.

Além do sequestro no próprio corpo, as baleias têm o poder de multiplicar a produção de fitoplâncton, criaturas microscópicas responsáveis pela captura de nada mais, nada menos, que 40% do CO2 produzido no mundo. Isso equivale à quantidade de emissões capturada por 1,70 trilhão de árvores – ou quatro florestas amazônicas. Mais fitoplâncton significa mais captura de carbono.

“A diversidade de baleias que ocorre aqui contribui para a fertilização marinha de maneiras diferentes. Por exemplo, os cachalotes, que vivem na borda da plataforma continental, se alimentam a grandes profundidades e depois defecam nas águas superficiais, promovendo aumento do fitoplâncton que está na base da cadeia alimentar.

Já espécies grande-migratórias, como as baleias-jubarte, se alimentam nas regiões polares no verão e trazem nutrientes para as regiões tropicais no verão. São literalmente centenas de milhares de toneladas de fertilizante natural que, em última análise, torna a pesca possível em nossa costa em volumes muito maiores do que se não houvesse esse serviço prestado pelas baleias”, explica José Truda Palazzo, Jr, ex-chefe da delegação científica do Brasil à Comissão Internacional da Baleia e atual Coordenador de Desenvolvimento do Instituto Baleia Jubarte.

A ciclagem de carbono e a fertilização dos oceanos são dois serviços ecossistêmicos de maior relevância prestada pelos grandes cetáceos, animais que tiveram redução drástica de população em todo mundo por causa da caça. Apesar da proibição na década de 80, e do anúncio recente do fim da captura “científica” de baleias pelo Japão, que restringirá a caça ao seu próprio território marinho, as grandes populações de cetáceos ainda se recuperam de séculos de caça indiscriminada.

Atividade não extrativa em Abrolhos. Foto: Projeto Baleia Jubarte.
Ainda segundo Truda, que também é colunista de ((o))eco, a fertilização dos oceanos promovida pelas grandes baleias beneficia diretamente a pesca. “Esse fenômeno é ainda mais importante em mares tropicais, relativamente pobres de nutrientes, como no Brasil”.

Outro importante serviço fornecido pelas grandes baleias, principalmente as mais exibidas, como a jubarte (Megaptera novaeangliae) e a franca (Eubalaena australis), é o turismo de observação, um dos maiores aliados da conservação destas espécies.

“[O turismo de observação de baleias] é uma atividade muito próspera, principalmente porque agrega a conservação do animal, gera pesquisa científica e aproximação das pessoas com os animais marinhos”, explica Sergio Cipolotti, coordenador operacional do Instituto Baleia Jubarte.

O turismo de observação de cetáceos movimenta, no mundo, cerca de 2 bilhões de dólares anuais. São mais de 130 países que promovem a atividade.

No Bahia, a visitação embarcada para observação ocorre principalmente no inverno, na época de reprodução das jubartes.

“A baleia fomenta o turismo no momento de baixa temporada e atrai pessoas do mundo inteiro. É uma atividade muito emocionante, todos têm um feedback muito positivo e, principalmente, aproxima as pessoas da questão da conservação dos oceanos. É uma forma única de sensibilização para essas questões, com as pessoas em um ambiente natural observando esses animais majestosos”, diz Cipolotti, que é encarregado da área de turismo do Instituto Baleia Jubarte.

Máscaras contra o coronavírus são piores que sacolas plásticas: o impacto no meio ambiente é devastador

O descarte inadequado das máscaras — hoje usadas por um grande número de pessoas devido à emergência sanitária — está levando a novos riscos concretos de poluição marinha, um problema que já é bastante sério, dada a quantidade de resíduos plásticos que acabam nos oceanos todos os anos.

Durante uma viagem exploratória às ilhas de Soko, em Hong Kong, uma equipe da OceansAsia, organização para a conservação marinha, encontrou pilhas de máscaras depositadas na praia. Daí o alarme: se não forem descartadas adequadamente, esses instrumentos provocarão um forte impacto ambiental.

Atualmente, as máscaras são usadas em grandes quantidades em todo o mundo devido à pandemia de coronavírus, mas, como tantos outros objetos, muitas vezes acabam se tornando lixo abandonado, espalhado por todos os cantos, chegando depois ao mar.

Todo mundo de máscara. Mas será que elas funcionam mesmo?

Um primeiro exemplo concreto disso foi observado em Soko, um pequeno grupo de ilhas localizadas na costa sudoeste da ilha de Lantau, em Hong Kong. Atualmente, a OceansAsia está conduzindo alguns projetos de pesquisa sobre poluição por plásticos e, duas vezes por mês, uma equipe visita as ilhas para investigar e analisar o acúmulo de resíduos na praia.

Na última expedição, a equipe percebeu o efeito provocado pela emergência do coronavírus nesses locais, não em termos sanitários, mas ambientais. Montes de máscaras se espalharam pela costa. Como declarou Gary Stokes, fundador da OceanAsia, ao Energy Live News:

“Encontramos 70 máscaras descartadas a 100 metros da praia e outras 30 máscaras quando voltamos uma semana depois”

Outras se encontravam na corrente e estavam prestes a chegar ao mar (o que não é surpreendente, considerando que 7 milhões de pessoas as usaram na China).

“As máscaras não eram tão antigas, algumas pareciam quase novas, o que significa que elas não estão na água há muito tempo”

Mas quais são os riscos ambientais?
Teale Phelps Bondaroff, diretor de pesquisa da OceansAsia, explicou:

“Uma máscara que venha a ser ingerida por uma tartaruga local, um golfinho-cor-de-rosa ou um boto-do-índico, por exemplo, pode facilmente ficar presa no sistema digestivo desses animais, matando-os.”

Mas não apenas:

A maioria dessas máscaras contém ou é feita de polipropileno, que não se rompe rapidamente.

A poluição marinha de plásticos é um problema sério. Estima-se que mais de oito milhões de toneladas de plástico entrem em nossos oceanos a cada ano. Este plástico não desaparece, mas se decompõe lentamente em microplástico, que entra nas cadeias alimentares, com efeitos devastadores”.

A organização asiática nos lembra algo muito importante: as pessoas definitivamente devem ser informadas para conhecer as maneiras adequadas de descartar corretamente o lixo, ao mesmo tempo que os governos devem prover meios para isso, tentando ainda reduzir o descarte ao máximo possível.

Do ponto de vista tecnológico, cada vez mais novas invenções aparecem: das embalagens aos materiais para construção, um mundo sustentável é possível.

Medidas de isolamento aumentam a quantidade de lixo doméstico e hospitalar

Mesmo com a interrupção dos trabalhos em grande parte dos setores, a coleta de resíduos entrou na lista dos serviços considerados “essenciais” e que, portanto, não podem parar, por vários motivos, mas, principalmente, pela importância em relação à proteção do meio ambiente e da saúde humana, mesmo durante processos epidêmicos.

As medidas de quarentena e isolamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial e, para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), estima que as medidas de quarentena e isolamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial. Já para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes.

Descarte correto é fundamental.

Crédito: Alamy Stock Photo.

Durante o período de quarentena imposto por autoridades de saúde globais para controle da pandemia do coronavírus (Covid-19), a população deve reforçar os cuidados com o descarte dos resíduos. O isolamento social e a prática do trabalho em casa aumentaram o volume de lixo produzido nas casas.

“Por conta desse caráter de essencialidade, é indispensável assegurar que tais serviços sejam diariamente executados, porque eles contribuem para auxiliar na prevenção da transmissão do coronavírus, bem como de outras doenças e endemias decorrentes de acúmulo e má gestão de resíduos. Se não houver trabalho efetivo nessa área, a imunidade e a saúde das pessoas ficariam comprometidas, o que seria um agravante bem sério diante do quadro atual”, observa Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe.

Em relação aos trabalhadores, a Abrelpe recomendou o afastamento das atividades dos empregados que integram grupos de risco (idosos, portadores de doenças crônicas, grávidas e lactantes, por exemplo), o uso e a higienização constantes dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de orientações frequentes para que os funcionários evitem de tocar olhos, nariz e boca antes de sempre higienizar muito bem as mãos.

No Paraná, a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo estima que a produção do lixo residencial dobrou nas últimas semanas. Segundo o engenheiro e coordenador de Projetos Sustentáveis, Charles Carneiro, os restaurantes e comércio em geral pararam de funcionar, mas as pessoas estão produzindo mais lixo em casa. Parece ser uma transferência simples de local. Porém, a situação é mais complexa.

“O agravante desse cenário é que esses setores compram no atacado e a aquisição da sociedade civil é no varejo. As pessoas em casa geram, portanto, muito mais material de acondicionamento de produtos, assim como sobras e aquilo que não é aproveitável para o consumo, aumentando, com isso, ainda mais o volume de lixo”, explicou o secretário Márcio Nunes.

Edélcio Marques dos Reis, diretor de limpeza pública de Curitiba, afirma que não houve aumento na produção de resíduos na capital paranaense, devido a um equilíbrio que ocorreu com a paralisação da atividade de bares, restaurantes, empresas e a presença menor de moradores da Região Metropolitana circulando na cidade.

“Talvez a resposta esteja aí. As pessoas estão em casa, estão gerando um pouco mais de resíduo, mas, em compensação, milhares de pessoas deixaram de vir diariamente à cidade, que são moradores da Região Metropolitana da cidade. Essas pessoas ficam nos municípios de origem e deixam de gerar lixo na capital”, avalia.

Curitiba gera, em média, 1,6 toneladas de resíduos domésticos por dia, de acordo com a média do ano de 2019. Nos primeiros meses de 2020, essa média se manteve e houve até uma pequena redução em março, para 1.585 quilos por dia.

Quanto aos resíduos recicláveis, a coleta pública cresceu. De 1.600 a 1.700 toneladas por mês e o total passou para o volume de duas mil toneladas. Mas isso não significa que a população esteja separando mais, mas sim, que existem menos coletores informais transitando pelas ruas.

Descarte em larga escala de máscaras de proteção
contamina oceanos

Algumas das muitas máscaras cirúrgicas achadas na praia das Ilhas Soko. Crédito: OceansAsia

Em alguns pontos do mundo, a pandemia pelo Covid-19 gerou contaminações tão inéditas quanto preocupantes. O alerta é de ambientalistas da ONG OceansAsia, que denunciaram o impacto desse novo tipo de lixo nas Ilhas Soko, na costa sudoeste de Hong Kong.

A equipe da OceansAsia realiza vários projetos de pesquisa sobre poluição plástica e, duas vezes por mês, visita as ilhas para realizar análises de microplásticos e do acúmulo de lixo na praia, procurando pistas da origem dos detritos. Também em conjunto com a WWF, a pesquisa monitora a superfície do oceano com drones. No início da epidemia, já foram vistas máscaras no ambiente marinho e, com o agravamento do problema, elas foram vistas ao longo da linha da maré alta e do litoral, à deriva nas correntes, chegando até a costa.

O município está fazendo um tipo de quarentena com o lixo coletado que é enviado às associações de catadores parceiras. Unidades que têm espaço nos barracões recebem o material em um ponto do depósito, onde ele fica por, no mínimo, por 24 horas. Só depois desse tempo é que o material vai para triagem e para venda. Para o diretor de limpeza pública, Edélcio Marques dos Reis esse é o protocolo adequado para que se evite a propagação do coronavírus e se garanta mais segurança para a saúde dessas pessoas que prestam um trabalho fundamental para o meio ambiente.

“Também vivemos um momento de epidemia de dengue. É muito importante para quem está em casa, até para ocupar o tempo, que faça a limpeza do quintal, desentulhe e desapegue das coisas sem uso. Se for material reciclável, as pessoas podem apresentá-los para a coleta seletiva. Se for orgânico, entregar para o caminhão da coleta. Jamais jogue o lixo em terreno baldio, nos cantos das ruas ou na beira dos rios.”

Iniciativas privadas também perceberam alteração na geração de lixo doméstico. A startup Composta+ coleta sobras orgânicas em mais de duzentas casas e em mais de cem empresas para fazer compostagem e fabricação de adubo e fertilizantes orgânicos. Em épocas normais, a empresa coletava uma média de 45 toneladas por mês. Após a quarentena iniciar, a quantidade de lixo orgânico gerada nas casas aumentou 26%.

A humanidade precisa repensar o consumo de plástico e o descarte do lixo. Essa imagem nos faz lembrar a urgência de medidas responsáveis, para que não se tornem tão frequentes como hoje.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

A startup viu neste momento uma oportunidade de negócio e, para as pessoas, uma chance de construir hábitos sustentáveis e saudáveis. A empresa até lançou promoções, com uma isenção no 1°mês, para conseguir mais clientes dispostos a separar os resíduos para compostagem. O serviço funciona por assinatura. A empresa leva os baldinhos até os locais e passa uma vez por semana recolhendo os orgânicos gerados. O custo mensal inicial para residência é de R$55 por mês.

“Mesmo com esse momento difícil, queremos compostar o máximo que a gente puder, pois essa é a nossa forma de ajudar a sociedade a enfrentar esse desafio. Queremos levar essa experiência para mais pessoas e famílias, para que possamos gerar esse impacto positivo no mundo – junto com a entrega de mudas e adubo, revivendo momentos como o de cultivo de uma mudinha, até para dar uma desestressada”, diz Igor Gonçalves Oliveira, representante da Composta.

Os microorganismos podem resolver nosso problema de resíduos de plástico?

A reciclagem de plásticos e outros materiais sintéticos costuma ser cara e nem sempre é possível.

Agora, os pesquisadores descobriram uma enzima que decompõe o PET em apenas algumas horas e permite que novas garrafas de plástico sejam produzidas com lucro.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinaram cerca de 100.000 microorganismos diferentes e finalmente encontraram o que procuravam em uma pilha de folhas. A enzima bacteriana mutada, agora presente na revista “Nature”, decompõe o tereftalato de polietileno (PET)  Em suas partes constituintes em um curto espaço de tempo: em apenas 10 horas, a enzima mutada decompôs 1 tonelada (1,1 tonelada de US) de velhas garrafas plásticas em 90% de seus componentes.

Solução para o problema global de resíduos?

Há muita esperança de que os microrganismos sejam capazes de resolver nosso problema de plástico em um futuro próximo. Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito. Em todo o mundo, são produzidas anualmente cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos, das quais cerca de 150 a 200 milhões de toneladas acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente.Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito.

O tereftalato de polietileno (PET) é o plástico de poliéster mais difundido, com quase 70 milhões de toneladas usadas a cada ano. Na sua forma mais pura, o PET é usado na indústria de alimentos, por exemplo, na produção de garrafas, filmes e embalagens de alimentos. O poliéster resistente a rasgões, intempéries e sem rugas também é usado para fabricar fibras têxteis.

No entanto, o PET não pode realmente ser reciclado, apenas reduzido. Durante esse processo termomecânico, o material perde muitas de suas propriedades e pode ser usado apenas para produtos inferiores, como tecidos de lã ou tapetes.

Resultados da pesquisa japonesa

Pesquisadores japoneses do Instituto de Tecnologia de Kyoto descobriram em 2016 que certas enzimas podem quebrar os plásticos. Ao examinar as águas residuais, sedimentos e lodo ativo em uma planta de reciclagem de garrafas PET, eles encontraram a bactéria Ideonella sakaisensis 201-F6. Duas enzimas anteriormente desconhecidas da bactéria são responsáveis ​​pelo processo de decomposição natural. A enzima ISF6_4831 converte PET em um produto intermediário, e a outra enzima, ISF6_0224, converte ainda mais esse produto intermediário para que, no final, restem apenas ácido tereftálico e glicol inofensivos.

No entanto, como esse processo de decomposição natural leva mais de um ano, cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA continuaram suas pesquisas e, acidentalmente, criaram a nova enzima mencionada acima, que decompõe o PET muito mais rapidamente. Os resultados foram publicados pela primeira vez em 2018 na revista “Proceedings of the American Academy of Sciences” (PNAS).

Há muito se sabe que certos fungos podem decompor não apenas o PET, mas também o alsopoliuretano. Milhões de toneladas desse plástico também são produzidas anualmente, principalmente como espuma macia usada para itens como isolamento de espuma, esponjas de cozinha e fraldas, ou como espuma rígida em calçados esportivos, por exemplo. Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Quando o poliuretano se degrada, podem ser liberados produtos químicos tóxicos e cancerígenos que matariam a maioria das bactérias. No entanto, a bactéria encontrada em um aterro sanitário e apresentada ao público em março pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Leipzig não é afetada.Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Provém da cepa das bactérias Pseudomonas, que são capazes de sobreviver mesmo sob condições adversas, como altas temperaturas e ambientes ácidos.

Embora seja muito mais fácil usar bactérias do que fungos para aplicações industriais, Hermann Heipieper, da equipe de pesquisa Helmholtz, estima que ainda levaria 10 anos para que a bactéria pudesse ser empregada em larga escala. Enquanto isso, é importante diminuir o uso de plásticos difíceis de reciclar e reduzir a quantidade de plásticos no ambiente, diz Heipieper.

Perspectivas lucrativas

A enzima recentemente apresentada pode ser de grande benefício não apenas para o meio ambiente, mas também para a empresa francesa Carbios, que trabalha intensamente há anos na decomposição em larga escala de PET usando enzimas e que também financiou esse desenvolvimento.

Em cinco anos, a Carbios pretende trazer o novo processo de reciclagem para o mercado em escala industrial. Isso pode valer a pena porque o custo da enzima é de apenas 4% do custo do petróleo necessário para produzir uma quantidade comparável de novas garrafas de plástico.

Embora as garrafas de PET ainda precisem ser trituradas e aquecidas, o novo processo é lucrativo, disse Martin Stephan, vice-diretor da Carbios. Para garantir que o desenvolvimento de enzimas possa ganhar rapidamente impulso, a Carbios recebe forte apoio financeiro de grandes empresas como Pepsi e L’Oreal.

Alta concentração microplástica encontrada no fundo do oceano

O que acontece com os microplásticos no oceano?

Os cientistas identificaram os níveis mais altos de microplásticos já registrados no fundo do mar.

A contaminação foi encontrada em sedimentos retirados do fundo do Mediterrâneo, perto da Itália.

A análise, liderada pela Universidade de Manchester, encontrou até 1,9 milhão de peças plásticas por metro quadrado.

Esses itens provavelmente incluíam fibras de roupas e outros tecidos sintéticos e pequenos fragmentos de objetos maiores que haviam se quebrado ao longo do tempo.

As investigações dos pesquisadores os levam a acreditar que os microplásticos (menores que 1 mm) estão sendo concentrados em locais específicos no fundo do oceano por poderosas correntes de fundo.

“Essas correntes constroem o que chamamos de depósitos à deriva; pense nas dunas subaquáticas”, explicou o Dr. Ian Kane, que liderou a equipe internacional.

“Eles podem ter dezenas de quilômetros de comprimento e centenas de metros de altura. Eles estão entre os maiores acúmulos de sedimentos da Terra. Eles são feitos predominantemente de lodo muito fino, por isso é intuitivo esperar que microplásticos sejam encontrados dentro deles”.

O audacioso plano da Nature Conservancy para salvar os oceanos do mundo

Como um projeto TED Audacious de 2019, a TNC espera desbloquear US $ 1,6 bilhão em financiamento para conservação.

Hoje, a The Nature Conservancy (TNC), uma organização ambiental internacional sem fins lucrativos, anunciou no TED em Vancouver, Canadá, um plano para aumentar drasticamente a conservação dos oceanos em todo o mundo.

Ao entregar Blue Bonds para a Conservação do Oceano em até 20 países nos próximos cinco anos, a TNC ajudará a garantir a nova proteção de até 4 milhões de quilômetros quadrados dos mais habitats oceânicos críticos para a biodiversidade do mundo – 15 aumento percentual na quantidade de oceano protegido que existe atualmente. Este plano, que foi selecionado entre mais de 1.500 candidatos ao The Audacious Project, já garantiu mais de US $ 23 milhões em financiamento de vários doadores dentre os US $ 40 milhões da TNC, em última análise, requer o desbloqueio de US $ 1,6 bilhão na conservação marinha.

Por que isso é importante? Os cientistas estimam que, com os negócios como de costume, 90% dos recifes de coral desaparecerão durante nossas vidas. Oitenta por cento da pesca global já são considerados totalmente explorados ou superexplorados. O aumento do mar e as tempestades mais fortes ameaçam 40% da população mundial. As florestas de mangue sequestram quatro vezes mais carbono que as florestas tropicais, mas estão desaparecendo em um ritmo três a cinco vezes mais rápido. Esses ecossistemas fornecem recursos e proteção cruciais para as comunidades costeiras e suas economias.Blog do Mesquita,Crimes Ambientais,Brasil,IBAMA,Meio Ambiente,Ecologia,Amazônia,Rio Amazonas,Economia,Petróleo,Poluição,Oceanos

Mas tudo não está perdido. A proteção do oceano, quando bem feita, funciona. Cabo Pulmo, na Península de Baja, no México, estabeleceu uma área marinha protegida e, 10 anos depois, reverteu o número de décadas de sobrepesca e aumentou o estoque de peixes em mais de 400%. Mas exemplos como esse são raros porque, com muita freqüência, as nações insulares e costeiras estão endividadas e não podem pagar pela conservação para tornar seu ambiente e economia mais resilientes.

“Ainda há tempo para reverter décadas de danos aos oceanos do mundo antes de chegarmos ao ponto de não retorno”, disse Mark Tercek, CEO da The Nature Conservancy. “Será preciso algo audacioso para enfrentar a proteção marinha nessa escala, o que significa pensar além das abordagens mais tradicionais de conservação dos oceanos”.

“Para proteger a vida marinha e restaurar a saúde e a produtividade de nossos oceanos, precisamos proteger muito mais áreas marinhas do planeta em sua condição natural”, disse Hansjörg Wyss, fundador e presidente da The Wyss Foundation e um financiador. Não há solução para a bala de prata, aplicando um conjunto cada vez mais inventivo de estratégias – de novas áreas protegidas e reformas de políticas a investimentos inteligentes em conservação – países e comunidades ao redor do mundo já estão começando a trazer vida de volta às áreas marinhas ameaçadas. ”

Como funciona?

Os títulos financeiros para conservação refinanciam e reestruturam a dívida dos países costeiros e insulares em grande escala.

No coração de um Blue Bond está um acordo. Uma nação costeira ou insular compromete-se a proteger pelo menos 30% de suas áreas oceânicas próximas à costa, incluindo recifes de coral, manguezais, locais de desova de peixes e outros habitats e espécies oceânicos importantes. Em troca, a TNC ajuda a reestruturar uma parte da dívida soberana do país, levando a taxas de juros mais baixas e períodos de reembolso mais longos, além de apoiar o trabalho de conservação em andamento, como melhorar o gerenciamento da pesca e reduzir a poluição.

Os cientistas da TNC criam então um plano espacial marinho com contribuições das comunidades locais, incluindo associações de pescadores, empresas de turismo e funcionários do governo. O engajamento local é fundamental para garantir que o plano apóie de maneira sustentável a economia local, enquanto protege o habitat.

Por fim, a TNC estabelece um fundo fiduciário para pagar pelas novas áreas marinhas protegidas e outras ações de conservação, usando economias da reestruturação da dívida e dólares filantrópicos. O fundo fiduciário – que é independente do governo e controla totalmente o financiamento – garante que o governo cumpra seu compromisso.

“Encontrar maneiras de proteger terras e águas – e pagar por essa proteção – está em nosso DNA”, continuou Tercek. “A Nature Conservancy trabalha com nações para projetar áreas marinhas protegidas há 30 anos. Lideramos mais de 100 projetos oceânicos cobrindo 1,3 milhão de quilômetros quadrados em todo o mundo e geramos mais de US $ 250 milhões em financiamento para a conservação marinha. Estamos empolgados com a oportunidade de aproveitar essa experiência e demonstrar a mais países que salvar a natureza é o investimento mais inteligente que eles podem fazer. ”

A TNC testou a idéia do Blue Bonds nas Seychelles a partir de 2012, e o país está agora no caminho de expandir as proteções marinhas para quase 400.000 quilômetros quadrados de habitat oceânico até 2020 – uma área do tamanho da Alemanha.

“A Nature Conservancy é pioneira na conservação da natureza – usando financiamento inovador para alimentar planos de proteção marinha cientificamente sólidos que trazem de volta à vida os corais, melhoram os estoques de peixes e protegem a vida e os meios de subsistência das pessoas”, disse Anna Verghese, diretora executiva do The Audacious Project . “Ficamos inspirados pela simplicidade do plano e pelo incrível histórico da Conservancy e esperamos ver o que a Conservancy realizará quando expandir seu alcance com o apoio alavancado por meio do The Audacious Project”.

Impacto esperado

A TNC agora pretende entregar o modelo de títulos azuis para conservação em 20 países nos próximos cinco anos. Com US $ 40 milhões em financiamento filantrópico antecipado – incluindo financiamento através do The Audacious Project, complementado por futuras contribuições filantrópicas – o objetivo da TNC é expandir sua capacidade de fechar rapidamente acordos que desbloqueiem um fluxo de receita sustentável de US $ 1,6 bilhão para a conservação do oceano. A TNC estima que existam perto de 100 países onde esses projetos poderiam ser desenvolvidos.

“Esta é a oportunidade filantrópica de uma vida”, disse Tercek. “Todo dólar que levantarmos resultará em 40 vezes o impacto. É difícil encontrar uma alavancagem melhor que essa. ”

Com seu plano de trazer Blue Bonds para 20 países, a organização espera realizar o seguinte:

Proteger 2 milhões de milhas quadradas (4 milhões de km2) de oceano
Compromissos dos países para proteger pelo menos um terço de seus recursos marinhos
Metade desses recursos marinhos são reservados para aumentar a resiliência às mudanças climáticas para as principais espécies e habitats marinhos
Economize 13% dos recifes de coral do mundo
Planos de proteção marinha personalizados garantem a proteção e restauração dos recifes de coral mais importantes
Recifes saudáveis ​​fornecem habitat para peixes, tartarugas marinhas, raias e outras espécies marinhas e “sementes” ao redor dos recifes, espalhando larvas de coral pelas correntes oceânicas
Beneficie 43 milhões de pessoas que vivem a 100 km de uma costa
A pesca saudável é protegida e a pesca degradada retorna à abundância, dando às pessoas do litoral uma fonte segura de alimento e renda
Recifes de coral, manguezais e zonas úmidas armazenam carbono, protegem as comunidades de tempestades e mares altos e reforçam as economias costeiras

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Caribe: uma paraíso… de plástico!

Um paraíso, um lugar dos sonhos que sempre foi considerado o símbolo da beleza natural.

Mas o Caribe está escondendo uma sua outra face. Um verdadeiro mar de lixo envolvendo suas ilhas, mostrado pelas fotos tiradas da Reserva Marinha dos Cayos Cochinos pela fotógrafa Caroline Power.

Cayos Cochinos é um grupo de ilhas formado por duas pequenas ilhas e 13 cayos (ilhas rasas, pequenas, arenosas, formadas na superfície por um arrecife de coral).

Localizada a cerca de 30 km a nordeste de La Ceiba, na costa norte de Honduras, estas ilhas fazem parte de uma reserva marinha protegida. O recife de coral do qual fazem parte é o segundo maior do mundo e é conhecido como a Barreira de Coral Mesoamericana.

Caroline, especialista em fotografia subaquática, dedica sua carreira a destacar os danos que o lixo plástico vem causando aos nossos oceanos e águas. Assim, recentemente, ela imortalizou uma cena de horror que se encontra ao largo da costa de Honduras, entre as ilhas Roatan e Cayos Cochinos.

O barco em que ela estava passou por uma extensão de lixo, principalmente feito de plástico.

“Ver algo que eu amo assim tão profundamente, danificado, lentamente sufocado até a morte por causa do lixo humano, tem sido devastador”, disse a fotógrafa ao Telegraph. “Uma vez que o lixo acaba no oceano, é incrivelmente difícil e caro removê-lo”.

A solução seria evitar isso, melhorando a gestão dos resíduos, a educação ambiental e a abertura de fábricas de reciclagem no mundo inteiro.

As imagens abaixo mostram o que você pode encontrar visitando um dos locais de mergulho mais lindos do Caribe. A fotógrafa atravessou uma lixeira marinha de cerca de 10 km de largura:

“Em todo lugar que olhamos, havia sacolas de plástico de todas as formas e tamanhos e outras embalagens. Algumas estavam cheias e outras rasgadas. Infelizmente, muitas tartarugas, peixes, baleias e aves marinhas não sabem que é lixo e as confundem por comida”.

Blue Planet Society, uma organização que pretende por fim à pesca e à super exploração dos oceanos, acredita que os resíduos vieram do rio Motágua na Guatemala, terminando no mar durante chuvas intensas.

A fotógrafa colocou suas fotos nas redes sociais para mostrar o que estamos fazendo com o nosso planeta.


“Se não mudarmos nosso comportamento agora, teremos mais plástico do que peixes no oceano”.