Medidas de isolamento aumentam a quantidade de lixo doméstico e hospitalar

Mesmo com a interrupção dos trabalhos em grande parte dos setores, a coleta de resíduos entrou na lista dos serviços considerados “essenciais” e que, portanto, não podem parar, por vários motivos, mas, principalmente, pela importância em relação à proteção do meio ambiente e da saúde humana, mesmo durante processos epidêmicos.

As medidas de quarentena e isolamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial e, para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), estima que as medidas de quarentena e isolamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial. Já para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes.

Descarte correto é fundamental.

Crédito: Alamy Stock Photo.

Durante o período de quarentena imposto por autoridades de saúde globais para controle da pandemia do coronavírus (Covid-19), a população deve reforçar os cuidados com o descarte dos resíduos. O isolamento social e a prática do trabalho em casa aumentaram o volume de lixo produzido nas casas.

“Por conta desse caráter de essencialidade, é indispensável assegurar que tais serviços sejam diariamente executados, porque eles contribuem para auxiliar na prevenção da transmissão do coronavírus, bem como de outras doenças e endemias decorrentes de acúmulo e má gestão de resíduos. Se não houver trabalho efetivo nessa área, a imunidade e a saúde das pessoas ficariam comprometidas, o que seria um agravante bem sério diante do quadro atual”, observa Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe.

Em relação aos trabalhadores, a Abrelpe recomendou o afastamento das atividades dos empregados que integram grupos de risco (idosos, portadores de doenças crônicas, grávidas e lactantes, por exemplo), o uso e a higienização constantes dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de orientações frequentes para que os funcionários evitem de tocar olhos, nariz e boca antes de sempre higienizar muito bem as mãos.

No Paraná, a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo estima que a produção do lixo residencial dobrou nas últimas semanas. Segundo o engenheiro e coordenador de Projetos Sustentáveis, Charles Carneiro, os restaurantes e comércio em geral pararam de funcionar, mas as pessoas estão produzindo mais lixo em casa. Parece ser uma transferência simples de local. Porém, a situação é mais complexa.

“O agravante desse cenário é que esses setores compram no atacado e a aquisição da sociedade civil é no varejo. As pessoas em casa geram, portanto, muito mais material de acondicionamento de produtos, assim como sobras e aquilo que não é aproveitável para o consumo, aumentando, com isso, ainda mais o volume de lixo”, explicou o secretário Márcio Nunes.

Edélcio Marques dos Reis, diretor de limpeza pública de Curitiba, afirma que não houve aumento na produção de resíduos na capital paranaense, devido a um equilíbrio que ocorreu com a paralisação da atividade de bares, restaurantes, empresas e a presença menor de moradores da Região Metropolitana circulando na cidade.

“Talvez a resposta esteja aí. As pessoas estão em casa, estão gerando um pouco mais de resíduo, mas, em compensação, milhares de pessoas deixaram de vir diariamente à cidade, que são moradores da Região Metropolitana da cidade. Essas pessoas ficam nos municípios de origem e deixam de gerar lixo na capital”, avalia.

Curitiba gera, em média, 1,6 toneladas de resíduos domésticos por dia, de acordo com a média do ano de 2019. Nos primeiros meses de 2020, essa média se manteve e houve até uma pequena redução em março, para 1.585 quilos por dia.

Quanto aos resíduos recicláveis, a coleta pública cresceu. De 1.600 a 1.700 toneladas por mês e o total passou para o volume de duas mil toneladas. Mas isso não significa que a população esteja separando mais, mas sim, que existem menos coletores informais transitando pelas ruas.

Descarte em larga escala de máscaras de proteção
contamina oceanos

Algumas das muitas máscaras cirúrgicas achadas na praia das Ilhas Soko. Crédito: OceansAsia

Em alguns pontos do mundo, a pandemia pelo Covid-19 gerou contaminações tão inéditas quanto preocupantes. O alerta é de ambientalistas da ONG OceansAsia, que denunciaram o impacto desse novo tipo de lixo nas Ilhas Soko, na costa sudoeste de Hong Kong.

A equipe da OceansAsia realiza vários projetos de pesquisa sobre poluição plástica e, duas vezes por mês, visita as ilhas para realizar análises de microplásticos e do acúmulo de lixo na praia, procurando pistas da origem dos detritos. Também em conjunto com a WWF, a pesquisa monitora a superfície do oceano com drones. No início da epidemia, já foram vistas máscaras no ambiente marinho e, com o agravamento do problema, elas foram vistas ao longo da linha da maré alta e do litoral, à deriva nas correntes, chegando até a costa.

O município está fazendo um tipo de quarentena com o lixo coletado que é enviado às associações de catadores parceiras. Unidades que têm espaço nos barracões recebem o material em um ponto do depósito, onde ele fica por, no mínimo, por 24 horas. Só depois desse tempo é que o material vai para triagem e para venda. Para o diretor de limpeza pública, Edélcio Marques dos Reis esse é o protocolo adequado para que se evite a propagação do coronavírus e se garanta mais segurança para a saúde dessas pessoas que prestam um trabalho fundamental para o meio ambiente.

“Também vivemos um momento de epidemia de dengue. É muito importante para quem está em casa, até para ocupar o tempo, que faça a limpeza do quintal, desentulhe e desapegue das coisas sem uso. Se for material reciclável, as pessoas podem apresentá-los para a coleta seletiva. Se for orgânico, entregar para o caminhão da coleta. Jamais jogue o lixo em terreno baldio, nos cantos das ruas ou na beira dos rios.”

Iniciativas privadas também perceberam alteração na geração de lixo doméstico. A startup Composta+ coleta sobras orgânicas em mais de duzentas casas e em mais de cem empresas para fazer compostagem e fabricação de adubo e fertilizantes orgânicos. Em épocas normais, a empresa coletava uma média de 45 toneladas por mês. Após a quarentena iniciar, a quantidade de lixo orgânico gerada nas casas aumentou 26%.

A humanidade precisa repensar o consumo de plástico e o descarte do lixo. Essa imagem nos faz lembrar a urgência de medidas responsáveis, para que não se tornem tão frequentes como hoje.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

A startup viu neste momento uma oportunidade de negócio e, para as pessoas, uma chance de construir hábitos sustentáveis e saudáveis. A empresa até lançou promoções, com uma isenção no 1°mês, para conseguir mais clientes dispostos a separar os resíduos para compostagem. O serviço funciona por assinatura. A empresa leva os baldinhos até os locais e passa uma vez por semana recolhendo os orgânicos gerados. O custo mensal inicial para residência é de R$55 por mês.

“Mesmo com esse momento difícil, queremos compostar o máximo que a gente puder, pois essa é a nossa forma de ajudar a sociedade a enfrentar esse desafio. Queremos levar essa experiência para mais pessoas e famílias, para que possamos gerar esse impacto positivo no mundo – junto com a entrega de mudas e adubo, revivendo momentos como o de cultivo de uma mudinha, até para dar uma desestressada”, diz Igor Gonçalves Oliveira, representante da Composta.

Por que os céus claros do confinamento não são uma boa notícia para o planeta

Nem as águas limpas dos canais de Veneza. Nem as fotos de animais conquistando a cidade

Um grupo de cabras montesas anda pelas ruas de Llandudno, em Gales.

Mudaremos tanto por dentro após a vida de confinamento?
Irrelevante, insignificante, trivial. Esse é o efeito da redução dos gases poluidores (fundamentalmente, dos carros e da indústria) no aquecimento global. Aqueles que vociferam que o novo coronavírus deu um respiro ao planeta, como se espera que prove um céu azul claro poucas vezes visto em cidades poluídas, estão misturando conceitos, como o de qualidade do ar e mudança climática. “O primeiro tem a ver com emissões que nas cidades vêm, principalmente, do tráfego. Aí realmente veremos benefícios na saúde a curto prazo, pois caíram muito pelo confinamento. Mas, se o assunto é mudança climática, o importante é o CO2, cujas emissões quase não caíram a nível mundial”, diz Julio Díaz Jiménez, cientista titular na Escola Nacional de Saúde no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

E continua: “De fato, há somente três dias batemos um novo recorde de PPM na atmosfera [unidade que mede a concentração de dióxido de carbono]. A pandemia não mudou nada”. E mais, foi postergada, por segurança, uma importante reunião que verdadeiramente poderia ter feito algo para evitar secas, incêndios e catástrofes, a Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26), em que os países se dispunham a aumentar seu compromisso contra o aquecimento global (até agora, insuficiente). No melhor dos casos só ocorrerá em novembro de 2021.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Não há copo meio cheio que chegue. Enquanto algumas previsões dizem que os estragos do coronavírus farão com que finalizemos o ano com uma queda nas emissões de CO2 de 5%, o necessário é chegar a 7,6% durante dez anos (ou, pelo menos, quedas de 10% mensais nos próximos 12 meses). As conversas para tentá-lo ―agora sepultadas pela urgência da situação― eram muito mais importantes do que essa parada forçada, concordam os especialistas. E meses de negociações foram perdidos… Também não é tão idílica essa nova imagem dos canais de Veneza com águas límpidas e transparentes (até peixes foram vistos). “Sem medições é impossível saber se é pela qualidade da água ou se, pela falta de barcos, os sedimentos não se removem e permanecem no fundo”, afirma Davide Tagliapietra, do Instituto de Ciências Marinhas da Itália.

O plástico sai de seu esconderijo

De acordo com a Bloomberg, nos EUA se passou uma semana entre o primeiro caso de covid-19 e a proibição da Starbucks de que seus clientes levem xícaras de casa para beber seus cafés. Os copos de plástico descartáveis se tornaram obrigatórios por motivos de saúde. A empresa editorial e de assessoria financeira lançou por sua vez um relatório pormenorizado no qual anuncia uma etapa dourada à indústria das embalagens do até bem pouco tempo desprezado material, “já que suas alternativas ecológicas apresentam dúvidas de higiene e segurança”.

Para não falar da altíssima demanda de máscaras, luvas, papel filme transparente e outros artigos muito procurados. O Greenpeace tem certeza de que a poluição por plásticos será um dos assuntos de sua agenda durante a gestão da crise. As corridas aos supermercados não ajudam. “Não temos dados, mas é evidente que há um aumento do consumo de produtos embalados em plásticos descartáveis”, diz a ONG.

Não está tudo perfeito aos animais

Pode parecer, pelas imagens de patos, javalis e cabras perambulando por locais até pouco tempo monopolizados pelos avarentos humanos (não acredite em todas: atenção ao fascículo, que você pode encontrar no PDF do novo número de BUENAVIDA, em espanhol, disponível grátis nesse link). São muitas as espécies, entretanto, que sofreram pela ausência de pessoas durante o confinamento (e continuarão sofrendo no que, previsivelmente, está por vir).

Como denunciou há pouco uma reportagem da revista Wired, qualquer animal com chifres na África, como é o caso dos rinocerontes, hoje corre mais riscos de ser caçado. “[Pela destruição dos empregos dos guardas florestais], se perderá todo o trabalho de conservação feito nos últimos dez anos na região”, avalia, na reportagem, um porta-voz da ONG The Nature Conservancy. É um lamento generalizado de todos os que se dedicam à conservação de espécies, de aves à fauna marina: com laboratórios fechados e fundos paralisados, seu trabalho está em perigo.

A fauna urbana, por sua vez, não está melhor. “As colônias de gatos, os patos, pavões-indianos de alguns parques e as pequenas aves que comem as sobras dos terraços estão desamparados”, afirmou Matilde Cubillo, presidenta da Federação de Associações Protetoras e de Defesa Animal da Comunidade de Madri, ao EL PAÍS. Nos abrigos de animais, não há adoções e voluntários.

Então não há esperança ao meio ambiente?Natureza,Ambiente,Meio Ambientea,Clima,Blog do Mesquita 01

O cientista Julio Díaz, chefe do departamento de Epidemiologia e Bioestatística do ISCIII, lança uma luz sobre o momento crucial ao planeta: “Aprendemos que a saúde pode vir antes da economia. E a defesa do meio ambiente é uma defesa da saúde: não se entende um sem o outro. Mas precisamos lembrar disso após a recessão, e não continuar com o ritmo de crescimento e emissões tão selvagem que fazíamos”.

A questão mais espinhosa: a crise econômica que se espera com a pandemia pode ser uma oportunidade para realizar a transição energética ou se transformará na desculpa perfeita para deixá-la para trás? Díaz tenta, com dificuldades, ser otimista… “Já tenho certa idade. E a história nos diz que ocorrerá a segunda opção.

Nos EUA, Donald Trump anunciou que relaxará as leis ambientais à indústria automotiva para diminuir a recessão. A China já emite gases poluidores pelo tráfego no mesmo nível do que antes da pandemia. Ainda assim, escolhi acreditar”. Gestos individuais? Também os espera: “Acredito que tenhamos aprendido que a bicicleta é um grande meio de transporte, e que não é preciso pegar um avião quando é possível se reunir pela Internet”.

O audacioso plano da Nature Conservancy para salvar os oceanos do mundo

Como um projeto TED Audacious de 2019, a TNC espera desbloquear US $ 1,6 bilhão em financiamento para conservação.

Hoje, a The Nature Conservancy (TNC), uma organização ambiental internacional sem fins lucrativos, anunciou no TED em Vancouver, Canadá, um plano para aumentar drasticamente a conservação dos oceanos em todo o mundo.

Ao entregar Blue Bonds para a Conservação do Oceano em até 20 países nos próximos cinco anos, a TNC ajudará a garantir a nova proteção de até 4 milhões de quilômetros quadrados dos mais habitats oceânicos críticos para a biodiversidade do mundo – 15 aumento percentual na quantidade de oceano protegido que existe atualmente. Este plano, que foi selecionado entre mais de 1.500 candidatos ao The Audacious Project, já garantiu mais de US $ 23 milhões em financiamento de vários doadores dentre os US $ 40 milhões da TNC, em última análise, requer o desbloqueio de US $ 1,6 bilhão na conservação marinha.

Por que isso é importante? Os cientistas estimam que, com os negócios como de costume, 90% dos recifes de coral desaparecerão durante nossas vidas. Oitenta por cento da pesca global já são considerados totalmente explorados ou superexplorados. O aumento do mar e as tempestades mais fortes ameaçam 40% da população mundial. As florestas de mangue sequestram quatro vezes mais carbono que as florestas tropicais, mas estão desaparecendo em um ritmo três a cinco vezes mais rápido. Esses ecossistemas fornecem recursos e proteção cruciais para as comunidades costeiras e suas economias.Blog do Mesquita,Crimes Ambientais,Brasil,IBAMA,Meio Ambiente,Ecologia,Amazônia,Rio Amazonas,Economia,Petróleo,Poluição,Oceanos

Mas tudo não está perdido. A proteção do oceano, quando bem feita, funciona. Cabo Pulmo, na Península de Baja, no México, estabeleceu uma área marinha protegida e, 10 anos depois, reverteu o número de décadas de sobrepesca e aumentou o estoque de peixes em mais de 400%. Mas exemplos como esse são raros porque, com muita freqüência, as nações insulares e costeiras estão endividadas e não podem pagar pela conservação para tornar seu ambiente e economia mais resilientes.

“Ainda há tempo para reverter décadas de danos aos oceanos do mundo antes de chegarmos ao ponto de não retorno”, disse Mark Tercek, CEO da The Nature Conservancy. “Será preciso algo audacioso para enfrentar a proteção marinha nessa escala, o que significa pensar além das abordagens mais tradicionais de conservação dos oceanos”.

“Para proteger a vida marinha e restaurar a saúde e a produtividade de nossos oceanos, precisamos proteger muito mais áreas marinhas do planeta em sua condição natural”, disse Hansjörg Wyss, fundador e presidente da The Wyss Foundation e um financiador. Não há solução para a bala de prata, aplicando um conjunto cada vez mais inventivo de estratégias – de novas áreas protegidas e reformas de políticas a investimentos inteligentes em conservação – países e comunidades ao redor do mundo já estão começando a trazer vida de volta às áreas marinhas ameaçadas. ”

Como funciona?

Os títulos financeiros para conservação refinanciam e reestruturam a dívida dos países costeiros e insulares em grande escala.

No coração de um Blue Bond está um acordo. Uma nação costeira ou insular compromete-se a proteger pelo menos 30% de suas áreas oceânicas próximas à costa, incluindo recifes de coral, manguezais, locais de desova de peixes e outros habitats e espécies oceânicos importantes. Em troca, a TNC ajuda a reestruturar uma parte da dívida soberana do país, levando a taxas de juros mais baixas e períodos de reembolso mais longos, além de apoiar o trabalho de conservação em andamento, como melhorar o gerenciamento da pesca e reduzir a poluição.

Os cientistas da TNC criam então um plano espacial marinho com contribuições das comunidades locais, incluindo associações de pescadores, empresas de turismo e funcionários do governo. O engajamento local é fundamental para garantir que o plano apóie de maneira sustentável a economia local, enquanto protege o habitat.

Por fim, a TNC estabelece um fundo fiduciário para pagar pelas novas áreas marinhas protegidas e outras ações de conservação, usando economias da reestruturação da dívida e dólares filantrópicos. O fundo fiduciário – que é independente do governo e controla totalmente o financiamento – garante que o governo cumpra seu compromisso.

“Encontrar maneiras de proteger terras e águas – e pagar por essa proteção – está em nosso DNA”, continuou Tercek. “A Nature Conservancy trabalha com nações para projetar áreas marinhas protegidas há 30 anos. Lideramos mais de 100 projetos oceânicos cobrindo 1,3 milhão de quilômetros quadrados em todo o mundo e geramos mais de US $ 250 milhões em financiamento para a conservação marinha. Estamos empolgados com a oportunidade de aproveitar essa experiência e demonstrar a mais países que salvar a natureza é o investimento mais inteligente que eles podem fazer. ”

A TNC testou a idéia do Blue Bonds nas Seychelles a partir de 2012, e o país está agora no caminho de expandir as proteções marinhas para quase 400.000 quilômetros quadrados de habitat oceânico até 2020 – uma área do tamanho da Alemanha.

“A Nature Conservancy é pioneira na conservação da natureza – usando financiamento inovador para alimentar planos de proteção marinha cientificamente sólidos que trazem de volta à vida os corais, melhoram os estoques de peixes e protegem a vida e os meios de subsistência das pessoas”, disse Anna Verghese, diretora executiva do The Audacious Project . “Ficamos inspirados pela simplicidade do plano e pelo incrível histórico da Conservancy e esperamos ver o que a Conservancy realizará quando expandir seu alcance com o apoio alavancado por meio do The Audacious Project”.

Impacto esperado

A TNC agora pretende entregar o modelo de títulos azuis para conservação em 20 países nos próximos cinco anos. Com US $ 40 milhões em financiamento filantrópico antecipado – incluindo financiamento através do The Audacious Project, complementado por futuras contribuições filantrópicas – o objetivo da TNC é expandir sua capacidade de fechar rapidamente acordos que desbloqueiem um fluxo de receita sustentável de US $ 1,6 bilhão para a conservação do oceano. A TNC estima que existam perto de 100 países onde esses projetos poderiam ser desenvolvidos.

“Esta é a oportunidade filantrópica de uma vida”, disse Tercek. “Todo dólar que levantarmos resultará em 40 vezes o impacto. É difícil encontrar uma alavancagem melhor que essa. ”

Com seu plano de trazer Blue Bonds para 20 países, a organização espera realizar o seguinte:

Proteger 2 milhões de milhas quadradas (4 milhões de km2) de oceano
Compromissos dos países para proteger pelo menos um terço de seus recursos marinhos
Metade desses recursos marinhos são reservados para aumentar a resiliência às mudanças climáticas para as principais espécies e habitats marinhos
Economize 13% dos recifes de coral do mundo
Planos de proteção marinha personalizados garantem a proteção e restauração dos recifes de coral mais importantes
Recifes saudáveis ​​fornecem habitat para peixes, tartarugas marinhas, raias e outras espécies marinhas e “sementes” ao redor dos recifes, espalhando larvas de coral pelas correntes oceânicas
Beneficie 43 milhões de pessoas que vivem a 100 km de uma costa
A pesca saudável é protegida e a pesca degradada retorna à abundância, dando às pessoas do litoral uma fonte segura de alimento e renda
Recifes de coral, manguezais e zonas úmidas armazenam carbono, protegem as comunidades de tempestades e mares altos e reforçam as economias costeiras

Inteligência Artificial está ajudando a entender os oceanos

As aplicações de aprendizado de computadores estão se mostrando especialmente úteis para a comunidade científica que estuda as maiores massas de água do planeta.

Direito de Imagem Getty Images

Se você tivesse cerca de 180.000 horas de gravações subaquáticas do Oceano Pacífico e precisasse saber quando e onde, nessas horas diferentes, baleias jubarte estavam cantando, você pesquisaria no Google?

Foi o que Ann Allen, ecologista de pesquisa da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, fez. 

Em janeiro de 2018, ela se aproximou do Google e perguntou se eles poderiam ajudá-la a encontrar o sinal de músicas de baleias jubarte em meio a todo o ruído do oceano, como chamadas de golfinhos ou motores de navios. Usando 10 horas de dados anotados, nos quais as músicas das baleias e outros ruídos foram identificados, os engenheiros do Google treinaram uma rede neural para detectar as músicas, com base em um modelo para reconhecer sons nos vídeos do YouTube, disse Julie Cattiau, gerente de produtos do Google.

Cerca de nove meses depois, a Dra. Allen tinha um modelo para identificar canções de baleias jubarte, que ela está usando em sua pesquisa sobre a ocorrência da espécie em ilhas do Pacífico e como ela pode ter mudado na última década. O Google usou algoritmos semelhantes para ajudar o Departamento de Pescas e Oceanos do Canadá a monitorar em tempo real a população da Orca Residente do Sul, em risco de extinção, que tem cerca de 70 animais.

As aplicações de aprendizado de máquina e inteligência artificial estão se mostrando especialmente úteis no oceano, onde existem tantos dados – grandes superfícies, profundidades profundas – e dados insuficientes – é muito caro e não é necessariamente útil coletar amostras de qualquer tipo por toda parte.

A mudança climática também torna o aprendizado de máquina muito mais valioso: muitos dados disponíveis para os cientistas não são mais precisos, pois os animais mudam de habitat, as temperaturas aumentam e as correntes mudam. À medida que as espécies se movem, o manejo de populações se torna ainda mais crítico.

A baleia franca do Atlântico Norte, ameaçada de extinção, cuja população caiu para cerca de 400, é um animal que pode se beneficiar de um monitoramento tecnologicamente mais avançado: provavelmente por causa do aquecimento das temperaturas, essas baleias se mudaram para o norte de seu habitat tradicional do Golfo do Maine para o Golfo de São Lourenço no Canadá. Coincidir com essa mudança é o que a NOAA chamou de “evento incomum de mortalidade”, no qual se sabe que 30 baleias morreram desde 2017 – 21 no Canadá e 9 nos Estados Unidos – a maioria devido a ataques de navios ou emaranhados em equipamentos de pesca.

As baleias francas do Atlântico Norte, como esta mãe e filhote, se mudaram para o norte, e mais delas estão morrendo.

Para proteger as baleias, os cientistas precisam saber onde estão, o que o Charles Stark Draper Laboratory e o New England Aquarium estão fazendo no que chamam de “contar baleias do espaço”. Tomando dados de satélites, sonar, radar, avistamentos humanos, correntes oceânicas e muito mais, eles estão treinando um algoritmo de aprendizado de máquina para criar um modelo de probabilidade de onde as baleias podem estar. Com essas informações, as autoridades federais, estaduais e locais podem tomar decisões sobre rotas de navegação e velocidades e pesca mais rapidamente, ajudando-as a proteger melhor as baleias, de acordo com Sheila Hemami, diretora de desafios globais da Draper.

Muitas populações de peixes também estão se movendo ou estão com sobrepesca ou se aproximando, e grande parte dessa pesca é feita ilegalmente. Em um esforço para conter as atividades ilegais e manter as populações em níveis saudáveis no oceano, o Google também ajudou a iniciar o Global Fishing Watch, uma organização que monitora a pesca em todo o mundo coletando.

Plantio para polinizadores

Os polinizadores nativos estão enfrentando ameaças crescentes. Aqui estão algumas maneiras fáceis e divertidas de ajudá-los!

Na cidade costeira de Pacific Grove, Califórnia, oferecerá uma fantasia de asas alaranjadas e negras cintilantes, enquanto milhares de borboletas-monarca descem nos pinheiros, ciprestes e eucaliptos, onde se agrupam para passar o inverno.

Mas o outono de 2018 foi diferente. Emma Pelton, bióloga da Sociedade Xerces de Conservação de Invertebrados, foi a Pacific Grove e perto de Pismo Beach para a contagem anual de monarcas do Dia de Ação de Graças da organização, esperando alguma aparência da cena “completamente mágica” que ela havia observado nos anos anteriores. O que ela descobriu foi uma sombra pálida de contagens passadas, com apenas alguns pedaços dispersos de borboletas nos galhos.

Era o mesmo no litoral: em centenas de locais, do condado de Mendocino até a Baixa Califórnia, os voluntários contavam apenas 30.000 monarcas ocidentais – 86% menos que o número de borboletas no ano anterior.

Uma queda tão grande em um ano não é necessariamente incomum, diz Pelton, mas como parte de um declínio de longo prazo na população da borboleta, é preocupante. A população atual é estimada em menos de 1% do seu nível no início dos anos 80, diz ela. “Estamos bastante preocupados que essa seja a contagem mais baixa que já tivemos. Os pesquisadores colocaram o limite – abaixo do qual a população poderia entrar em colapso – em torno desse número. Portanto, a hipótese de que esse é o ponto de inflexão será posta à prova. ”

As Borboletas Monarcas estão desaparecendo.
Ilustração Lisel Jane Ashlock

Há mais em jogo do que a perda de um espetáculo anual chamativo e uma das migrações mais intrigantes da natureza (os monarcas viajam milhares de quilômetros ao longo de várias gerações para alcançar seus destinos migratórios). Alguns pesquisadores estão preocupados que o declínio recente de algumas espécies de borboletas possa ser um indicador de que mais polinizadores estão enfrentando dificuldades. E se os polinizadores estão lutando, o mesmo acontece com as plantas com flores que dependem deles para espalhar seu pólen.


Ilustração Lisel Jane Ashlock

A situação da abelha européia, importada da Europa no século XVII e amplamente utilizada para serviços de polinização na agricultura comercial, recebeu muita atenção. Mas menos pessoas sabem que os polinizadores nativos – incluindo borboletas, abelhas, beija-flores, mariposas e morcegos – também polinizam as culturas alimentares, bem como mais de 75% das plantas com flores do mundo. E, como monarcas e abelhas, muitos desses polinizadores estão com problemas.

Alguns polinizadores, como a abelha em risco de extinção, são generalistas, capazes de polinizar uma variedade de espécies de plantas. Outros pares de plantas e animais evoluíram para parcerias exclusivas e altamente especializadas. Por exemplo, as figueiras podem ser polinizadas apenas por uma única espécie de vespa. Em geral, os destinos dos polinizadores e de suas plantas hospedeiras estão entrelaçados. E para muitos polinizadores nativos, as plantas nas quais eles dependem são plantas nativas que enfrentam suas próprias ameaças de espécies invasoras, desenvolvimento e mudanças climáticas.

O destino dos polinizadores e de suas plantas hospedeiras está entrelaçado. Para muitos polinizadores nativos, as plantas nas quais eles dependem enfrentam suas próprias ameaças.

Ameaças aos polinizadores
As ameaças aos polinizadores são tão numerosas e variadas quanto as próprias espécies – e outros fatores ainda podem ser descobertos – mas os cientistas apontam para alguns dos principais contribuintes: inseticidas; espécies invasivas; parasitas e doenças; e mudanças climáticas.

“Muitos desses polinizadores evoluíram para emergir exatamente quando suas plantas estão florescendo”, diz Deborah Landau, cientista de conservação da The Nature Conservancy em Maryland. Mas as mudanças climáticas estão causando estragos no momento de muitos eventos naturais. “Se uma flor florescer muito cedo ou um inseto chocar de seu ovo muito cedo, eles podem sentir uma falta total da outra.”

Ilustração deLisel Jane Ashlock

Menos flores.
À medida que mais e mais terras são desenvolvidas, os polinizadores perdem as plantas que as sustentam.
Um dos maiores contribuintes, e o que a TNC está abordando mais diretamente, é o desaparecimento e a fragmentação do habitat de plantas nativas. Cada quilômetro quadrado de terreno aberto voltado para shopping centers ou rodovias é o equivalente polinizador do nivelamento de Manhattan.

E para os polinizadores que migram, como borboletas-monarca e muitas espécies de beija-flores, a perda de habitat está ocorrendo ao longo de todo o seu alcance – portanto, um conjunto residencial da Califórnia construído com madeira extraída de florestas mexicanas pode estar causando o dobro do dano.

A perda de polinizadores é parte de um padrão maior com o qual os conservacionistas e cientistas estão lidando. Estudos recentes na Europa relatando enormes reduções no volume de insetos capturados em armadilhas provocaram manchetes alertando sobre um “apocalipse de insetos”. Embora não esteja claro se esses resultados são o principal indicador do colapso da população global, conservacionistas como Landau os consideram preocupantes.

Ilustração de Lisel Jane Ashlock

Como você pode ajudar os polinizadores
A boa notícia é que mesmo pequenas ações individuais podem ajudar. Uma chave para tornar os polinizadores nativos mais abundantes é aumentar a abundância de plantas nativas.

Moradores de apartamentos urbanos podem se envolver com hortas comunitárias ou colocar uma caixa de janela com flores nativas. (Visite o Centro de flores silvestres Ladybird Johnson em wildflower.org e escolha a guia “Plantas nativas” para encontrar flores que funcionem para sua área.) E, para quem tem um gramado, algo tão simples quanto tolerar dentes de leão fornece um polinizador no início da primavera refeição antes que outras flores apareçam.

Ainda melhor: Substitua pelo menos um pedaço dessa grama bem cuidada por um jardim nativo. Entre os produtos químicos, as necessidades de água, a poluição do cortador de grama e a falta de plantas com flores, diz Landau, “os gramados são apenas desastres ecológicos”.

Insetos voadores podem encontrar caixas de flores e jardins em varandas e telhados altos.

Ilustração de Lisel Jane Ashlock
Se você mora em um prédio alto da cidade, em um beco sem saída suburbano ou em uma fazenda, você pode criar um oásis de habitat de polinizador. “Os insetos podem voar”, ressalta Megan Whatton, diretora de projetos da TNC na Virgínia, “portanto, mesmo se você estiver no 10º andar, se plantá-lo, eles virão”.

Alguns anos atrás, Whatton estava comprando sua primeira casa quando começou a trabalhar na The Habitat Network, uma parceria entre a TNC e o Cornell Lab of Ornithology que permitia às pessoas mapear o habitat dos polinizadores em suas comunidades. Achando que deveria praticar o que pregava, Whatton e o marido plantaram um jardim nativo. “Foi muito divertido”, diz ela, observar o que acontece durante uma refeição – desde lagartas-monarca mastigando serralha até beija-flores bebendo néctar.