Tecnologia,Veículos,Transportes,Nave Espacial,Trem,Blog do Mesquita

Space X – Após adiamento, foguete deve levar astronautas ao espaço neste sábado

Essa é a primeira missão da SpaceX transportando humanos, desde que a companhia foi criada há quase 20 anos pelo bilionário sul-africano Elon Musk. Desde 2012, a empresa usa uma versão de transporte de carga da cápsula Dragon para reabastecer a Estação Espacial Internacional.

O foguete Falcon 9, da SpaceX, que transportará dois astronautas americanos à Estação Espacial Internacional
Foto: Bill Ingalls/Nasa (22.mai.2020)

O risco de tempestades no Cabo Canaveral, no estado da Flórida, fez o primeiro voo espacial tripulado em quase uma década nos Estados Unidos ser adiado para a tarde deste sábado (30).

O presidente americano Donald Trump até viajou na última quarta-feira (27) para a base de lançamento no sul dos Estados Unidos para assistir de perto ao voo histórico, cancelado no último momento.

Agora, a cápsula Crew Dragon vai transportar dois astronautas americanos —Doug Hurley e Bob Behnken— até o local dentro do foguete Falcon 9. A viagem dura 19 horas e os levará a 408 km da órbita terrestre.

Hurley e Behnken devem ficar na estação por algumas semanas para conduzir pesquisas. Lá, terão a companhia de mais um americano e dois russos. A estação é um laboratório científico no espaço, um projeto de cooperação internacional entre Estados Unidos, Canadá, Rússia, Japão e países da Europa.

Esse lançamento marca um novo momento, em que empresas privadas passam a participar da exploração espacial. A última vez que a Nasa lançou astronautas para o espaço a bordo de um veículo novo foi há 40 anos, no início do programa de ônibus espaciais.

O Falcon 9 é parte do esforço da agência espacial estadunidense para desenvolver tecnologia e ter mais competitividade diante dos avanços da Rússia e da China no setor aeroespacial.

China

A China vem enviando uma série de missões para a Lua nos últimos anos. O país tem investido pesado em um programa espacial para fins científicos, comerciais e militares, e tem ambição de liderar a corrida espacial.

O governo de Pequim está investido na construção da sua própria estação espacial e enviar humanos para a Lua em um futuro próximo. Há seis anos, a China se tornou o terceiro país a conseguir levar para a Lua uma sonda não tripulada, algo antes só alcançado pelos Estados Unidos e pela antiga União Soviética.

Nasa lança primeira missão tripulada dos EUA na década


O conceito de um artista do Spacex Crew Dragon

A Nasa anunciou que no próximo mês lançará sua primeira missão tripulada do solo americano em quase 10 anos.

O foguete e a espaçonave que ele está transportando devem decolar do Centro Espacial Kennedy da Flórida em 27 de maio, levando dois astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS).

O foguete e a espaçonave foram desenvolvidos pela empresa privada SpaceX.

A Nasa usa foguetes russos para vôos tripulados desde que seu ônibus espacial foi retirado em 2011.

Bob Behnken (à esquerda) e Doug Hurley

Os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley levarão aproximadamente 24 horas para chegar à ISS.

Se for bem-sucedido, a SpaceX – liderada pelo empresário bilionário Elon Musk – se tornará a primeira empresa privada a enviar astronautas da Nasa para o espaço.

O foguete Falcon Nine e a sonda Crew Dragon decolam do histórico Pad 39A do centro espacial, o mesmo usado para as missões Apollo e ônibus espacial.

Um astronauta americano e dois cosmonautas russos estão atualmente a bordo da ISS.

O que se sabe sobre a nova missão do X-37B, o misterioso avião orbital da Força Aérea dos EUA

O programa do X-37B é altamente sigiloso
Será a sexta missão, e a mais importante delas, segundo a Força Aérea dos Estados Unidos.

Direito de imagem GETTY IMAGES

O X-37B, também chamado de veículo de prova orbital (ou seja, capaz de fazer um voo na órbita da Terra), decolou da estação no Cabo Canaveral (Flórida). Para autoridades americanas, esse novo lançamento permite ao país assegurar uma “superioridade no espaço”.

“A equipe X-37B continua exemplar do tipo de desenvolvimento tecnológico ágil e avançado que precisamos como nação no domínio espacial”, afirmou John Raymond, chefe de operações espaciais da Força Espacial dos Estados Unidos (USSF, na sigla em inglês), na quarta-feira.

Desta vez, a operação estará a cargo da USSF, ainda que a Força Aérea americana (dona do avião orbital) e sócios do governo tenham participado de forma ativa da etapa de testes.

Aeronave espacial tem 9 metros de comprimento
Direito de imagem GETTY IMAGES

Desde a primeira missão, em 2010, tanto o governo quanto os órgãos militares são bastante evasivos a respeito dos testes que são realizados pela aeronave. O programa é sigiloso.

No lançamento desta semana, sabe-se que o veículo levará pela primeira vez um módulo integrado para serem realizados diversos experimentos no espaço.

A aeronave, que tem menos de 9 metros de comprimento, utiliza energia solar e não é tripulada.

Ela detém o recorde do maior número de dias consecutivos de voo ao redor da Terra, alcançado na missão anterior, em outubro de 2019. Foram 780 dias em órbita.

Avião orbital já realizou cinco missões no espaço.
Direito de imagem GETTY IMAGES

‘Um grande passo’

Randy Walden, diretor de programas no departamento de rápidas capacidades da Força Aérea americana, afirma que esta sexta missão será um “grande passo” para o programa orbital.

Segundo o órgão, que não entra em detalhes, um dos objetivos da missão é “testar novos sistemas no espaço e desenvolvê-los na Terra”.

Direito de imagem USSF

A aeronave vai decolar da estação espacial de Cabo Canaveral, na Flórida
O que foi divulgado é que o módulo especial será anexado à popa do veículo e aumentará a capacidade de transportar carga útil e programas experimentais a serem transportados em órbita.

Um satélite

Além da implementação do módulo especial, a sexta missão do X-37B será implantar o FalconSat-8.

Trata-se de um pequeno satélite desenvolvido pela Academia da Força Aérea americana para testes em órbita.

O FalconSat-8 é uma plataforma educacional que levará cinco experimentos a serem operados pela entidade militar.

Além disso, foram incluídos experimentos da Nasa (agência espacial americana) para estudar os efeitos espaciais, como a radiação em diferentes materiais e sementes usadas para cultivar alimentos.

A aeronave vai decolar da estação espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, em 16 de maio. – Direito de imagem GETTY IMAGES

Por fim, o Laboratório de Investigação Naval dos Estados Unidos testará a transformação de energia solar em energia de micro-ondas de radiofrequência que poderia ser transmitida para a Terra.

O misterioso X-37B

Segundo a Força Aérea americana, o X-37B continua a “quebrar barreiras” no desenvolvimento de tecnologia de veículos espaciais reutilizáveis e é considerado um investimento importante para o futuro da estratégia espacial dos EUA.

O programa de aeronaves orbitais começou em 1999 e, após 11 anos, se deu a primeira das cinco missões realizadas até agora.

EUA esperam assegurar superiodade espacial com esta missão
Direito de imagem GETTY IMAGES

Por se tratar de uma operação sigilosa, não há divulgação detalhada de o que o veículo faz quando está em órbita ou do que foi realizado em voos anteriores.

No ano passado, integrantes da Força Aérea americana explicaram em um comunicado que os objetivos principais do X-37B são: tecnologias de naves espaciais reutilizáveis para o futuro dos EUA no espaço e a realização de experimentos que possam ser replicáveis e analisados na Terra.

Em 2017, o governo indicou que o veículo foi utilizado para testar sistemas de navegação, controle e direção avançada no espaço.

Além disso, foram testadas tecnologias de proteção térmica, sistemas de propulsão avançados e de voo eletromecânico e voo orbital autônomo.

Surgiram também diversas suspeitas de que a aeronave seria um dispositivo de espionagem desenvolvido para levar a bordo sensores experimentais, como câmeras de alta tecnologia e radares de mapeamento terrestre. Mas ainda não há provas que confirmem essas alegações.

Tem chamado a atenção que ele passa cada vez mais dias em órbita a cada missão.

Tecnologia,Veículos,Transportes,Nave Espacial,Trem,Blog do Mesquita

Irã lança satélite militar em meio a tensões com EUA

Após meses de tentativas fracassadas, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado um satélite militar no espaço.

Porto Espacial Imam Khomeini, na província de Semnan, no Irã

A medida é a mais recente da saga do acordo nuclear em colapso entre Teerã e os EUA.

A Guarda Revolucionária paramilitar do Irã disse que lançou com sucesso um satélite militar em órbita após meses de tentativas fracassadas, apenas uma semana após um encontro tenso com navios de guerra dos EUA no Golfo Pérsico.

“O primeiro satélite da República Islâmica do Irã foi lançado em órbita com sucesso pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, informou o site Sepahnews da Guarda.

“Esta ação será um grande sucesso e um novo desenvolvimento no campo espacial do Irã islâmico”, acrescentou.

A Guarda disse que o satélite atingiu uma órbita de 425 quilômetros (264 milhas) acima da superfície da Terra. O lançamento em duas etapas ocorreu no deserto central do Irã, acrescentou, acrescentando que é o primeiro satélite militar que o Irã já lançou.

O satélite foi colocado em órbita usando uma operadora de satélite Ghased, ou “Messenger”, disse a Guarda, um sistema ainda inédito.

A alegação não pôde ser imediatamente confirmada por fontes independentes e a Guarda não forneceu nenhuma imagem ou filmagem de verificação.

Sucesso após meses de falha

O Irã fez várias tentativas fracassadas de lançar satélites nos últimos meses, mais recentemente em fevereiro, com o lançamento fracassado do satélite de comunicações Zafar 1. O país também sofreu dois lançamentos fracassados ​​em 2019, além de uma explosão de foguete na plataforma de lançamento e um incêndio separado que matou três pesquisadores no Centro Espacial Imam Khomeini, onde opera o programa espacial civil do Irã.

O lançamento é o mais recente desenvolvimento da crescente tensão militar entre o Irã e os EUA. Nos últimos anos, o poder do Oriente Médio quebrou todas as limitações acordadas em um acordo de desnuclearização de 2015, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou seu país do acordo em 2018 e reimprimiu as sanções contra o Irã. O Irã continua a permitir que inspetores da ONU visitem seus locais.

Novo terreno para as forças armadas do Irã

Segundo os EUA, esses lançamentos de satélites vão contra uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que pede – mas não exige – que o Irã se abstenha de atividades relacionadas a mísseis balísticos capazes de lançar armas nucleares.

As potências dos EUA e da Europa temem que esses lançamentos de satélites possam ajudar o Irã a desenvolver suas capacidades nucleares.

Atualmente, o Irã não é capaz de construir uma arma nuclear pequena o suficiente para um míssil balístico. Mas, na última década, o país conseguiu avançar seu programa espacial, lançando vários satélites e um macaco em órbita.

Teerã afirmou anteriormente que não se esforça para desenvolver seu arsenal nuclear. A Guarda Revolucionária lança seu próprio satélite, levantando questões sobre essa posição.

A Guarda Revolucionária, que completou 41 anos na quarta-feira, opera sua própria infraestrutura militar ao lado das forças armadas regulares do país. O grupo militar de linha dura responde diretamente ao líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Não ficou claro se o governo civil do país estava ciente dos planos para o lançamento. O presidente Hassan Rouhani fez um discurso de 40 minutos diante de seu gabinete na quarta-feira sem fazer nenhuma referência a ele.

No domingo, as forças armadas do Irã confirmaram ter experimentado um encontro com navios de guerra dos EUA no Golfo Pérsico na semana passada. A Guarda alegou, sem evidências, que os EUA iniciaram o incidente. Na segunda-feira, o grupo militar anunciou que havia melhorado significativamente o alcance de seus mísseis anti-navio de guerra.

kp / sms (AFP, AP)

O futuro da aviação: Quando os supersônicos voltarão?

O avião mais lento do mundo podia transportar passageiros através do Atlântico em menos da metade do tempo gasto por outras aeronaves comerciais, mas ainda apresentava deficiências ecológicas e altos custos operacionais.

Uma nova era de viagens supersônicas ?: Dois projetos estão liderando o caminho quando se trata do renascimento das viagens supersônicas
Boom Overture (foto) e Aerian AS2.

Uma nova era de vôo supersônico pode estar chegando, mas há três desafios a serem superados quando se trata de voar mais rápido que a velocidade do som.
Esses são os três Es da aviação: engenharia, meio ambiente e economia.
O Concorde, a maravilha aeronáutica que fez seu último vôo há 16 anos, nesta semana, conquistou apenas o primeiro desses três desafios de viagem.

Existem duas empresas americanas que certamente pensam assim, e estão a todo vapor com planos de lançar aviões supersônicos no mercado em meados da década de 2020. Os tempos de viagem sugeridos são tão curtos quanto Nova York a Londres em três horas e 15 minutos.
Um deles tem como alvo as companhias aéreas, o outro o mercado de jatos executivos, e os dois têm soluções diferentes para um dos principais pontos negativos do voo supersônico: como gerenciar o boom sônico.

Agora, em um momento em que as emissões de carbono e o bem-estar de nosso planeta estão em destaque, um retorno ao voo supersônico comercial pode ser realmente sustentável, lucrativo para companhias aéreas e fabricantes e acessível para os passageiros?

O mundo não pode esperar
“O Concorde era uma máquina brilhante, um experimento nobre, mas produzia muitas emissões no meio ambiente, muito ruído nas nossas comunidades e era muito caro para operar.
“O que estamos tentando fazer é muito diferente”, disse Tom Vice, presidente e CEO da Aerion Corporation.


A empresa está desenvolvendo o jato supersônico AS2 de 8 a 12 passageiros em sua sede em Reno, Nevada.

AS2 foi projetado para atender aos padrões de ruído de avião do estágio 5, os regulamentos mais rigorosos sobre ruído de pouso e decolagem. “Achamos que resolvemos esse problema”, diz Vice. “Nossa aeronave ficará tão silenciosa quanto outros aviões nos aeroportos”.
Mas talvez uma das características mais inovadoras do AS2 seja o seu “cruzeiro sem barreiras”, que permite que o avião voe supersonicamente por terra sem que o barulho atinja o solo. Em vez disso, o barulho.

Comparado aos voos regulares, o AS2, viajando a Mach 1.4 (mais de 1.000 mph), promete economizar três horas e meia da viagem de Nova York à Cidade do Cabo e mais de quatro horas de viagem entre JFK e Cingapura e JFK e Sydney.

Mas as ambições da Aerion são também que a aeronave opere de maneira benigna nos céus: “O mundo não pode esperar até 2050 para se tornar neutro em carbono. Temos que fazer isso hoje”, diz Vice.

‘Menor queima de combustível possível’
Os parceiros do programa AS2 da Aerion incluem a GE, que estreou seu mecanismo supersônico Affinity no ano passado, e a Spirit AeroSystems, que está fabricando a fuselagem pressurizada do AS2.

O Aerion AS2 poderia voar de Nova York a Londres em 4,5 horas.

No cockpit, a Honeywell está revolucionando o convés de vôo, usando sua experiência em jatos militares supersônicos para projetar os processadores de missão, displays, sensores e sistemas de controle de vôo do AS2.

A Aerion já garantiu um cliente de lançamento, a empresa fracionária de propriedade e locação de jatos Flexjet, com um pedido de 20 aeronaves. O primeiro voo do AS2 está previsto para 2024 e a empresa pretende levar o avião ao mercado em 2026.

O AS2 tem um preço de US $ 120 milhões, que a fabricante de aviões acha que é um preço que as pessoas pagarão por causa da economia de tempo

“Tivemos que projetar uma aeronave incrivelmente eficiente com o menor consumo de combustível possível, por isso passamos 10 anos pensando em aerodinâmica avançada e em motores com baixo consumo de combustível. Criamos especificamente em torno de ruídos e emissões”, diz Vice.

Uma das coisas que ele não terá – que a Concorde possuía – são pós-combustores, um sistema pelo qual o combustível é pulverizado nos gases de escape do motor e queimado para aumentar o impulso durante a decolagem e a aceleração.
“Nós descartamos isso porque é muito barulhento e coloca muitas emissões no meio ambiente”, diz Vice. “A segunda coisa em que pensamos foi nossa fonte de energia. Queríamos uma aeronave que não dependesse de combustíveis fósseis e que pudesse operar com combustíveis 100% sintéticos desde o primeiro dia”.
A empresa também está comprometida com um programa substancial de reflorestamento para garantir compensações de carbono para todos os clientes em todos os voos.

Boeing,Blog do Mesquita,737 Max

Boeing 737 MAX: A decisão ‘sem precedentes’ da gigante da aviação de parar a produção do modelo problemático

Boeing 737 Max

Direito de imagem GETTY IMAGES
A Boeing deixará de fabricar em janeiro o modelo 737 Max

A americana Boeing decidiu suspender em janeiro a fabricação de seu problemático avião 737 Max.

A produção da aeronave havia sido mantida mesmo durante o período de nove meses em que o modelo foi proibido de voar em razão de dois acidentes fatais em 2018 e 2019.

Mais de 300 pessoas morreram na queda de 737 Max na Indonésia e na Etiópia, em decorrência de problemas de fabricação da aeronave.

A Boeing esperava que os aviões voltassem a voar no fim deste ano, mas autoridades reguladoras dos Estados Unidos deixaram claro que não iriam avalizar tão cedo esse retorno.

A companhia americana, uma das maiores exportadoras do país, afirmou em comunicado que não vai demitir os funcionários ligados à fabricação do 737 Max, mas a paralisação deve afetar sua cadeia produtiva e a economia como um todo.

“A retomada com segurança do 737 Max é nossa principal prioridade”, disse a empresa.

“Nós sabemos que o processo de aprovação do retorno do 737 Max à operação, e a definição dos treinamentos necessários, deve ser algo extraordinariamente preciso e robusto, para assegurar que nossos reguladores, clientes e passageiros confiem nas melhorias do 737 Max.”

Riscos conhecidos

Em uma audiência no Congresso americano na semana passada, foi divulgado que as autoridades reguladoras dos EUA estavam cientes dos riscos de novos acidentes depois que um 737 Max caiu na Indonésia em outubro de 2018.

Uma análise da agência de aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) apontou que poderia haver mais de uma dezena de acidentes ao longo do tempo de vida da aeronave caso não fossem feitas mudanças no equipamento.

Local do acidente com voo da Ethiopian AirlinesDireito de imagem REUTERS
157 pessoas morreram no voo ET 302 da Ethiopian Airlines em 2019

Ainda assim, os 737 Max só foram proibidos de voar depois do segundo acidente, na Etiópia, em março de 2019.

A Boeing está remodelando seu sistema automatizado de controle, apontado como principal causa das quedas.

A fabricante afirmou que tem 400 unidades do 737 Max em suas instalações e focará a entrega deles para seus clientes.

O Boeing 737 MAX 8 foi a aeronave que a empresa vendeu mais rapidamente em sua história.

Ainda que diversas companhias aéreas ao redor do mundo tenham mantido suas encomendadas, as entregas foram suspensas enquanto os engenheiros da Boeing resolvem os problemas técnicos do modelo.

O especialista na indústria turística Henry Harteveldt afirmou que a decisão de suspender a produção não tem precedentes e que terá um impacto enorme na Boeing, em seus fornecedores e nas companhias aéreas.

“Isso vai criar um caos para as companhias áreas, as mais de 600 empresas da cadeia produtiva do 737 Max e para a Boeing como um todo.”

A suspensão do 737 Max já custou à Boeing mais de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões). As ações da empresa caíram mais de 4% em meio a especulações de que a companhia anunciaria a suspensão da produção.

Aviões Boeing 737 MaxDireito de imagem REUTERS
Todas as aeronaves 737 Max estão proibidas de voar

Impacto na cadeia de suprimentos

Estima-se que a suspensão da produção atinja toda a cadeia de suprimentos global do 737 Max.

Richard Aboulafia, analista de aviação do Teal Group, classificou as opções da Boeing para gerenciar o forte impacto em seus fornecedores como “de mal a pior”.

Para ele, a fabricante de aviões poderia permitir que seus fornecedores fossem atingidos ou poderia pagar para que eles estivessem a postos para quando o 737 Max for finalmente liberado para voar.

Alguns fornecedores, como a fabricante de fuselagens Spirit Aerosystems, são altamente dependentes do modelo da Boeing — quase 50% da receita da empresa está ligada a essa operação.

Até o momento, a Spirit Aerosystems disse apenas que está “trabalhando em estreita colaboração” com a Boeing para determinar qual o impacto da suspensão da produção.

É improvável que o movimento da Boeing afete também os passageiros, já que as companhias aéreas alugaram aeronaves adicionais para substituir o 737 Max.

Mas agora é um novo capítulo para as companhias aéreas, que têm a despesa adicional de alugar aviões e gerenciar suas aeronaves “presas em solo”.

As operadoras americanas contam com as maiores frotas do 737 Max, embora o modelo seja usado por companhias aéreas em todo o mundo.

“As companhias aéreas chinesas também seriam bastante afetadas”, estima Shukor Yusof, analista de aviação da Endau Analytics.

Boeing 737 Max-8Direito de imagem AFP
Boeing 737 MAX 8 que caiu entrou na frota da Ethiopian Airlines em 2018

De fato, as três maiores companhias aéreas da China estavam entre as primeiras a pressionar a Boeing por compensação pelos aviões proibidos de voar.

Em julho, a Boeing reservou quase US$ 5 bilhões (quase R$ 20 bilhões) para compensar as companhias aéreas que não receberam suas aeronaves ou não puderam usar as que já possuíam.

No entanto, essa cifra foi baseada na hipótese de que o 737 Max retornaria ao ar até o final de 2019.

Resta saber agora qual será o impacto total da suspensão da fabricação.

Qual foi a falha detectada no 737 Max?

O Boeing 737 MAX é uma versão atualizada do 737 que está em uso comercial desde o ano de 2017.

Uma diferença em relação ao modelo anterior é o software conectado à leitura do “ângulo de ataque”, ligado a um software criado para ajudar os pilotos a manter a aeronave na posição adequada às condições de voo.

O software de controle de voo é um sistema chamado MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra). Foi desenvolvido pela Boeing especificamente para o 737 MAX 8 e o MAX 9.

A Boeing explica que o software “não controla a aeronave em voos normais”, mas “melhora parte de seu comportamento em condições operacionais não normais”.

SoftwareDireito de imagem GETTY IMAGES
Dois pilotos americanos relataram em um documento oficial que tiveram problemas semelhantes aos que voo indonésio teria sofrido

Por causa do posicionamento dos motores nas asas — mais alto e distante da fuselagem — o modelo teria uma tendência a se inclinar para o alto sob determinadas condições, aumentando as chances de uma estolagem (perda de sustentação aerodinâmica) da aeronave.

Quando o MCAS detecta que o avião está subindo em um ângulo vertical demais sem a velocidade necessária — uma cenário propício para uma estolagem — ele move o estabilizador horizontal na cauda para levar o nariz (do avião) para baixo.

Os investigadores do acidente na Indonésia descobriram que o MCAS entrou em modo ativo quando não deveria, que uma falha no sensor de ângulo de ataque ativou o sistema antiestolagem, levando o nariz do avião a se inclinar para o chão.

Além disso, segundo um banco de dados do governo sobre incidentes de aviação (ao qual o The New York Times teve acesso), pelo menos dois pilotos que operaram aviões MAX 8 da Boeing 737 nos Estados Unidos expressaram preocupação em novembro sobre como o nariz da aeronave de repente se inclinou para baixo depois de ativar o piloto automático.

Em ambos os casos, os comandantes disseram que conseguiram recuperar o controle da aeronave depois de desativar o piloto automático. Um dos pilotos diz que a descida começou dois ou três segundos após a ativação do piloto automático.

Depois dos acidentes, a empesa afirmou que estava “trabalhando em estreita colaboração com a FAA no desenvolvimento, planejamento e certificação de melhoria de software e será aplicado na frota de 737 MAX”

Os interiores cósmicos da arquiteta soviética Galina Balachova

Em junho de 2015, o Museu Alemão de Arquitetura (Deutsches Architekturmuseum), em Frankfurt, apresentou uma exposição dedicada a uma arquiteta russa. Suas obras, porém, não podem ser encontradas pelas ruas de quaisquer cidades.

Aos 88 anos, na atualidade, Galina Balachova mora na Rússia. Mas, nos últimos anos, suas principais exposições foram organizadas na Alemanha, e pouquíssimas se realizaram em sua terra natal, a Rússia, onde seu trabalho ainda é pouco conhecido.

Galina era uma arquiteta soviética secreta, e foi uma das primeiras no mundo a projetar interiores de espaçonaves. / Galina Balachova em um modelo de nave espacial.

Na exposição “Design para o programa espacial soviético”, no Museu Alemão de Arquitetura, por exemplo, o foco foram as obras de Galina. Foram expostos modelos de naves espaciais, fotos, esboços, rascunhos e desenhos em aquarela.

Galina trabalhou na concepção de interiores de naves soviéticas fazendo todos os cálculos técnicos sem se basear nas obras de seus predecessores. / Projeto da estação espacial Mir.

As obras de Galina foram impressas em uma monografia intitulada “Galina Balachova: Arquiteta do Programa Espacial Soviético”. Entre elas, há planos e desenhos de engenharia para as cápsulas Soiuz e as estações espaciais Saliut e Mir. / Esboço de um módulo habitável para a nave Soiuz-M.

Projeto da espaçonave Soiuz. Os esboços de Balachova eram frequentemente assinados, apesar de serem secretos.

Um esboço do interior da estação espacial Mir. As diferentes zonas coloridas permitem aos cosmonautas determinar facilmente onde estão o teto e o chão na ausência de peso.

Boeing,Embraer,Brasil,Blog do Mesquita

União Europeia abre investigação sobre acordo Embraer-Boeing

Comissão Europeia analisa se fusão pode ameaçar competição no setor e tem 90 dias para apresentar um parecer. Acordo prevê criação de uma nova empresa de aviação comercial, com 80% de participação da gigante americana.    

Avião da EmbraerBoeing vai comprar área de aviação civil da brasileira

A Comissão Europeia anunciou nesta sexta-feira (04/10) que abriu uma investigação aprofundada sobre o acordo da parceria entre a Embraer e a gigante americana Boeing devido a uma possível ameaça à competição nos preços e desenvolvimentos de produtos no setor da aviação.

O acordo em andamento entre as duas companhias prevê a criação de uma nova empresa – uma joint venture, no termo do mercado –, na qual a Boeing deterá 80% de participação, e a Embraer, 20%. Por isso, a americana pagará 4,2 bilhões de dólares à brasileira.

A nova empresa é avaliada em 5,26 bilhões de dólares. Caberá à Boeing o controle da atividade comercial, não absorvendo as atividades relacionadas a aeronaves para segurança nacional e jatos executivos, que devem continuar somente com a Embraer.

Segundo a Comissão Europeia, o acordo pode reduzir potencialmente o número de concorrentes num mercado global já concentrado e poderia dificultar a entrada de novos participantes no mercado, como os da China, Japão e Rússia.

“Os mercados de aeronaves comerciais precisam funcionar bem para fornecer produtos inovadores e eficientes a um preço justo”, destacou Margrethe Vestager, comissária de Concorrência da União Europeia (UE).

O órgão executivo do bloco destaca ainda que atualmente a Embraer e a Boeing são concorrentes em alguns setores da aviação comercial. A comissão tem agora 90 dias para analisar a fusão das empresas, que podem fazer concessões se houver um impasse sobre o caso.

A Comissão Europeia pode abrir investigações sobre empresas com um volume de negócios que ultrapassa um determinado limite, se considerar que a fusão delas representa uma ameaça ao Espaço Econômico Europeu. A maioria das fusões é aprovada sem problemas. Aquelas que podem trazer risco, porém, passam por uma investigação aprofundada.

O acordo entre as empresas foi acertado no final do ano passado. Na quinta-feira, a Embraer e a Boeing divulgaram um comunicado afirmando que aguardavam a aprovação dos órgãos reguladores da Comissão Europeia. “As empresas esperam que a transação seja concluída no início de 2020”, destacaram.

Os acionistas da Embraer aprovaram em fevereiro a venda do controle da sua divisão comercial à Boeing para a criação de uma nova empresa. O acordo já foi aprovado também pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos e aguarda a palavra final dos europeus.

A  joint venture criada para a fabricação de aviões comerciais, que deve absorver toda a operação atual da Embraer voltada para esse segmento, deve gerar uma sinergia anual de custos de cerca de 150 milhões de dólares – sem considerar os impostos – até o terceiro ano de operação.

As empresas também chegaram a um acordo sobre os termos de uma segunda joint venture para promover o desenvolvimento de novos mercados para o avião militar multimissão KC-390. De acordo com a parceria proposta, a Embraer terá 51% da participação, e a Boeing ficará com os restantes 49%.

A Embraer foi privatizada em 1994, mas o governo brasileiro detém uma ação especial chamada golden share que permite vetar quaisquer negócios firmados pela empresa. A empresa é a fabricante líder mundial de aeronaves comerciais com até 150 assentos e tem mais de 100 clientes em todo o mundo.

Nem a Via Láctea é plana

A Via LácteaDireito de imagem OGLE/ UNIVERSIDADE DE VARSÓVIA
Uma nova visão da Via Láctea: torta nas bordas

Nossa galáxia, a Via Láctea, é “torta” e “retorcida”, e não plana como se pensava anteriormente. A conclusão é de um estudo publicado na prestigiada revista Science.

A análise das estrelas mais brilhantes da galáxia mostra que elas não estão em uma reta plana, como se costuma mostrar em textos acadêmicos e livros de ciências para o público leigo. Astrônomos da Universidade de Varsóvia especulam que ela pode ter sido distorcida por interações passadas com galáxias próximas. A imagem popular da Via Láctea como um disco plano baseia-se na observação de apenas 2,5 milhões de estrelas – de um total que pode chegar a 2,5 bilhões.

As representações criadas por artistas são, portanto, aproximações da forma mais verdadeira de nossa galáxia, de acordo com a pesquisadora Dorota Skowron, da Universidade de Varsóvia, na Polônia.

“A estrutura interna e a história da Via Láctea ainda estão longe de serem compreendidas, em parte porque é extremamente difícil medir as distâncias das estrelas nas regiões mais externas de nossa galáxia”, disse ela.

Via LácteaDireito de imagem MARK GARLICK/SCIENCE PHOTO LIBRARY
Reproduções artísticas que mostravam a Via Láctea ‘reta’ terão de ser revistas

Novo mapa tridimensional

Para obter uma imagem mais precisa, Skowron e seus colegas mediram as distâncias de algumas das estrelas mais brilhantes da Via Láctea, chamadas estrelas Cefeidas.

Estas são jovens estrelas massivas que brilham centenas ou milhares de vezes mais que o nosso próprio sol. Elas podem ser tão brilhantes que chegam a ser observadas mesmo na borda da galáxia.

Não só isso: elas também pulsam em intervalos regulares a uma taxa que está diretamente relacionada ao seu brilho.

Isto permite aos astrônomos calcular as distâncias das Cefeidas com grande precisão.

A maioria das estrelas foi identificada usando o telescópio OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment), que fica no observaório de Las Campanas, no deserto do Atacama (Chile).

Przemek Mroz, membro da equipe do OGLE, disse que os resultados foram surpreendentes.

Telescópio e céu estreladoDireito de imagemK. ULACZYK/J. SKOWRON / OGLE/UNIV. DE VARSÓVIA
A pesquisa baseou-se em observações do telescópio OGLE, no deserto do Atacama (Chile)

“Nossos resultados mostram que a galáxia da Via Láctea não é plana. É ‘torta’ e retorcida nas bordas mais distantes do centro galáctico. A deformação pode ter acontecido através de interações passadas com galáxias satélites, gás intergaláctico ou matéria escura (material invisível presente nas galáxias, e sobre a qual pouco se sabe).”

Os resultados da pesquisa polonesa corroboram uma análise das estrelas Cefeidas publicadas em fevereiro na revista Nature Astronomy, por astrônomos da Universidade Macquarie na Austrália e da Academia Chinesa de Ciências.