Ataque é causa mais provável para ‘blecaute digital’ na Coreia do Norte


Para empresas, um país ser autor do ataque não é plausível; veja hipóteses.
Faz mais sentido ser obra de “garoto com máscara de Guy Fawkes”, dizem.

Manifestantes seguram suas máscaras de Guy Fawkes na Ponte da Liberdade, durante uma manifestação de apoiantes do movimento Anonymous, em Budapeste, na Hungria (Foto:  Bernadett Szabo/Reuters)Manifestantes seguram suas máscaras de Guy Fawkes na Ponte da Liberdade,  na Hungria (Foto: Bernadett Szabo/Reuters)

O “apagão cibernético” enfrentado pela Coreia do Norte nesta segunda-feira (22) e que teve uma reedição nesta terça-feira (23), dias após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometer responder “proporcionalmente” à invasão aos sistemas da Sony, atribuído a Pyongyang, pode ter sido provocado por um ataque cibernético, afirmam especialistas ouvidos pelo G1.

Essa é hipótese mais plausível, dizem eles, mas os responsáveis pela ação não são consenso. A infraestrutura de rede norte-coreana é pequena e frágil, o que não faz da suspensão da internet norte-coreana uma missão tão árdua e passível de ter sido causada até por um “garoto usando a máscara de Guy Fawkes”.

Matthew Prince, cofundador da CloudFlare, e James Cowie, cientista-chefe da Dyn Research, enumeraram as possíveis causas da instabilidade seguida da completa interrupção da conexão na Coreia do Norte.

A primeira é uma empresa que costuma fornecer segurança contra ataques cibernéticos e a segunda monitora instabilidades na rede mundial de computadores. Veja abaixo os vários cenários traçados por eles:[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Saída de fininho
Após a Coreia do Norte ter declarado no domingo (21) que estava pronta para um embate com os Estados Unidos, o próprio governo poderia ter “desligado” a internet a fim de evitar a maior exposição de seus sistemas. “Nós já vimos isso antes quando outros países com baixos níveis de conectividade e governos com alto grau de poder sobre telecomunicações cessaram a conexão à internet”, afirmou Prince, citando a Síria. A rede norte-coreana de fato é controlada pelo governo, que tem autonomia para tomar esse tipo de decisão, mas parece improvável que Kim Jong-un, o ditador norte-coreano, autorizaria um “blecaute digital”, o que enfraqueceria ainda mais sua imagem perante a comunidade internacional.


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Derrubada chinesa
Outra possibilidade é a China ter interrompido a conexão do país vizinho. Isso poderia acontecer porque a China Unicorn, empresa estatal das telecomunicações chinesa, é a gestora das quatro únicas redes de internet que a Coreia do Norte dispõe. Nesta segunda (22), durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, a China evitou fazer volume às críticas contra a possível ligação de Pyongyang ao ataque à Sony. O país, membro permanente do grupo, preferiu defender um diálogo entre EUA e Coreia do Norte sobre o ocorrido. Para Prince, caso a “saída de fininho” ou a “derrubada chinesa” tenham sido as causas da interrupção, é impossível definir a diferença entre uma e outra.

Fios cortados
O “blecaute” pode ter sido causado ainda pelo rompimento de cabos. “É improvável que a Coreia do Norte tenha um contrato com a Cisco de suporte constante e uma fonte crítica de energia pode ter falha por razões diversas”, afirmou Prince. Cowie também aponta essa como uma das possíveis causas, mas afirma que é muito improvável já que antes da suspensão total da conexão houve instabilidade. “O padrão de longa instabilidade, seguida de suspensão, torna menos provável que seja o resultado de um simples corte de cabo de fibra ótica.”

Ataque de negação
A aposta mais plausível, dizem os especialistas, é de um ataque de negação, ou DDoS. “Enquanto nós não sabemos quanto é a capacidade [de tráfego de dados] entrando na Coreia do Norte e saindo dela, é improvável que seja mais do que dezenas de gigabits por segundo. Dado que os maiores ataques DDoS são de uma magnitude muito maior do que isso, é concebível que um ataque tenha saturado a conexão e deixado o site offline”, diz Prince.

Apesar de coicidentemente o “apagão” ter ocorrido alguns dias após a ameaça dos Estados Unidos, a rede norte-coreana é tão frágil que não precisaria de um esforço governamental para derrubá-la.  “Se foi mesmo um ataque, eu ficaria bem mais surpreso se um governo tivesse lançado esse ataque do que se fosse obra de um garoto usando máscara de Guy Fawkes”, afirmou.

Outra evidência é a restauração da conexão, ainda que a Coreia do Norte tenha enfrentado uma segunda queda da internet nesta terça-feira. “Eu acredito que é uma boa evidência de que a interrupção não foi causada por um ataque patrocinado por um estado, caso contrário a internet ainda estaria fora do ar.”
Helton Simões Gomes/G1

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