Artigo – A “Dívida” Externa

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A mais lúcida e completa dissecação sobre a dívina externa brasileira. Reflexão do jornalista Hélio Fernandes, que solicita a replicação deste artigo via e-mail por todos que se interessa, pelo Brasil.

Mistificação, incompetência, subserviência da dívida externa e interna
Helio Fernandes – Tribuna da Imprensa

Estão tentando mostrar que o Brasil é agora “País credor”, que isso é um “salto” positivo, fazem força enorme para mostrar que o importante é “zerar” essa dívida, a interna não teria a menor importância. Mistificação, incompetência e uma parte muito grande de desinformação. Não posso abandonar o assunto, escrevo sobre ele há 50 anos, desde os tempos do Diário de Notícias. E sem complicação, vou mostrando ao cidadão-contribuinte-eleitor, os fatos verdadeiros.

1 – Exatamente há 50 anos revelei: a DÍVIDA externa vem desde a falsa “independência” de 1822. Portugal devia à Inglaterra, esta só concordou com a “independência”, se o Brasil assumisse a “dívida”. Assumimos, claro, somos os “trouxas” de sempre.

2 – Só um presidente se negou a RENEGOCIAR essa DÍVIDA. Foi Prudente de Moraes, em 1896. Não reconhecia a dívida, portanto não havia o que renegociar. Mas depois dele veio Campos Salles, foi a Londres, andou pela zona financeira, (a Old Bond Street) em carro aberto, fez uma das renegociações mais aviltantes.

3 – Antes e depois de Prudente, todos cumpriram as ordens de fora, servos, submissos e subservientes. E a DÍVIDA crescendo.

4 – Em 40 anos, de 1960 a 2000, a DÍVIDA passou de 1 BILHÃO de dólares, para 240 BILHÕES. O que fizemos com esses 239 BILHÕES?

5 – Nesse tempo, ainda não havia DÍVIDA interna.

6 – Além do crescimento espantoso dessa DÍVIDA, em 40 anos pagamos mais de 600 BILHÕES de juros. Assalto em cima de assalto.

7 – Agora vem o presidente Lula, e diz com o entusiasmo que o caracteriza: “Zeramos a dívida”.

8 – Não “zeramos” nada, nem temos como “zerar”.

9 – Uma parte é privada, o governo não pode intervir.

10 – A outra parte depende dos credores, QUE NÃO QUEREM RECEBER.

11 – Não é absurdo dizer que não querem receber? É a pura verdade, vou citar porque.

12 – Os 183 BILHÕES do governo, estão em bancos da Suíça, “rendendo” 1 por cento ao ano.

13 – Os 178 a que a DÍVIDA foi reduzida hoje, são remunerados pelo Brasil a 4,35 ao ano. Como os donos dos bancos são os mesmos, se recebessem, perderiam 3,35%.

14 – E a dívida está garantida, o dinheiro brasileiro está seqüestrado. Pois essa dívida é roubo e seqüestro do trabalho do povo brasileiro.

15 – Perguntinha ingênua, inútil, inócua: como é que os governos brasileiros conseguiram esses 182 BILHÕES de dólares? Lógico, desperdiçando o produto do trabalho brasileiro.

16 – Vem o senhor Delfim Netto e diz: “Essa dívida externa só podia ser liquidada através da exportação”.

17 – Como é que Delfim Netto foi ministro da Fazenda em 3 governos dizendo uma tolice como essa?

18 – Os países só fabricam dólares com exportação, com exceção dos EUA, que “emitem” à vontade.

19 – O grande problema sem solução à vista é a DÍVIDA INTERNA. Começou em 1992, FHC recebeu-a em 62 BILHÕES. Deixou-a em 800 BILHÕES.

20 – E nesses 8 anos de retrocesso, pagou de juros, mais de 600 BILHÕES.

21 – Não esquercer: FHC elevou os juros a 46 e até 48 por cento, crime de lesa-pátria.

22 – Com as reduções feitas por Lula, estamos pagando 150 BILHÕES de juros por ano.

23 – “Economizam” 90 BILHÕES por ano, o máximo que conseguem. Os outros 60 BILHÕES fazem a DÍVIDA crescer ininterruptamente.

24 – Quero ver se alguém me desmente: se algum dia o juro chegar a 5 por cento (jamais chegaremos) a DÍVIDA estará entre 2 bilhões e meio e 3 trilhões, teremos que pagar, miseravelmente, no mínimo 120 BILHÕES.

PS – E não esquecer: de 1940 a 1950, o Brasil teve saldo externo ALTÍSSIMO. Como o governo tinha que pagar aos exportadores, o ditador Vargas mudou a moeda para cruzeiro.

PS 2 – Incompetentes sempre consideram que a “culpa” é da moeda.

José Mesquita

José Mesquita

Nasceu em Fortaleza,Ce. Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em Administração, Ciências da Computação e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. É consultor em Direito Digital. Participou de mais de 250 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Design Gráfico, já criou mais de 35 marcas, logotipos, logomarcas, e de livrosa de arte para empresas no Brasil e Exterior Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. Foi diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo da Ecola de Aviação Civil do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association - NAPP, Usa. É membro da Academia Fortalezense de Letras e Membro Honorário da Academia Cearense de Letras. Autor de três livros de poesias - e outros quatro ainda inéditos; uma peça de teatro; contos e artigos diversos para jornais; apresentações e prefácios de publicações institucionais; catálogos e textos publicitários. Ministra cursos gratuítos de Arte e de Computação Básica para crianças e adolescentes em centros comunitários de comunidades carentes na periferia das cidades.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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