Arthur Rimbaud – Poesia

Para mim. A história das minhas loucuras.

Boa noite.
Poema
Arthur Rimbaud

Para mim.
A história das minhas loucuras.
Há muito me gabava de possuir
todas as paisagens possíveis,
e julgava irrisórias as celebridades
da pintura e da poesia moderna.

Gostava das pinturas idiotas,
em portas, decorações, telas circenses,
placas, iluminuras populares;
a literatura fora de moda, o latim da igreja,
livros eróticos sem ortografia,
romances de nossos antepassados,
contos de fadas, pequenos livros infantis,
velhas óperas, estribilhos ingênuos,
ritmos ingênuos.

Sonhava com as cruzadas,
viagens de descobertas de que não existem relatos,
repúblicas sem histórias,
guerras de religião esmagadas,
revoluções de costumes,
deslocamentos de raças e continentes:
acreditava em todas as magias.

Inventava a cor das vogais!
– A negro, E branco, I vermelho,
o azul, o verde.
Regulava a forma e o movimento
de cada consoante, e ,
com ritmos institivos,
me vangloriava de ter inventado
um verbo poético acessível,
um dia ou outro, a todos os sentidos.
Era comigo traduzí-los.
Foi primeiro um experimento.
Escrevia silêncios, noites,
anotava o inexprimível.
Fixava vertigens.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e designer gráfico e digital.

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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