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A intolerância é geral terça-feira, 24 de novembro de 2015

A intolerância com o que é diverso se espalha como epidemia. A Taba dos Alencares já foi um dia um terreiro mais acolhedor.
O Editor
Intolerância Religiosa,Imigrantes,Islamismo,Fortaleza,Preconceito,Blog do MesquitaVítimas do extremismo. Atentados geram hostilidades contra muçulmanos
Foto: Camila de Almeida/O Povo


Ação extremista do Estado Islâmico cria um ambiente de intolerância e hostilidade contra comunidade religiosa. O POVO apresenta relatos e discute a situação com especialistas.

Na tarde quente de novembro em Fortaleza, três mulheres andam com a cabeça, o colo e o pescoço cobertos. São muçulmanas e vestem o véu (chamado hijab), conforme a religião orienta. “Vamos sair daqui que essas aí são do Afeganistão”, dizem dois homens que passam por elas. Eles riem. Elas não.

As mulheres não discutem. Seguem, apenas. Colocam óculos escuros e tentam abstrair os insultos, ali na região da Maraponga. Uma delas é a síria Motiaa Halabieh, de 40 anos, que vive no Brasil há 25 anos, os últimos seis em Fortaleza.

“Vem dizer na minha cara, seu velho! Anda, fala na cara!”, grita a mulher na sala de espera de um órgão estadual. É o segundo constrangimento em menos de meia hora. Ela conta ter sido chamada de “terrorista” por um homem, em meio à sessão de fotos para O POVO. Acuado, o suposto agressor sai sem dar explicações.
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“Moro há muitos anos no Brasil e nunca tinha passado por isso”, relata Motiaa, com mãos e lábios trêmulos. “Acho que andam ouvindo muita bobagem. Nunca tive problemas antes, não com essa agressividade”, narra. Por 15 anos, ela viveu em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde a comunidade árabe é grande. Agora, ela quer voltar para lá, um lugar com clima mais amigável para islamitas.

O episódio ocorreu na última semana, poucos dias após os atentados na França, no Líbano e na Nigéria, que juntos deixaram mais de duas centenas de mortos. Ainda que esteja a quilômetros do foco dos ataques de extremistas religiosos, que usam o Islã para defender seus ideais, a população não-muçulmana no Brasil anda desconfiada.

O receio se espalha pelo mundo. Na Internet e na política, surgem os que condenam todos que seguem o Islã como se fossem uma legião de fanáticos. Mas o medo justificaria as ofensas?

Para a advogada do Escritório de Direitos Humanos Frei Tito, Luanna Marley, esse tipo de comportamento é considerado discriminação e está passível de punição já que a Constituição Federal garante liberdade religiosa.

“Ainda tem o fato de atribuirem falsamente um crime a alguém que não cometeu. E isto é calúnia. Nosso código penal é bem preciso quanto a este tema”, afirma, sobre os que acusam pessoas de “terrorismo”. Segundo a especialista, a pena para os crimes de xenofobia (discriminação de origem) e intolerância religiosa varia de um a três anos de prisão.

Outras histórias
Convertida há três anos, a cearense Aminah Sales também teve sua cota de discriminação após os atentados. “Já tinha ouvido muito no ônibus, mas depois dos ataques, perto da minha rua passaram no carro e gritaram “terrorista’”, narra. Ela costumava trabalhar como professora, mas decidiu deixar a profissão após ser proibida de usar o véu nas dependências da escola.

O estudante de química Yahya Simões, de 27 anos, conta que tem sido mais difícil achar emprego desde que se converteu e passou a usar vestes islâmicas. “As pessoas não gostam de você parar para fazer oração ou manter a barba longa. Há falta de entendimento e de abertura”, diz. Ele também enfrenta resistência da família que, segundo afirma, não entende sua religião.

Um migrante africano muçulmano, casado com uma brasileira, desistiu de dar entrevista. Segundo ele, a família evangélica da mulher não aceita a união e, portanto, não quer expor a história na mídia.

Nas próximas páginas, são abordadas ações de muçulmanos para tirar a má impressão deixada pelos extremistas. As consequências da intolerância são analisadas por especialistas. E por fim, relatos comparam a situação do Brasil à de países que fazem parte da lista de alvos potenciais dos terroristas.
Fonte: Jornal OPovo

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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