A abertura dos arquivos da ditadura. Encontro com a História


Toda a preocupação com a tragédia no Haiti não impediu o presidente Lula de trazer de volta a discussão sobre o Programa Nacional dos Direitos Humanos.

Segundo declarações do presidente no Maranhão, o único ponto polêmico é a criação da Comissão da Verdade.

Pelo visto, os ministros Nelson Jobim e Paulo Vanucchi já se entenderam e se satisfizeram com a troca de algumas palavras no texto.

Assim, todos ficam felizes.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Jobim não aparece como defensor de torturadores, Vanucchi não aparece como revanchista, e os militares não se sentem ameaçados com a revisão dos crimes de tortura e a condução dos torturadores que ainda estiverem vivos ao banco dos réus.


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Para o presidente Lula, “não se trata de caça às bruxas, trata-se apenas de você pegar 140 pessoas que ainda não encontraram os seus parentes que desapareceram, e que essas pessoas possam ter o direito de encontrar o cadáver e enterrar.”

Seria maravilhoso se fosse tão simples.

O presidente está certíssimo. Não se trata de caça às bruxas.

Há muito mais coisa envolvida. Trata-se de promover o encontro do país com sua História.

O Brasil é o único país a ter vivido uma ditadura recente, que se recusa a conhecer totalmente o passado, a abrir os arquivos e revelar o que realmente aconteceu naqueles anos.

Uruguai, Argentina e Chile, para ficar apenas na América do Sul, já vêm acertando as contas com o passado há anos.

Menos o Brasil.

A redemocratização brasileira resultou de um processo que chamamos, à época, de “transição pela transação”.

A saída foi negociada entre a oposição e lideranças do antigo regime.

Assim, a Aliança Democrática montada para eleger Tancredo Neves presidente da República apresentou como vice na chapa José Sarney, enfant gâté do regime, último presidente do partido da ditadura, a Arena.

Aliás, hoje faz 25 anos que o dr. Tancredo foi eleito, e a ditadura começou a terminar.

A anistia fez parte desse processo.

Mas muito já se tem dito que anistia é perdão, não é esquecimento.

O que se busca é a memória, não a revanche.

Para o Brasil poder virar esta página, é preciso lê-la até o fim e compreender o que aconteceu.

O acerto de contas com o passado é um largo passo em direção ao futuro.

blog da Lucia Hippolito

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