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Zuckerberg e o ‘colonialismo digital’ quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Crianças olham sorrindo para tablet na Índia

Direito de imagemGETTY IMAGES
Quase um bilhão de pessoas na Índia não tem acesso à internet

A disputa das empresas de tecnologia pelo país com maior ‘população offline’ do mundo

Quase metade dos usuários da internet no mundo está concentrada em dois países – que, paradoxalmente, também contabilizam o maior número de pessoas sem acesso à rede.

Segundo as Nações Unidas, China e Índia são “os maiores mercados de internet do mundo”.

Com quase 1,4 bilhão de habitantes, o primeiro tem 721 milhões de usuários e é o país que mais produz smartphones. Não por acaso, empresas chinesas como Huawei e Xiaomi estão entre as maiores fabricantes de celulares do mundo.

Apesar de grande, esse é um mercado difícil de penetrar – a censura forte do governo à rede complica a entrada de grandes multinacionais de tecnologia. Empresas como Google e Facebook, às vezes sem sucesso, tentam operar no país – ainda assim, o Baidu continua sendo um dos principais sites de busca para os chineses e o WeChat, o aplicativo de troca de mensagens mais usado.

A Índia, por sua vez, tem cerca de 400 milhões de usuários de internet. O número parece grande, mas não chega a um terço dos mais de 1,3 bilhões que vivem no país.

 

O resto não consegue se conectar. É a maior população offline do mundo, segundo dados de 2016 do Banco Mundial.

Essa acaba sendo uma boa notícia para as empresas de tecnologia, que veem na Índia um campo imenso para crescer: espera-se que, até 2021, a população com acesso à rede ultrapasse 630 milhões de usuários.

“A Índia é um mercado emergente, e é por isso que muitos gigantes da tecnologia estão desenvolvendo projetos para levar a internet ao país”, disse à BBC Francisco Jeronimo, pesquisador chefe da consultoria IDC para comunicações móveis.

Facebook, Google, Samsung e Microsoft são algumas das empresas que estão de olho na Índia.

A corrida começou há muito tempo, mas ainda não há um vencedor claro. Na verdade, alguns ficaram para trás cedo.

O projeto fracassado do Facebook

Segundo Jeronimo, um dos primeiros projetos para levar internet à Índia foi liderado pelo Facebook.

Trata-se do Free Basics (antes conhecido como Internet.org), um plano em colaboração com operadoras de telefonia através da qual a rede social oferece acesso gratuito a vários sites através de um aplicativo.

Mark Zuckerberg apresenta projeto em Delhi, no ano de 2014, com foto projetada de menino usando computador ao fundoDireito de imagemGETTY IMAGES
Iniciativa de Zuckerberg já foi chamada de ‘colonialismo digital’

“A maior parte do mundo não tem acesso à internet, e essa iniciativa liderada pelo Facebook visava levar a rede e os benefícios da conectividade a partes do planeta que não os tinham”, diz o site.

O projeto foi lançado em 2013 e implementado com sucesso em mais de 40 países em todo o mundo, incluindo a República Dominicana, Honduras, Panamá, México e Peru.

Mas em outros lugares, como Egito, Mianmar ou Índia, a iniciativa não foi bem-sucedida e acabou sendo alvo de fortes críticas.

“O Free Basics deveria ser proibido em todo o mundo”, afirmou o ativista digital indiano Nikhil Pahwa, uma das pessoas que advogou pela proibição da ferramenta no país, acatada por um órgão regulador em 2016.

Outros, como o ativista Ellery Biddle, da Global Voices, chamam este tipo de iniciativa de “colonialismo digital”.

Mark Zuckerberg, o fundador e diretor do Facebook, defendeu a iniciativa.

“Todos no mundo deveriam ter acesso à internet”, escreveu ele na rede social.

O Facebook segue com o objetivo de expandir a internet na Índia, agora com um novo projeto, batizado de “Express Wi-Fi”, ainda em desenvolvimento.

Manifestantes seguram cartazes com dizeres contrários ao 'Free Basics' na ÍndiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Manifestantes seguram cartazes com dizeres contrários ao Free Basics na Índia

Internet sem fio do Google

O sucesso do projeto Loon, do Google, que levou internet a Porto Rico por meio de balões de ar, motivou a empresa a planejar uma estratégia similar na Índia.

A companhia já chegou a um acordo com o governo para construir uma rede de pontos de banda larga do tipo FSOC – uma abreviação para Free Space Optical Communications (em tradução livre, comunicações ópticas em espaço aberto).

Além disso, acaba de lançar uma rede social local, a Neighbourly, pensada como uma ferramente para aproximar vizinhos e membros de uma mesma comunidade.

A ideia é competir com seu rival, o Facebook, que está ganhando terreno com o WhatsApp. A Índia é o maior mercado para a plataforma de mensagens, onde tem 200 milhões de usuários.

Sundar Pichai na Índia, ao lado de mulheres e criança, em 2017Direito de imagemGETTY IMAGES
O CEO do Google, Sundar Pichai, fez várias reuniões na Índia sobre acesso à internet

O sonho dos fabricantes de smartphones

A Índia é também o segundo maior mercado de smartphones do mundo, depois da China.

E é o único país do mundo em que a venda de “celulares básicos” continua a crescer – telefones sem muita tecnologia, com conexão limitada à internet e uso prioritário de chamadas e mensagens de texto.

“Em mercados específicos, como a Índia, os smartphones de última geração estão fora do alcance de muitos, razão pela qual as vendas de celulares básicos estão aumentando”, disse à BBC Linda Sui, diretora de estratégia para smartphones da Strategy Analytics.

Mas os celulares de alta tecnologia também têm o seu lugar.

Talvez por isso, a Samsung acaba de inaugurar na Índia “a maior fábrica de celulares do mundo”.

A empresa sul-coreana espera que a unidade produza até 120 milhões de dispositivos por ano até 2020.

“A Índia é um país que oferece novas oportunidades para os fabricantes, cujas vendas de telefones celulares em lugares onde as pessoas já têm smartphones começarão a estagnar”, acrescenta Sui.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, participa de inauguração de fábrica da SamsungDireito de imagemGETTY IMAGES
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, participa de inauguração de fábrica da Samsung
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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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