Walt Whitman – Poesia


Do Inquieto Oceano da Multidão
Walt Whitman

Do inquieto oceano da multidão 
veio a mim uma gota gentilmente 
suspirando: 

— Eu te amo, há longo tempo 
fiz uma extensa caminhada apenas 
para te olhar, tocar-te, 
pois não podia morrer 
sem te olhar uma vez antes, 
com o meu temor de perder-te depois. 

— Agora nos encontramos e olhamos, 
estamos salvos, 
retorna em paz ao oceano, meu amor, 
também sou parte do oceano, meu amor, 
não estamos assim tão separados, 
olha a imensa curvatura, 
a coesão de tudo tão perfeito! 
Quanto a mim e a ti, 
separa-nos o mar irresistível 
levando-nos algum tempo afastados, 
embora não possa afastar-nos sempre: 
não fiques impaciente — um breve espaço 
e fica certa de que eu saúdo o ar, 
a terra e o oceano, 
todos os dias ao pôr-do-sol 
por tua amada causa, meu amor. 

Ó HÍMEN! Ó HIMENEU! 

O hímen! O himeneu! 
Por que, me atormentas assim? 
Por que, me provocas só 
durante um breve momento? 
Por que é que não continuas? 
Por que, perdes logo a força? 
Será porque, se durasses 
além do breve momento, 
logo me matarias 
com certeza? 


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