Versos na tarde – Manoel Caixa D’Água

Se as noites envelhecessem
Manoel Caixa D’Água¹

“Se as noites envelhecessem,
se os meus olhos cegassem,
se as fantasmas danças
em blocos de neve
para que me ensinassem o caminho
por onde eu caminhei.
A cidade sem porta, as ruas brancas de
minha infância
que não voltam mais.
Se minha mãe se abruma,
se o mar geme,
se os mortos não voltam mais,
se as matas silenciosas
não recebem visitas,
se as folhas caem,
se os navios param,
se o vento norte
apagou a lanterna,
eu tinha nas minhas mãos somente sonhos.
Eu tinha nas minhas mãos somente sonhos!”

¹Manoel José de Lima
* João Pessoa, PB – 1931 d.C
+ João Pessoa, PB – 28 de Março de 2006 d.C
Poeta popular, cordelista, cantador e repentista. Considerado ao lado de Zé Limeira um dos mais importantes nomes do surrealismo poético brasileiro.

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