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USA, Coreia e Armas Nucleares segunda-feira, 2 de abril de 2018

A pouco conhecida história de como os EUA levaram as primeiras armas nucleares à península da Coreia

Kim Jong-unDireito de imagem REUTERS
Kim Jong-un disse que a Coreia do Norte sempre desejou a desnuclearização da península

“Estamos comprometidos com a desnuclearização da península da Coreia, em sintonia com a vontade do outrora presidente Kim Il-sung e do secretário Kim Jong-il.”

As palavras do líder norte-coreano, Kim Jong-un, durante encontro com o presidente da China, em Pequim, surpreenderam muita gente. Apesar dos gestos de aproximação da Coreia do Norte – que tem reuniões previstas com os presidentes da Coreia do Sul e dos Estados Unidos -, a comunidade internacional ainda está cética.

Mas como começou a corrida armamentista na península coreana?

A insegurança atual está diretamente relacionada a um episódio pouco conhecido hoje em dia: a chegada à península coreana das primeiras armas nucleares norte-americanas.

Uma nuclearização que, como destaca o jornalista norte-americano Walter Pincus, ocorreu em clara violação ao acordo que pôs fim aos conflitos da Guerra da Coreia.

Kim Jong-un e Xi JinpingDireito de imagem GETTY IMAGES
Kim Jong-un falou em livrar a península da Coreia de armas nucleares, durante encontro com presidente chinês Xi Jinping, em Pequim

‘Segredo sujo’

“Muitos americanos criticam a possível reunião entre Trump e Kim Jong-un com o argumento de que a Coreia do Norte violou vários acordos de não propagação de armas”, disse Pincus num artigo publicado no jornal The New York Times.

“Mas estes céticos deveriam se lembrar que foi os Estados Unidos que romperam o Acordo de Armistício da Coreia, de 1953, quando o governo Eisenhower enviou, em 1958, as primeiras armas nucleares para a Coreia do Sul.”

De acordo com o ex-repórter do The Washington Post, em meados da década de 1960, o arsenal nuclear dos EUA na península coreana já somava 900 projéteis de artilharia, bombas táticas, foguetes, mísseis antiaéreos e minas terrestres.

“Havia, inclusive, projéteis nucleares para canhões baseados na Coreia do Sul”, diz Pincus, que está escrevendo um livro sobre o tema.

Tudo isso em violação clara do acordo assinado entre as tropas das Nações Unidas, comandadas pelos EUA, e os exércitos da China e da Coreia do Norte – que proibia expressamente a chegada de novos tipos de armas e munições à península.

negociações para acordo de pazDireito de imagemAFP
O armísticio que pôs fim à Guerra da Coreia vetava a entrada de novas armas à península coreana

Segundo Joseph Bermudez Jr., especialista do Instituto Coreia-EUA, da Universidade John Hopkins, foi justamente o temor da chegada de armas americanas que permitiu a assinatura do armistício.

Desde então, o “perigo de que armas norte-americanas pudessem ser usadas contra o regime do Norte orientou o pensamento do país e suas ações estratégicas”, afirma.

E a chegada de armas nucleares à Coreia do Sul – onde permaneceram até 1991- muito provavelmente fortaleceu o desejo de Pyongyang de providenciar seu próprio arsenal atômico.

Desfile militar na Coreia do NorteDireito de imagem REUTERS
A Coreia do Norte argumenta que, para se proteger da ameaça de um ataque pelos Estados Unidos, precisa de armas nucleares próprias

Ogivas por soldados

No final da década de 1950, a Coreia do Norte ainda estava muito distante de conseguir desenvolver armas nucleares. Mas o governo dos EUA estava inquieto com os custos de proteger a Coreia do Sul contra o Norte utilizando soldados norte-americanos.

A lógica do governo Eisenhower foi a de que o envio de armas nucleares à península possibilitaria reduzir o número de soldados americanos na Ásia e o apoio financeiro dos EUA às tropas sul-coreanas, que alcançava US$ 650 milhões por ano.

Foi esta a decisão que o presidente tomou, embora documentos da época revelem que assessores do Departamento de Estado deixaram claro que a estratégia resultaria na “violação” dos termos do armistício assinado cinco anos antes.

O Pentágono, porém, insistiu que o envio do armamento era “essencial” do ponto de vista militar e argumentou que a Coreia do Norte havia violado o acordo ao adquirir novos aviões e armas de artilharia.

“É possível argumentar que a violação dos comunistas ao parágrafo 13, especialmente no que se refere a aviões, nos liberam para ignorar suas restrições”, diz um memorando do dia 28 de novembro de 1956.

Exércitos sul-coreanos e americanosDireito de imagemAFP
Os EUA são o principal aliado da Coreia do Sul

‘João Honesto’ e canhões

O documento se refere a uma discussão sobre o possível envio à Coreia do Sul do sistema de mísseis terra-terra MGR-1 (conhecido como “Honest John”, ou “João Honesto”), assim como canhões de 280 mm, as primeiras armas com capacidade nuclear consideradas pelo Departamento de Defesa americano.

“De qualquer maneira, essas armas não devem ser consideradas atômicas, porque, quando não estão acompanhadas de ogivas nucleares, seu uso seria potencial, não real”, argumentou o Pentágono.

Em 24 de dezembro de 1957, o exército dos Estados Unidos recebeu a autorização para levar os dois tipos de armas para a Coreia do Sul, embora o anúncio público de sua chegada à península tenha ocorrido em 28 de janeiro de 1958.

“Um porta-voz do Exército dos EUA se recusou a dizer quantos canhões haviam chegado e se estavam acompanhados de ogivas nucleares”, recorda Pincus. Desde então, “os Estados Unidos se esqueceram desta história e os políticos americanos só culpam a Coreia do Norte por não respeitar os acordos”, aponta.

“Mas se é verdade que Pyongyang é pouco confiável, os líderes norte-coreanos certamente se lembram do que aconteceu na década de 1950”, concluiu o jornalista, que já venceu um Pulitzer, o principal prêmio do jornalismo.

Protesto contra a presença de tropas americanas na Coreia do SulDireito de imagem GETTY IMAGES
Os EUA retiraram suas armas nucleares da Coreia do Sul em 1991
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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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