A blogosfera e os jornais
Por Renato Mendes

Se há poucos anos ainda existiam dúvidas sobre a influência da blogosfera no jornalismo, nos dias atuais, além das dúvidas terem desaparecido, a simbiose que emerge da relação entre os blogues e os jornais é objeto de análise de diversos estudos. Com o surgimento do primeiro blogue nos EUA, em 1993 – quando a internet era ainda incipiente –, abriu-se uma janela sem precedentes para o início de um modelo coletivo de colaboração, baseado no feedback e na partilha de informações e notícias que revolucionaria o universo comunicacional.

Um ano após Justin Hall escrever em HTML (Hypertext Markup Language) o conteúdo do primeiro blogue, muito antes de surgirem as empresas especializadas em desenvolvimento de softwares para a criação de blogues, o então estudante do Swarthmore College recebe o primeiro visitante em sua página na internet. Tal fato é tão importante quanto a própria criação do blogue, pois algo inédito acontecia: a troca de informações entre duas pessoas pela internet a partir de um conteúdo gerado e publicado no mundo virtual.

A partilha na internet só foi possível graças à criação da tecnologia do hipertexto, por Tim Berners Lee, que mais tarde se transformou na WWW (World Wide Web). Através de um programa, ou o primeiro browser, Lee proporcionou aos não especialistas a possibilidade de publicar documentos como páginas da internet, dando início a um processo irreversível: emergia um novo modelo de interação entre pessoas e informações.

Conteúdo e comportamento dos blogs

O conceito Web 2.0, criado em 2004 por Tim O’Reilly, traduz-se no paradigma da internet como plataforma central de uma inteligência coletiva. O conceito é sustentado pelo desenvolvimento de aplicativos, que aproveitam os “efeitos de rede” para evoluírem. Esta evolução é proporcional à participação das pessoas nas redes. Como exemplo, temos os softwares open source, ou código aberto. Neste caso, a “inteligência coletiva” pode ser interpretada como meio, mas também como um fim, para a construção de uma plataforma do saber.

Sobre o conceito Web 2.0, alguns dizem que é uma buzzword, puro marketing. De qualquer maneira, diversas multinacionais que baseiam seus negócios na internet adotaram e amplificaram o conceito de Web 2.0, apoiadas pelos lucros alcançados através da experiência coletiva. Esta noção pode ser interpretada como uma tendência, ou então como uma nova versão da mesma ideologia do criador da WWW, que tem a internet como plataforma de partilha do conhecimento.

É necessário dizer que os blogues sejam talvez o elemento central desta plataforma para a inteligência coletiva, de partilha do conhecimento. O sítio Technorati, em sua série de relatórios – como, por exemplo, “O estado da Blogosfera em 2009″ – desenvolve desde 2004 estudos sobre os blogues, utilizando gráficos para perceber tendências na produção de conteúdo e comportamento dos bloggers – sob vários aspectos, além de entrevistar os maiores especialistas nesta área. Ciência está sendo produzida a partir do conteúdo que emana dos blogues.

Um novo gênero de jornalismo

A importância dos blogues na produção e transformação do conhecimento é inquestionável nos dias atuais e desperta cada vez mais interesse nas empresas de mídia, à medida que interfere na produção das notícias dos jornais. No blogue “Monday Note” escrito por Frédéric Filloux, editor internacional de um grupo de mídia norueguês, uma questão polêmica emerge na forma de uma pergunta em um dos posts: “Blogging, a new journalistic genre?” A reposta chega nas primeiras linhas, “um dos mais interessantes desenvolvimentos da internet (em 2009) será a evolução contínua dos blogues” e segue com a argumentação de que os blogues transformaram-se em um novo gênero jornalístico, “o qual poderá tornar-se o principal motor dos sítios de notícias”.

Segundo Filloux, muitos dos jornalistas que mantêm blogues referenciados – muitos endossados pela grande imprensa – fazem dos posts matérias jornalísticas mais interessantes, se comparadas aos seus trabalhos principais, nas redações dos jornais. De maneira a afirmar a importância dos bloggers no processo de construção da notícia, e ao mesmo tempo colocar este novo gênero de jornalismo em um patamar mais elevado, Filloux menciona os nomes de Floyd Norris, chefe do serviço financeiro do jornal The New York Times, e Paul Krugman, Prêmio Nobel de economia, como bloggers conhecidos e profissionais. O autor avança com a idéia de que os blogues devem ser elementos essenciais na estratégia editorial dos mídia.

A reflexão sobre do processo de apropriação das informações, que emerge da blogosfera, pelas redações dos jornais, torna-se mais rica sob a ótica do conceito de “mediamorfose”, de Roger Fidler: as novas formas de comunicar, ou os novos mídia, não surgem de maneira espontânea, mas sim através da transformação dos mídia que já existem. Este quadro de transformação não condena ao desaparecimento as velhas formas de comunicar, mas imprimem uma necessidade de adaptação. Em última análise é isso que Filloux defende em seu post sobre o surgimento de um novo gênero de jornalismo, muito apoiado pelo que acontece com os jornais norte-americanos.

Hiperligações e intertextualidade

No artigo de Carlos Castilho “Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia”, publicado no sítio Observatório da Imprensa, o autor chama a atenção para a internet como um novo ambiente político, “onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público”. Castilho destaca um ambiente de polarização de opiniões políticas à medida que a data das eleições presidenciais no Brasil se aproximam. Os segmentos conservadores ocuparam o espaço mediático convencional, enquanto a internet será apropriada por setores mais liberais da política. O autor do artigo salienta o papel de protagonista que o blogger adquire quando expõe suas cores políticas na internet.

No sentido de reforçar o movimento espontâneo de apropriação de uma tecnologia emergente, os blogues, que beneficiou o universo informativo, temos um evento midiático de escala global que chocou a todos. O 11 de setembro marcou um momento de virada, de acordo com Dan Gillmor, quando a reportagem e a produção de notícias em escala massiva passou a ser feito pela audiência. O jornalismo-cidadão, ou participativo, ganhou grande expressão nas televisões e jornais de todo mundo, quando relatos pela internet, através de blogues, preenchiam o conteúdo informativo da grande mídia.

O que dizer, então, sobre os blogues, quanto se tem em conta a produção de notícias de forma amadora e despretensiosa? A popularização dos softwares para a criação dos blogues faz com que em menos de cinco minutos uma pessoa possa publicar qualquer conteúdo na internet. O emprego de técnicas jornalísticas para a criação de uma notícia é fator determinante para classificar se os conteúdos publicados nos blogues são ou não são conteúdos jornalísticos. De outra forma: o que determina ou descreve de melhor forma o jornalismo, não é o meio de dispersão da informação, mas sim, as técnicas empregues para a criação da notícia.

O que se observa em grande escala na blogosfera são blogues que apontam para outros blogues, jornais e conteúdo diverso e disperso pela rede. O uso exacerbado das hiperligações e da intertextualidade – um dos tipos de transtextualidade, que se observa nos blogues faz com que a reprodução de informações e notícias seja o principal efeito desta vaga de massificação do acesso aos blogues. O ineditismo e a relevância da informação – dois elementos que norteiam a produção da notícia, neste quadro de massificação, são marcas escassas da informação na blogosfera.

Imaginar transformações começa a ser possível

A inexorável interferência do conteúdo dos blogues no campo mediático está transformando as técnicas jornalísticas. Autores apontam o conteúdo informativo gerado a partir de blogues como um novo gênero jornalístico. A apropriação dos blogues pela grande mídia é de tal forma avançada que existem jornalistas dedicados à produção de conteúdo on-line, é comum os posts tornarem-se excertos de trabalhos jornalísticos convencionais ou até mesmo serem utilizados integralmente em trabalhos jornalísticos convencionais. Uma nova classe de jornalistas está em nascimento, aqueles que perderam suas posições nas redações – ou mesmo aqueles que nunca tiveram a experiência de uma redação e encontram na publicação on-line, através de blogs, o seu sustento.

Casos de repórteres terem conseguido financiamento de viagens profissionais para a cobertura jornalística começam a surgir. Surgem também notícias dos que conseguem pagar suas contas e seguir na carreira de jornalista graças às contribuições financeiras realizadas por suas audiências, em troca de conteúdo jornalístico on-line. Imaginar as transformações que os blogues imprimirão nas empresas de mídia começa a ser possível agora. O ganho de consciência por parte das sociedades sobre o poder da informação que circula na blogosfera determinará em grande parte a forma pela qual a revolução que está em curso transformará o campo jornalístico.

Fonte: Observatório da Imprensa

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CodeOrgan usa algoritmo para transformar sites em sons.

Padrão de bateria, sintetizador e som são baseados no conteúdo.

O site CodeOrgan transforma URLs em músicas. Ele analisa o texto no corpo da URL fornecida e segue um algoritmo para converter o site em uma composição musical. Ele escolhe um padrão de bateria, um estilo de sintetizador e um tom baseado nos conteúdos da página, e toca de volta a música associada através do botão ‘Play this website’ ['Toque esse website', em inglês].

Visite o site

G1

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Perfil no Twitter inspira seriado de TV nos Estados Unidos

Shit my dad says‘ apresenta frases filosóficas do pai do autor.

O ator William Shatner participará da série.

A conta no Twitter do comediante norte-americano Justin Halpern é a primeira a se tornar a fonte de inspiração para um seriado de TV. Chamada de “Shit My Dad Says”, o perfil publica frases e ensinamentos do pai do autor, Samuel Halpern, de 74 anos, e terá um episódio que será gravado em breve para testar se a série fará sucesso ou não.

Halpern, de 29 anos, mora com seu pai e ficou conhecido por publicar frases filosóficas e com muitos palavrões dele no microblog. O seriado será escrito pelo humorista e terá o ator William Shatner, o Capitão Kirk de “Jornada nas estrelas” como o pai de Halpern.

Conta no Twitter que traz ensinamentos filosóficos e palavrões inspira seriado de TV nos EUA.

Além do seriado, Halpern está escrevendo um livro sobre o perfil no Twitter, utilizando frases que, de acordo com o autor, ensinam alguma coisa às pessoas. No microblog, @shitmydadsays tem mais de um milhão de seguidores.

G1

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Mulher processa Google nos EUA por suposta violação de privacidade do Buzz

O Google Buzz, nova ferramenta em tempo real do Google, levou uma mulher dos Estados Unidos a abrir um processo contra a empresa, informou o jornal “The Daily Telegraph” na quinta-feira (18).

Ainda de acordo com informações do diário, Eva Hibnick, da Flórida, instruiu os advogados para o processo contra o Google em uma corte federal de San Jose, também no Estado norte-americano.

Tela do novo Google Buzz; empresa é processada nos EUA por suposta invasão de privacidade

A alegação foi de que a companhia violou a lei pelo uso de novas ferramentas para compartilhar suas informações pessoais sem seu consentimento.

A acusação alega que o Google tem quebrado uma série de leis sobre comunicação eletrônica.

Hibnick está em busca de uma quantia não-especificada para compensação financeira, e também quer uma liminar que impeça o Google de ter iniciativas semelhantes no futuro.

O Google não quis comentar o assunto.

Na semana passada, a companhia anunciou modificações em seu novo serviço de rede social Buzz depois de receber queixas dos internautas sobre a falta de proteção da confidencialidade de sua correspondência.

O site TechCrunch analisa que “o perigo em se criar uma rede social em torno de contatos de e-mail, como faz o Google Buzz no Gmail, é que as fronteiras entre o que é privado e público não estão sempre claras”.

O Buzz foi lançado no começo do mês e, desde então, os usuários começaram a se queixar da falta de confidencialidade.

Em resposta às críticas, o Google anunciou várias mudanças no serviço, com a aplicação de uma “opção mais visível para não mostrar no perfil do usuário a lista de quem ele segue ou a de seus seguidores.

Folha Online

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Um espertalhão, sem conhecimento da legislação que rege o registro de domínios na internet, registrou diversos endereços na web com o nome de José Serra e outras variáveis.

Vai ganhar fácil se entrar na justiça! Acredito que o próprio Comitê Gestor da Internet, no Brasil, pode resolver a pendenga.

Há jurisprudência pacificada a esse respeito. No caso de pessoas jurídicas, o CGI, decide que o domínio pertence ao dono do CNPJ correspondente. Por analogia, acredito que o CGI agirá da mesma forma em relação às pessoas físicas. Não fosse assim, enfrentaríamos o paradoxo de uma pessoa não ter a propriedade do próprio nome.

Cito o advogado Wilson Silveira ¹

[...]“O nome de domínio é a representação virtual da pessoa física ou jurídica. É a marca da pessoa jurídica (ou seu nome empresarial) ou o nome da pessoa física colocado à disposição de seu público.”

[...]“No caso de domínios com.br, de ilegítimo titular brasileiro, cabe a propositura de ação judicial, buscando a anulação do registro, ou a adjudicação ao legítimo interessado.”
¹ (
Wilson Silveira, formado em Direito pela Universidade de São Paulo. Especializado na área de marcas, dirige os departamentos de marcas e contencioso da CRUZEIRO/NEWMARC.  – http://www.newmarc.com.br/novo/index.asp)

O Editor

PS. Pra quem almeja a Presidência da República, caberia ter uma assessoria jurídica razoavelmente competente.


O grão-tucano José Serra convive com um dissabor inusitado. Está impedido de abrir um sítio com seu próprio nome na internet.

O presidenciável da oposição perdeu para terceiros, veja você, o domínio eletrônico de seu nome.

Em resposta a um leitor, Serra informou no twitter: “Não tenho nenhum site [...]. Um espertalhão registrou meu nome. E só na Justiça para recuperá-lo”.

Noutra mensagem, Serra deu nome ao boi que cruzou as suas fronteiras digitais: “Uma tal Associação dos Missionários Evangélicos registrou joseserra.com.br”.

Num terceiro texto, Serra esclareceu que seu “avatar cibernético” fez barba cabelo e bigode:

“Não é meu nem o ‘joseserra.com.br’ nem o ‘joseserra.org.br’. O mesmo sujeito registrou os dois domínios. Aí, só na Justiça”.

Como se vê, são mesmo traiçoeiros os meandros da internet. Serra teve o nome pirateado por uma associação que se diz evangélica. Perdendo na Justiça, não lhe restará senão dirigir uma prece ao Senhor.

blog do Josias de Souza

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Alguns internautas desenvolvem uma compulsão na qual substituem a interação da vida real por salas de bate-papo e sites de relacionamento social.

Quem passa muito tempo na internet tem mais propensão a apresentar sintomas de depressão, disseram cientistas britânicos.

Não está claro, no entanto, se a internet causa depressão ou se a rede atrai os deprimidos.

Psicólogos da Universidade de Leeds disseram ter notado uma “impressionante” evidência de que alguns internautas desenvolvem uma compulsão na qual substituem a interação da vida real por salas de bate-papo e sites de relacionamento social.

“Este estudo reforça a especulação pública de que o excesso de engajamento em sites que servem para substituir a função social normal poderia levar a transtornos psicológicos correlatos, como depressão e dependência”, disse a principal autora do estudo, Catriona Morrison, em artigo na revista Psychopathology, “Este tipo de ’surfe aditivo’ pode ter um sério impacto sobre a saúde mental.”

No primeiro grande estudo com jovens ocidentais sobre essa questão, os pesquisadores analisaram o uso da Internet e os níveis de depressão entre 1.319 britânicos de 16 a 51 anos de idade. Concluíram que 1,2% deles eram viciados em internet.

De acordo com Morrison, esses dependentes passavam proporcionalmente mais tempo em sites com conteúdo sexual, de games ou de comunidades online. Tinham também uma incidência maior de depressão moderada ou severa do que a média dos usuários normais.

“O uso excessivo da internet está associado à depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro – as pessoas deprimidas são atraídas para a internet, ou a Internet causa depressão?”, escreveu Morrison.

“O que está claro é que para um pequeno subconjunto de pessoas o uso excessivo da internet poderia ser um sinal de alerta para tendências depressivas.”

Morrison notou que, embora o percentual de 1,2% de dependentes da internet seja “pequeno”, representa o dobro da incidência dos viciados em jogo na Grã-Bretanha, que é de cerca de 0,6%.

Reuters
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A estratégia alucinada por trás do tablet de Jobs

O iPad é a segunda coisa mais ousada que Steve Jobs fez em sua vida. E, a estas alturas, o prezado leitor está lá pensando com seus botões: “coitado, o colunista pirou.” É só um iPhone grande.

Sim, é. O tablet de Jobs não é uma revolução. É evolução de uma linha bem sucedida de produtos. Mas trata-se de uma jogada arrojada que vem de uma estratégia alucinada.

Ele, afinal, quer concorrer com a web.

A corrida é pela internet móvel. De um lado do ringue está o Google. A trupe da cidadezinha de Mountain View tem uma vantagem: sua plataforma Android é aberta e portanto serão muitos os smartphones e tablets com o sistema. Os aparelhos podem parecer caros hoje. Mas haverá modelos vendidos a US$ 100 lá por 2013. Telefonia celular sempre avançou muito rápido e com a internet móvel não será diferente.

O Google abre as portas para um mundo que os navegantes já conhecem. É a internet da boa e velha web, aberta como sempre foi.

Do outro lado está a Apple. Promete uma multimídia mirabolante. Há um formato para livros – e o livro texto de medicina permitirá ao estudante vasculhar por dentro do corpo humano com filmes e cores e sons aos quais ele jamais teve acesso.

E um formato para periódicos – o jornal e a revista mantêm a diagramação elegante do papel, mas a ela somam-se a atualização continuada da internet, filmes, galerias de fotos. As vantagens de um e as do outro. Isso, para não falar dos games. Tudo estruturado numa plataforma que já é conhecida. A da dupla iPod e iTunes.

A vantagem do Google virá no preço e no fato de que todos já estão habituados com a web aberta.

Mas que ninguém dispense a Apple – ela também conta com uma vantagem no momento em que a internet fica móvel: os produtores de conteúdo estão do seu lado. Estúdios de cinema, gravadoras, jornais, revistas, editoras, game houses, quem produz conteúdo quer um ambiente já aceito pelo mercado no qual possa vender o que produz.

E, se o melhor conteúdo estiver fora da web aberta, talvez a Apple possa virar esse jogo.

Neste ambiente, Microsoft e RIM, do Blackberry, correm desesperadas atrás. Para não falar da pobre Palm.

Ao decidir concorrer com a web, Steve Jobs faz a segunda coisa mais ousada de sua carreira. A primeira foi o computador pessoal.

Pedro Doria/Estadão

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Nem Orkut nem Facebook. Os atletas do Manchester United e do Manchester City, importantes clubes ingleses, estão proibidos de fazer parte de qualquer rede social na internet. O motivo alegado pelos dirigentes é que diversos perfis falsos dos jogadores foram encontrados na web recentemente. De fora dos sites de relacionamento, esses jogadores ingleses deixam de fazer parte de um universo de pelo menos 260 milhões de pessoas que frequentem ambientes virtuais de sociabilidade ao redor do mundo – somente no Brasil as redes sociais alcançam 29 milhões de usuários.

As novidades e os fenômenos relacionados a essa nova forma de interação social começaram a ganhar as páginas de VEJA em 2004. Naquele ano, chamava a tenção a crescente popularidade do Orkut que, muito à frente de seus concorrentes, contava com 2 milhões de usuários ao redor do planeta. Na época, programas que reuniam amigos ou pessoas com interesses comuns não eram propriamente uma novidade. A inovação promovida pelo Orkut era possibilitar a cada usuário montar uma página com seu perfil. O padrão acabou servindo de modelo à maioria das redes sociais que surgiram posteriormente e fez do Orkut o pioneiro de uma nova geração de serviços de comunicação interpessoal.

Um ano e meio depois do surgimento do Orkut, os sites de relacionamentos já eram tão presentes na vida de seus usuários que promoveram uma verdadeira mudança em seu comportamento. As redes sociais virtuais haviam criado novos paradigmas. Hoje, na vida conjugal, por exemplo, há quem veja na internet uma nova maneira de ser infiel. Já na educação, as redes se tornam ferramentas de interação entre aluno, professores e pais.

As novidades, porém, não pararam por aí. As possibilidades oferecidas pelo Orkut já não pareciam suficientes aos olhos dos americanos Tom Anderson e Chris DeWolf. A dupla de programadores reinventou os sites de relacionamentos ao oferecer aos usuários novos recursos, como a criação de blogs, a veiculação de canções e a divulgação de vídeos caseiros. O sucesso do MySpace era sem antecedentes: em um ano, havia quadruplicado seu número de visitantes e contava, em fevereiro de 2006, com 68 milhões de filiados. A preferência dos brasileiros, porém, ainda era pelo Orkut. Para esses usuários, a má notícia era o novo mecanismo que identificava as cinco últimas pessoas a circular em cada página.

Mas se os sites de redes sociais ainda guardavam alguma ligação com o mundo real, o Second Life, um misto de jogo e site de relacionamentos, permitiu um mergulho ainda mais profundo no mundo virtual. Criado em 2002, mas desperto de prolongada hibernação só em 2005, o programa deu a muitos a oportunidade de viver uma versão idílica da própria vida. Reportagem de VEJA de abril de 2007 contava a experiência de Tatiana Lacerda e Victor Salles, que criaram seus avatares – bonequinhos que são a encarnação virtual dos usuários – e, nos fins de semana, em casa, cada um com seu computador, passavam até doze horas no Second Life: ela na pele da curvilínea Tatjana e ele, do marombado Viktor.

Recentemente, a excessiva exposição a que estão sujeitos os usuários em sites como o Orkut mostrou-se nem sempre benquista. O Facebook, lançado em 2004 por Mark Zuckerberg, então aluno da Universidade Harvard, deve grande parte de seu sucesso ao fim dessa exibição desvairada. Oferecendo mais privacidade aos usuários, o Facebook conquistou anônimos e famosos, como o presidente americano Barack Obama, que usou as redes sociais como cabo eleitoral nas eleições americanas de 2008.

A exemplo da disputa eleitoral nos EUA, os políticos brasileiros já começam a usar os sites de relacionamento para fazer campanha. A sensação da vez é o Twitter, serviço de troca de mensagens curtas com até 140 caracteres que se tornou uma febre mundial. Somente no Brasil, o número de “tuiteiros” chega a 10 milhões, a imensa maioria bem-educada e moradora do Sul e do Sudeste. Com tanta visibilidade, twittar é correr o risco de digitar o que não deve, a quem não deve. Nessa arena, diversas celebridades e personalidades, além de acumular seguidores, acumulam também gafes. William Bonner, do Jornal Nacional, já registrou sua “pérola” no Twitter ao escrever: “Esqueci o que ía perguntar”, assim, com acento. Com humor, retratou-se: “Escrevi ia com acento. Velho e analfa”.

Veja
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Brasil: ” O tamanho do buraco!”

Em matéria de texto confuso esse aqui é campeão. Faz jus a máxima do Chacrinha: ” eu vim pra confundir e não pra explicar”!

Libera a divulgação em hotsites, blogs e redes sociais e proibo tudo que é pago? Como é que é isso?

Tudo na internet bem feito e que possa trazer bons resultados tem um preço, seja ele de produção, de planejamento, execução ou veiculação.

Os analfabetos tecnológicos cometeram mais uma asneira coletiva. Aprovaram “normas” que pretendem regular a campanha eleitoral na web. Esses desassistidos dos bytes e bits já ouviram falar em Twitter, (leia aqui o que é o Twitter) SMS, YouTube, Orkut, Facebook e “otras cositas mas” sobre as quais não há como ter controle? Ainda nessa semana havia um Twitter do Senador Sarney, que somente na terça feira é que foi identificado como falso. Mesmo retirado do ar o Twitter falso já foi lido e gravado por um número incalculável de internautas, que por sua vez podem repassá-lo para outros inúmeros usuários do Twitter.

No âmbito desta lei, imaginemos a seguinte situação:

Um candidato A é adversário do candidato B, então, pede a um conhecido, por exemplo, na Tailândia – país que não possue acordos judiciais com o Brasil – que crie um blog tendo com autor o candidato B, “descendo a lenha” no próprio candidato A. O candidato A vai ao judiciário e denuncia o candidato B. Aí eu pergunto: o candidato B será declarado culpado pela existência do blog? Como que fica isso?

A tentativa de controlar a Internet, foge do poder até das mais ferrenhas ditaduras e regimes autoritários. Querem exemplo melhor que o recentemente acontecido no Irã? O governo dos Aiatolás proibiu qualquer divulgação, pela Internet, das manifestações de protestos pela possivelmente fraudada eleições presidenciais no Irã. O que adiantou? Nada! O mundo inteiro recebeu notícias e imagens via telefones celulares, e das formas mais cruas possíveis. Se, por exemplo, o governo brasileiro bloqueasse totalmente a internet no Brasil, quem possuísse telefonia via satélite continuaria alimentando sites e blogs. Ou bastava se dirigir a uma cidade da fronteira e captar uma rede aberta num país vizinho.

A internet é a única invenção na história que não possui botão de desligar. Quem é o dona da Internet? Ninguém! A rede foi criada exatamente para ser impossível de ser eliminada. Leia aqui sobre a história da internet.

O Editor


As restrições para a internet na eleição 2010

Lei que estabeleceu as normas para as eleições proíbe a propaganda na internet. Veja o que pode e o que não pode na campanha de 2010.

A reforma eleitoral aprovada pelo Congresso Nacional transformou-se na Lei 12.034/2009 que estabeleceu as normas para as eleições.

O Congresso trabalhou com um texto base apresentado pelos líderes partidários, cuja maior atenção dirigiu-se a temas considerados mais importantes pelos parlamentares, como fidelidade partidária, prazo de filiação, lista negra e outros.

Apesar das audiências públicas realizadas no Senado com setores interessados, vemos que o Poder Legislativo não conseguiu entender a internet. É inaceitável e injustificável a proibição de propaganda paga na internet, porque o chamado “horário eleitoral gratuito”, de gratuito não tem nada, já que as emissoras de rádio e TV têm direito à compensação fiscal pela cessão do horário.

E mesmo se insurgindo contra o ativismo legislativo do Poder Judiciário, o Congresso acabou por deixar ao TSE a incumbência de regulamentar vários pontos da Lei Eleitoral.

Vamos então trabalhar com a realidade. Segue o modo de usar a internet na campanha eleitoral de 2010.

Início da propaganda eleitoral

Após o dia 5 de julho de 2010.

Propaganda na imprensa escrita e reprodução na internet do jornal impresso

Permitida até a antevéspera das eleições a divulgação paga, na imprensa escrita e a reprodução na internet do jornal impresso

Deverá constar do anúncio, de forma visível, o valor pago pela inserção

Multa: sujeita os responsáveis pelos veículos de divulgação e os partidos, coligações ou candidatos beneficiados à multa no valor de 1 mil reais a 10 mil reais ou o equivalente ao da divulgação da propaganda paga, se este for maior.

Formas autorizadas de propaganda eleitoral na internet

Em sítio de candidato, partido ou coligação, hospedado, direta ou indiretamente, em provedor de serviço de internet estabelecido no País

Registro sob qualquer DPN

Necessária comunicação do endereço eletrônico à Justiça Eleitoral

Por meio de mensagem eletrônica para endereços cadastrados gratuitamente pelo candidato, partido ou coligação

Por meio de blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e assemelhados, cujo conteúdo seja gerado ou editado por candidatos, partidos ou coligações ou de iniciativa de qualquer pessoa natural

Proibida a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet

Proibida – ainda que gratuitamente – a veiculação de propaganda eleitoral na internet, em sítios de pessoas jurídicas (com ou sem fins lucrativos) e oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios

Multa: sujeita o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário à multa no valor de 5 mil reais a 30 mil reais.

Direito de resposta

É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato na campanha eleitoral realizada na internet

Assegurado direito de resposta a candidato, partido ou coligação, quando atingidos – mesmo de forma indireta – em propaganda eleitoral na internet e por outros meios de comunicação interpessoal mediante mensagem eletrônica

A divulgação da resposta deve ser publicada no mesmo veículo, espaço, local, horário, página eletrônica, tamanho, caracteres e outros elementos de realce usados na ofensa, em até 48 horas após a entrega da mídia física com a resposta do ofendido

A resposta deve ficar disponível para acesso pelos usuários do serviço de internet por tempo não inferior ao dobro em que esteve disponível a mensagem considerada ofensiva

Os custos de veiculação da resposta correrão por conta do responsável pela propaganda original

Multa: sujeita o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário à multa no valor de 5 mil reais a 30 mil reais

Cadastro eletrônico

Proibida a venda de cadastro de endereços eletrônicos

Proibida a utilização, doação ou cessão de cadastro eletrônico de seus clientes, em favor de candidatos, partidos ou coligações pelas seguintes pessoas: (entidade ou governo estrangeiro; órgão da administração pública direta e indireta ou fundação mantida com recursos provenientes do Poder Público; concessionário ou permissionário de serviço público; entidade de direito privado que receba, na condição de beneficiária, contribuição compulsória em virtude de disposição legal; entidade de utilidade pública; entidade de classe ou sindical; pessoa jurídica sem fins lucrativos que receba recursos do exterior; entidades beneficentes e religiosas; entidades esportivas; organizações não-governamentais que recebam recursos públicos; organizações da sociedade civil de interesse público)

Multa: sujeita o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário à multa no valor de 5 mil a 30 mil reais

Responsabilidade do provedor de conteúdo e serviço multimídia

(o que hospeda divulgação de propaganda eleitoral)

Serão responsabilizados caso não tomem as providências determinadas pela Justiça Eleitoral para cessação da divulgação

Somente serão considerados responsáveis pela divulgação da propaganda se a publicação do material for comprovadamente de seu prévio conhecimento.

O prévio conhecimento pode ser demonstrado pela cópia da notificação encaminhada ao provedor de internet, devendo constar de forma clara e detalhada a propaganda por ele considerada irregular

Envio de mensagem eletrônica

Obrigatório dispor de mecanismo que permita o descadastramento pelo destinatário, obrigado o remetente a providenciá-lo no prazo de 48 horas

Multa: se enviadas após o término do prazo previsto no caput sujeitam os responsáveis ao pagamento de multa no valor de 100 reais por mensagem

Atribuição indevida de autoria

Aquele que realizar propaganda eleitoral na internet atribuindo indevidamente sua autoria a terceiro será punido com multa de 5 mil reais, além das demais sanções legais cabíveis

Site retirado do ar

A Justiça Eleitoral pode determinar a suspensão, por 24 horas, do acesso a todo conteúdo informativo dos sítios da internet que deixarem de cumprir as disposições da Lei

Em caso de reiteração de conduta é duplicado o período de suspensão

Aviso legal: deve ser informado no site que este se encontra temporariamente inoperante por desobediência à legislação eleitoral

Debates na web

Não se sujeitam as restrições impostas a emissoras de rádio e de TV quanto à necessidade de convidar todos os candidatos que disputam um mesmo cargo

Doação pela internet

Pessoas físicas = 10% dos rendimentos brutos auferidos no ano anterior à eleição

Pessoas jurídicas = 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição

Exigência de recibo em formulário eletrônico, dispensada a assinatura do doador

O site pode conter mecanismo inclusive para doação por cartão de crédito, sendo necessária a identificação do doador e a emissão obrigatória de recibo eleitoral para cada doação.

WebInsider
Sobre o autor
Ana Amelia Menna Barreto (anamelia@ism.com.br) é advogada e presidente da Comissão de Direito e Tecnologia do IAB. Mantém o
site Núcleo de Direito.

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O que muda com a busca em tempo real do Google

Um dos principais objetivos do Google no ano fora alcançado: a criação de um serviço de busca em tempo real. Anunciado ontem, na Califórnia, nos Estados Unidos, o recurso conduz a principal marca de buscas na web a um artifício na qual não tinha dominio até então.

O que faz plataformas sociais como Facebook e Twitter tornarem-se tão valiosas com o uso desenfreado de um número cada vez maior de pessoas é a possibilidade de saber o que acontece no mundo neste momento. E o Google, de forma até desesperada, alcançou tal princípio, dois meses após o anúncio da parceria entre Facebook, Twitter e Bing, buscador da Microsoft.

Agora, toda vez que procurar por um termo na versão inglesa do Google, terá respostas distribuídas e captadas de diversas fontes. Inclusive da rede de mensagens de até 140 caracteres, o que permite iniciar uma discussão sobre qual é a relevância do conteúdo produzido, já que o resultado é apresentado de forma cronólogica.

Trata-se da pesquisa que possibilita a extração de conteúdos antes não indexados, além das tradicionais notíciais produzidas por veículos, atualizações do Yahoo Respostas e Wikipedia e conteúdos públicos previamente autorizados por seus usuários de redes sociais como o Facebook e o MySpace. O que explica a divulgação de uma “carta aberta” de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook.

A novidade de agregar a maior quantidade de informações em um único ambiente virtual está disponível apenas em uma versão (inglês) e a promessa do Google é que este recurso seja lançado nas próximas semanas em escala global, inclusive o português (Brasil).

O Google divulgou um vídeo explicando o que muda:

Veja

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, ontem, a instrução que trata dos prazos e regras para as representações, reclamações e pedidos de respostas referentes às eleições 2010.

De acordo com o documento, os processos poderão chegar ao tribunal por ação de qualquer partido político, coligação, candidato ou pelo Ministério Público.

Segundo o TSE, a campanha eleitoral pela internet, também terá direito de resposta. No caso de a Justiça Eleitoral concordar com o pedido, a resposta será divulgada no mesmo veículo, espaço, local, horário, página eletrônica e tamanho usados na ofensa.

O prazo para a resposta é de até 48 horas após a entrega da mídia com a resposta do ofendido. Essa resposta ficará disponível para ser consultada pelos usuários do serviço de internet por tempo não inferior ao dobro em que esteve disponível a mensagem considerada ofensiva. Os custos de veiculação da resposta correrão por conta do responsável pela propaganda original.

O TSE também definiu que no caso pedido de resposta na imprensa escrita, a solicitação deve ser feita até 72 horas depois da veiculação da ofensa. Se o pedido for aceito, a resposta deverá ser publicada no veículo impresso até 48 horas após a decisão judicial, ocupando igual espaço, local, página, tamanho, caracteres e outros elementos de realce usados na ofensa. Se o jornal ou revista não for diário, a resposta deverá ser divulgada na primeira edição que circular.

Em relação ao rádio e a televisão, o pedido de resposta deverá ocorrer em até 48 horas a partir da veiculação da ofensa. O pedido precisará estar acompanhado da transcrição do trecho considerado ofensivo ou inverídico. Se o pedido for aceito pela Justiça Eleitoral, a resposta deverá ir ao ar até 48 horas depois da decisão em tempo igual ao da ofensa, nunca inferior a um minuto.

Já no caso do horário eleitoral gratuito, o pedido deverá ocorrer no prazo de 24 horas, contado a partir da veiculação do programa. O pedido deverá especificar o trecho considerado ofensivo ou inverídico e conter a mídia da gravação do programa, acompanhada da respectiva degravação.

Se o pedido for aceito, o ofendido usará, para a resposta, tempo igual ao da ofensa, porém nunca inferior a um minuto. A resposta será divulgada no horário destinado ao partido político ou coligação responsável pela ofensa, devendo se restringir aos fatos nela veiculados.

Se o tempo reservado ao partido político ou à coligação responsável pela ofensa for inferior a um minuto, a resposta será levada ao ar tantas vezes quantas forem necessárias para a sua complementação. Mas, no caso de o ofendido ser candidato, partido político ou coligação que tenha usado o tempo concedido sem responder aos fatos veiculados na ofensa, terá subtraído do respectivo programa eleitoral o mesmo tempo. Em caso de terceiros, ficarão sujeitos à suspensão de igual tempo em eventuais novos pedidos de resposta e à multa de R$ 2.128,20 a R$ 5.320,50.

Agência Brasil

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A mudança nos telejornais é impressionante. Para concorrer com os blogs, os âncoras dos telejornais têm agora uma postura mais descontraída.

Perderam aquele ar que o Cid Moreira ‘trajava’, tal e qual um abonador da narrativa de uma verdade história, e adotaram a informalidade blogueira de um William Bonner.

Para não serem “furados” pelo Twitter os telejornais deram maior dinâmica às barras de informações que ‘correm’ na base da tela.

Ainda assim, na forma, a notícia está descontextualizada com o espectador comum. Esse quer somente quer saber se vai chover ou não. Dispensa toda aquela linguagem incompreensível e empolada de tecnicidades de “frentes equatoriais” e “massa polar intertropical” e outros quejandos meteorológicos.

A necessidade de uma fala mais coloquial talvez tenha precipitado o ostracismo de “o dono da verdade” de um Boris Casoy.

O Editor


Nos anos 1950, Walter Cronkite, o ícone mundial dos âncoras de telejornais, tornou-se um personagem paternal para milhões de norte-americanos ao encarnar a figura de um grande contador de histórias do jornalismo moderno.

Com a industrialização do processo de produção de notícias nos jornais impressos e a brutal concorrência entre telejornais, a figura do contador de histórias perdeu cada vez mais espaços até ser recuperada, muito recentemente, com surgimento dos weblogs produzidos por pessoas comuns, sem formação jornalística.

A generalização dos manuais de redação e a ditadura da pirâmide invertida acabaram padronizando e pasteurizando os textos jornalísticos que se tornaram frios e impessoais, como uma bula de remédios. As notícias publicadas num jornal ou lidas pelos âncoras de telejornais passaram a ser algo muito distante do público, ao usar estilos de redação que ninguém ousa reproduzir numa conversa de bar ou em família, sob pena de ser imediatamente ridicularizado.

Você já imaginou o que seus amigos diriam se você chegasse no bar e anunciasse: “O presidente do Senado, José Sarney, disse ontem que não deve ser discutida a decisão do STF que manteve a censura sobre o jornal O Estado de S.Paulo. Anteontem a corte rejeitou o pedido do jornal de publicar informações sobre investigações da Polícia Federal sobre Fernando Sarney, o filho do senador”.

No mínimo uma sucessão de gozações, motivadas pelo fato de que você ignorou a regra básica de qualquer contador de histórias: a informalidade e a descontração. Em circunstâncias absolutamente normais você diria: “Pessoal, dá para acreditar… O Sarney está agora defendendo também a censura à imprensa. Ele disse que a gente tem que aceitar sem discutir a decisão do STF de impedir o Estadão de publicar uma reportagem sobre suspeitas de corrupção do filho dele. Pode…”.

Os profissionais perderam o hábito de contar histórias, e os mais jovens nem chegaram a experimentá-lo por causa da automatização e produção em massa de notícias dentro de redações jornalísticas. Para evitar erros e diante da falta de tempo para corrigi-los, criaram-se os manuais de redação que acabaram sendo desvirtuados ao se transformarem em barreira contra a diversificação e personalização das narrativas jornalísticas.

Quando Henry Ford criou a linha de montagem na indústria automobilística o resultado foi um aumento na produção de carros e um menor índice de erros, mas o sistema se mostrou, mais tarde, inibidor da criatividade dos empregados e da personalização dos automóveis, uma exigência do consumidor. Uma das razões do sucesso da indústria automobilística japonesa está justamente na crítica da linha de montagem fordiana.

O desaparecimento do repórter contador de histórias, uma postura que nasceu junto com o jornalismo, há séculos, coincidiu também com o divórcio dos profissionais em relação ao público. Os leitores passaram a ser um incômodo para as redações, o que está na origem de um distanciamento que alimenta queixas e antagonismos.

Foram os weblogs produzidos pelos chamados jornalistas amadores que começaram a recuperar uma velha tradição de contar histórias, um formato narrativo muito mais próximo do público do que as fórmulas preconizadas nos manuais de redação. Cronkite simbolizava o personagem paternal que no início da noite contava para seu público o que havia acontecido nas ultimas 24 horas. Era o pajé eletrônico contando as novidades do dia para a aldeia televisiva reunida na taba virtual.

Não se trata de lamentar, nem de saudosismos do tipo “velhos e bons tempos”, mas de recuperar uma relação de confiança mútua entre profissional e o público que permanece na base da jornalismo. É necessário repensar e contextualizar as fórmulas e os manuais de redação para integrá-los à nova ecologia informativa criada pela internet, onde o leitor deixou de ser um consumidor passivo de notícias.

Alguns dirão que a missão do jornalista não é contar histórias, mas sim dar informações. Outros, como o americano Jeff Jarvis, afirmam que os profissionais já não são mais donos das histórias e nem podem se colocar no centro do palco para contar um fato. Há muita polêmica sobre como os jornalistas devem passar informações, se do tipo relatório impessoal ou contando histórias. Uma coisa parece, no entanto, inevitável: o estilo pirâmide invertida já não é mais uma unanimidade.

Carlos Castilho/Observatório da Imprensa

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