Enquanto a fogueira das vaidades, e dos interesses pessoais, das oposições arde, Dilma Rousseff agradece aos pés fogueira junina, a existência de uma oposição pamonha. Para embolar a canjica, Rodrigo Maia, presidente do DEM, declara à Folha de S.Paulo: ” a eleição nos já perdemos. Não podemos perder é a dignidade”! Onde já se viu se perder o que não se tem?
Já o senador Álvaro Dias — uma das ‘vestais’ do PSDB — alimenta a fogueira:
” O DEM é um partido de mensaleiros”! Para não deixar de colocar lenha na ‘fogueira amiga’ o deputado Ronaldo Caiado completou

Será que ao PSDB o ganho de tempo na TV, em função da coligação com DEM, compensará a perda de identidade com o eleitor tucano?

O Editor


PSDB, DEM e o vice: quem se dispõe a assumir o lugar da razão?

Costumo recorrer a Polônio, personagem de Hamlet, como símbolo de que a prudência e a moderação nem sempre são premiadas. Ele é mais lembrado pela famosa frase sobre os delírios do príncipe maluquete: “É loucura, mas tem método” — em versão que acabou quase se popularizando entre nós. Mas era também aquele, se pensarem bem, que atuava para evitar o banho de sangue.

Huuummm… O príncipe quis o banho de sangue, e a dinastia dos Hamlet foi para o vinagre. Não era um exímio político. Não mesmo! Eu espero, para o bem do processo político, que os Polônios, na crise que ora envolve a relação PSDB-DEM, tenham mais sorte, já que há, para continuar na metáfora, um monte de principezinhos ouvindo a voz de fantasmas. A peça deixa claro o que acontece quando se sai usando a espada para lá e para cá, enfiando no primeiro coitado que se move atrás da cortina tentando resolver a crise.

Eu realmente não creio que o DEM tenha motivos para gostar da condução do processo de escolha do vice, embora, na reta final, tenha havido um pouco mais de conversa do que se informa por aí. Foi um processo atrapalhado. Mas agora há um fato que está dado. O senador Álvaro Dias (PSDB) será o vice na chapa de Serra. E ao DEM resta verificar se leva a sua contrariedade ao extremo do rompimento, ignorando o que tem a perder e um passado de parceria com os tucanos que não lhe fez mal nenhum — muito pelo contrário — ou se faz política, admitindo que ela comporta reveses. O maior revés que pode lhe advir, diga-se, é a vitória da candidata do PT. Se o Democratas acha que isso já está dado, então, evidentemente, cessou o seu papel nessa disputa. Mas isso tem algumas implicações.

Quem vai ser o Polônio do DEM? Alguém se dispõe a tal tarefa, ou ficarão todos entre o ódio e a perplexidade, assistindo aos Hamlets a dar gritos de guerra no salão, dispostos a passar no fio da espada o primeiro vulto que se move? Eis uma boa questão.

Reitero: não há razões para o DEM gostar do encaminhamento dado. Este escriba mesmo — que não tem partido, mas, como Dilma, tem lado — já expressou até qual teria sido a sua escolha se escolhesse: o deputado José Carlos Aleluia (BA), depois que o nome da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) se tornou inviável porque decidiu se manter à frente da CNA. Não aconteceram nem uma coisa nem outra. É um dado da realidade. A questão agora é saber o que é principal e o que é secundário nesse jogo.

O deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, deu uma declaração ao Globo típica de quem está pronto para a guerra de extermínio, como se alguém lucrasse com ela — a não ser o PT, evidentemente: “A eleição nós já perdemos, não podemos perder é o caráter”. Isso ajuda? A frase não parece nem mesmo à altura da gravidade do momento. Se o presidente da legenda, que deve ser referência de temperança, atua assim, o que se espera? E ele acha que a derrota já está dada por quê? Só porque o DEM não terá o vice? Não posso crer — nem ele. E se, a seu juízo, já não há mais esperanças, a que se deve tanto esforço? É o melhor modo de fazer pressão?

Na Folha de hoje, lê-se:

Maia afirmou que o DEM fará convenção na quarta-feira aprovando a aliança com Serra, mas colocando como candidato a vice um filiado seu. “Vamos esperar ele indicar o nome do DEM. Se não indicar, vamos aprovar o nosso nome”, declarou.

Questionado sobre o possível imbróglio jurídico se os tucanos mantiverem o nome de Dias, foi sucinto: “Pergunte ao advogado do PSDB”.

É uma resposta com laivos de surrealismo ao que já era bastante confuso. O que Rodrigo Maia e os demais democratas precisam se perguntar é quem sai ganhando com tais arroubos. Ademais, como conciliar o que ele disse à Folha com o que disse ao Globo? Pode recorrer à Justiça só para ser sócio da derrota certa? Acho que não! Parece que o melhor seria ter um pouco mais da prudência de Polônio e um pouco menos de ímpeto de Hamlet, né? —- buscando uma solução que não seja trágica.

Rodrigo Maia e alguns outros radicais precisam descobrir o valor que a “reação proporcional” tem em política. E precisa pôr na balança o que a associação de seu partido com os tucanos rendeu até agora. E eu tendo a dizer que o resultado é bastante satisfatório. E se deve começar pelo óbvio.

Serra bancou Gilberto Kassab como candidato à Prefeitura de São Paulo em 2008, comprando uma briga feia com o seu próprio partido. Fez Guilherme Afif, atual vice na chapa de Geraldo Alckmin, seu secretário. E é evidente que a legenda ganhou um peso no estado e na cidade que jamais teria na marcha em que historicamente vinha. O upgrade foi dado por Serra. Fosse a personagem que alguns democratas querem pintar agora, teria deixado Kassab no sereno para não ter de administrar a confusão.

“Ah, ele não o fez por amor ao DEM, mas porque se tratava de defender a gestão que também era sua…” Claro, claro! Em política, idealistas sempre somos nós, e oportunistas, os outros. O que interessa é saber se o partido ganhou ou perdeu quando o então governador tomou aquela decisão. Estamos falando da maior cidade do país, de um orçamento maior do que o da maioria dos estados. E também de um provável cargo de vice-governador da maior unidade da federação. O DEM ganhou ou perdeu?

A aproximação nem é tão recente assim. Derrotado em 2002 — e o então PFL estava rompido com ele —, Serra assumiu a presidência do PSDB em 2003, e teve início um movimento de reaproximação entre os dois partidos, que resultou juntamente na indicação, no ano seguinte, de Kassab para vice na sua chapa à Prefeitura de São Paulo

Rodrigo Maia sabe que Serra atuou de forma importante para formar o palanque na Bahia, que tem o democrata Paulo Souto como candidato ao governo. Sabe também que, num dado momento, Geddel Vieira Lima (PMDB) se dispunha até a deixar o ministério em favor de composição com os tucanos no Estado. Mas o tucano apoiou a opção DEM. O presidenciável se movimentou também em Santa Catarina, onde o PMDB decidiu enfrentar a direção nacional do partido para apoiar a candidatura de um democrata.

Serra foi crucial para convencer o peemedebista dissidente Jarbas Vaconcelos a se candidatar ao governo de Pernambuco, o que é visto como essencial para que o senador Marco Maciel tente a reeleição. Rodrigo deveria se perguntar se a aliança com Fernando Gabeira (PV), no Rio, que dá um bom palanque à pretensão de Cesar Maia se eleger ao Senado, teve ou não o dedo de Serra, que também arrumou o palanque para DEM no Piauí, no Sergipe e no Rio Grande do Norte.

Isso tudo fica longe da imprensa porque, afinal, a exemplo de Rodrigo, boa parte do jornalismo também acha que a eleição já está decidida. O que vai acima é informação, não juízo de valor. O presidente do DEM certamente não está disposto a abrir mão dessas composições. Mesmo certo, diz, de que não haverá vitória, ele não se mostra disposto nem mesmo a abrir mão do apoio a Serra. Mas também não quer renunciar à guerra.

Querem que eu escreva de novo? Escrevo! Não acho que a condução tenha sido a mais hábil, e há motivos efetivos para a direção do Democratas estar descontente. Mas também há um limite para a contrariedade. E o limite é não atuar contra a sua própria causa porque, afinal, se considera alvo de uma deslealdade ou algo assim. Ademais, essa confusão não foi construída unilateralmente. A posição do partido de vetar qualquer nome tucano menos um — só aceitava Aécio Neves, que não aceita — é, por qualquer ângulo que se queira, heterodoxa. Sempre parece uma intromissão indevida não na aliança — o partido tem o direito de tentar indicar o vice —, mas no partido alheio.

Vão querer arrastar essa crise até quarta, levá-la além, como anuncia o presidente do Democratas, apelando à Justiça? E quem ganha com isso? Alguém pode se confortar: “Ah, a gente perde, mas eles também”. E aonde isso os leva? Há um ditado italiano sobre a tolice de arrancar os próprios olhos só porque o outro o desafiou a provar que é macho — o ditado se refere a outra parte da anatomia masculina; eu só o estou tornando mais “domingável”… Também não dá para imitar o gesto daquele esquadrão que foi demonstrar seu inconformismo com a injusta crucificação de Brian no filme A Vida de Brian, de Monty Python: eles protestaram praticando suicídio coletivo…

Rodrigo Maia acha que a derrota já está dada? Se acha mesmo, deve ceder o lugar àqueles que, no partido, não acham — se é que existem. Se não existirem, então é a hora de todos eles brincarem de outra coisa. Mas eu tendo a crer que isso é só retórica um tanto desastrada. O DEM tem, sim, do que reclamar. Mas também tem o que preservar. Que tal todo mundo decidir pensar só um pouquinho no reino da Dinamarca?

Até porque, caros democratas, não existe solução em que todos perdem. No Brasil, ultimamente, quando quase todos perdem, ganha o PT.

Respeitem os milhões de eleitores que reiteram sua intenção de votar na oposição e tratem de tentar ganhar a eleição.

blog Reinaldo Azevedo

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Contra os preconceitos

A senadora e presidente da entidade que representa os produtores rurais diz que o sucessor de Lula precisa assumir um compromisso com a propriedade privada

“A norma usada pelo governo para definir trabalho escravo é uma punição à existência da propriedade privada no campo”

Sobre a mesa da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília, há um grande coelho azul igual ao que a Mônica, personagem do cartunista Mauricio de Sousa, utiliza para bater naqueles que a provocam. O bicho de pelúcia foi um presente que a equipe da CNA deu à presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), de 48 anos, como brincadeira em referência à sua fama de briguenta. No Senado ou no comando da confederação, ela tem procurado provar que muitas das medidas do governo que atrapalham o desenvolvimento do agronegócio e aumentam a insegurança jurídica no país são orientadas por preconceito ideológico .

Agropecuarista desde os 25 anos de idade, quando, grávida do terceiro filho, ficou viúva e teve de assumir a fazenda do marido, a senadora concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais?

A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.

Como?

Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.

Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância?

Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.

“Quero fazer um desafio aos ministros: administrar uma fazenda de qualquer tamanho em uma nova fronteira agrícola e aplicar as leis trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade”

Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?

Sim. A Organização Internacional do Trabalho define o trabalho forçado como aquele feito sob armas, com proibição de ir e vir ou sem salário. Isso, sim, é trabalho escravo, e quem o pratica deve ir para a cadeia. O problema é que, pelas normas em vigor no Brasil, um beliche fora do padrão exigido pode levar o fazendeiro a responder por maus-tratos aos empregados. A NR-31 é uma punição à existência em si da propriedade privada no campo. Não estou fazendo a defesa dos que maltratam funcionários ou dos que lançam mão de trabalho infantil. Essa gente tem de ser punida mesmo. Ponto. Estou chamando atenção para o absurdo. Imagine a seguinte situação: é hora do almoço, o trabalhador desce do trator, pega a marmita e decide comer sob uma árvore. Um fiscal pode enquadrar o fazendeiro por manter trabalho escravo simplesmente porque não providenciou uma tenda para o almoço do tratorista. Isso é bem diferente de chegar a uma fazenda e encontrar o pessoal todo comendo sob o sol inclemente. São duas situações diferentes.

Mas elas provocam as mesmas punições. Isso confunde o pessoal do campo, que passa a se sentir sempre um fora da lei. Meu ponto de vista é que deveria prevalecer o bom senso. Nas minhas palestras, eu recomendo aos produtores rurais que avaliem a comida, o banheiro e o alojamento dos empregados por um critério simples: se eles forem bons o bastante para seus próprios filhos e netos, então eles são adequados também para os empregados.

Qual o interesse do governo em punir o produtor rural?

Isso é um componente ideológico da esquerda fundamentalista que conseguiu se manifestar no atual governo. Essa parcela atrasada da esquerda acredita apenas no coletivo e não admite a produção individual, privada. O que está sendo feito neste país me deixa indignada e triste, pois não é fácil de desmanchar: estão jogando os pequenos contra os grandes produtores. Isso está acontecendo no IBGE, cujo Censo Agropecuário está cheio de informações falsas, desonestas, distorcidas por razões puramente ideológicas.

O que há de errado no censo?

A melhor definição de agricultura familiar, utilizada até pelo Banco Central, é baseada em três princípios. Primeiro, o tamanho da terra, que deve ser de, no máximo, quatro módulos rurais. Segundo, que utilize mão de obra predominantemente familiar. Terceiro, que a maior parte do faturamento da família venha dessa propriedade. O que o IBGE fez neste governo? Matou os critérios de mão de obra e de renda da propriedade. Com isso, todos os proprietários com até quatro módulos entraram na categoria agricultura familiar. Qual o objetivo disso? Desmoralizar o agronegócio, a grande empresa e a propriedade privada.

Por que isso desmoraliza o agronegócio?

Para dar a ideia de que os pequenos produtores sustentam a produção nacional, mas recebem menos crédito agrícola que os médios e grandes, que exportam tudo. Esse argumento, baseado em estatísticas distorcidas, não traz ganhos ao país. Concordo que precisamos encontrar as diferenças entre os agricultores, mas elas devem se basear em produção e renda, para amparar toda a cadeia e não provocar um conflito entre pequenos e grandes. Afinal, existe propriedade pequena no Paraná que é muito mais produtiva e rica do que uma grande fazenda no Centro-Oeste. Além disso, as informações equivocadas do IBGE dão prejuízo ao setor, porque não se pode fazer planejamento estratégico de investimento em cima de previsões falsas. Em todos os países desenvolvidos, a pesquisa pública é um santuário. Nem a ditadura militar interferiu nos institutos de pesquisa. O IBGE e o Ipea foram aparelhados pelos ideólogos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente.

“Temos uma lei que garante o investimento em portos e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente”

Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder?

Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.

O que mais atrapalha os negócios no campo?

A insegurança jurídica. Se não há estabilidade nem confiança, as plantas e a produção de carne recusam-se a prosperar. Nas empresas urbanas é a mesma coisa. Não se podem utilizar bandeiras sociais ou ambientais para ferir a segurança jurídica. Não vejo problema em dar terras aos índios, aos quilombolas ou aos sem-terra. Mas tudo isso precisa ser feito em concordância com o direito de propriedade. Neste mês, apresentei uma proposta ao Ministério da Justiça para estabelecer um Plano Nacional de Combate às Invasões. Existem planos do governo para coibir o tráfico de drogas, a venda ilegal de animais silvestres e a pirataria. Por que não combater também o crime organizado no campo?

A senhora é contra a reforma agrária?

Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.

O que o produtor rural quer do próximo presidente?

Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar.

Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?

Que medidas podem servir a todos esses três estratos sociais da agricultura?

A medida universal é investir na infraestrutura. Se a movimentação nos portos continuar crescendo à taxa atual, de 12% ao ano, em oito anos nós precisaremos de um outro Brasil portuário. A ironia é que o Brasil tem uma das leis de portos mais avançadas do mundo. Mas, em 2008, o governo aprovou um decreto que vem impedindo novos investimentos privados na construção de portos. O decreto interessa basicamente a empresários que participaram da privatização dos portos públicos, sendo Daniel Dantas o maior deles, e que não querem a abertura da concorrência. Isso faria cair as tarifas, e os portos ficaria m mais eficientes. Para resumir, temos uma lei que garante o investimento e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações possíveis: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente.

A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?

Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.

Diogo Schelp/Veja

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O midiático ministro do colete, ops!, do Meio Ambiente, Carlos Minc, encontrou quem, como diz o “neo-neologista” Galvão Bueno, quem o “encare de frente”!

De dentro dos coloridos, bregas e ribaltinos coletes, sua (dele) ex-celência, procura “ambiente” que venha a garantir sua (dele) periclitante chance de se reeleger deputado pelo Rio de Janeiro.

Apesar de pertencer ao DEM — continuo acreditando ser gozação chamar de democrata um partido, filhote do PFL, onde pululam Marco Maciel, Ronaldo Caiado, os herdeiros do soba baiano ACM e outras “democráticas” figuras — a lúcida e emblemática Senadora Kátia Abreu desmonta toda e qualquer argumentação do ministro na questão da posse das terras na Amazônia.

O editor

Mais sintoma de uma pré-campanha eleitoral do que “grito” de ambientalista. Para a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os ataques do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aos ruralistas e aos colegas de Esplanada têm motivação eleitoral. “Ele está montando o circo para ganhar a eleição. Está com problemas de eleição no Rio.”

Kátia não ficou convencida com a demonstração de reconhecimento público feito por Minc, que afirmou ter se excedido ao chamar os ruralistas de “vigaristas” na semana passada e que iria buscar entendimento com a senadora. “Minc não pode se auto absolver; a mim, ele não engana”, disse.

De acordo com a senadora, o melhor era que o assunto se encerrasse, pois, segundo ela, está se estendendo demais. “Não quero fulanizar o tema, mas mantenho a posição de início até que esse senhor mude de comportamento”, afirmou. Para a presidente da CNA, como ministro de Estado Minc age mal não só ao expor o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como também os demais ministros.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente revelou a jornalistas que, em encontro reservado com o presidente, demonstrou insatisfação em relação a alguns colegas. Ao Estado, chamou o governo de “casa da mãe joana”.

A presidente da CNA disse ter notado nas entrelinhas do discurso de Minc certa ironia. “Ele disse que falaria até com os ruralistas. Por que esse até? Não somos criminosos”, justificou. Kátia também afirmou que não está disposta a ouvir elogios do ministro, mas se mostrou disponível a conversar, assim que ele deixar de lado as ironias e vulgaridades.

Ontem, o ministro fez a seguinte pergunta: “Ora, se fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por que não posso fazer com a senadora Katia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada?”

Célia Froufe – O Estado de São Paulo

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Estava mais que na hora.

No meio da voragem, quase passa batido. A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) está de parabéns. Ela é presidente a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade divulgou uma nota dura e exata contra os atos de terrorismo praticados pelo MST no Pará, com o uso até de escudos humanos. A entidade também pediu a intervenção federal no estado – que simplesmente se nega a cumprir mandados de reintegração de posse – e decidiu que vai entrar com um pedido de impeachment da governadora do estado, Ana Júlia Carepa. Uma ação civil pública já formulada pela CNA, que pede o impeachment de Ana Júlia, será levada à Assembléia Legislativa: “Nós queremos já na semana que vem protocolar esse pedido”, afirmou ontem Kátia Abreu.

Eis aí. É raro alguém ter a coragem de enfrentar o MST, um movimento que abusa da ilegalidade e da violência, mas que conta com a simpatia de ditas “entidades” da sociedade civil, dos setores escatológicos da Igreja Católica e de parcelas consideráveis da imprensa. A situação é tal, como já demonstrei aqui, que repórteres de TV, mesmo relatando o que as câmeras mostravam – a tentativa de invasão da sede de uma fazenda -, referiam-se ao caso como uma “acusação” de que o MST era alvo, não como fato. Os sem-terra mesmerizam de tal forma o noticiário e as mentes, que as pessoas se negam a relatar o que todos vêem.

Quanto a Ana Júlia, dizer o quê? Alguns idiotas da esquerda vêem nela uma apoiadora da causa à medida que se nega a cumprir mandados judiciais. Apoiadora? Quando o estado se omite, abre-se apenas a picada mais curta para o cemitério. É evidente que a desídia do estado e a prevaricação concorrem para a violência. Gosto do desassombro com que Kátia Abreu exerce o seu mandato e comanda a CNA.

“CNA? Você está elogiando a CNA? Os proprietários???” Pois é, estou. Há blogueiros que gostam do MST e de invasores de propriedades alheias. Eu sou um blogueiro que gosta da CNA. Esquisito, não é mesmo?

blog do Reinaldo Azevedo

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Não tem como evitar. O tempo passa e o que se pensava ser artimanha de “delubianos recursos não contabilizados”, restrito aos petralhas, mensaleiros e cuecões, mostra-se, agora, um polvo cujos tentáculos valerianos, “abraçou” corações, mentes e bolsos de diferentes partidos.

Vamos assistir, novamente, um festival de “eu não sabia”, “é problema do tesoureiro da campanha”, “meu caso é diferente”…

Depois de do Senador Azeredo do PSDB, a bola da vez é a Senadora Kátia Abreu do DEM.

Da Revista Veja
De Diego Escosteguy:

A pecuarista Kátia Abreu, eleita senadora pelo estado do Tocantins nas últimas eleições, ganhou recentemente o apelido de Ivete Sangalo do Congresso, graças ao seu jeito barulhento de fazer política – e se projetou como estrela do Democratas. Kátia Abreu emplacou seu primeiro hit no fim do ano passado, quando ajudou a articular a derrubada da CPMF no Senado. Ela já partiu atrás do segundo: conquistar a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidade que representa os ruralistas, financiada compulsoriamente por 1,7 milhão de produtores agrícolas.

A eleição para o cargo será em outubro. A senadora, que é diretora da entidade há três anos, aparece como favorita para comandar um orçamento de 180 milhões de reais. Não se pode dizer que não seja um palco adequado aos seus talentos. Na semana passada, VEJA teve acesso a documentos internos da CNA que apontam fortes evidências de que a entidade bancou ilegalmente despesas da campanha dela ao Senado, nas eleições de 2006. A papelada revela que a CNA pagou 650.000 reais à Agência Talento, em agosto de 2006 – na mesma ocasião em que essa empresa prestava serviços de publicidade à campanha de Kátia Abreu ao Senado.

Para justificar os pagamentos, a Talento emitiu duas notas fiscais em nome da CNA: uma de 300.000 reais e outra de 350.000. Nas notas, a agência descreve os serviços como “produção de peças para a campanha de estímulo do voto consciente do produtor rural nas eleições 2006″. O problema é que, dentro ou fora da CNA, não há vestígio da tal campanha de “voto consciente”. Durante três dias, VEJA pediu à entidade acesso ao trabalho supostamente entregue pela agência. Ninguém achou nada. Diante disso, o presidente da CNA, Fábio Meirelles, afirmou: “Abrimos uma investigação para descobrir por que os pagamentos foram feitos”. A entidade promete respostas em duas semanas.

O marqueteiro César Carneiro, dono da agência, garante que os serviços foram feitos, mas diz que não guardou cópia de nenhuma peça. Também admite que fez a campanha da senadora – mas tudo na base da amizade: “Ela não me pagou e eu nunca cobrei.

Foi um bônus”. Kátia Abreu apresentou outra versão: “Quem pagou os serviços da Talento foi a minha campanha ou o comitê do partido no estado”. Não foi – pelo menos não oficialmente. A prestação de contas dela e do Democratas à Justiça Eleitoral não mostra despesa alguma com o marqueteiro. Nem doações da CNA, é claro.

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