Requião admite ser candidato à sucessão de Lula

O Sr. vai se lançar à presidência da República no encontro do PMDB amanhã?

Minha intenção básica é que o PMDB tenha um programa de governo com o bom do governo Lula, mas estabelecendo um divisor de águas para esse período de prevalência do capital financeiro. Temos que defender o capital produtivo, ser contra a precarização do trabalho, contra o jogo de juros e defesa do grande capital. Não vai haver defesa do desenvolvimento agrícola e do trabalho com neoliberalismo, com o Brasil sendo comandado pelo Banco Central, que tem pessoas competentes para cuidar da moeda, mas incompetentes para todo o resto. Nos Estados Unidos e no Japão o juro é zero, com inflação. Aqui não. Aqui sacrificamos a moeda. Já há montadoras comprando peças no exterior. Vamos quebrar o setor, como fez Fernando Henrique ‘Lugo’ Cardoso, el padre del pueblo.

Mas vai se lançar?

Eu disputei duas convenções e perdi as duas. Proponho um programa de governo. E o partido que tome a decisão. Lançar um candidato próprio ou compor. Se for compor, compor em cima de um programa. Mas, se de repente, e não mais que de repente, eu tiver apoio do partido, eu aceito ser candidato. Mas não me iludo com esse apoio. Quero ao menos que um programa seja elaborado. Amanhã vão vir aqui [Curitiba] 15 diretórios. Já me iludi com o apoio antes. Se for convocado, irei disputar. Mas também não quero vender meus olhos azuis, que as vezes são verdes, quero vender um programa de governo. Me comprometo até a nomear o novo filho do FHC ministro da secretaria de Promoção da Igualdade Racial, soube que a mãe é uma negra linda. E quero ainda lembrar aquela besteira sobre homofobia, o [ministro do Meio Ambiente, Carlos] Minc dizendo que sou homofóbico. Vê lá seu eu tenho tempo para isso. Eu alertei para o uso do silicone e hormônios femininos, não tenho nada contra [os gays].

Se apoio à candidatura é ilusão, com quem está o PMDB?

Meu amigo Michel Temer [presidente do PMDB] jogou mal. Jantar sem o partido é só jantar. Como fecha um pré-acordo sem ninguém? Somos parte do governo hoje. Eu tenho pendências do governo [do Paraná] com o Itaú e o governo [Federal] sempre joga para desempatar a favor do banco. Por isso acho que ainda pode dar samba a candidatura. O PMDB, como uma Fênix, pode ressurgir das cinzas. Até porque o partido está sendo destruído. Nesses quase oito anos de governo ele não se reuniu uma vez. Não é que seja uma guerra contra o Temer, gosto muito dele, mas é uma questão de posição. Se o partido não tiver uma posição programática, melhor ainda com um candidato próprio, o PMDB vai virar um ‘PPSzinho’. No Congresso fala em negociação de emendas, por isso a ligação com o governo. E quem estava com FHC hoje está com Lula, como isso é possível? Se for para a convenção ganha a candidatura própria, se for pela cúpula vão com [a ministra] Dilma [Rousseff] pensando nas campanhas regionais. Mas se a Dilma não avançar, de repente abandona a Dilma também.

Isso é o que o Sr. vai defender no encontro do partido em Curitiba, amanhã?

Essa posição eu vou levar para o encontro. É uma tentativa do velho MDB de respirar. Que não nos falte oxigênio.

blog do Noblat

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Atenção! A politicalha do apedeuta de Garanhuns tá fazendo escola. E produzindo filhotes.
E agora Josés? Os Tupiniquins aguardamos, de democratas e tucanos, veementes condenações a mais essa “bolsa-esmola!”
Fora com mais essa artimanha eleitoreira! Abaixo o assistencialismo! Né não?

O Editor

Personalidades - Políticos Beto Richa ParanáCandidato ao governo do Paraná, o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), decidiu fazer campanha à Lula.

Lançou uma versão municipal do Bolsa Família. Chama-se “Família Curitibana”. Prevê a distribuição de R$ 50 mensais a 7 mil lares pobres.

A novidade foi anunciada em cerimônia impregnada de 2010. Deu-se no Tatuquara, um bairro humilde da capital paranaense.

A prefeitura armou o palanque e providenciou a platéia. Cerca de mil moradores de outros bairros foram trazidos de ônibus.

Súbito, a chegada do prefeito foi anunciada ao microfone. E a multidão: “Beto, Beto…”.

Ao percorrer os metros de curitibanos pobres que o separavam do palco, o prefeito beijou e abraçou eleitores. Tirou fotos com crianças. O clássico.

Antes do discurso do benfeitor, falaram duas beneficiárias do novo programa. Uma dedicou ao prefeito um poema: “Nova luz”.

Outra, recobriu-o de elogios: “A nossa Terra Santa [nome de uma vila de Curitiba] está melhorando graças ao Beto”.

Coube ao deputado estadual Mauro Moraes (PSDB) falar em nome dos políticos presentes.

Citou um tema alheio ao mote da cerimônia: segurança pública. Criticou a ação do governo estadual, hoje chefiado por Roberto Requião (PMDB).

E cuidou de lembrar à audiência que o prefeito quer virar governador: “Isso mudará em 2011, com o nosso próximo governador”.

Armada a cena, Beto Richa foi à boca do palco. Soou como Lula. Primeiro, ao dizer que o seu “Família Curitibana” não é um programa assistencialista.

Depois, ao afirmar que a população carente não precisa de esmola, mas de oportunidade.

Surpreendido, o petismo do Paraná dispensa ao prefeito tucano um tratamento análogo ao que o PSDB reserva a Lula em Brasília.

Vale a pena ouvir o vereador Pedro Paulo, líder do PT na Câmara Municipal de Curitiba:

“A própria direita questionava o Bolsa Família. Dizia que era eleitoreiro. E, agora, às vésperas da eleição, surge esse programa…”

“…Para mim, parece haver outros objetivos, além do atendimento social. Acho que é puramente eleitoral”.

Para que a inversão de papéis se complete, só falta o PT do Paraná protocolar no TRE uma representação contra o prefeito do PSDB.

blog Josias de Souza

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