Bastou que se anunciasse o Senador Álvaro Dias como vice de José Serra, para que começassem a pipocar as mais diferentes acusações. De participação em elaboração de dossiê — logo ele que é um dos mais veementes tribunos na condenação da nefasta prática — até sonegação fiscal, passando, claro, como sói acontecer, por nepotismo explícito. O Senador sentirá na carne, e nos votos, o peso de acusações que diária e visceralmente, costuma fazer a outrem.
Que se dê ao senador o amparo constitucional da presunção de inocência baliza legal que ele não costuma oferecer aos que acusa.
Assim, dá-se direito aos petistas de colocarem sobre suspeita — afirmam que o tal dossiê foi factóide da oposição à candidatura de Dilma — a “fabricação” do mais recente dossiê, supostamente preparado contra José Serra. A continuar nesse diapasão desafinado, das oposições, a candidatura de Dilma Rousseff parece uma sinfonia.
O Editor
PS. É relevante salientar que em post no Twitter, o deputado federal Ronaldo Caiado (GO), um dos vice-presidentes do DEM, criticou o anúncio pelo PSDB do nome do senador Álvaro Dias e classificou a atitude dos tucanos de “desastrosa e inconsequente”. “O PSDB precisa agir como parceiro, em busca da união. Respeitar acordos e aliados é primordial na política”, escreveu o deputado.
Alvaro Dias já apoiou Lula e teve nome vinculado a dossiê.
Por Laryssa Borges, de Brasília/UOL
Potencial vice de José Serra na corrida presidencial, o senador paranaense Alvaro Dias já teve episódios de conflito com o seu partido, o PSDB. Ele foi expulso da legenda em agosto de 2001, após ter assinado o pedido de instalação na CPI da Corrupção, que apuraria irregularidades na gestão Fernando Henrique Cardoso. Filiado ao PDT no segundo mandato do governo FHC, chegou a apoiar o então rival à gestão tucana, Luiz Inácio Lula da Silva, no pleito de outubro de 2002.
De volta ao PSDB, Dias se tornou uma das vozes de oposição mais ferrenhas ao governo petista.
Em 2008 teve a imagem arranhada por ter um funcionário de seu gabinete envolvido na divulgação de informações de um suposto dossiê elaborado pela Casa Civil e com dados sigilosos e pessoais de FHC e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Na ocasião, o parlamentar admitiu ter recebido as informações confidenciais, mas alegou a prerrogativa constitucional para manter o sigilo de quem as havia repassado a ele. Judicialmente, Alvaro Dias tem contra si um processo por quebra de sigilo funcional no Supremo Tribunal Federal (STF) e acusações de difamação contra o ex-governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB).
Conforme a ONG Transparência Brasil, o eventual vice de José Serra deixou de declarar R$ 6 milhões à Justiça Federal relativos à venda de uma fazenda.
A omissão não constitui crime, pois é obrigatória apenas a declaração de bens ao Poder Judiciário.
Na época, disse que apenas não quis se expor com a venda da propriedade em Maringá.
No auge do escândalo do nepotismo, que motivou o Supremo a editar uma súmula proibindo a contratação de parentes, teve exonerada uma sobrinha que trabalhava no Senado.
No episódio, o senador disse que assim que foi dada a ordem da Suprema Corte pediu que Valéria Dias deixasse duas funções.

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Faltou na análise da jornalista incluir os “atos falhos” do Serra, como quando o tucano meses atras disse que “a gripe suína só se pega se ficar perto da porquinha quando ela espirra”.
Candidato ao governo do Paraná, o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), decidiu fazer campanha à Lula.