A ‘coisa’ começou a esquentar. Do pescoço pra baixo, tudo é canela.


Ciro afirma que Serra ‘aparelha’ gestão paulista

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato à Presidência, acusou ontem o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), presidenciável tucano, de aparelhar o Estado para se beneficiar eleitoralmente.

“Serra pegou o Márcio Fortes, um banqueiro do Rio, e o nomeou para dirigir a empresa de eventos de São Paulo. Todo mundo sabe que o Márcio Fortes, na verdade, ajuda a captação de dinheiro na campanha [presidencial]“, disse Ciro, em entrevista à rádio CBN, no Rio.

À Folha Fortes afirmou que Ciro “demonstrou sua ignorância”. Ele disse que não é banqueiro, mas engenheiro. “Não estou tratando de recursos para campanha. já tratei disto no passado, como político do PSDB.”

Ex-secretário e ex-tesoureiro do PSDB, Fortes dirige a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento.

Márcio Fortes está cotado para ser o vice da chapa encabeçada pelo deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) na disputa pelo governo fluminense.

Na entrevista, Ciro Gomes disse que é “remotíssima” a possibilidade de ser candidato à sucessão de Serra e negou que vá se encontrar com o presidente Lula para discutir tal tema. Ele também voltou a dizer que é mais preparado que Dilma para a corrida eleitoral.

João Paulo Gondim/Folha de S.Paulo

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Continua, como dizem os cronistas esportivos, o denodado esforço dos políticos tucanos para se igualarem aos inacreditáveis petista. Cada vez mais, dia após dia, os dois partidos se mostram mais siameses.

Lula, Aécio, Serra, PSDB, PT… Tenho dito aqui neste espaço que petistas e tucanos só se diferenciam pelo método, sendo siameses no agir.

Espanta a cara de pau de iracundos tucanos em apontar o dedão acusador em direção às mazelas dos outros, enquanto silenciam, corporativa e amoralmente, quando a sujeira das emplumadas penas aparecem.

Pois é. Nada como um dia atrás do outro! E do outro também!

O Editor


Aécio imita Lula e já inaugura até pedra fundamental

O governador tucano de Minas, Aécio Neves, adotou uma prática que, sob Lula, a oposição especializou-se em criticar: a “inauguração” de pedras fundamentais.

Aécio mimetizou Lula no município mineiro de Divinópolis. “Inaugurou” ali a pedra fundamental de um hospital público.

O hospital vai custar R$ 36 milhões às arcas estaduais. Aécio liberou R$ 8,9 milhões desse total.

A a obra é coisa por fazer. Só será concluída na próxima gestão. Mas Aécio, em franca campanha, cuidou de contabilizar antecipadamente o feito:

“O Hospital Regional, uma demanda, uma necessidade, uma carência quase que histórica dessa cidade, começa agora a ser implementado”.

Nas palavras do governador, as futuras instalações chegaram mesmo a ganhar forma:

“Um hospital todo equipado é o que pretendemos oferecer à população de Divinópolis”.

Candidato declarado ao Senado, Aécio levava a tiracolo o vice-governador Antonio Anastasia.

Vem a ser uma espécie de Dilma Rousseff de calças. Um tucano que Aécio tenta eleger seu sucessor.

Ainda em Divinópolis, Aécio e Anastasia “entregaram” um aeroporto. Foi reformado, ao custo de R$ 11 milhões.

Para Aécio, tratou-se de uma “inauguração”. De acordo com o texto levado ao portal do governo mineiro, realizou-se uma “reinauguração“.

Governador e vice deixaram em Divinópolis um rastro de verbas: R$ 6 milhões para pavimentação de vias públicas…

…R$ 840 mil para a construção de um par de postos de saúde, R$ 730 mil para a um terminal de passageiros do aeroporto local.

Antes de retornar a Belo Horizonte, Aécio concedeu uma entrevista.

Perguntaram-lhe sobre a articulação de prefeitos mineiros em favor do voto “Dilmasia” –Dilma para presidente e Anastasia para governador.

E ele: “Acho uma bobagem. Acho que aqueles que estiveram conosco, vão estar empenhados também na eleição do nosso partido, na eleição do governador José Serra…”

“…Esse é o nosso compromisso e vou trabalhar no limite das minhas forças para que ele tenha um ótimo resultado em Minas Gerais”.

blog Josias de Souza

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Brasil: da série “Me engana que eu gosto”!

É isso aí. Se a mãe do p@aclanque pode aparecer até em campeonato de cuspe à distância, porque o que os paulistas já apelidaram de “Zé Alagão” também não pode mentir e fraudar a lei eleitoral? PSDB e PT, em seus expoentes e na militância, são siameses na mentira e “experts” em apontar o de do de pseudo-vestais para os pecados dos outros.

Argh!

O Editor


Serra já ‘inaugura’ até maquete de obra não-licitada

Milton Michida/Divulgação

O governador de São Paulo, José Serra, suposto candidato do PSDB à sucessão de Lula, protagonizou uma cena inusitada.

Como que decidido a rivalizar com Dilma Rousseff em visibilidade, Serra abalou-se da capital para o litoral Sul do Estado.

O governador “inaugurou”, veja você, a maquete de uma ponte. E nem ficou vermelho. Uma tenda protegeu-o do Sol.

Não, você não leu errado. É isso mesmo. Serra visitou o local onde será erigida uma obra que ainda nem foi licitada.

Quando estiver pronta, na gestão do sucessor de Serra, a ponte vai ligar as cidades de Santos e Guarujá. Hoje, o trajeto é feito de balsa.

Flertando com o ridículo, Serra discorreu sobre a obra que, depois de licitada, consumirá 30 meses e R$ 700 milhões da próxima gestão:

“Com esta ponte (?!?!?!) nós vamos quebrar um gargalo que é muito importante aqui na região da Baixada Santista…”

“…Além disso, a ponte terá até um papel paisagístico [...]. Nós vamos dar mais segurança para as pessoas e para os navios e mais rapidez, coisas fundamentais”.

Depois dessa pantomima, eliminaram-se as dúvidas quanto à candidatura presidencial de Serra. Só um candidato é capaz de render-se assim ao burlesco.

Em Minas, também rendido à fúria inauguratória desta quadra eleitoral, o governador tucano Aécio Neves entregou um hospital à população de Uberlândia.

Coisa pronta, à vista de todos, não uma maquete por licitar. Para satisfação de Aécio, um repórter amistoso levantou a bola na frente dele.

Pediu que falasse sobre o programa oficial de distribuição de geladeiras a mineiros pobres. Aécio não desperdiçou a oportunidade do chute:

“Estamos permitindo que mais de 300 mil famílias de Minas, de mais baixa renda, possam trocar os seus equipamentos domésticos ociosos ou ultrapassados como uma geladeira ou um chuveiro elétrico por novos, sem custo absolutamente nenhum”.

Falou para a platéia local: “Apenas em Uberlândia serão 7.700 famílias atendidas”. Didático, explicou que o cidadão entrega a geladeira velha e recebe uma “geladeira zero quilômetro”. Repisou: “Sem qualquer custo”.

Mimetizando Lula, Aécio cuidou de acomodar a bola no colo de Antonio Anastasia, o tucano que, em Minas, vai às urnas como uma espécie de Dilma Rousseff de calças.

Aécio explicou que, depois que ele se for, o bolsa geladeira “será ampliado pelo vice-governador Antonio Anastasia”, o nome que escolheu para sucedê-lo.

Trafegando na fronteira da legislação eleitoral, Aécio disse que, ao programar investimentos, sua gestão não está senão “planejando o futuro”.

“E a garantia da continuidade desses investimentos é a garantia que [...], no que depender de mim, por muito tempo ainda, vamos ter Antonio Anastasia à frente do governo”.

Perguntou-se a Aécio se não acha que Serra perde terreno ao protelar a retirada de sua candidatura presidencial do armário.

E Aécio: “Não acredito. Não tenho essa aflição [...]. A campanha está longe ainda de ter o seu ápice. A campanha está longe ainda do debate”.

Reafirmou que se considera fora do páreo nacional. “O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo”.

Curiosamente, terminou a entrevista expressando-se no condicional. Disse que se volta para Minas, “provavelmente como candidato ao Senado”.

E, desde Minas, “vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra”.

Provavelmente? “Cabe a ele anunciar, no momento que achar mais adequado”, Aécio encerrou.

O tucanato já entregou os pontos. Engoliu o calendário de Serra. Anúncio de candidatura, disse Sérgio Guerra, o presidente da legenda, só no final do mês.

Até lá, Serra planeja desfilar sua não-candidatura em muitas cerimônias de inauguração. Torça-se para que a lista de obras não inclua mais nenhuma maquete.

blog Josias de Souza

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PSDB perdido!

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Espicaçado pelos adversários e escondido pelos aliados, Fernando Henrique Cardoso tornou-se um franco-atirador político.

Há um mês, no primeiro domingo de fevereiro, FHC levara aos jornais um artigo em que, advogado de si mesmo, defendera sua gestão.

Aceitara, de resto, o repto plebiscitário de Lula: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.

Neste primeiro domingo (7) de março, em novo artigo, FHC tenta prover à oposição um esboço de “programa”. Agora, olha pra frente. Fala de “futuro”.

“A hora é agora”, anota FHC no título do artigo.” Hora de avançar a partir do que conseguimos nestes 25 anos de democracia e de buscar um futuro [...]”.

Vai abaixo um resumo da plataforma esboçada no texto do ex-presidente tucano:

1. Pilares Economia: “Controle da inflação, pelo sistema de metas, câmbio flutuante, lei de responsabilidade fiscal, autonomia das agências regulatórias, são pilares que podem se ajustar às conjunturas, mas não devem ser renegados, e não podem estar sujeitos a intervenções político-partidárias e interesses de facção”.

2. Gastos públicos e comércio exterior: “O novo governo terá de cuidar de controlar os gastos correntes e de conter a deterioração da balança de pagamentos (sem fechar a economia ou inventar mágicas para aumentar artificialmente a competitividade de nossos produtos)”.

3. Tamanho do Estado: “Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas ou vice-versa…”.

“…Ninguém propõe um ‘Estado mínimo’, nem muito menos o PSDB. Outra coisa é inchar o Estado, com nomeações a granel, e utilizar as empresas públicas para servir a interesses privados ou partidários”.

4. Estatal X privado: “A verdadeira ameaça ao desenvolvimento sadio não é privatizar mais, tampouco o PSDB defende isto. Empresas estatais se justificam em áreas para as quais haja desinteresse do capital privado ou necessidade de contrapeso público. Não devem acobertar ganhos políticos escusos nem aumentar o controle partidário sobre a economia”.

5. Salário mínimo e política Social: “A política continuada de aumento real do salário mínimo a partir de 1994, a extensão de programas sociais a camadas excluídas e a difusão de mecanismos de transferência direta de renda (as bolsas), melhoraram as condições de vida e ampliaram o mercado interno. Tudo isso precisa ser mantido. Caberá ao novo governo reduzir os desperdícios e oferecer serviços de melhor qualidade, melhor avaliados e com menor clientelismo”.

6. Gastos sociais X carga tributária: “Não se pode elidir uma questão difícil: a expansão dos impostos sustentou os programas sociais. Atingiu-se um limite que, se ultrapassado, prejudicará o crescimento econômico. É ilusão pensar que um país possa crescer indefinidamente puxado pelo gasto público financiado por uma carga tributária cada vez maior e pelo consumo privado. Falta investimento, sobretudo em infraestrutura, e falta poupança doméstica, principalmente pública, para financiá-lo”.

7. Reforma tributária: “Maior poupança pública não virá de maior tributação. Ao contrário, é preciso começar a reduzir a carga tributária, sobretudo os impostos que recaem sobre a folha de pagamentos, para gerar mais empregos. Para investir mais, tributar menos e dispor de melhor oferta de serviços sociais, não há alternativa senão conter o mau crescimento do gasto”.

8. Juros: A redução de tributos e a melhoria do gasto público “permitirá a redução das taxas de juros e o aumento da poupança pública, como condição para aumentar a taxa de investimento na economia. Sem isso, cedo ou tarde, se recolocarão os impasses no balanço de pagamentos, com a deterioração já perceptível das contas em transações correntes, e na dívida pública, que em termos brutos já ultrapassa 70% do PIB”.

9. Corrupção: “Os escândalos de corrupção continuam desde o mensalão do PT [Nesse ponto, FHC esquece convenientemente de mencionar o tucanoduto mineiro, precursor das valerianas petistas]. Há responsabilidades pessoais e políticas a serem cobradas e condenadas” [inclusive as do grão-tucano Eduardo Azeredo, diga-se].

10. Reforma política: “O sistema eleitoral e partidário está visivelmente desmoralizado. Uma reforma nesta área se impõe. Ela se fará mais facilmente no início do próximo governo e se houver um mínimo de convergência entre as grandes correntes políticas. O PSDB deve liderar esse debate na busca de consenso”.

11. Segurança: “Há avanços no plano federal e em vários Estados. A expansão da criminalidade advém do crime organizado e do uso das drogas. O dia a dia das pessoas é de medo. As famílias e as pessoas precisam de nossa coragem para propor modos mais eficientes de enfrentar o tema. A despeito da melhoria do sistema jurisdicional e prisional, estamos longe de oferecer segurança jurídica às empresas e, o que mais conta, às pessoas”.

12. Energia: “Olhando o futuro, falta estratégia e sobram dúvidas: o que faremos no campo da energia? Onde foi parar o programa do biodiesel? Que faremos com os êxitos que nossos agricultores e técnicos conseguiram com o etanol? Que políticas adotar para torná-lo comercializável globalmente?”

13. Petróleo: “A discussão sobre as jazidas de petróleo se restringirá à partilha de lucros futuros ou cuidaremos do essencial: a base institucional para lidar com o pré-sal, a busca de tecnologias adequadas e de uma política equilibrada de exploração?”

14. Educação: “E a ‘revolução educacional’, que, com as honrosas exceções em um ou outro Estado, é apenas objeto de reverência, mas não de ação concreta?

15. O Brasil no mundo: “Que papel desempenharemos no mundo, o de uma subpotência bélica ou a de um país portador de uma cultura de convivência entre as diferentes raças e culturas, com tolerância e paz, embora cioso de sua segurança?”

Em meio às certezas e às dúvidas que levanta, FHC vai se firmando como única voz da oposição capaz de enunciar ideias.

Num instante em que Lula sapateia sobre o passado e Dilma avança sem um rival que lhe faça o contraponto, FHC, o rejeitado, se esforça para qualificar o debate.

- Serviço: O artigo de FHC foi às páginas de vários jornais. Pressionando aqui, você chega à íntegra, veiculada pelo gaúcho ‘Zero Hora’.

blog Josias de Souza

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Canibalismo na velha mídia
Segundo o Aurélio:
Canibalismo
[De canibal + -ismo.]
Substantivo masculino.
1. Antropofagia.
2. P. ext. Ato de um animal devorar outro da mesma espécie ou da mesma família.
3. Fig. Ferocidade de canibal.

A velha mídia não é mais a mesma. Mesmo tentando demonstrar unidade nesses encontros de direita que eles organizam de vez em quando para mostra força, fica cada vez mais claro que o projeto de opinião única e de assassinato do contraditório que eles queriam implantar através do auto-referenciamento, com ataques coordenados contra alvos comuns e ignorando os críticos, começa a fazer água. A suposta supremacia da associação suspeita dos principais órgãos de imprensa do Rio de Janeiro e São Paulo começa a ser colocada em xeque, e se antes a imprensa de todo país reverenciava o poder dos barões da mídia carioca e paulista reverberando suas opiniões em cada gazeta desse país, hoje já começa a enfrentá-la e defender seus próprios argumentos.

O editorial do Estado de Minas intitulado “Minas a reboque, Não!” foi como um grito de independência, e mesmo que seja uma manifestação de apoio político claro para Aécio Neves, o que em minha opinião retira credibilidade do jornal que deveria ser imparcial, soou aos meus ouvidos como uma reação importante, principalmente vinda de um grande estado como Minas Gerais, no sentido que não era possível mais aceitar a manipulação da velha imprensa para satisfazer seus próprios interesses de salvar a candidatura Serra, passando por cima de Aécio e de Minas. Leia aqui a reprodução do editorial, convenientemente o link é de um blogueiro Serrista que protesta contra a independência do Jornal, acusando o mesmo de não publicar nada que contrarie Aécio (exatamente como ele faz com Serra em seu blog).

O editorial não ataca Serra diretamente como fez a velha mídia, que por diversas vezes atirou contra o playboy mineiro quando este ainda se aventurava a querer enfrentar, através de prévias partidárias, o queridinho governador de São Paulo, como é possível ver aqui e aqui. O editorial do Estado de Minas tem como alvo seus “colegas” do eixo Rio – São Paulo em um claro posicionamento de confronto.

Como vimos pela reação do blogueiro, soou mal entre os Serristas a posição de confrontamento do jornal mineiro, depois disso houve manifestações de tucanos mineiros e políticos do Democratas que subiram o tom, evidenciando as críticas da inviabilidade eleitoral da candidatura Serra e a nocividade para o partido de seguir com ela, além disso, em comemoração em Minas Gerais do centenário de Tancredo Neves, em clima de campanha antecipada, convidados do governador de Minas gritaram Aécio Presidente na presença de um atônito Serra que parecia querer enfiar a cabeça no chão de tão constrangido.

Não dá para prever se essa guerra autofágica vai se prolongar apenas até a definição oficial da candidatura tucana ou se a imprensa mineira, e a de outros estados inspirados nesta, tomarão gosto pela opinião própria e passarão a se manifestar de forma independente, sem o adesismo automático de apenas reproduzir o que sai na imprensa do Rio e São Paulo, “importando” junto à opinião pré-concebida destes.

De um jeito ou de outro, sendo provisório ou não eu vejo aspectos positivos nessa situação porque desarma essa neutralidade e silêncio contra os descalabros cometidos recentemente por essa imprensa ligada ao PSDB de São Paulo, eles estavam achando que tudo podiam, mas agora nós começamos a perceber que nem entre eles se entendem mais, já existe um ruído de contraditório que ameaça o avanço da opinião única. Simbólico é a melhor definição para esse motim do jornal mineiro.

blog do Len

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Com um nome conhecido desde 63, oposição ainda vacila em lançar logo a candidatura

Roberto Romano¹/O Estado de S.Paulo

Nossa cultura se caracteriza pela aceleração do tempo e o controle do espaço. Desde a invenção da imprensa a economia, a ciência e a técnica seguem o ritmo rápido de ação e planejamento. Cidadãos e líderes buscam dominar o relógio para atingir o poder e mantê-lo. Não só Benjamin Franklin enunciou tal realidade, vital na política. As lições sobre o tema foram formuladas pelos gregos, pioneiros das eleições na história, com a teoria do kayrós, o tempo oportuno. Se um peixe desliza pelo rio e eu o desejo, devo preparar a lança para apanhá-lo no átimo certo. Um segundo antes, ou depois, perdi o almoço. O mesmo, diz a mesma sabedoria, ocorre nas eleições. Maquiavel, “homem prudentíssimo” (no juízo de Spinoza) fornece provas desse imperativo. Se alguém deseja vencer, precisa dominar o calendário.

Nas eleições, a hegemonia exige máquinas partidárias unidas. A demora na reunião de recursos físicos e humanos anuncia desastres. Os concorrentes, se movidos pela prudência, unificam os batalhões antes da luta. Se existe disciplina coesa, o número dos aderentes aumenta. Caso contrário, eles debandam. A política, diz Botero, teórico da razão de Estado (1589), é arte de ampliar a reputação. Luta pelo candidato quem o imagina vencedor, o abandona quem teme sua derrota. Simultaneamente, vêm a estratégia e as táticas de campanha, em cenários realistas. Assim se garante força de ataque e defesa contra os concorrentes. Mas nenhuma estratégia ideal substitui a coesão da campanha.

O domínio do tempo afiança o controle do espaço. Para vencer, um partido ou coalizão precisam dominar o todo territorial e a maioria de suas partes. Não basta ter o apoio de algumas regiões: urge abranger a maioria das cidades, nelas garantir comitês de apoio. Também importa fazer com que o elo entre lideranças e bases seja o mais rápido e fluente possível. A maioria dos apoiadores deve encampar todas as batalhas, não a deste ou daquele setor dirigente. O excesso de caciques pode afugentar tribos inteiras. Se alguns caciques desejarem tudo para si, sem partilhar as oportunidades de atingir o poder, todos perdem.

A candidatura de Dilma Rousseff goza de imunidades excepcionais (inclusive no TSE) para fazer sua campanha. Ela possui recursos humanos e financeiros numerosos e conta com uma eficaz assessoria de marketing. A dupla Duda Mendonça e João Santana ostenta vistoso currículo, quando se trata de fazer o eleitorado aceitar fantasias e promessas. Há mais de um ano a postulante ao Planalto faz comícios pelo Brasil, seguindo os passos do presidente. Suas aparições (e desaparecimentos, quando convocada a prestar contas no Congresso) são regidas pela batuta de Santana. Sua estratégia política está armada desde longa data, incluindo alianças que lhe permitem chegar aos rincões do País. No controle espacial o PMDB tem relevância. A militância, ressabiada desde o mensalão, retorna às ruas com ímpeto, dada a esperança do programa que ruma para a esquerda.

A oposição esbanja tempo, não o controla. E seu espaço encolhe na mesma ordem. Com um nome conhecido desde 1963 em todos os recantos do Brasil, ela chega tarde ao lançamento da candidatura. Não existe, em termos públicos, estratégia de campanha, com um agravante: Dilma conta com o PMDB nacional e a oposição tem promessas de apoio do PMDB paulista. Falta unidade de comando, os dirigentes tucanos e democratas não chegam ao consenso. Líderes como Aécio Neves, essenciais em qualquer hipótese, até hoje estranharam José Serra e seus aliados. Desconfiança idêntica ocorreu no sentido Serra-Aécio. Com a indecisão de nomes e programas, vem o vazio no imaginário do eleitorado. Os oposicionistas perdem a reputação de vitoriosos, o que prejudica a máquina publicitária, da qual não se tem notícia sequer dos operadores. Cronologia e território fogem das mãos oposicionistas. O escândalo de Brasília veio no minuto certo para ser aproveitado pelo marketing da campanha governamental.

Nada, no tempo e no espaço, é irreversível. A política também se define como arte de vencer limitações, surpreendendo o adversário. E tucanos sabem fazer política, quando querem e podem.

Mas não é a primeira vez que eles ameaçam jogar uma vitória pela janela, devido aos seus desentendimentos. Basta recordar a primeira eleição de Luiz Inácio da Silva: as quebras no comando do PSDB repercutiram imediatamente nos eleitores.

Coisa pior veio com a candidatura Alckmin. Ele foi hipnotizado pela retórica publicitária adversa, como nas acusações de privatismo. O candidato colocou Lula em apuros, mas o boné da Petrobras na sua cabeça mostrou falta de poder no ataque, por ausência de uma agressiva estratégia e coesão partidária.

Os Bourbons, na França, eram conhecidos por nunca esquecer ou perdoar, pois jamais aprendiam. Seriam os oposicionistas do Brasil os seus herdeiros ?

¹ Filósofo, professor de ética e filosofia na Unicamp. Autor, entre outros livros, de O Caldeirão de Medeia

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A dar crédito à oposição, o empresário Abílio Diniz faz parte do grupo de 82% dos brasileiros imbecis que se deixaram enganar pelo Lula. O que pode nos salvar são os 18% de gênios esclarecidos que não caíram na ‘cantada’ do apedeuta do agreste.

O Editor


Só açúcar para Dilma e Lula

Dono da maior rede varejista do país, Abílio Diniz declara apoio à candidata do PT

O empresário Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, se declarou ontem um verdadeiro cabo eleitoral da pré-candidata do PT à Presidência da República, a ministra Dilma Rousseff. Na apresentação do novo presidente da empresa, Enéas Pestana, Diniz defendeu Dilma e disse que ela tem “todas as condições” de levar adiante o “legado” que será deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— É o legado do crescimento, da geração do emprego e da distribuição de renda.

Este é o legado que ele (Lula) deixa. Tenho uma profunda admiração por este homem — disse Diniz, negando que os elogios sejam uma declaração de voto na ministra.

Diniz é o primeiro grande empresário a dar uma declaração de apoio à candidata do PT. Em 89, durante o período eleitoral, Diniz foi sequestrado e, às vésperas das eleições em que o ex-presidente Collor disputava a Presidência contra Lula, a polícia prendeu os sequestradores ligados a movimentos de esquerda da América Latina e encontrou nomes de petistas em agendas dos criminosos, o que levou a polícia a vincular o caso a petistas e a apresentar os sequestradores com camisetas da campanha do PT. Isso prejudicou a campanha de Lula, que foi derrotado por Collor.

Apesar de elogiar Dilma ontem, Diniz se negou a fazer comparações entre o atual governo e o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Para ele, o presidente Lula não vai se afastar de Dilma, caso ela seja eleita, pois ficará “por trás”, olhando e fazendo com que o seu legado continue.

— Ela tem condições de levar esse legado em frente, até porque Lula vai ajudar. A Dilma tem todas as condições pelos conhecimentos dela, e até porque o Lula vai ajudar.

Ele não vai ficar omisso — disse.

Uma das qualidades do presidente, segundo Diniz, é que ele está o tempo todo em busca de crescimento, de saber, de perguntar e ouvir: — Você já viu político que ouve? Ele (Lula) ouve, ouve, ouve… É impressionante.

Essa não é primeira vez que o empresário faz elogios em público a Lula. No início do ano, ele disse que era “fã de carteirinha” do presidente. Perguntado se a ministra Dilma também é uma boa ouvinte, Diniz garantiu que sim: — Ela ouve muito mais do que vocês podem imaginar. Sou um cara equilibrado, de bom senso, já sou um velhinho (tem 73 anos), tenho boa cabeça. Por que será que eu gosto da Dilma? Porque ela é ministra da Casa Civil eu me encanto com ela? Não. Eu gosto da Dilma porque eu a conheço.

Na avaliação de Diniz, a ministra ainda tem dificuldade de ser reconhecida pelo público comum e precisa conseguir se mostrar como é vista nas conversas do dia a dia da sua pasta: — Ela precisa (se mostrar como pessoa comum). Para que as pessoas tenham ideia de quem é a Dilma. Estou falando de uma pessoa de quem sou amigo e tenho admiração.

Ela pergunta e é muito bem informada.

Lino Rodrigues/O Globo

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Hélio Chaves ¹

O PSDB está numa encruzilhada e patina na própria indecisão e resistência. Depois do resultado da última pesquisa Datafolha, apontando o crescimento da candidata do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a aproximação dos índices de intenção de votos do candidato tucano, José Serra, os nervos no ninho andam a flor da pele, as cobranças aumentam e afligem os aliados DEM e PPS.

Analises políticas aumentam a angustia tucana, e com isso a pressão sobre o governador de Minas, Aécio Neves, para que aceite compor a sonhada chapa puro-sangue do PSDB.

Aécio gastou sola de sapato na corrida pela escolha partidária, mas foi preterido por tucanos paulistas e por caciques da legenda. Relegado a um plano “B” do partido, Aécio, agora, é visto como o divisor de águas entre a derrota e a vitória eleitoral. O governador não parece disposto a gastar mais sola de sapato numa caminhada lado a lado com Serra. Para isso, ele teria que abrir mão de uma cadeira praticamente garantida no Senado Federal.

Conseguir romper a resistência de Aécio será uma tarefa ingrata para quem trabalhou para que ele desistisse da candidatura a presidente. Pelo visto, a velocidade imprimida à carruagem eleitoral de Dilma, os desastres naturais que se abateram sobre São Paulo e a indefinição de Serra atingiram em cheio o tucano provocando a perda de pontos. Aécio, cada vez mais forte e cobiçado é visto como única opção para concretizar o sonho do PSDB de voltar ao poder.

O DEM, a noiva preferida para vice na chapa tucana, acabou sozinho no altar. As chances foram para o ralo quando o partido se viu enroscado até o pescoço no escândalo do Mensalão no DF e o saldo é negativo. O partido teve que cortar na própria carne. Obrigou o único governador da legenda, José Roberto Arruda – preso na PF, e seu vice, Paulo Octávio – que renunciou ao cargo, a se desfiliarem.

O deputado Leonardo Prudente – flagrado num vídeo enchendo as vestimentas com dinheiro, teve que deixar a presidência do Legislativo local, o partido e renunciar para não ser cassado. O deputado Junior Brunelli que orou pela saúde da propina renunciou, mas o suplente, Geraldo Naves (DEM), não pode assumir a vaga, pois está encarcerado no presídio da Papuda em Brasília.

No Congresso Nacional, os Democratas procuram sobrevida encurralados pelo escândalo e enfraquecidos como oposição. Outra opção para vice poderia vir do PPS de Roberto Freire – estrela socialista apagada e fora de foco há muito tempo. O partido não tem um quadro de peso nem algo de novo para oferecer a candidatura de José Serra.

No PT acredita-se, que por enquanto não há grandes problemas. O partido continua aparando arestas para manter os aliados amarrados à candidatura Dilma e evitar rachas nos palanques estaduais. O nome mais cotado para vice de Dilma é Michel Temer (PMDB-SP). Aliados acreditam que Temer não agrega valor à candidatura petista, mas como abrir mão dos peemedebistas? O raciocínio é o de que, se Lula fez de Dilma a candidata e empurrou seu nome goela abaixo do partido, então, qualquer nome do PMDB não fará muita diferença.

O PSDB corre contra o tempo. Aécio assiste de camarote o corre-corre para convencê-lo. Como diz o ditado popular – o bom mineiro costuma comer pelas beiradas. Aécio está com a faca e o queijo na mão. Resta saber se dará a primeira fatia para Serra. De qualquer forma, se for convencido e aceitar preencher a lacuna na chapa tucana o custo poderá ser muito alto, principalmente para quem o tratou como borralheiro e hoje é obrigado a tratá-lo como o príncipe que poderá dar fôlego a candidatura do “Grã-tucano”.

¹ Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo.

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O Bolsa família, satanizado como “Bolsa Esmola” durante 8 anos pelos tucanos, parece ser agora, segundo projeto do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) a , com trocadilhos, por favor, a “última Coca Cola do deserto em que se encontra a oposição ao grande chefe dos Tupiniquins.

Com o projeto, desumanamente, as crianças são colocadas como as maiores responsáveis pelo incremento da renda da família. A responsabilidade da maior renda familiar será, assim, jogada sobre os ombros das crianças. Imagina-se o que os pais farão em termos de violência física, mesmo se as mesmas doentes, para irem à escola.

Como diz Zé Bêdêu – o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza – “nada melhor que um dia trás do outro e outro também!

O Editor


SENADOR TASSO JEREISSATI: ISSO NÃO É FUNÇÃO DA BOLSA FAMÍLIA! E É UM EQUÍVOCO CONCEITUAL!

1. O Bolsa Família é um programa de renda mínima com vinculações a obrigações sociais em relação ao filho estar na escola, ser vacinado, etc. Dirige-se a famílias abaixo da linha de pobreza e em especial a nível de indigência. São famílias, em geral, dirigidas pela mulher, com vários filhos. A vinculação à escola é um elemento que ajuda a reduzir a evasão, permite que dentro da escola, a criança identificada no cadastro tenha uma atenção focalizada da direção da escola e sua professora.

2. Vincular valores de Bolsa Família ao aproveitamento do aluno na escola, suas notas e avaliações, é um grave equívoco conceitual. Essa é tarefa da escola que em programas dos estados e municípios e com apoio federal, podem criar estímulos que reconheçam o desempenho do aluno. Incluir isso no Bolsa Família é confundir assistência social com educação. E ainda criar insegurança em relação ao programa. Não ajuda seu candidato a presidente.

3. (agência Senado – Globo-on, 02) Senado aprova projeto que vincula Bolsa Família ao desempenho escolar do aluno. A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou nesta terça-feira projeto de lei, apresentado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que acrescenta ao Bolsa Família um adicional de acordo com o desempenho escolar das crianças. A proposta foi relatada pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que apresentou parecer pela aprovação da matéria.

O Globo

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Pelo que se está disposto a gastar, deve ser um grande negócio ser governador de um estado no Brasil. Só olhando assim para se entender porque gastar tanto se o salário a receber jamais cobrirá os gastos com a campanha.

Campanha de ouro

O senador tucano Marconi Perillo revelou a amigos, em um restaurante de Brasília, que Educação será o lema de sua campanha para voltar ao governo de Goiás. Acha que vai gastar de R$ 45 a R$ 50 milhões. Uau.

Coluna Claudio Humberto

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