Dilma e o fantasma da Delta
Dilma Rousseff pediu a sua assessoria um pente-fino nos contratos da construtora Delta com o governo federal. A presidente da República quer saber se há irregularidade em alguma dessas obras. O Brasil assiste embevecido a mais uma cartada moralizadora da gerente. Mas o ideal seria ela pedir a sua assessoria, antes do pente-fino, uns óculos de grau. Se Dilma não enxergou o que a Delta andou fazendo com seu governo, está correndo perigo: pode tropeçar a qualquer momento num desses sacos de dinheiro que atravessam seu caminho, rumo às obras superfaturadas do PAC.
Como todos sabem, até porque Lula cansou de avisar, Dilma é a mãe do PAC. Por uma dessas coincidências da vida, a Delta é a empreiteira campeã do PAC. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), as irregularidades nas obras tocadas pela Delta vêm desde 2007. A mãe do PAC teve pelo menos cinco anos para enxergar com quem seu filho estava se metendo. E a Delta era a principal companhia do menino, andando com ele Brasil afora num variado roteiro de traquinagens.
Mas as mães de hoje em dia são muito ocupadas, não têm tempo para as crianças.
Felizmente, sempre tem uma babá, uma vizinha, uma amiga atenta para abrir os olhos dessas mães distraídas. Dilma teve essa sorte, em setembro de 2010. A CGU, que vive controlando a vida alheia – uma espécie de bisbilhoteira do bem –, deu o serviço completo: contou a Dilma e Lula (a mãe e o padrasto) que o PAC vinha sendo desencaminhado pela Delta.
Superfaturamento, fraudes em licitações, pagamento de propinas e variadas modalidades de desvio de dinheiro público – inclusive com criminosa adulteração de materiais em obras de infraestrutura – estavam entre as molecagens da empreiteira com o filho prodígio da então candidata a presidente.
De posse do relatório da CGU, expondo a farra da Delta nas obras do PAC, o que fez Dilma Rousseff? Eleita presidente, assinou mais 31 contratos com a Delta.
Talvez seja bom explicar de novo, para os leitores distraídos como a mãe do PAC: depois da comunicação à administração federal sobre as irregularidades da Delta, a empreiteira recebeu quase R$ 1 bilhão do governo Dilma. Agora, a presidente anuncia publicamente que passará um pente-fino nesses contratos, e a plateia aplaude a faxina. Não só aplaude, como dá novo recorde de aprovação a esse mesmo governo Dilma (64% no Datafolha), destacando o quesito moralização. Infelizmente, pente-fino não pega conto do vigário.
A presidente corre o risco de tropeçar de repente num saco de dinheiro que atravessa o governo rumo ao PAC
Mas o show tem de continuar. E, já que o público está gostando, a presidente se espalha no picadeiro. Depois da farra da Delta, que teve seu filé-mignon no famigerado Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Dilma diz que quer saber se a faxina no órgão favoreceu Carlinhos Cachoeira.
Tradução: depois de ter de demitir apadrinhados de seus aliados porque a imprensa revelou suas negociatas, Dilma quer ver se ainda dá para convencer a plateia de que o escândalo foi plantado pelo bicheiro. É claro que dá: se Lula repete por aí que o mensalão não existiu (e não foi internado por causa disso), por que não buzinar a versão de que o caso Dnit foi uma criação de Cachoeira?
Pelo que revelam as escutas telefônicas da Polícia Federal, o bicheiro operava com a Delta na corrupção de agentes públicos. Dilma e o PT são candidatos a vítimas desse esquema – daí Lula ter forçado a CPI do Cachoeira. O problema na montagem dessa literatura é que a Delta, mesmo depois da revelação do esquema e da prisão do bicheiro, continua recebendo dinheiro do governo Dilma – R$ 133 milhões só em 2012, e através do Dnit…
A atribulada mãe do PAC não notou a Delta, não percebeu Cachoeira, engordou o milionário esquema deles no Dnit durante anos por pura distração – e agora vai moralizar tudo isso com seu pente-fino mágico. Na próxima rodada das pesquisas de opinião, o vigilante povo brasileiro saberá reconhecer mais essa faxina da mulher destemida, dando-lhe novo recorde de aprovação.
Nesse ritmo, a CPI do Cachoeira acabará concluindo que até o escândalo do mensalão foi provocado pelo bicheiro (essa tese já existe). E Dilma conquistará para o PT o monopólio da inocência.
Guilherme Fiuza/Revista Época)
Cabral quis ser chique, foi brega
VERGONHA, ESSA é a sensação que resulta dos vídeos das villegiaturas parisienses do governador Sérgio Cabral em 2009, acompanhado por alguns secretários e pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta.
Uma cena pode ser vista com o olhar do casal que está numa mesa ao fundo do salão do restaurante Louis 15, no Hotel de France, em Mônaco. (“Este é o melhor Alain Ducasse do mundo”, diz Cabral, referindo-se ao chef.)
Ela é uma senhora loura e veste um pretinho básico. A certa altura, ouve uma cantoria na mesa redonda onde há oito pessoas. Admita-se que ela entende português.
O grupo comemora o aniversário de Adriana Ancelmo, a mulher de Cabral, e festeja o próximo casamento de Fernando Cavendish.
Até aí, tudo bem, é vulgar puxar celulares no Louis 15 e chega a ser brega filmar a cena, mas, afinal, é noite de festa. A certa altura, marcado o dia do casamento, Cabral decide dirigir a cena: “Então, dá um beijo na boca, vocês dois.”
Cavendish vai para seu momento Clark Gable, e o governador diz à mulher do empreiteiro: “Abre essa boca aí”. As cenas foram filmadas por dois celulares. Um deles era o do dono da Delta.
Na mesma viagem, Cavendish, o empresário George Sadala, seu vizinho de avenida Vieira Souto e concessionário do Poupatempo no Rio e em Minas, mais os secretários de Saúde e de Governo do Rio, (Sérgio Côrtes e Wilson Carlos), estão no restaurante do Hotel Ritz de Paris.
Até aí, tudo bem, pois o empreiteiro tinha bala para segurar a conta. Pelas expressões, estão embriagados. Fora do expediente, nada demais. Inexplicáveis, nessa cena, são os guardanapos que todos amarraram na cabeça. Ganha uma viagem a Dubai quem tiver uma explicação para o adereço.
O álbum fecha com a fotografia de quatro senhoras gargalhantes, no meio da rua, mostrando as solas de seus stilettos (duas vermelhas). Exibem como troféus os calçados de Christian Louboutin. Nos pés de Victoria Beckham (38 anos) ou de Lady Gaga (26 anos), eles têm a sua graça, mas tornaram-se adereços que, por manjados, tangenciam a vulgaridade.
Não é a toa que Louboutin desenhou os modelos das dançarinas (topless) do cabaret Crazy Horse.
As cenas constrangem quem as vê pela breguice. Até hoje, o ex-presidente José Sarney é obrigado a explicar a limusine branca de noiva tailandesa com que se locomoveu numa de suas viagens a Nova York. (Não foi ele quem mandou alugar o modelo.)
A doutora Dilma explicou que não foi ela quem mandou fechar o Taj Mahal. No caso das vileggiaturas de Cabral, a breguice não partiu dos organizadores da viagem, mas da conduta dele, de seus secretários e do amigo empreiteiro.
Esse tipo de deslumbramento teve no governador um exemplo documentado, mas faz parte do primarismo dos novíssimos ricos do Brasil emergente.
Noutra ponta dessa classe está o senador Demóstenes Torres, comprando cinco garrafas de vinho Cheval Blanc, safra de 1947: “Mete o pau aí. Para muitos é o melhor vinho do mundo, de todos os tempos (…) Passa o cartão do nosso amigo aí, depois a gente vê”. O amigo do cartão era Carlinhos Cachoeira que, por sua vez também era amigo da empreiteira Delta, de Cavendish.
Elio Gaspari/Folha.com
Os fatos ocorridos nas últimas semanas testemunham que Waldomiro Diniz e José Dirceu nasceram um para o outro. Realçam a convivência mais que fraternal dos amigos que partilharam a mesma residência, o mesmo teto em Brasília, antes de se tornarem vizinhos de sala no 4° andar do Palácio do Planalto no governo Lula.
Inseparável amigo e homem de confiança do então ministro da Casa Civil José Dirceu, para quem labutou como assessor direto na Câmara dos Deputados desde o início dos anos 90, Waldomiro Diniz foi seu fiel escudeiro por quase 12 anos (1992-2004). Uma amizade pura.
Waldomiro Diniz exerceu o cargo de ultraconfiança de subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República no início do governo Lula (2002-2004), provavelmente fase de preparação do terreno e semeadura do Mensalão – pois era o homem certo para essa tarefa -, que viria a amadurecer e ser colocado no mercado em 2005 pelo mascate Roberto Jefferson, que se julgava prejudicado em seus negócios por “concorrência desleal”.
O popularíssimo “escândalo dos bingos” é a denominação de um evento criminoso que veio à tona após denúncias de que o então assessor de Dirceu praticava o santo ofício de extorquir empresários, com a patriótica finalidade de arrecadar dinheiro para o imaculado PT.
A diligente atividade arrecadatória emergiu e assumiu notoriedade após a divulgação de uma gravação feita pelo empresário do ramo zoológico Carlinhos Cachoeira.
A gravação mostra Cachoeira levando uma amável e íntima “cobrantina” de Waldomiro Diniz, a pretexto de apoio à campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores, aquela agremiação onde tem de tudo, menos trabalhador.
A gravação foi produzida em 2002, quando Waldomiro Diniz presidia a Loteria Estadual do Rio de Janeiro, durante o governo de Benedita da Silva, também do tradicionalmente moralista PT.
O dinheiro resultante da “cobrantina” de Waldomiro Diniz seria investido nas campanhas eleitorais dos então candidatos a governador Geraldo Magela (PT-DF), Rosinha Garotinho (na época no PSB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ). Seria um reforço da popular “Caixa 2”. Isso, antes das eleições; depois, passaria a ser “Sobras de Campanha”, segundo juristas ricos e famosos.
Waldomiro Diniz sempre bateu um bolão na sua “especialidade”, por isso foi convocado e prestigiado por Dirceu.
Waldomiro também mostrou seus dotes profissionais insuperáveis na renovação de contratos entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a empresa que gerencia loterias federais GTech.
Para, o PT a GTech é uma empresa idônea, acima de qualquer suspeita; porém, para a mídia está atolada nos escândalos envolvendo o ex-prefeito de Ribeirão Preto – também ex-deputado pelo PT, ex-ministro de Lula e de Dilma e “consultor de negócios” – o médico sanitarista (ramo da medicina que, dentre outras atividades, mexe com excrementos) Antônio Pallocci (PT-SP).
Jorge Brennand/Tribuna da Imprensa
08:29:07
Ex-Serra, Maitê agora vê Dilma ‘com bons olhos’
Dona de uma alma tucana, a atriz Maitê Proença votou e fez campanha para José Serra na campanha presidencial de 2010.
Pois bem. Decorridos 18 meses da eleição, Maitê como que se incorpora aos 60% de simpatizantes do PSDB que, segundo o Datafolha, consideram a gestão Dilma ótima ou boa. Ela não foi entrevistada pelo instituto, mas revelou sua opinião em duas notas penduradas em seu microblog na noite passada.
Numa, Maitê anotou: “A conduta é um espelho em que cada um mostra a sua imagem (Goethe). A presidente Dilma sabe mais que fritar ovos.” Noutra, aditou: “Depois do imbroglio com o Serra, que nem mais fala comigo, vejo a pesquisa que aponta o crescimento da presidente Dilma com bons olhos.”
13:17:41
Procurando Tonico
Sebastião Nery/Tribuna da Imprensa
1 – Cidadão romano (viveu de 340 a 397) dos começos do cristianismo, nascido na Alemanha de hoje, filho do prefeito da Galia (França), formado em Direito em Roma, Ambrosio nem batizado era. Morreu o bispo de Milão, houve muita confusão para escolher o sucessor, Ambrosio foi à igreja acalmar a briga, o povo gritou: – Ambrosio bispo!
Ambrosio topou. Muito rico, distribuiu os bens aos pobres, estudou Teologia e se tornou um dos maiores doutores da Igreja, converteu Santo Agostinho e fizeram juntos a letra do “Te Deum”, o mais sacro dos hinos.
Sete de setembro é feriado em Milão e não é por causa do Brasil. É o dia de Santo Ambrosio, que deu ao povo tudo que tinha.
2 – Coronel Rodrigues era chefe político de Penedo, cidade histórica aqui de Alagoas, nas barrancas do São Francisco, perto de onde o rio mergulha no mar. Coronel dos de antigamente: bom sujeito, boa prosa, bom garfo. E tinha o filho Tonico, menino levado que passava o dia jogando sinuca no bar da praça, mas era seu orgulho.
Um dia, Tonico virou a cabeça e sumiu atrás de uma trapezista do Circo Garcia. Seu Rodrigues quase morre de desgosto. Não saía, não jogava mais biriba com os amigos, triste e amuado em casa, como um boi velho.
Três anos depois, seu Rodrigues recebeu a notícia: Tonico tinha morrido em um desastre em Goiás. Entrou no quarto, passou um dia e uma noite chorando de saudade e mágoa e deixou pra lá.
O tempo passou, todo mundo esqueceu, Tonico não era mais assunto em Penedo. O velho coronel de quando em vez ia buscar atrás da cômoda o retrato do menino ingrato, que ganhara o vão do mundo com a trapezista loura de pernas grossas e recebera seu castigo na curva da estrada.
De repente chega do Rio um amigo:
– Coronel Rodrigues, eu vi o Tonico lá. Era ele mesmo. Conversei com ele, não volta porque tem vergonha. Nem o endereço quis dar, mas mora perto da rodoviária.
O coronel dormiu duas noites de olho aberto, vendo a cara envergonhada de seu menino fujão. Arrumou a mala, pegou o ônibus.
Passou dias e noites na estrada para o Rio. Desceu na rodoviária, aquele mundão de gente. Estava tonto e perdido. Viu um guarda:
– Seu guarda, o senhor sabe onde mora Tonico Rodrigues, de Penedo?
– Sei, sim. Na Rua Senador Pompeu, na mesma pensão em que moro.
– Leve-me lá que Tonico deve estar sem dinheiro para pagar a pensão. Já faz uns dias que ele sumiu de Penedo.
3 – As cidades este ano estão procurando prefeitos, como o coronel Rodrigues procurou seu Tonico.
Já sem esperança de encontrar um decente, como Santo Ambrósio, que ajudava o povo, ao invés de explorá-lo.
PS. Em Fortaleza, procuram até mesmo por um poste!
15:35:48
Aécio Neves Cachoeira e o “eu não sabia”!
As águas continuam a rolar! Ou, quem? Eu? Não sabia!
O senhor Aécio Neves, quando governador de Minas Gerais, nomeu uma prima do senhor Cachoeira, Mônica Beatriz Silva Vieira, atendendo a pedido do senador Demóstenes Torres. O atual senador Aécio Neves, indagado sobre tais conexões afirmou que “desconhecia o parentesco e a origem do pedido”.
Já ouvimos muito essa desculpa desde a época de Waldomiro Diniz. Ou não?
19:18:39
Brasil: da série só doi quando eu rio”!
Sintonizo TV Internacional e penso estar no ar novo programa humorístico, quando um repórter, inglês, informa de Brasília, estar sendo cogitada a CPI das empreiteiras.
Quá,quá,quá,quá,quá,quá…
Novamente:
Quá,quá,quá,quá,quá,quá…
E de novo:
Quá,quá,quá,quá,quá,quá…
É malcheiroso o odor que emana dos suntuosos tapetes que se esparramam sobre os pisos palacianos do planalto central dessa pobre e depauperada Taba dos Tupiniquins.
De todos os podres poderes.
Estamos todos aguardando que espécie de água verterá pela caudalosa cachoeira, que transformou o senador Demóstenes Torres em doença contagiosa, e vai contaminando Marconis, Agnelos e sabem-se lá mais quantos estarão no caminho da enlameada enxurrada.
A população parece já acostumada com a banalização das CPIs inúteis. A última, a do mensalão, nos presenteou com um filósofo da “quadratura intelectual” de um Delúbio Soares, que continua nos brindado com porções diárias de cinismo explícito. Quem virá agora, ao depor, dizer que tudo será uma grande piada de salão?
José Mesquita – Editor
Malfeitos, mal feitos e bem feitos
Nelson Mota/O Globo
Ao contrário de Lula, a oratória não está entre as qualidades da presidente Dilma, suas dificuldades de expressão prejudicam a comunicação de suas ideias, planos e ações ao público.
Não que a oratória seja uma qualidade em si, grandes canalhas e farsantes, como políticos palanqueiros e advogados safados, são os que melhor a usam com os piores objetivos.
É como dizia o grande psicanalista e poeta mineiro Hélio Pellegrino (1924-1988), um dos fundadores do PT: a inteligência voltada para o mal é pior do que a burrice.
Mas a avassaladora popularidade da presidente comprova que os brasileiros estão aprendendo a entender o intrincado dilmês.
Não se sabe se foi por falta de melhor expressão, se por imprecisão vocabular, ou se foi uma escolha consciente e bem pensada da presidente e do marqueteiro João Santana, mas a palavra “malfeito” se tornou uma marca de sucesso do governo Dilma.
Mais leve, flexível e genérica do que corrupção, ladroeira, gatunagem, banditismo, falcatrua, rapinagem, maracutaia, que poderiam ser associadas ao governo anterior, onde se originaram muitos malfeitos ora condenados, serve na medida para a presidente designar qualquer coisa entre a incompetência, a lambança, o erro técnico, o tráfico de influência, a fraude, o suborno e o roubo de dinheiro público.
Projetos mal feitos não ficam de pé, mas não são necessariamente corruptos, embora com boas chances de sê-lo, se feitos em algum órgão público.
O mensalão é um malfeito ou foi apenas mal feito, porque foi descoberto? E os aloprados, foram pilhados porque fizeram mal um malfeito?
E os malfeitos de Durval Barbosa, não foram bem feitos?
Arruda e Cachoeira foram para a cadeia?
Bem feito! Receber por palestras que não foram dadas é um malfeito ou só um não feito?
Saudada por Hillary Clinton como exemplo global de luta pela transparência e contra a corrupção, Dilma respondeu que “quanto maior a transparência e os canais de interação, mais justa e forte a democracia”, enquanto ecoava na memória nacional o histórico aforismo de seu correligionário Delúbio Soares: “Transparência demais é burrice.”
Publicado no Globo de hoje.
Vixe! As águas, do esgoto, irão mesmo rolar?
Existe mesmo um ligação telefônica de Cachoeira para Demóstenes recomendando que o então vestal senador trocasse o DEM pelo PMDB para assim se aproximar de Dona Dilma?
Ou é tentativa de colar o “imbroglio” aquático na presidente, e desviar a cachoeira de Marconi Perillo?José Mesquita – Editor
Assessor de Cachoeira avisa que ele vai abrir as comportas, denunciando meio mundo.
Hildeberto Aleluia/Tribuna da Imprensa
O jornalista Mino Pedrosa, que foi assessor de Carlos Cachoeira e distribuiu a fita de Waldomiro Diniz, manda recado por meio de um blog: diz que, no calor da cela em Mossoró, Cachoeira pensa em contar tudo. O primeiro nome citado foi o do deputado Miro Teixeira. Ele ameaça o empreiteiro Fernando Cavendish, íntimo de Sergio Cabral, e até arrecadadores da campanha de Dilma.
Segundo o site 247, Mino Pedrosa é um dos jornalistas mais polêmicos de Brasília. Há quem ainda o considere repórter investigativo, outros o tratam como lobista e há ainda aquelas que usam qualificações impublicáveis. Em seu currículo, consta um dos maiores furos de reportagem da história da imprensa brasileira. Foi ele quem, em 1992, revelou a história do motorista Eriberto França, que selou o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. É da sua lavra também a revelação de um escândalo de grampos clandestinos, que abateu Antônio Carlos Magalhães.
Em 2004, Mino estava afastado das redações. Era assessor do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Foi ele quem fez circular entre algumas redações a fita em que Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, pede propina ao bicheiro, no primeiro escândalo do governo Lula. Mino e Cachoeira são amigos. Mais: são íntimos.
E foi nesta condição que o jornalista escreveu um texto no seu blog Quidnovi, que manda recados diversos. Aponta para uma suposta relação entre o bicheiro e o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), ex-ministro das Comunicações do governo Lula, e avisa que o contraventor está uma pilha de nervos. Pronto para abrir as comportas do seu mar de lama. Até arrecadadores da campanha presidencial de Dilma Rousseff teriam se banhado em sua cachoeira.
No cenário pintado por Cachoeira, Demóstenes não passa de uma piaba, ou melhor, um peixe pequeno, que o Ministério Público tenta sevar com denúncias inconsistentes para não ser obrigado a pescar os peixes grandes do PT e da base aliada do Governo.
Grandes nomes envolvidos?
Enquanto isso, em Mossoró, num calor de 43 graus, Carlinhos arde dentro da cela e prepara seu próximo torpedo em direção ao Planalto. São interlocutores das campanhas presidenciais do PT de Lula e Dilma, que receberam doações de Caixa 2 de Carlinhos, que garante ter registrado tudo.
Nos corredores do Ministério Público Federal se ouve falar de grandes nomes da política nacional envolvidos na contravenção. Um desses, seria o deputado carioca Miro Teixeira, ministro das Comunicações no Governo Lula e ex- PP, ex-PMDB, ex- PDT, ex- PPS, ex-PT e desde 2005 novamente PDT, hoje na base aliada do Governo Dilma. Essa história acontece exatamente no momento em que a presidente olha para Miro com olhos de promessa de um novo ministério. A depender do PDT.
Com a derrota do habeas corpus impetrado pelos advogados de Carlos Cachoeira, mas já com texto de Marcio Thomaz Bastos, o jurista achou necessário assumir a defesa do contraventor. Afinal, o PT não quer que o texto do MP seja repetido no segundo HC impetrado hoje pelo ex-ministro da Justiça.
Nas palavras do MP, “Ao contrário do que afirma a defesa, Carlinhos Cachoeira não ostenta condições favoráveis, seja porque não demonstrou possuir trabalho lícito ou porque não possui bons antecedentes criminais. Uma rápida consulta na internet permite constatar a existência de pelo menos três ações penais em três diferentes estados da Federação contra o acusado”.
Os fragmentos da Operação Monte Carlo atingem ainda várias pessoas influentes de Brasília e outros Estados. Estão sob segredo no MPF os nomes dos políticos que não interessa ao Planalto vazar para a imprensa.Cachoeira tem recebido visita da esposa, orientada por Márcio Thomaz Bastos, a convencê-lo a não detonar o arsenal contra tudo e contra todos.
Andressa, temendo que o marido não consiga o habeas corpus, conforme o jurista lhe disse, batalha para Carlinhos segurar seu arsenal de denúncias. O difícil é convencer o contraventor a mudar o alvo tendo o calor e a raiva como aliados na cela 17 do presídio em Mossoró.”
Nem a CPI mista conseguirá iluminar todas as teias da rede de corrupção armada por Carlinhos Cachoeira em diversos estados e no Distrito Federal.

Suas proporções são desconhecidas e envolvem políticos, partidos e governantes de diversos matizes.
Governistas e oposicionistas tremem de medo diante das revelações que a investigação da Polícia Federal acumulou e que fatalmente servirá de roteiro para deputados e senadores.
O primeiro depoimento na CPI terá forçosamente que ser do próprio bicheiro, assessorado por um dos maiores criminalistas do país, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.
Pela lógica, Carlinhos Cachoeira será aconselhado a falar o menos possível, quem sabe apenas nome, idade e endereço.
Escapar da prisão parece sua primeira preocupação, mas também inocentar cúmplices como o senador Demóstenes Torres e esse monte de funcionários federais e estaduais envolvidos e relacionados com ele.
Alguns afastados, outros afastando-se, claro que também serão ouvidos.
Sem exceção, buscarão eximir-se de qualquer culpa na liberação de contratos, tráfico de influência, recebimento de propinas e sucedâneos.
As gravações da Polícia Federal, com autorização do Judiciário, servirão como peça principal para as indagações parlamentares, ainda que cada senador ou deputado deva atenuar a situação de correligionários e atormentar adversários.
Será nesse particular que a CPI poderá contribuir para esclarecer aspectos da lambança orquestrada à sombra do poder público.
Carlinhos Cachoeira é a bola da vez, como já foram PC Farias, Delúbio Soares, Marcos Valério e outros.
Se resolvesse abrir o jogo para evitar previsíveis punições futuras, prestaria grande serviço à causa do combate à impunidade. Obviamente, só no dia em que os elefantes voarem.
Em suma, a CPI é necessária na tentativa de elucidação dessa nova maracutaia nacional, ainda que as reuniões paralelas do Conselho de Ética do Senado venham a ser mais profícuas, na medida em que poderão chegar à cassação do mandato de Demóstenes Torres.
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa
09:59:48
Entre a China e o Irã. O pragmatismo da diplomacia brasileira.
Houve tempo em que até falar da China dava cadeia. Os chineses comiam criancinhas, eram exportadores da subversão e queriam mergulhar o mundo no caos. Vinham dos Estados Unidos as rígidas determinações para que o quintal, aqui na América Latina, continuasse cultivando o perigo amarelo como o quinto cavaleiro do Apocalipse.
De repente, Henry Kissinger foi flagrado em Pequim, logo depois Richard Nixon desembarcou na capital chinesa, aceitando a China como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e humilhando Formosa. Foi o sinal para que reatássemos relações diplomáticas com os chineses e déssemos o dito pelo não dito, com relação àquele país.
Agora, os americanos pressionam e exigem que nos posicionemos contra o Irã. Só que, na surdina, vão avançadas as sondagens para um ajustamento nas relações entre eles e o antigo Império Persa. Quando a gente menos esperar, Hillary Clinton e Barack Obama estarão visitando o túmulo de Ciro, o Grande, tomando chá com os ayatolás. Por isso, faz bem o Brasil de não se engajar na cruzada contra Teerã.
11:29:15
Brasil: da série “Me engana que eu gosto”.
Eu havia postado aqui, creio que na 2ª feira pp, que o PT iria entregar a cabeça do Agnelo em troca de encalacrar o Marconi Perillo do PSDB. Agora parece que a lama é maior que a cachoeira.
Agora pela manhã, ‘pizzaiolos’ do PT e do PSDB manobram, vergonhosa e indecentemente, para abortar a CPI do caudaloso contraventor. Parece que mais que meio mundo tomava banho nessas águas.
Égua!
19:56:48
Ministro Cezar Peluso e o aborto de anencéfalos
“Embora a técnica evoluísse a ponto de discernir claramente as hipóteses de verdadeira anencefalia, a eliminação daquele feto não seria compatível.”
“Permitir o aborto de anencéfalo é dar autorização judicial para se cometer um crime.”
“O feto anencéfalo tem vida e, ainda que breve, sua vida é constitucionalmente protegida.”
“A vida humana não pode ser “relativizada” segundo “escala cruel” para definir quem tem ou não direito a ela. Para ele, oturas doenças fatais encurtam o tempo de vida e, nem por isso, autorizam a relativização do direito à vida.”
“Ser humano é sujeito, embora não tenha ainda personalidade civil, o nascituro é anencéfalo ou não investido pelo ordenamento na garantia expressa, ainda que em termos gerais, de ter resguardados seus direitos, ente os quais se encontra a proteção da vida.”
“A ação de eliminação intencional da vida intra-uterina de anencéfalos corresponde ao tipo penal do aborto, não havendo malabarismo hermenêutico ou ginástica dialética capaz de me convencer do contrário.”
“Essa forma de discriminação em nada difere do racismo, do ceticismo e do chamado especismo. Todos estes casos retratam a absurda defesa e absolvição da superioridade de alguns.”
“O aborto provocado de feto anencéfalo é conduta vedada de modo frontal pela ordem jurídica. Parece de todo inócuo o apelo pela liberdade e autonomia”.
“Parece me falsa a ideia de que o feto acometido de anencefalia não tem encéfalo. O termo anencefalia induz a erro. Na verdade , a anencefalia corresponde à ausência de uma parte do encéfalo.”
“Não digo que isto envolva conceitos religiosos. Envolve mais do que isso. A formação cultural, o modo de ver, de ser, de cada magistrado e de cada homem e mulher que está atrás de cada toga.”
09:07:19
“STF retoma hoje julgamento sobre aborto de anencéfalos.”
Não deveria ser questão a ser decidida pois a Constituição Federal é taxativa na defesa da vida – art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV,.
Ninguém tem o direito de matar outra pessoa. Não sou seguidor de nenhuma religião, o que não é nem qualidade nem defeito. Então minha posição é humanista e filosófica. Sou visceralmente contra o aborto, exceto no caso de perigo de morte da mãe.
Ps. Observo que todas as pessoas favoráveis ao aborto, já nasceram. Aí fica fácil condenar quem ainda não nasceu à morte.
09:17:40
Brasil: da série “Ai! Ui! Argh! e Putz!”
Vejam só o Senado da República:
1. Demóstenes Torres presidia a Comissão de Constituição e Justiça;
2. Fernando Collor preside a Comissão de Relações Exteriores;
3. Renan Calheiros, ele mesmo, é quem indica o Presidente do Conselho de Ética.
12:54:01
Eleições e a compra de votos
A compra de votos, só será minimizada com o fim do voto obrigatório. Já a compra de ouro é relativa, em função do que pode ser valorado tanto, ou mais, quanto o ouro, e, por si só, inegociável. Cultura e caráter, primordialmente, mas não necessariamente nessa ordem.
Ps. Vendedor e comprador do voto adquirem – o que cantava o maluco beleza – o ‘ouro do tolo’.

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