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Ledo Ivo – Versos na tarde – 04/11/2017 sábado, 4 de novembro de 2017

A Queimada Ledo Ivo ¹ “Queime tudo o que puder: as cartas de amor as contas telefônicas o rol de roupas sujas as escrituras e certidões as inconfidências dos confrades ressentidos a confissão interrompida o poema erótico que ratifica a impotência e anuncia a arteriosclerose os recortes antigos e as fotografias amareladas. Não deixe aos herdeiros esfaimados nenhuma herança de papel. Seja como os lobos: more num covil e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados. Viva…

Adriano Espínola – Versos na tarde – 24/01/2016 domingo, 24 de janeiro de 2016

Língua-mar Adriano Espínola¹ A língua em que navego, marinheiro, na proa das vogais e consoantes, é a que me chega em ondas incessantes à praia deste poema aventureiro. É a língua portuguesa, a que primeiro transpôs o abismo e as dores velejantes, no mistério das águas mais distantes, e que agora me banha por inteiro. Língua de sol, espuma e maresia, que a nau dos sonhadores-navegantes atravessa a caminho dos instantes, cruzando o Bojador de cada dia. Ó língua-mar, viajando…

Fagundes Varela – Versos na tarde – 21/01/2016 quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Canção Lógica Fagundes Varela¹ Eu amo, tu amas, ele ama… Teus olhos são duas sílabas Que me custam soletrar, Teus lábios são dous vocábulos Que não posso, Que não posso interpretar. Teus seios são alvos símbolos Que vejo sem traduzir; São os teus braços capítulos Que podem, Que podem me confundir. Teus cabelos são gramáticas Das línguas todas de amor, Teu coração – tabernáculo Muito próprio, Próprio de ilustre cantor. O teu caprichoso espírito, Inimigo do dever, É um terrível…

J. G. de Arújo Jorge – Verso na tarde – 09/01/2016 sábado, 9 de janeiro de 2016

Esperança J. G. de Arujo Jorge¹ Não! A gente não morre quando quer, Inda quando as tristezas nos consomem. Há sempre luz no olhar de uma mulher E sangue oculto na intenção de um homem. Mesmo que o tempo seja apenas dor E da desilusão se fique prisioneiro. Vai-se um amor? Depois vem outro amor Talvez maior do que o primeiro. Sonho que se afogou na baixa-mar, De novo há de erguer, cheio de fé, Que mesmo sem ninguém o…

Fagundes Varela – Versos na tarde – 03/07/2015 sexta-feira, 3 de julho de 2015

Soneto Fagundes Varela ¹ Desponta a estrela d’alva, a noite morre. Pulam no mato alígeros cantores, E doce a brisa no arraial das flores Lânguidas queixas murmurando corre. Volúvel tribo a solidão percorre Das borboletas de brilhantes cores; Soluça o arroio; diz a rola amores Nas verdes balsas donde o orvalho escorre. Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma Às carícias da aurora, ao céu risonho, Ao flóreo bafo que o sertão perfuma! Porém minh’alma triste e sem um…

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