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Joaquim Pessoa – Literatura sábado, 16 de fevereiro de 2019

Conta Comigo Sempre Desde a sílaba inicial até à última gota de sangue. Venho do silêncio incerto do poema e sou, umas vezes constelação e outras vezes árvore, tantas vezes equilíbrio, outras tantas tempestade. A nossa memória é um mistério, recordo-me de uma música maravilhosa que nunca ouvi, na qual consigo distinguir com clareza as flautas, os violinos, o oboé. O sonho é, e será sempre e apenas, dos vivos, dos que mastigam o pão amadurecido da dúvida e a…

Nicolas Malebranche – O Efeito da Reputação sábado, 12 de janeiro de 2019

O Efeito da Reputação Tudo o que nos proporciona uma certa elevação em relação aos outros porque nos torna mais perfeitos, como, por exemplo, a ciência e a virtude, ou porque nos confere uma certa autoridade sobre eles tornando-nos mais poderosos, como as honras e as riquezas, parece fazer-nos independentes em certa medida. Todos os que estão abaixo de nós nos temem e reverenciam; estão sempre prontos a fazer o que nos agrada para a nossa preservação, e não ousam…

Pablo Neruda – Literatura quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A Minha Mulher, Matilde Urrutia A minha mulher é provinciana como eu. Nasceu numa cidade do Sul, em Chillán, famosa pela sorte de possuir uma bela cerâmica camponesa e pela infelicidade de sofrer frequentemente terríveis terramotos. Falando para ela, disse-lhe tudo nos meus Cem Sonetos de Amor. Talvez estes versos definam o que ela significa para mim. A terra e a vida nos juntaram. Embora isto não interesse a ninguém, somos felizes. Dividimos o nosso tempo comum em longas permanências…

Miguel Torga – Poesia segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Conquista Miguel Torga Livre não sou, que nem a própria vida Mo consente. Mas a minha aguerrida Teimosia É quebrar dia a dia Um grilhão da corrente. Livre não sou, mas quero a liberdade. Trago-a dentro de mim como um destino. E vão lá desdizer o sonho do menino Que se afogou e flutua Entre nenúfares de serenidade Depois de ter a lua! Compartilhe a informação:

Alexandre O’Neill – Poesia domingo, 9 de dezembro de 2018

O Poema Pouco Original do Medo Alexandre O’Neill O medo vai ter tudo pernas ambulâncias e o luxo blindado de alguns automóveis Vai ter olhos onde ninguém os veja mãozinhas cautelosas enredos quase inocentes ouvidos não só nas paredes mas também no chão no tecto no murmúrio dos esgotos e talvez até (cautela!) ouvidos nos teus ouvidos O medo vai ter tudo fantasmas na ópera sessões contínuas de espiritismo milagres cortejos frases corajosas meninas exemplares seguras casas de penhor maliciosas…

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