Assunto importante e estratégico para o Brasil, o julgamento que hoje começa, no Supremo Tribunal Federal sobre a demarcação das terras indígenas na Reserva Raposa Serra do Sol, poderá determinar se o Brasil corre o risco de perder a soberania sobre a amazônia brasileira.
Artigo de
Hiram Reis e Silva
Porto Alegre, RS, 27 de agosto de 2008.
“A política indigenista está dissociada da história brasileira e tem de ser revista urgentemente. Não sou contra os órgãos do setor. Quero me associar para rever uma política que não deu certo; é só ir lá para ver que é lamentável, para não dizer caótica.”
(General de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira)
- Terra Indígena Raposa e Serra do Sol (TIRSS)
A Terra Indígena, como está sendo proposta pelo governo federal, é formada por uma área contínua de 1,7 milhão de hectares em que vivem cerca de 18 mil índios, a maioria deles da etnia macuxi e grupos menores como os wapixanas, ingaricós e taurepangs. A assinatura do decreto de homologação da área, no dia 15 de abril de 2005, pelo presidente Lula, vem provocando uma série infindável de conflitos. Os produtores rurais, moradores não-indígenas da região e grande parte da população indígena reivindicam a demarcação em ‘ilhas’.
A pressão internacional, manifestada através da ONU e da OEA, exigem do governo brasileiro a liberação imediata da área para os indígenas. O Estado tem uma população de pouco mais de 40 mil indígenas, distribuídos em 32 reservas que ocupam 46% do território.
- Julgamento Épico
Iniciou nesta quarta feira, dia 27, o julgamento do processo que contesta a demarcação contínua da TIRSS. O voto do ministro Carlos Ayres Britto, relator do processo, será o primeiro a ser anunciado e terá 108 páginas. O relator recebeu, na segunda-feira passada, deputados de Roraima que vieram discutir a homologação da reserva. Sem revelar o seu voto, Britto disse que não pretende modificá-lo, mas afirmou que o diálogo com os vários segmentos contraditórios sobre o formato da homologação é importante para o julgamento. ‘Sempre atendo as partes no pressuposto que eles trazem algo de útil para o processo. Todos temos a ganhar com isso, do ponto de vista da melhor informação dos fatos’, reportou o ministro, que já recebeu 25 pessoas envolvidas com as ações da TIRSS, com posições distintas sobre a homologação.
- Estabelecimento de parâmetros para processos demarcatórios
Britto afirmou, ainda, que a decisão sobre a homologação pode se estender para outras áreas indígenas do país. ‘Se decidirmos a partir de coordenadas constitucionais objetivas, evidente que isso servirá de parâmetro para todo e qualquer processo demarcatório, se não para os passados, ao menos para os futuros’. O ministro Marco Aurélio Mello garantiu que: ‘Se o Supremo fixar que a demarcação deve ser setorizada, por ilhas, evidentemente se estenderá a todo o território nacional’. Gilmar Mendes, por sua vez, asseverou que: ‘Independentemente do resultado, esse julgamento vai balizar critérios para demarcação e a participação dos Estados nesse processo. Esse julgamento vai ser rico nesse tipo de orientação’.
- A tibieza alienada do ‘Desgoverno Companheiro’
O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, afirmou que, ao ser consultado sobre a visita do relator da ONU para questões indígenas, James Anaya, o governo brasileiro solicitou ‘para que ele não viesse agora. Ele veio mesmo assim. Mas nós achamos que a presença do relator pode fazer o Supremo ficar tentado a demonstrar sua soberania e que não é por causa da presença de um relator que ele vai dar uma decisão favorável aos índios. Então, votos que estavam indecisos podem ser decididos sob essa influência, o que não é bom’.
- Paulo César Quartiero, o herói de Pacaraima
Quartiero confia na permanência dos não-índios na reserva: ‘Eu me sinto orgulhoso de estar sendo processado e investigado pela Gestapo tupiniquim que é a Polícia Federal. Junto com o Ministério da Justiça, ela está vendida ao interesse internacional e eu diria que atenta contra os interesses diretos da nação brasileira. O dia que eu receber uma medalha desse povo, certamente me considerarei um criminoso. Mas enquanto for processado é sinal de que estou no caminho certo. A história vai mostrar quem está vendendo o Brasil e quem está defendendo a nação’, acrescentou.
‘O laudo é falso. É uma fraude impulsionada por interesses estrangeiros que compram consciências de brasileiros em favor de uma aberração jurídica, que vai inviabilizar o estado de Roraima. Se o Supremo mantiver a demarcação contínua, o meu município será praticamente extinto’, criticou Quartiero.
- Novamente a falácia dos ‘Direitos Imemoriais’
Segundo o professor José Geraldo Souza, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), a decisão do Supremo firmará jurisprudência para futuras ações que contestem a demarcação de outras reservas no país se o STF se pronunciar favorável a mudanças na demarcação da TIRSS.
‘Tem que verificar as condições, se em certas circunstâncias é impossível reabrir processo. Mas a decisão do STF iria redeterminar o paradigma da questão e abrir ensejo a outras ações. Por isso preocupa. Solução conciliatória a partir da Constituição, eu não enxergo. Há na concepção do direito um entendimento de que certos valores são irrenunciáveis, inegociáveis, na linha de recuar daquilo que é o seu princípio fundante. A questão indígena não pode ser vista dentro das regras correntes da vida cotidiana dos não-índios, como se fosse um contrato, um negócio, um acordo. Não há como negar a visão de que os índios formam uma outra cultura com o horizonte jurídico das suas tradições. Se eles deixam de ter essa dimensão, deixam de ser índios e isso beira um genocídio cultural. Não há como imaginar que o direito originário sobre as terras tradicionais seja afetado. Esgotada a deliberação no plano nacional, existem mecanismos para o ingresso na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que leva em conta que o princípio da tradição e os direitos imemoriais das comunidades indígenas sejam respeitados’, argumentou.
- Apartheid
“A mestiçagem unifica os homens separados pelos mitos raciais. A mestiçagem reúne sociedades divididas pelas místicas raciais e grupos inimigos”.
(Gilberto de Mello Freyre)
O governo federal está promovendo o ‘apartheid intra-étnico e não apenas entre índios e não-índios. Ao invés de unir as pessoas, o presidente está promovendo a divisão até mesmo entre os grupos indígenas. Não se faz um governo de ajuda às minorias promovendo a separação de cidadãos brasileiros’, afirmou o senador Mozarildo Cavalcante.
Os não-índios casados com indígenas temem ter que desmembrar suas famílias, caso o STF decida pela constitucionalidade da homologação contínua da TIRSS. No distrito de Surumu, município de Pacaraima, grande parte da população indígena é casada com agricultores, como é o caso da macuxi Elielva dos Santos. ‘Se a gente está nessa luta, não é pelos produtores de arroz, é por nossa família’, defendeu. O agricultor Adilson Gomes da Costa, casado com uma indígena macuxi, teme ter que deixar a terra onde mora. ‘Acho isso tudo uma injustiça. Eles não têm o direito de separar a gente’, desabafou.
- STF: Justiça Respeitada e Soberana
O patriotismo se apura e se cultiva pela prática das virtudes sãs e sólidas que formam os povos fortes e viris – nas assembléias eletivas, nos parlamentos, nas contendas pleiteadas ante uma justiça respeitada e soberana.”
(Rui Barbosa)
Graças ao STF, a Nação Brasileira volta a acreditar nas suas Instituições tão abaladas com constantes desmandos e atos de corrupção. Agradeço em nome de todos brasileiros e, principalmente, em nome da nova geração que, nos últimos tempos, raras vezes teve a oportunidade de verificar atitudes, por parte de seus representantes, que mereçam reconhecimento e aplauso. Parabéns aos ministros que mostraram, até agora, não se dobrar a interesses espúrios e entreguistas! Continuamos esperançosos no seu julgamento final.
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Solicito publicação
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva, professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Rua Dona Eugênia, 1227
Petrópolis – Porto Alegre – RS
90630 150
Telefone:- (51) 3331 6265
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E-mail: hiramrs@terra.com.br
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