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Dom Quixote de Ferrari

A figura gentil de Cristovam é tão tocante quanto a da criação de Cervantes.
Por: Fernanda Torres

O Senador Cristovam Buarque declarou à Receita que seu mais precioso bem é uma biblioteca no valor de R$ 400 mil. Fernando Collor de Mello possui o carro mais caro de todo o Congresso: uma Ferrari que custa cerca de R$ 700 mil.

Não condeno o dispendioso gosto automobilístico do ex-presidente.

Afinal, Collor teve recursos para adquirir o bólido. O que me comove é o tesouro de Cristovam Buarque.

O senador lembra o herói de “As Invasões Bárbaras”, o filme canadense que aborda o fim do humanismo. Nele, um intelectual com câncer em estado terminal se despede do mundo sob os cuidados dos companheiros de juventude, todos eruditos e de esquerda, e do filho, um jovem economista neoliberal.

Pragmático e atencioso, o rapaz administra a morte do pai como quem comanda o fechamento do balanço de uma empresa. Sem o filho, o velho comunista acabaria seus dias em uma versão canadense do SUS. Com ele, morre confortavelmente irritado com a constatação de que todos os seus anseios juvenis de igualdade foram para o ralo.

Um abismo separa o idealismo do progenitor da praticidade mercantil do rebento. A mesma discrepância que distancia a Ferrari de Collor da biblioteca de Cristovam Buarque.

Cristovam foi a Marina da última disputa presidencial, na qual se engajou com o objetivo de chamar a atenção para um tema que considerava crucial: a educação.

Marina também atrela seu discurso à educação, mas as bandeiras de sua campanha, a ecologia e a sustentabilidade, são os assuntos do momento.

Eles estão presentes tanto em filmes-catástrofes de Hollywood como em livros extraordinários como “Colapso”, de Jared Diamond. E seu candidato a vice é um empresário que soube transformar o discurso verde e rosa em lucros e dividendos.

Segundo indicam as pesquisas, essas bandeiras, aliadas ao carisma da senadora, podem fazê-la chegar ao primeiro turno com quase 10% do eleitorado. Já Cristovam acabou em quarto lugar na eleição de 2006, chegando atrás até de Heloísa Helena, com apenas dois vírgula nada de votos.

Em 1995, durante seu mandato como governador do Distrito Federal, ele criou o projeto Bolsa Escola. Fernando Henrique nacionalizou a ideia e Lula transformou-a na Bolsa Família.

Por meio desse programa, o presidente distribuiu renda, aumentou o poder aquisitivo dos miseráveis e impulsionou a produção de bens de consumo.

Seria miraculoso se o mesmo resultado econômico alcançado com o Bolsa Família se desse agora com o outro objetivo do Bolsa Escola original, o que Cristovam chamava na campanha presidencial de “revolução da educação”.

O fato de a melhora do nível do ensino ser um dado não computável em pesquisas de curto prazo é uma das razões de a educação ser a mais frágil das necessidades básicas da União e, imerecidamente, uma das mais esquecidas durante as campanhas eleitorais.

O mito de que Lula teria vencido na vida sem estudar me parece enganoso. O presidente não fez faculdade, mas alcançou notório saber durante anos de prática sindical, política e convivência com intelectuais que lutaram pela democratização. Lula teve acesso à educação.

A figura gentil, sensível e delicada do senador Cristovam Buarque é tão tocante quanto a de Dom Quixote, de Cervantes. Um solitário cavaleiro visionário em meio ao violento jogo de interesses do Planalto Central.

Se homens como Cristovam tivessem a voracidade dos que pilotam Ferraris, talvez o problema educacional brasileiro estivesse mais bem encaminhado.

O Terceiro Milênio requer uma certa dose de brutalidade, de Dom Quixotes de Ferrari.

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É compreensível o repúdio da comunidade judaica à visita do presidente do Irã, Ahmadinejad, ao Brasil.

Ahmadinejad prega a aniquilação de Israel, o que é inaceitável.

Sob o comando de Ahmadinejad, o governo do Irã, secretamente para evitar protestos, enforcou uma jovem artista plástica de 23 anos, condenada por um crime, cujas provas periciais indicam que ela não cometeu o crime.

Os judeus, os democratas e os humanistas, têm todo o direito, e o dever, de repudiarem pacificamente, a visita do “himileriano” presidente anti-semita iraniano.

O Brasil é um país democrático, membro da ONU e obedece às normas diplomáticas internacionais. O Presidente do Irã é o chefe de um estado com o qual o Brasil, e mais dezenas de outros países, matêm relações diplomáticas.

O Irã é um estado assassino, sensório, que enforca homossexuais e quaisquer outros dissidentes.

Portanto, não é compreensível que o Brasil receba com deferências exageradas, além das meramente exigidas pela diplomacia, um dirigente incendiário, que nega o holocausto e prega a aniquilação do Estado de Israel, esse, o único país democrático na conturbada região do oriente médio.

O editor

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O sucateamento das Forças Armadas Brasileiras

O desaparelhamento das Forças Armadas não se faz sentir apenas nos equipamentos obsoletos e na falta de treinamento. A política de cinto apertado imposta às três Forças mantém os soldos muito baixos e os militares, ao contrário dos servidores civis, não conseguem pressionar o governo por melhores vencimentos porque não têm direito a um sindicato ou à figura da greve.

Contam, entretanto, com um braço político dentro do Congresso, que trabalha para evitar que até o reajuste salarial, que tem sido regra no governo Lula, seja limado do planejamento financeiro do Executivo para 2009.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) acredita que o reajuste nos soldos esteja garantido. Mas sua principal preocupação é a evasão de profissionais, que deixam as Forças em busca de salários melhores.

- Até 2020, a Marinha deve parar por pura e simples falta de recursos para continuar funcionando, e a Aeronáutica está na mesma situação – adverte o deputado.

No site Portal Militar, foi publicada a tabela base (sem gratificações) dos soldos dos militares dividida por graduação.

A partir do dia 1º de agosto de 2006, o maior posto dos oficiais-generais, incluindo almirante-de-esquadra, general-de-exército e tenente-brigadeiro, ganha R$ 6.156.

Com as gratificações, que incluem cursos, tempo de serviço, pode dobrar o soldo. Um general com 45 anos de serviço pode receber R$ 13 mil.

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Até a próxima!

Fernando Gabeira

Os cariocas, tidos e havidos como os brasileiros mais politizados, preferiram votar em Eduardo Paes, representante do fisiologismo – PMDB, PDSB, PFL – e cria, oportunista do inefável Governador Serginho Cabralzinho Filhinho, deixando de eleger o novo, representado por Fernando Gabeira.

O inescrupuloso, oportunista e agachado Eduardo Paes, só não saiu ainda menor porque já é um pigmeu.

Gabeira, embora perdendo a eleição, saiu da disputa muito maior do que quando entrou.

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Juntem os “pauzinhos”:
1 – Daniel Dantas, o meliante, chefe de quadrilha – espero que a revista veja, assim com minúscula mesmo, que é a dimensão da parcialidade do amarronzado seminário, o coloque na capa com esse adjetivo, chefe de quadrilha, em letras garrafais – alguns dias antes de ser preso, dá entrevista a Revista Piauí declarando somente temer a Polícia Federal, pois, segundo o marginal, nas esferas superiores ele “resolve”.

2- Daniel Dantas é preso às 5:30 da manhã, pela Polícia Federal, é transferido do Rio para a carceragem da Polícia Federal em São Paulo. Entre outras acusações, é apresentado um vídeo no qual o meliante tenta subornar um delegado da Polícia Federal por HUM MILHÃO DE DÓLARES”, o que demonstra claramente o poder econômico de corromper e, portando, capaz de interferir nas investigações e no andamento do processo. Tal fato já justifica a decretação de prisão temporária senão, até mesmo um pedido de prisão preventiva.
Obs: a prisão temporária tem um máximo de 5 diaas, enquanto a prisão preventiva pode se exterden por 30 dias prorrogáveis.

3 – Daniel Dantas, através de advogados, impetra mandato de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal.

4 – O Presidente do Supremo Federal, Ministro Gilmar Mendes, — que segundo juristas e ex-ministros daquela Suprema Corte, deveria ao invés de uma decisão monocrática, levar o julgamento da liminar para o colegiado do STF —, concede a liminar às 11h da noite.

Uáu!

Do blog do Noblat

Comentário

Há um lugar comum a que os políticos profissionais costumam recorrer quando provocados a respeito de decisões polêmicas tomadas pela Justiça. Eles repetem como meio de se esquivar de comentá-las:

- Decisão da Justiça não se discute. Cumpre-se.

Como não sou político e muito menos profissional, discuto aqui a decisão tomada pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, de soltar o banqueiro Daniel Dantas e mais nove pessoas ligadas ao Grupo Oportunitty e que haviam sido presas, anteontem, pela Polícia Federal.

Qual o principal motivo da prisão de Dantas? A tentativa feita por ele, e amplamente documentada, de subornar um delegado da Polícia Federal para escapar de ser investigado. E para que sua irmã também escapasse.

Emissários de Dantas ofereceram um milhão de dólares ao delegado. Parte do dinheiro em reais acabou entregue. A Justiça autorizara o delegado a receber o dinheiro para que se materializasse o crime de suborno. A polícia monitorou todos os passos do delegado e dos emissários de Dantas.

É razoável supor que uma vez preso por algum tempo, Dantas estivesse impedido de eliminar indícios e provas que a polícia anda à caça e que poderão incriminá-lo mais ainda. Por tabela, é razoável supor que tão rapidamente libertado ele possa agir para dificultar o trabalho da polícia.

A decisão do ministro Mendes não deu importância ao crime de suborno. Nem ao prejuízo às investigações que Dantas possa causar uma vez libertado em tempo recorde.

De resto, desprezou o sentimento cada vez mais enraizado na sociedade de que o Brasil tem uma Justiça de classes. Ela é bondosa e conivente com os endinheirados e espertos. E rigorosa com os desprovidos de recursos e de sobrenomes famosos.

Mendes foi de uma infelicidade atroz ao condenar a “espetacularização” das ações da Polícia Federal logo no dia em que ela prendera dois dos homens mais ricos do país – Dantas e Naji Nahas, acusados por uma penca de crimes. E outra vez foi infeliz ao mandar soltar Dantas e sua turma em tão curto espaço de tempo.

Em entrevista recente à revista Piauí, Dantas afirmou que só temia uma coisa no Brasil: a Polícia Federal. Não tem mais porque temê-la.

Comecei este comentário com um lugar comum e encerro com outro. Um pé-rapado que enfrentasse situação semelhante a de Dantas teria recebido da Justiça o mesmo tratamento?

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Brasil: da série “só dói quando eu rio”!

Podem acreditar!

A capacidade dos petralhas em procurar encrenca, é diretamente proporcional à escassez de neurônios com que seus (deles) membros foram aquinhoados pela mãe natureza.

Assisto agora na Tv Câmara, uma inacreditável tentativa dos partidários do Grande Chefe dos Tupiniquins, em aprovarem um projeto de lei que cria uma empresa estatal para a produção de semi-condutores.

Uáu e Argh!!!

Uma turma, ou bando, ou cambada, que é incapaz de operar uma prosaica, primária e elementar planilha Excel; que não consegue gerir um simplório banco de dados; querer fabricar semi-condutores, só pode ser coisa comum aos desprovidos do popular mancômetro¹.

Anos luz apartados da realidade tecnológica que habita o Vale do Silício, na California, os analfabetos mentais dos estrelado partido e seus (deles) acólitos apoiadores, aparentam que, dos dois únicos neurônios com os quais foram providos, somente um mísero neurônio está em uso, estando, o outro, provavelmente na carga.

Lembro uma das frases do sempre mordaz Delfim Neto: “se o Estado criar um circo, o anão cresce”.

¹ Popular e imaginário equipamento que as pessoas de bom senso possuem, capaz de lhes permitir o discernimento das aberrações e delírios imaginativos, incompatíveis com a competência de cada um e com a realidade.

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Artigo – Finalmente enfureci

Os brasileiros que ainda não perderam a capacidade da indignação, sempre encontram espaço aqui neste blog, que plural e democrático, para se manifestarem. Observadas as normas civilizadas que regem os argumentos elegantes do contraditório, não haverá censura. As opinões externadas, por terceiros, não necessariamente refletem a opinião do editor.

Finalmente enfureci
Por: Waldo Luís Viana – escritor e economista.

Acordei de madrugada, neste outono de terremoto, a pensar sobre o que aconteceu realmente em meu país. Todo mundo já disse tudo. A imprensa golpista, a imprensa esquerdista que não se diz golpista (aliás que caricatura grotesca o esquerdismo a favor!) – e fiquei matutando: o que nos aconteceu?

Os políticos continuam os mesmos, safados, entre uísques, interesses e amantes, procurando os seus cadinhos, como moscas em volta das fezes do poder. Uma Pátria dirigida por pútridos, em sucessão de escândalos que não dá pra registrar, empreiteiros, bicheiros, lobistas, vigaristas, assessores, falsos empreendedores com escritório de fachada, amantes em busca de carteiras gordas e uma gravidez premiada, traficantes pequenos e grandes, a cocaína e a prostituição à solta, a pornografia invadindo os olhos dos nossos filhos pela internet e a corrupção vitoriosa, tão inexcedível em seu poder de persuasão, que os corruptos levam os filhos de carro blindado para a escola e seus netos serão inevitavelmente chacinados por alguém, desesperado, que o gordo, careca, de terno cinza e gravata vermelha, com certeza no passado prejudicou…

O que aconteceu neste país que nossos vizinhos querem tomar nossas riquezas e os índios e ONGs estrangeiras nossos territórios e minerais? Onde generais, sempre ciosos do respeito à hierarquia, acalmam as suas mulheres nos travesseiros noturnos, dizendo que com certeza virá o próximo aumento para a tropa? E olha que mulher de militar é fogo, hein, tem coragem…
O Brasil, como dizia o velho general Golbery é um barril de pólvora. E dizia mais: entre sístoles e diástoles vamos desdobrando nosso vil destino, enquanto as maiorias não cobram o seu quinhão. Esperemos, pois, que a Rocinha desça um dia e tome São Conrado, onde reside o Sr. César Maia e outros que tais. Vai ser uma novela da Rede Globo. Ainda bem que o Projac fica mais longe…

Cá estou eu, diante do computador que ainda me resta, pensando em meu país, sem dormir, como o velho seringueiro de Mário de Andrade. De que adianta pensar que minha filha está longe e se atravessar minha cidade de madrugada possa levar uma bala perdida? E o festival em torno da morte da menina Isabella? A mãe verdadeira já está sendo envolvida por duplas caipiras e talvez se torne artista do próximo Big Brother…

Tudo nessa terra é banalização. Vivemos a morte bem morrida da ética. Eu também tenho os meus pecados, como cruel mortal, mas diante do que vejo, das carnificinas, das bocas de fumo, dos caveirões e fuzis AR-15, sou reles e ingênuo inocente.

Escritor e poeta com tantos livros a publicar, outros no estrangeiro porque minha gente não me deseja ler, porque não apanhei da ditadura (tinha quinze anos quando ela explodiu) e não posso nem requerer indenização…
O que aconteceu, meu Deus, a meu país, em que as mulheres precisam tirar a roupa para subir na vida e encontrar um figurão para escorar o divórcio. Em que as prostitutas são seres dos mais nobres porque fazem distribuição de renda: tiram dos homens mais velhos o dinheiro que revertem para os filhos mais novos, que não pediram para nascer…

E nossos aposentados, roubados a cada dia em seus proventos de vento, não podem recorrer a ninguém, já sem forças. Os que lhes esmagam serão velhos um dia também, mas vivem da esperança de repatriar o dinheiro de paraísos fiscais, onde os brasileiros detêm 150 bilhões de dólares e não receiam qualquer guerra e, no íntimo, fazem previsão meteorológica de que jamais haverá um tsunami no Caribe…

Nossos juros, os mais altos do planeta, para conter o egoísmo da inflação produzido por nossas elites. Nenhuma idéia nova. Só a mesma ortodoxia econômica da Escola de Chicago. Como se o sol nascesse a cada dia por causa do Itaú, do Bradesco e do Banco de Boston. Essas instituições não valem a beleza de um carvalho, nem o pescoço de uma vaca pendido no pasto…

O Brasil da dengue, dos seios siliconados, da febre amarela, do carnaval do abadá e do rouba-cá, das geladeiras novas do bolsa-família para poupar energia, enquanto entregamos Itaipu para o falsificado irmão Paraguai, da solidariedade latino-americana que é sempre contra nós, dos norte-americanos que ainda pensam que comemos bananas e temos cobras pelas ruas passando entre tiros de fuzil, pobre Brasil, em que os poetas não estão nas praças públicas, mas trombadinhas e mulheres grávidas morrem nas portas dos hospitais públicos, aqueles da saúde quase perfeita.

Afinal temos um PAC de placas, discursos e pedras fundamentais, pastores bandidos que devem ao fisco e não podem ser investigados porque têm bancadas parlamentares, um congresso fascista, movido a facções profissionais como queria Mussolini, e uma falsa esquerda, sempre ética antes de chegar ao poder e coberta de dossiês e socialismo de mercado quando encontra com ele. Pobre país em que temos quase 50 ministros, como na extinta União Soviética e 22 mil cargos de confiança, como em qualquer ditadura africana.

Onde isso tudo vai acabar? Em nada. Na minha cama, Para onde irei como sempre, assustado, à espera do efeito do calmante…

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Opinião – Pesquisa – Alimento X Etanol

Tem pesquisa nova aí ao lado.

A questão envolve a discussão entre agricultura para produzir comida ou para produzir combustível. Nesse “imbroglio” o Brasil vem sendo acusado como um dos responsáveis pelo aumento do preço dos alimentos. O que você acha?

Países com interesses petrolíferos, – produzem, refinam e/ou controlam o mercado – , e Organismos internacionais, principalmente a FAO (Food and Agricultural Organization/Organização das Nações Unidas), condenam a substituição de área de produção de alimentos por plantações de insumos para a produção de etanol.

Esquecem, que a África, continente com um inumerável contigente de seres humanos passando fome diariamente, não produz um único litro do bio combustível.

O petróleo cuja preço sobe à estratosfera, é o mais direto responsável pelo aumento dos alimentos. Afinal todos os transportes usados para a produção e distribuição de alimentos são movidos a óleo combustível. Além disso, um maior número de chineses e indianos, com o crescente aumento de renda, passaram a consumir mais carne, o que força o preço das “comodities” necessárias para a alimentação do gado – principalmente soja e milho – empurrando, por conseqüencia, para cima, o preço dos alimentos.

Some-se a isso, as barreiras fiscais e subsídios, impostos pelos países europeus aos produtos agrícolas oriundos dos países pobres e, o uso cada vez maior, por parte dos estados Unidos, do uso do milho para a produção de etanol, e o quadro estará formado.

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Opinião – A naus dos insensatos

Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte… Municípios inteiramente alagados devido às chuvas intensas. Milhares de pessoas desabrigadas e lavouras destruídas.

Rio de Janeiro assolado por epidemia de dengue que agora, ameaça São Paulo e Fortaleza.

O que que tem isto a ver com Brasília?

O seguinte: enquanto estas calamidades ocorrem, os insensatos tripulantes da nau brasiliana, do comandante apedeuta até os beócios embarcadiços, todos, comandante, imediato e tripulantes da brasiliana canoa, estão remando em busca de dossiês, quebras de sigilos e “otras cositas mas”!

Petralhas, tucanalhas, democranalhas e outros “alhas”, acham que a população que saber se Lulelé gastou com charutos ou tapiocas e se Fernandinho privatão tomou vinho Romanée Conti.
Argh!

No Senado, o patético senador galináceo, assassinando o vernáculo, aplica puxões de orelhas em senadores, brada contra todos e ainda tem o desplante de dizer ser este o melhor senado da história.
Argh!

O manaura apoplético agora é unha e carne com pefelistas e tem aliado fiel em um suplente da ex-senadora alagoana, que até bem pouco, chamava o tucanato de balcão de negócios sujos.
Argh!

A imediata, iracunda, enquanto “la nave va” enrola-se no cordame da semântica como se crime menor fosse, se dossiê, relatório ou banco de dados.
Argh!

Tudo isso contribui para desviar o foco do ilícito cometido, enquanto o grande chefe dos tupiniquins pavimenta a estrada para um inadmissível terceiro mandato.

Argh! Argh!, Argh!.

Ave STF…

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Opinião – Ministro da Justiça e o Código Penal

Ouço estarrecido, mas não surpreso em virtude do personagem, o Ministro da Justiça, Tarso Genro declarar em entrevista na TV que “que a corporação (no caso a Polícia Federal) só pode investigar – o caso do dossiê – se acionada a pedido de alguma autoridade, seja a Procuradoria, a ministra da Casa Civil ou a própria CPI”.

Está errado sua (dele) excelência. Tá lá no Código de Processo Penal:

Artigo 5º
Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I – de ofício;
II – mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo
.

Esta norma, confere à autoridade policial poderes para instaurar inquérito de ofício. A iniciativa, ao contrário do que “desinforma” o Ministro da Justiça, deve ser tomada pelo delegado assim que souber da prática de algum crime – não importando o meio pelo qual tomou conhecimento do ilícito – seja através de denúncia anônima, flagrante ou mesmo notícia de jornal.

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Comentando a notícia – Faça o que eu digo…

Apesar da postura de vestais de uns, tucanalhas, ou de alegadas inocentes vítimas de disputa política de outros, petralhas, os dois bandos somam-se  ao “magote” de inconseqüentes que vorejam no Congresso Nacional, contaminando a representatividade do legislativo. Ao lado dos demais partidecos, tão inúmeros e inúteis quantos são os ministérios de aloprados do apedeuta em chefe, a canalha, é uma só.

Do blog do Noblat
Dias cutuca Dirceu e poupa tucano.
É tiro n’água o pedido de explicações do Senado ao Itamaraty sobre um carro da embaixada em Madri que transportou o ex-ministro José Dirceu. A lei não restringe o uso do carro de representação a servidores, como sabe o autor do pedido, Alvaro Dias (PSDB-PR), titular de carrão placa preta do Senado. Ele devia pedir explicações ao líder tucano na Câmara, José Aníbal (SP), que fez turismo nos Lençóis maranhenses, há dias, a bordo de um helicóptero da PM que só pode ser usado em serviço.

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Campeões mundiais no nefando hábito de apontar o dedão acusatório contra tudo e todos que não rezem pela cartilha doutrinária elaborada acima do Rio Grande, o grande irmão do norte se vê, agora, às voltas com a reveladora verdade. O xerife mundial, pratica às escancaras métodos de tortura que acreditávamos existir somente nos totatlitários regimes terceiro-mundistas.

Tio Sam, que sempre foi um adepto do “joga pedra na Geni” é colocado, agora, na incômoda posição de alvo.

Ave, Busch, Morituri te salutem!

Abaixo artigo de André Petry na Veja que circula neste fim de semana

Os porões do norte

“A última novidade é que Bush deixará entalhado seu nome na história como o presidente da mais celebrada democracia do mundo a autorizar o uso da tortura”. Ricardo Noblat

O presidente George W. Bush, de quem o mundo há de se livrar dentro de nove meses, é um homem de superlativos. Presidiu a economia americana indo para a recessão durante o mais longo período de prosperidade que o capitalismo já produziu. Promoveu uma guerra no Iraque, calçada em mentiras hoje deslavadamente comprovadas, durante o mais longo período de paz que a humanidade já teve. A última novidade é que Bush deixará entalhado seu nome na história como o presidente da mais celebrada democracia do mundo a autorizar o uso da tortura.

No dia 8 de março, Bush vetou uma lei aprovada no Congresso que proibia a CIA de torturar seus capturados com simulação de afogamento. A prática é velha nos porões da ditadura brasileira e nas prisões da democracia brasileira: pode ser aplicada pelo método simples (mergulhando a cabeça do sujeito na água até o limite do afogamento) ou pelo método elaborado (com a cabeça envolta num pano, para que o sujeito tenha a sensação de que não pode respirar mesmo fora da água). Mal aplicada, a técnica leva à morte. Bem aplicada, ao desespero. Aplicada no limite, ao desmaio. Pode-se usar o eufemismo que se quiser, mas o nome disso é tortura.

Três dias depois do veto de Bush, o Departamento de Estado americano lançou seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo em 2007. Corretamente, acusa o Brasil pelas torturas e mortes provocadas pelas polícias nos estados, atrocidades em que o caso de Carlos Rodrigues Júnior é lapidar. O adolescente de 15 anos morreu depois de ser torturado com choques elétricos por policiais dentro de sua própria casa, em Bauru, no interior de São Paulo. Corretamente, também denuncia o caso da menina que dividiu cela com homens numa prisão do interior do Pará.

Qualquer um é livre para elogiar um país que aprova lei para torturar, à luz de tantos outros que torturam sem lei. Mas quem acha que isso não é retrocesso pode conferir o rol de técnicas medievais usadas pelos inquisidores católicos para punir suas presas. Entre o veto do dia 8 e a divulgação do relatório no dia 11, Bush, agindo como um Pinochet do norte, derrubou mais um tijolo da autoridade moral dos Estados Unidos para discutir direitos humanos.

No relatório, o governo americano corretamente censura o Brasil por ter enviado aqueles dois boxeadores cubanos de volta para Havana, entregando vítimas para o algoz. O governo brasileiro não protegia um interesse brasileiro com a deportação, só bancava a cafetina de Fidel Castro. Claro que isso não é coisa que país sério faça.

Em 2002, o cidadão canadense Maher Arar, nascido na Síria, passava pelo aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, para pegar um avião para voltar para sua casa no Canadá, quando foi detido sob suspeita de terrorismo. Ficou duas semanas preso sem acusação nem advogado. Sem poderem torturá-lo, as autoridades americanas terceirizaram o serviço. Puseram o sujeito dentro de um avião e mandaram-no para a Síria, onde foi torturado e ficou preso por um ano. Maher Arar era inocente. É um caso diferente do dos boxeadores cubanos, mas nele também se largou a vítima na mão do algoz, e isso não é coisa que país sério faça.

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