A fúria censória dos atuais detentores do poder, e seus aliados, vide o “tesoura” Hélio Costa querendo censurar blog, tem origem atávica, e mal, muito mal, intencionada. Os stalinistas do PT esquecem que somente a liberdade de imprensa e a democracia é que permitem a figuras patéticas como Franklin Martins — foi membro do grupo que sequestrou o embaixador americano no Brasil nos anos do regime militar — ter o direito de falar todo tipo de asneira. Esse mesmo ex-global comentarista, e atual ‘ministro da propaganda’ de Lula, tem o desplante e o descaramento de mandar bilhetinhos para a turma do Casseta, “recomendando” o não uso do presidente Lula em piadas nos programas de TV. Imaginem o que virá se dona Dilma, outra stalinista, for eleita.
Contra a censura. Sempre! Antes que Cháves!
O Editor
PS. Hélio Costa e Franklin Martins são ‘ex-poentes’ da TV Globo. Como não acredito em coincidência…


Franklin não se cansa nem descansa: ele quer vingança

Lembram-se do siricutico de Franklin Martins quando o presidenciável José Serra apontou as iniciativas do governo Lula de censurar a imprensa?

Franklin Martins Ministro da Comunicação Social do Governo Lula

Pois é… O tucano fez uma intervenção realmente perfeita no seminário da ANJ (Associação Nacional de Jornais) ao apontar três frentes de ataque à liberdade de expressão: a) tentativa de censura legal; b) tentativa de asfixia econômica; c) patrulha e assédio moral por intermédio de entidades ligadas ao PT. Leiam o que vai na Folha. Volto em seguida:

“Ao lado do presidente, Franklin critica mídia
Em discurso ao lado do presidente Lula, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) criticou a imprensa e disse que os jornais e emissoras de TV vão perder o controle sobre as notícias levadas à opinião pública.

Eles participaram ontem do lançamento da TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A cerimônia reuniu cinco ministros em clima de campanha para a presidenciável Dilma Rousseff (PT), que não compareceu.
Franklin disse que o canal ajudará a internet a quebrar o poder dos “aquários”, jargão que identifica a chefia das redações dos grandes veículos nacionais. “Isso é uma revolução e incomoda muita gente que ficava no Olimpo. Mas é irreversível, e está apenas começando”.
O diretor do sindicato, Valter Sanches, disse ter planos ambiciosos para competir com as grandes redes: “Queremos fazer jornalismo investigativo de fato, sem atender interesses políticos”.
O sindicato é filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT.
A TVT estréia com uma hora e meia de produção própria no canal 46 UHF na Grande SP, em outros dez Estados e na internet.
Em discurso lido, Lula disse que a emissora evita que os trabalhadores “continuem impedidos de exercer a liberdade de expressão”. “O brasileiro sabe distinguir o que é informação e o que é distorção dos fatos”, disse.

Comento

A única boa notícia relativa a esse assunto, que não vai no texto, é esta: eles — petistas e governo — são incompetentes demais para fazer uma televisão que preste. Vejam a TV Brasil. Com uma estrutura infinitamente maior do que a do sindicato, só produziu mistificações. Como costumo dizer, fez-se uma televisão com a cara de Tereza Cruvinel e a alma de… Franklin Martins! Resultado: torrou-se uma montanha fabulosa de dinheiro e não se conseguiu sair do traço. É o que vai acontecer também com a tal TVT, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O mais fascinante no discurso dos três valentes é a “aparente” suposição de que a TV sindical não teria viés nenhum. Escrevo que a suposição é só aparente porque idiotas eles não são. Sabem que o veículo será um mero braço do sindicato e, pois, do PT. Dinheiro não vai faltar. Afinal, o sindicato tem garantida a bufunfa do Imposto Sindical, que surrupia até mesmo dos trabalhadores não-sindicalizados. E pode gastar sem prestar contas a nenhum órgão público. Para esses bravos, o Estado tem legitimidade para bater o porrete na mesa e obrigar todo mundo a pagar o imposto, mas não a tem para verificar onde o dinheiro está sendo gasto.

A fala de Franklin é a evidência do acerto do discurso de Serra. Eis aí o terceiro item apontado pelo candidato tucano: assédio moral e patrulha, exercidos por intermédio de entidades ligadas ao PT. Nunca um partido e um governo contaram com tantas emissoras, jornais e revistas servis. Não em fase democrática ao menos. Mas Franklin ainda acha pouco. Os petistas precisam exercer permanentemente esse discurso da vítima para que possam fazer a “denúncia da manipulação”, na esperança de que os alvos da patrulha tentem provar que seus críticos estão errados — ao fazê-lo, atendem, então, à pauta do PT.

A gente sabe que Franklin é determinado no confronto com o “inimigo”. Quando lutava para implantar uma ditadura comunista no Brasil, seqüestrou um embaixador e ameaçou matá-lo caso algumas exigências não fossem atendidas. A ameaça está na carta que ele redigiu, de que tanto se orgulha. Tem em comum com Dilma o indisfarçável orgulho de ter pertencido a um grupo terrorista. Sua guerrilha, agora, é outra: quer minar o poder da “mídia”, dos “aquários”, com o apoio aos meios “independentes” de divulgação da notícia. O interessante é que essa “independência” é financiada com dinheiro público e é sempre favorável ao governo. O “sistema” aluga até blogueiros…

Dado o ânimo, caso Dilma vença a eleição, podem esperar uma penca de procedimentos oblíquos para minar a credibilidade dos grandes veículos de comunicação — não de todos; só daqueles que “atrapalharem” e insistirem em fazer jornalismo.

Nota final – A fala de Franklin acontece dois dias depois de o PT ter liderado, no Foro de São Paulo, uma verdadeira cruzada contra a imprensa livre.

blog Reinaldo Azevedo

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Liberdade de Imprensa e liberdade de expressão

DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO…
…ao direito à comunicação
Por Venício A. de Lima/Observatório da Imprensa

Texto de referência para exposição no Simpósio “Mídia e Democracia” promovido pela Universidade Católica de Brasília Virtual, Comissão Brasileira Justiça e Paz (CNBB) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, em 2/8/2010. Versão preliminar apareceu no Observatório da Imprensa nº 554, de 12/9/2009. Outra versão foi publicada como Introdução Geral a Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa; Publisher Brasil, 2010
Imagem retirado do site http://primeiralinha.org/home/?p=1476

Apesar de ocupar uma posição de centralidade na “batalha das idéias” que se trava cotidianamente em nossa sociedade, o debate público das questões envolvidas na relação entre liberdade de expressão e liberdade da imprensa, sofre de uma interdição não declarada por parte dos grupos dominantes de mídia. A mera lembrança do tema sempre provoca imediatas rotulações de autoritarismo e de retorno à censura.

Mesmo levando-se em conta o trauma ainda relativamente recente do regime militar (1964-1985), esse é dos muitos paradoxos históricos dos liberais brasileiros que nem sempre praticam o que afirmam defender. É, portanto, necessário e benéfico propor o debate público.

Não me refiro aqui às complexidades do debate jurídico. Restrito ao universo das leis, feito em linguagem excludente e, muitas vezes, ignorando a realidade social concreta na qual a questão se coloca, mesmo assim ele se constitui em referência inescapável. Também não me refiro ao debate externo ao liberalismo, sobretudo àquele fundado na crítica marxista clássica. Refiro-me, apenas, ao debate interno, às premissas liberais consolidadas e praticadas em sociedades que têm servido de referência à nossa democracia, na perspectiva de construção do direito à comunicação centrado no indivíduo (e não em empresas) – razão última e sujeito de todas as liberdades e direitos.

Trata-se, na verdade, de sugerir questões – ainda que de maneira simplificada e breve – que ajudem a compreender se a minha ou a sua, leitor(a), liberdade de expressão pode ser considerada igual, equivalente ou simétrica à liberdade da imprensa controlada por um grande grupo empresarial de mídia.

A diferença entre liberdade de expressão e liberdade da imprensa realmente existe? Houve um período histórico em que essas liberdades foram consideradas equivalentes? Quais as condições necessárias para que a liberdade da imprensa contribua na construção de um debate público democrático?

SPEECH (EXPRESSÃO); PRINT (IMPRIMIR) E THE PRESS (A IMPRENSA)

As diferenças começam com o próprio significado da palavra imprensa. Creio que o herdamos da língua inglesa. Embora em inglês como em português a palavra imprensa (press) possa significar tanto a máquina de imprimir [impressora, tipografia] como qualquer meio de comunicação de massa ou ainda o conjunto deles, a passagem do primeiro para os outros sentidos altera radicalmente o locus do sujeito da liberdade de expressão a eles vinculado. Existe em inglês uma distinção entre speech (expressão, palavra), print (imprimir) e the press (a imprensa) que, na maioria das vezes, não se faz entre nós.

Um exemplo: se formos ao panfleto seiscentista Areopagitica de John Milton (1644), clássico reiteradamente lembrado na defesa da liberdade da imprensa, veremos que ele se refere ao direito natural do indivíduo de expressar (speech) e imprimir (print) suas idéias (no caso em defesa do divórcio), sem restrições externas (liberdade negativa).

Escrito para combater uma Ordenação do Parlamento inglês regulando a impressão de documentos, panfletos e livros (“An Ordinance for the Regulating of Printing”) de 14 de junho de 1643, o seu argumento, eminentemente religioso, gira em torno da capacidade individual de livre-arbítrio (contra a predestinação) e da conseqüente necessidade de cada um se expressar e se expor às diferentes versões sobre um assunto para alcançar a verdade. Tudo isso desde que não se ofenda a Deus. Os católicos estavam excluídos dessa liberdade, porque Milton, reformista puritano, os considerava intolerantes, na medida em que o “papismo pretendia extirpar todas as religiões e supremacias civis” (pág. 177).

O Areopagitica – cujo subtítulo é “um discurso de John Milton pela liberdade de imprimir sem licença dirigido ao Parlamento da Inglaterra” ["A speech of Mr. John Milton for the liberty of unlicenc’d printing to the Parlament (sic) of England"], por óbvio, não poderia estar se referindo à imprensa, no seu significado moderno: primeiro porque, no texto, não há referência a the press, mas sim a printing; e, segundo, porque na Inglaterra do século 17 não existiam “jornais” – e, muito menos, empresas comerciais de mídia (de meios impressos e/ou eletrônicos), no sentido contemporâneo em que (ainda) é empregada a palavra imprensa. [Embora existam evidências históricas de que o licesing prévio para imprimir fazia parte do debate político na Inglaterra dos séculos 17 e 18, é curioso que o Areopagitica de John Milton só tenha tido uma 2ª. edição no século 19, duzentos anos depois da primeira, estimada esta em 1.000 (Thompson) ou, no máximo, 1.500 exemplares (Dallas Smythe). O texto também não é lembrado por autores que trataram do mesmo tema no século 19 (e.g., J. Stuart Mill), nem aparece em estudos políticos contemporâneos referentes ao período de Milton (Eunice Ostrensky). Aparentemente, o Areopagitica só ressurge na defesa da "liberdade de imprensa" ao longo do século 20.]

Note-se, todavia, que tanto na tradução clássica de Hipólito da Costa publicada no Correio Brazilienze, em 1810, quanto na edição contemporânea existente entre nós do Areopagitica (Topbooks Editora, 1999), o subtítulo é “Discurso pela Liberdade de imprensa ao Parlamento da Inglaterra”, enquanto o texto original se refere à liberdade de imprimir sem licença. [As edições do Correio Braziliense de Hipólito José da Costa de números 24 e 25, respectivamente, de maio e junho de 1810, publicaram a primeira edição em português do Areopagitica com o subtítulo de "Falla a favor da Liberdade de imprensa dirigida ao Parlamento da Inglaterra" (sic, maio) e "Falla de Milton sobre a liberdade de Imprensa" (sic, junho).]

Duas liberdades

Leia mais…

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Mais uma vez, parece que o “grande irmão do norte” parece desconhecer a realidade dos outros países do mundo. Principalmente quando são países islâmicos. O “imbroglio” agora, para as forças de combate americanas, é o Afeganistão.

Nação composta por inúmeras etnias, e por isso mesmo, ou por causa disso, um eterno caldeirão de rivalidades, o Afeganistão tem 50% da população constituída pelos patãs, 30% são tradjiques, além de outra parte em que se incluem usbeques, turcomanos e beluques. No quesito religião 90% são muçulmanos sunitas e 9%, xiitas.

Cerca de 140 mil soldados americanos e da Otan participam da ocupação do país, ocupação essa que ao longo de 9 anos e meio mais aparenta ter entrado em um beco sem saída.
O Editor


Imprensa, TV e Internet fazem EUA desabar no Afeganistão

A exemplo do que ocorreu com a guerra do Vietnã, em 75, os jornais, as emissoras de televisão e, agora, a internet, juntos, poderão contribuir para um recuo das forças americanas e da OTAN no Afeganistão, tantos e tão realistas são os documentos secretos que no final da semana o australiano Jules Assange tornou públicos ao mundo.

A dimensão da iniciativa e o risco jornalístico de enveredar por um caminho militar ligado à segurança de estados e de pessoas foram tão grandes que, antes de fazer explodir a comunicação eletrônica, o diretor da ONG Wikileaks antecipou o conteúdo do site ao New York Times, ao inglês The Guardian e à revista alemã Der Spiegel.

A CNN, no inicio da década de 70, precipitou a retirada dos Estados Unidos do Sudeste Asiático a partir do momento em que colocou no ar militares americanos detonando a cabeça de prisioneiros ou então lançando-os, sem paraquedas, de aviões e helicópteros.

Lembro bem que a atriz Jane Fonda valeu-se da reportagem controlada pelo então seu marido, Ted Turner, para liderar uma imensa passeata em Washington, em torno da Casa Branca, pelo fim imediato da guerra que fora iniciada em 62 pelo presidente Kennedy, atravessou o mandato de Lyndon Johnson, o primeiro de Richard Nixon, também o segundo, e só acabou em 75 na administração Gerald Ford que assumiu depois do escândalo de Watergate.

A sociedade norteamericana ficou perplexa com o que a imprensa e televisão destacavam. A frase a liberdade não é de graça, usada por Truman na guerra da Coréia, perdeu o sentido com o segundo fracasso na Ásia. Mas eis que, na sequência do tempo, vieram a absurda invasão do Iraque, desencadeada por George Walker Bush, e até o momento mantida pelo presidente Barack Obama, apesar de compromisso de terminá-la a curto prazo assumido na campanha eleitoral.

Provavelmente o complexo industrial militar – denunciado em livro pelo general Eisenhower, que presidiu os EUA do início de 53 ao começo de 61, pois foi eleito em 52 e reeleito em 56 – entrou em ação e somou o Afeganistão ao Iraque, adicionando Bagdad a Cabul. No Iraque, uma série de torturas praticadas, morte de milhares de iraquianos, luta de guerrilha e sobotagens, mais de 3 mil americanos mortos. No Afeganistão, a lista de mortos aumenta a cada dia e, de acordo dom o site de Julien Assage, fatos nebulosos vinculando setores das forças invasoras com o Taleban de Bin Laden.

Os diamantes são eternos, escreveu Ian Fleming, criador de James Bond. A cada dia mais se comprova a teoria na prática. A indústria de armas está por atrás, pela frente, pelos lados dos conflitos. Um mercado que proporciona lucros à base da vida e da integridade de centenas de milhares de pessoas. Ritual macabro esse que parte do princípio da defesa da liberdade e termina com o aprisionamento e a ocultação dele próprio.

As excelentes matérias de Gustavo Chacra, Andréa Murta e Fernando Ainchenberg, publicadas respectivamente nas edições de 27 de julho de O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e de O Globo, focalizaram nitidamente o panorama extremamente crítico que a divulgação dos quase 100 mil documentos secretos causou.

Por intervenção do New York Times, dezenas de nomes de pessoas não vieram à tona, pelo menos por enquanto, para não colocar em risco suas vidas. O impacto mundial está sendo de tal ordem – acentuam os jornalistas – que em seu conjunto essa página singular da história de hoje pode vir a terminar a guerra do Afeganistão amanhã.

Pedro de Coutto/Tribuna da Imprensa

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Mais um que achava que poderia ganhar dinheiro cobrando por acesso ao conteúdo on line. Deu com os burros n’água!
Perdeu dinheiro e audiência.

Após começar a cobrar, site do ‘Times’ tem queda de 66% em visitas

Diminuição de audiência perdeu força após uma semana de restrição.

Medida é acompanhada por outros grupos editoriais, que podem copiá-la.

As visitas ao site do jornal inglês “The Times” caíram aproximadamente 66% desde que o grupo News International, seu proprietário, decidiu cobrar pelo acesso.

A informação foi divulgada pelo “Financial Times“, que lembra que a queda, no entanto, foi muito inferior aos 90% que os mais pessimistas previam.

A aposta do News International, propriedade do magnata australiano Rupert Murdoch, está sendo observada por grupos editoriais de todo o mundo.

Muitos projetam medidas similares para compensar a queda na venda de suas edições impressas e a redução na receita publicitária.

Segundo os números, elaborados pela Experian Hitwise, empresa que analisa o trânsito on-line, a queda mais significativa das visitas foi nas semanas anteriores ao início da cobrança, quando os leitores precisaram se registrar.

Nas cinco semanas entre 22 de maio e 26 de junho, o volume de visitas caiu 58%.

No mesmo período, a fatia do “Times” de todo o tráfego na web relacionado com a imprensa passou de 4,37% a 1,83%.

Uma semana depois do início da cobrança, a partir de 2 de julho, a queda perdeu força – foi para 33% do total de antes da cobrança -, embora a quantidade de visitas possa ter sido influenciada pelo início da Copa do Mundo.

G1/EFE

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A internet como mídia de alcance universal está mudando alguns paradigmas do jornalismo tradicional.

Contudo é preciso conter a tentação de que textos simplistas são suficientes para complementar narrativas visuais.

Nem sempre uma imagem sobrevive sem uma explicação textual com maior densidade.

O Editor


A expressão jornalismo visual é quase uma redundância porque a maior parte do que lemos e vemos é percebido pelo nosso cérebro por meio do sentido da visão.

Mas a diferença se faz necessária por conta da idéia de que o texto não é uma imagem, o que é falso, mas acabou sendo validado pela prática das redações.

Tudo isto como um esclarecimento prévio à entrada no tema do post, que é o aumento acelerado do uso de imagens como canal para acesso a notícias e informação. O jornalismo que até agora era quase um sinônimo de texto começa a ser cada vez mais visual, graças principalmente à vertiginosa expansão de serviços online como o YouTube, Hulu e Vimeo.

Os primeiros a embarcar na nova onda do visual online foram os publicitários e marqueteiros que passaram a incorporar o vídeo como peça fundamental de qualquer publicidade na Web. Em 2009, nada menos que 187 bilhões de vídeos foram visualizados por usuários da rede em todo mundo e as previsões para 2010 já passam dos 200 bilhões.

Segundo pesquisas feitas pela empresa norte-americana ComScore, entre 70 a 80% dos usuários da internet no mundo inteiro já acessam regularmente vídeos, animações em 3D e infográficos publicados na internet. É uma tendência nova e surgida no bojo de inovações tecnológicas como a banda larga, processadores mais rápidos, memórias mais poderosas e sistemas de compactação de áudio e vídeo mais eficientes.

Isto está forçando os jornalistas a usar cada vez mais a narrativa visual como forma de transmitir notícias e informações. Acontece que a esmagadora maioria dos profissionais, aqui e no resto do mundo, está culturalmente formatada para produzir conteúdos em texto, mesmo que usem imagens.

A estrutura material e mental para produzir conteúdos jornalísticos em texto não é a mesma da narrativa visual. Um quadro mais detalhado das diferenças ainda está por ser desenvolvido, pois até mesmo o telejornalismo ainda se pauta basicamente pela mesma estrutura narrativa do jornalismo impresso.

A diferença mais óbvia, mas que nem sempre é respeitada, é a de que, no formato audiovisual, evita-se descrever o que as pessoas estão vendo. Além disso, o áudio e as imagens devem estar coordenados de forma a um complementar o outro. Mas na Web surgem dois novos elementos, que são a interatividade com o usuário e a estrutura não linear da narrativa online.

A combinação de todos estes fatores num ambiente multimídia conferiu características próprias e diferenciadas ao jornalismo praticado na Web. No início da história da internet, as limitações técnicas fizeram com que o texto predominasse, tanto que os noticiários eram uma mera transcrição da versão impressa em papel. Hoje, a generalização do uso da banda larga viabilizou as transmissões em tempo real, fazendo com que as imagens tirem cada vez mais espaço dos textos online, como o que você está lendo.

As técnicas de ensino de jornalismo nas faculdades ainda estão solidamente ancoradas na tradição textual impressa. Com isto, os profissionais autônomos, blogueiros e os cursos de especialização passaram a ocupar o espaço vago na experimentação de uma nova linguagem jornalística. Por enquanto é tudo muito empírico, especialmente no YouTube, onde predomina a preocupação meramente documental, quase sempre apoiada no excêntrico, paradoxal e espetacular.

Mas a saturação dos vídeos domésticos e amadores torna inevitável uma diferenciação e a abertura de espaços para material mais elaborado e com mais densidade informativa. Este diferencial pode ser alcançado por meio do uso mais intenso da interatividade com o usuário, tornando-o um parceiro no desenvolvimento da narrativa, bem como do emprego da narrativa não linear, que dá um caráter lúdico à montagem da história.

São virtudes especificas da Web que, aliadas à facilidade na manipulação e transmissão de imagens, permitirão aos jornalistas desenvolver narrativas noticiosas capazes de tornar ainda mais envolvente a imersão do público na informação.

Carlos Castilho/Observatório da Imprensa

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Pro dia nascer melhor – 31/05/2010

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“Asinus asinum fricat”!

O Editor

Impávido colosso

Não perco uma coluna do Sarney na “Folha de S.Paulo”. Não pela qualidade jornalística ou literária dos seus textos, mas para me surpreender, me divertir e me assombrar com esse quase inverossímil personagem do Brasil moderno, que desafia a imaginação de qualquer ficcionista. Como alguém assim chegou aonde chegou? Como permanece? Que forças estranhas o movem e o protegem?

A última foi antológica. Ele se espantava com uma pesquisa que dava a internet como primeira fonte de noticias para os brasileiros, superando o rádio e a TV. “Mas no Maranhão dá TV, imbatível, 80% contra 4,3% da internet”, ressalvava, não se sabe se com orgulho ou vergonha. A pesquisa nacional era preocupante: “Se o alcance da internet começa assim, o que virá depois?”

Como a família Sarney é dona da TV Mirante, que exibe a programação da TV Globo e domina a audiência no Estado, algum leitor malicioso pode ser levado a crer que, para ele, o melhor mesmo é que a televisão continue imbatível, porque a internet, como é livre, é uma ameaça ao domínio da informação. E o pior é que nunca se sabe o que virá depois.

E por que o Maranhão é o Estado mais atrasado do Brasil (também) na internet? Talvez os 40 anos de administração Sarney possam explicar. Ele diz que ela lhe dá medo:

“O volume de informação que ela nos oferece é tão grande que é impossível saber onde está a verdade”, conclui, como se possível fosse encontrá-la nos seus jornais, rádios e TVs. Ah, não se fazem verdades como antigamente, deve se lamentar.

Mas o melhor é o final, quando ele diz que “os jornais morrem de duas doenças: a politica e a idiossincrasia”.

“Jornais políticos perdem leitores e a credibilidade; os que têm idiossincrasias com pessoas e escolhem amigos para bajular também contraem o vírus da morte”, sentencia.

A família Sarney é dona de “O Estado do Maranhão“, o jornal que domina o mercado porque não faz politica nem tem idiossincrasias. Tem imparcialidade e credibilidade, do contrário não receberia tantas verbas publicitárias municipais, estaduais e federais.

Que ficcionista ! Que pensador ! Que visão crítica ! Que …

Nelson Mota/O Globo

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O microblog que começou como um despretensioso diário de adolescentes, hoje assume a posição de importante plataforma de negócios. O Twitter, assim como outras plataformas sociais, impressiona pelo poder ‘viral’ — multiplicação de informações de forma imediata, rápida e de alcance global — e pela ocupação de espaços antes cativos das mídias tradicionais.

O Brasil, com cerca de 10 milhões de contas,  já ocupa o 2º lugar entre os países com maior número de ‘twitteiros’. 36 mil twitts – mensagens – por minuto são postadas em todo o planeta por uma intricada rede de seguidores e seguidos.

Outro dado interessante é  que 5% dos usuários respondem por 75% dos twitts. A maioria dos que têm conta do Twitter, nunca, ou quase nunca, postam alguma coisa.

Gráficos: Revista Super Interessante


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Isabela Nardoni. O show não pode parar

Quando se pensava que o assunto estava encerrado, que o circo seria desarmado e o que restariam eram os comentários da torcida, eis que os advogados do casal Nardoni anunciam que pretendem tentar novo julgamento.

A pretensão tem base numa lei já alterada, segundo a qual os condenados a penas de vinte anos ou mais de prisão tinham automaticamente direito a novo júri.

A lei foi mudada em agosto de 2008, cinco meses depois do crime que vitimou a menina Isabella. Os advogados dos acusados sustentam que a nova lei, que acabou com o benefício do novo julgamento, não pode ser aplicada a um caso ocorrido anteriormente. Outros advogados e juristas afirmam que o que deve ser considerado é a data do julgamento, não a data do acontecimento a ser julgado.

De qualquer modo, o julgamento que polarizou as atenções dos brasileiros durante a última semana ainda não acabou. Os advogados de defesa já requereram a anulação da sentença logo depois de dado o veredicto, mas ainda precisam fundamentar esse pedido e têm dois dias para pedir um novo júri.

Convicções definidas

Alexandre Nardoni, pai de Isabella, foi condenado a 31 anos e um mês de prisão, que podem se reduzir a dez anos. Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina, foi condenada a 26 anos e oito meses.

Os jornais de segunda-feira (29/3) refletem a controvérsia doutrinária e já anunciam os futuros capítulos da novela em que se transformou o crime hediondo.

A defesa do casal Nardoni considera que o júri foi influenciado pelo chamado “clamor público” e vai alegar que o direito de defesa foi cerceado, na medida em que a polícia deixou de realizar algumas investigações pedidas pelos advogados.

O intenso noticiário dos últimos dois anos, principalmente a rapidez com que se consolidou na imprensa a versão de que o casal era culpado pela morte da menina, teria definido dois anos atrás as convicções dos jurados, alegam os advogados. Eles pretendem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal daqui a um ano, esperando que nesse período os jornalistas esqueçam o caso.

A imprensa, definitivamente, entrou em simbiose com o sistema judicial.

A influência da mídia

O caso da menina Isabella mostrou que, quando querem, os diários conseguem fazer coberturas intensas. Nos cinco dias em que a atenção do público foi capitalizada pelo julgamento, os jornais souberam complementar com detalhes interessantes a cobertura exageradamente emocionalizada das emissoras de rádio e televisão.

E, no final, pôde-se constatar que a cobertura dos jornais, no fim de semana, acaba sendo superior à oferecida pelas duas mais influentes revistas semanais de informação, que não conseguiram dar a seus leitores muito mais do que aquilo que estava disponível na imprensa diária.

Época conseguiu ser mais objetiva do que Veja e tem o mérito de colocar em discussão o papel da imprensa nos julgamentos de casos de grande notoriedade. Veja dá o tom do emocionalismo já na capa, ao afirmar que, com a condenação do casal Nardoni, Isabella pode “descansar em paz”. Ou seja, dá curso a mistificações sobre a vida depois da morte, como se todos os seus leitores fossem adeptos do espiritismo.

Época, ao contrário, procura se manter mais próxima dos fatos do que da interpretação. E oferece uma interessante contribuição aos debates sobre o efeito da mídia no caso Nardoni. No começo de 2008, repórteres da revista acompanharam durante 50 dias as investigações de oito crimes de morte acontecidos num mesmo fim de semana em São Paulo. Apenas um crime foi esclarecido – e em tempo recorde: 48 horas.

O caso tinha acontecido no interior da mansão do empresário Ricardo Mansur, ex-dono das lojas Mappin. Época também demonstrou que os casos sem repercussão na imprensa sequer são investigados. E relata o drama da faxineira Gonçala Rosa de Freitas, que foi condenada a dez anos de prisão, acusada de haver provocado a morte da filha de dois meses de idade. Há claros indícios de que ela foi vítima de investigações apressadas e negligentes por parte da polícia.

A conclusão da revista Época: as luzes da exposição pública afetam o trabalho da polícia e da Justiça e mexem com os ânimos da população.

Luciano Martins Costa/Observatório da Imprensa

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por Edson Vidigal

A não ser com as pessoas se comunicando livremente dizendo, umas às outras, o que pensam e refletindo em conjunto sobre o que sabem não é possível empreender avanços desses que volta e meia são indispensáveis para se mudar, e sempre para melhor, o rumo da história.

Vendo que não poderia ficar limitado à comunicação verbal, o homem inventou a escrita em símbolos marcados em pedras. A informação em meio estático, que não se movia, precisava da fala de cada um que a lia para transformar-se em mensagem adiante.

A caligrafia depois, permitindo a reprodução dos textos, ainda que em quantidade bem limitada, fez com que a informação se movesse, mas como só alcançava a poucos era um privilégio e assim também fonte de poder.

O conhecimento não podia, e àquelas alturas nem deveria, chegar a todos.

A religião se assenhoreou dos calígrafos e copistas e de sua produção. A Bíblia, por exemplo, só era acessível ao Papa e a alguns iluminados cardeais. A sua interpretação escorria nas bulas papais, que se diluíam em ordenamentos verbais indiscutíveis entre o restante na hierarquia do clero.

E era tudo em latim, o que já restringia bastante o acesso ao conhecimento.

O Século XVI registra o primeiro impacto da grande revolução, a partir da qual as pessoas se movem conquistando mais liberdades e descobrindo mais direitos, melhorando assim o mundo em que vivemos.

Quem não já ouviu falar em Martinho Lutero?

Mas poucos sabem sobre Leão X.

Lutero foi o clérigo que não entendendo algumas lógicas das bulas papais resolveu questioná-las, primeiro escrevendo à mão diretamente ao Vaticano, onde passou a não ser bem visto.

Lutero não desistiu nos questionamentos, ele não queria romper, estava apenas querendo entender algumas lógicas das bulas papais, mas os hierarcas continuaram o subestimando.

Leão X era o Papa, o Sumo Pontífice infalível, que não arredando de sua hermenêutica, não sabia que na Alemanha um ourives chamado Gutembergue acabara de inventar a imprensa, e que o primeiro livro saído de sua prensa foi exatamente a Bíblia.

MacLuhan diria que Gutemberg ao inventar a imprensa deu extensão ilimitada aos olhos e à fala da humanidade.

Claro que Lutero usou a nova invenção para dar maior alcance à difusão das suas ideias. Se não convenceu Leão X, mas atraiu para a sua lógica milhões e milhões de dissidentes do Vaticano.

O protestantismo, apesar das reações mais severas, ganhou corpo sendo considerado ainda hoje por muitos como um movimento moderno.

Sem a imprensa, a Reforma de Lutero não teria vencido.

Em termos numéricos não sei como Alvin Tofler classificaria essa onda.

Depois da imprensa, o código Morse, o telefone, o rádio, o cinema, a televisão, e agora a internet. Todos meios de comunicação, difundindo as mensagens, democratizando o conhecimento.

A produção e difusão da informação, enquanto privilegio de poucos, começa a se tornar acessível a muitos deixando, assim, de ser aquela inesgotável fonte de poder.

Manter um jornal em circulação ainda hoje não custa pouco dinheiro. Manter uma televisão funcionando custa muito dinheiro. Manter uma estação de radio no ar ainda custa algum dinheiro.

Tudo isso depende de patrocinadores, cada vez mais esses patrocínios são buscados no poder publico, e quando isso ocorre o resultado é uma aliança nefasta contra a verdade dos fatos, restando censura e manipulação política.

A sofisticação dos meios de comunicação e o encarecimento dos custos de produção, por conseqüência, tornaram ainda mais poderosos os donos dessas mídias na medida em que só eles conseguem manter suas engrenagens funcionando, em alianças, muitas delas espúrias, com o poder público.

O lucro que buscam é apenas o do capital político porque é com esse capital que, manipulando a verdade dos fatos, em redes de mentira única, apostando sempre na impunidade e no medo que impõem a muitos, seguram o poder estatal sem o qual não sobrevivem.

Em contraponto, começa agora a era da subversão dos blogs.

Blog, como explica Hugh Hewitt[1], é a contração da palavra inglesa weblog.

Log significa diário, aquele diário de bordo dos capitães dos navios ou dos comandantes dos aviões. Web é essa rede solta no espaço.

Lógico que nem todos os blogs têm emissões diárias, muitos ficam semanas no ar sem novidade alguma. Apesar da instantaneidade com que podem ser postados os textos, os blogs podem se distinguir quanto à periodicidade.

Há apenas 11 anos, portanto, em 1999, surgiu o primeiro blog. Calcula-se que mais de 5 milhões de blogs navegam hoje no cyber-espaço.

Hoje em dia qualquer um dentre nós para ser fotografo basta ter um celular e para ser editor de noticias ou de opinião basta ter um blog.

A tecnologia necessária para se manter um blog é grátis se comparado com a que os conglomerados de comunicação – jornais, rádio e TV precisam pagar.

No nosso caso, com 20 reais por ano podemos obter um domínio ponto com fora do Brasil, por exemplo, o que de algum modo resulta mais seguro. O resto, com qualquer note book você faz.

A amplificação dessa liberdade em guetos de atraso político e de pobrezas econômica e social, como no Estado onde vivemos, ainda depende muito da massificação das tecnologias de banda larga e de maior acesso popular ao computador.

Em parcerias com a iniciativa privada comprometida com o desenvolvimento, com envolvimento dos movimentos sociais e das entidades não governamentais será possível superar os obstáculos que ainda impedem que os blogs em sua função transformadora cheguem a qualquer hora à maioria das pessoas neste Estado.

Fora das nossas fronteiras já estamos sensibilizando simpatias e apoios à causa revolucionária, transformadora. A ferramenta eficaz nesse campo tem sido os blogs.

O blog é hoje a mídia que inspira maior confiança porque resulta da ação de pessoas que, bem intencionadas, não querem perder sua inocência, recusando-se à cumplicidade com os que conspurcam contra princípios morais e éticos, negando os fundamentos da República, impedindo os avanços da Democracia.

Nos blogs você confia. Pode discordar ou não, mas confia quando quer fazer um juízo de valor. O blogueiro é, por assim dizer, em regra, pessoa de pensamento independente.

(Tem as exceções, é verdade, naqueles que sendo empregados fazem de tudo, e ate se tornam craques em mentira, para não perderem o emprego.)

Mas no geral o blogueiro é um ser inocente, patriota, cidadão que, como a maioria do Povo, sonha por uma sociedade mais justa e progressista. Não usa disfarces e assume, corajosamente, em suas tendências.

Na língua portuguesa há a palavra – subversão, por conta da qual muita gente penou, inclusive eu, sob a ditadura militar ao ser tachado de subversivo.

Segundo o Dicionário Houaiss, subversivo é aquele que prega ou executa atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida.

O que nós pregamos e o que queremos?

Queremos derrubar pelos meios pacíficos disponíveis o anacronismo político que por décadas seguidas nos impõem o atraso social e econômico através de modelos arcaicos de administração.

Neste contexto, somos, sim, subversivos. Neste contexto, o blog é um indispensável instrumento à luta subversiva!

Vamos acelerar a subversão.

(Palestra no II Encontro dos Blogueiros do Maranhão, em Pinheiro, em 20.03.10).

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Imprensa, internet e blogs

A blogosfera e os jornais
Por Renato Mendes

Se há poucos anos ainda existiam dúvidas sobre a influência da blogosfera no jornalismo, nos dias atuais, além das dúvidas terem desaparecido, a simbiose que emerge da relação entre os blogues e os jornais é objeto de análise de diversos estudos. Com o surgimento do primeiro blogue nos EUA, em 1993 – quando a internet era ainda incipiente –, abriu-se uma janela sem precedentes para o início de um modelo coletivo de colaboração, baseado no feedback e na partilha de informações e notícias que revolucionaria o universo comunicacional.

Um ano após Justin Hall escrever em HTML (Hypertext Markup Language) o conteúdo do primeiro blogue, muito antes de surgirem as empresas especializadas em desenvolvimento de softwares para a criação de blogues, o então estudante do Swarthmore College recebe o primeiro visitante em sua página na internet. Tal fato é tão importante quanto a própria criação do blogue, pois algo inédito acontecia: a troca de informações entre duas pessoas pela internet a partir de um conteúdo gerado e publicado no mundo virtual.

A partilha na internet só foi possível graças à criação da tecnologia do hipertexto, por Tim Berners Lee, que mais tarde se transformou na WWW (World Wide Web). Através de um programa, ou o primeiro browser, Lee proporcionou aos não especialistas a possibilidade de publicar documentos como páginas da internet, dando início a um processo irreversível: emergia um novo modelo de interação entre pessoas e informações.

Conteúdo e comportamento dos blogs

O conceito Web 2.0, criado em 2004 por Tim O’Reilly, traduz-se no paradigma da internet como plataforma central de uma inteligência coletiva. O conceito é sustentado pelo desenvolvimento de aplicativos, que aproveitam os “efeitos de rede” para evoluírem. Esta evolução é proporcional à participação das pessoas nas redes. Como exemplo, temos os softwares open source, ou código aberto. Neste caso, a “inteligência coletiva” pode ser interpretada como meio, mas também como um fim, para a construção de uma plataforma do saber.

Sobre o conceito Web 2.0, alguns dizem que é uma buzzword, puro marketing. De qualquer maneira, diversas multinacionais que baseiam seus negócios na internet adotaram e amplificaram o conceito de Web 2.0, apoiadas pelos lucros alcançados através da experiência coletiva. Esta noção pode ser interpretada como uma tendência, ou então como uma nova versão da mesma ideologia do criador da WWW, que tem a internet como plataforma de partilha do conhecimento.

É necessário dizer que os blogues sejam talvez o elemento central desta plataforma para a inteligência coletiva, de partilha do conhecimento. O sítio Technorati, em sua série de relatórios – como, por exemplo, “O estado da Blogosfera em 2009″ – desenvolve desde 2004 estudos sobre os blogues, utilizando gráficos para perceber tendências na produção de conteúdo e comportamento dos bloggers – sob vários aspectos, além de entrevistar os maiores especialistas nesta área. Ciência está sendo produzida a partir do conteúdo que emana dos blogues.

Um novo gênero de jornalismo

A importância dos blogues na produção e transformação do conhecimento é inquestionável nos dias atuais e desperta cada vez mais interesse nas empresas de mídia, à medida que interfere na produção das notícias dos jornais. No blogue “Monday Note” escrito por Frédéric Filloux, editor internacional de um grupo de mídia norueguês, uma questão polêmica emerge na forma de uma pergunta em um dos posts: “Blogging, a new journalistic genre?” A reposta chega nas primeiras linhas, “um dos mais interessantes desenvolvimentos da internet (em 2009) será a evolução contínua dos blogues” e segue com a argumentação de que os blogues transformaram-se em um novo gênero jornalístico, “o qual poderá tornar-se o principal motor dos sítios de notícias”.

Segundo Filloux, muitos dos jornalistas que mantêm blogues referenciados – muitos endossados pela grande imprensa – fazem dos posts matérias jornalísticas mais interessantes, se comparadas aos seus trabalhos principais, nas redações dos jornais. De maneira a afirmar a importância dos bloggers no processo de construção da notícia, e ao mesmo tempo colocar este novo gênero de jornalismo em um patamar mais elevado, Filloux menciona os nomes de Floyd Norris, chefe do serviço financeiro do jornal The New York Times, e Paul Krugman, Prêmio Nobel de economia, como bloggers conhecidos e profissionais. O autor avança com a idéia de que os blogues devem ser elementos essenciais na estratégia editorial dos mídia.

A reflexão sobre do processo de apropriação das informações, que emerge da blogosfera, pelas redações dos jornais, torna-se mais rica sob a ótica do conceito de “mediamorfose”, de Roger Fidler: as novas formas de comunicar, ou os novos mídia, não surgem de maneira espontânea, mas sim através da transformação dos mídia que já existem. Este quadro de transformação não condena ao desaparecimento as velhas formas de comunicar, mas imprimem uma necessidade de adaptação. Em última análise é isso que Filloux defende em seu post sobre o surgimento de um novo gênero de jornalismo, muito apoiado pelo que acontece com os jornais norte-americanos.

Hiperligações e intertextualidade

No artigo de Carlos Castilho “Protagonismo dos blogs muda contexto da campanha eleitoral na mídia”, publicado no sítio Observatório da Imprensa, o autor chama a atenção para a internet como um novo ambiente político, “onde os participantes são ao mesmo tempo atores e público”. Castilho destaca um ambiente de polarização de opiniões políticas à medida que a data das eleições presidenciais no Brasil se aproximam. Os segmentos conservadores ocuparam o espaço mediático convencional, enquanto a internet será apropriada por setores mais liberais da política. O autor do artigo salienta o papel de protagonista que o blogger adquire quando expõe suas cores políticas na internet.

No sentido de reforçar o movimento espontâneo de apropriação de uma tecnologia emergente, os blogues, que beneficiou o universo informativo, temos um evento midiático de escala global que chocou a todos. O 11 de setembro marcou um momento de virada, de acordo com Dan Gillmor, quando a reportagem e a produção de notícias em escala massiva passou a ser feito pela audiência. O jornalismo-cidadão, ou participativo, ganhou grande expressão nas televisões e jornais de todo mundo, quando relatos pela internet, através de blogues, preenchiam o conteúdo informativo da grande mídia.

O que dizer, então, sobre os blogues, quanto se tem em conta a produção de notícias de forma amadora e despretensiosa? A popularização dos softwares para a criação dos blogues faz com que em menos de cinco minutos uma pessoa possa publicar qualquer conteúdo na internet. O emprego de técnicas jornalísticas para a criação de uma notícia é fator determinante para classificar se os conteúdos publicados nos blogues são ou não são conteúdos jornalísticos. De outra forma: o que determina ou descreve de melhor forma o jornalismo, não é o meio de dispersão da informação, mas sim, as técnicas empregues para a criação da notícia.

O que se observa em grande escala na blogosfera são blogues que apontam para outros blogues, jornais e conteúdo diverso e disperso pela rede. O uso exacerbado das hiperligações e da intertextualidade – um dos tipos de transtextualidade, que se observa nos blogues faz com que a reprodução de informações e notícias seja o principal efeito desta vaga de massificação do acesso aos blogues. O ineditismo e a relevância da informação – dois elementos que norteiam a produção da notícia, neste quadro de massificação, são marcas escassas da informação na blogosfera.

Imaginar transformações começa a ser possível

A inexorável interferência do conteúdo dos blogues no campo mediático está transformando as técnicas jornalísticas. Autores apontam o conteúdo informativo gerado a partir de blogues como um novo gênero jornalístico. A apropriação dos blogues pela grande mídia é de tal forma avançada que existem jornalistas dedicados à produção de conteúdo on-line, é comum os posts tornarem-se excertos de trabalhos jornalísticos convencionais ou até mesmo serem utilizados integralmente em trabalhos jornalísticos convencionais. Uma nova classe de jornalistas está em nascimento, aqueles que perderam suas posições nas redações – ou mesmo aqueles que nunca tiveram a experiência de uma redação e encontram na publicação on-line, através de blogs, o seu sustento.

Casos de repórteres terem conseguido financiamento de viagens profissionais para a cobertura jornalística começam a surgir. Surgem também notícias dos que conseguem pagar suas contas e seguir na carreira de jornalista graças às contribuições financeiras realizadas por suas audiências, em troca de conteúdo jornalístico on-line. Imaginar as transformações que os blogues imprimirão nas empresas de mídia começa a ser possível agora. O ganho de consciência por parte das sociedades sobre o poder da informação que circula na blogosfera determinará em grande parte a forma pela qual a revolução que está em curso transformará o campo jornalístico.

Fonte: Observatório da Imprensa

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