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Mia Couto – Versos na tarde – 12/12/2017 terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Beijo Mia Couto¹   Não quero o primeiro beijo: Basta-me O instante antes do beijo.   Quero-me Corpo ante abismo, Terra no rasgão do sismo.   O lábio ardendo Entre tremor e temor, O escurecer da luz No desaguar dos corpos: O amor Não tem depois.   Quero o vulcão Que na terra não toca: O beijo antes de ser boca.   ¹Antônio Emílio Leite Couto *Beira, Moçambique – 5 de Julho de 1955

Mia Couto – Literatura sexta-feira, 21 de abril de 2017

Mar Me Quer – Mia Couto Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”] – Levanta, ó dono das preguiças. É o mando de minha vizinha, a mulata Dona Luarmina. Eu respondo: -Preguiçoso? Eu ando é a embranquecer as palmas das mãos. -Conversa de malandro… – Sabe…

Mia Couto – Versos na tarde – 18/10/2016 terça-feira, 18 de outubro de 2016

Árvore Mia Couto¹ cego de ser raiz imóvel de me ascender caule múltiplo de ser folha aprendo a ser árvore enquanto iludo a morte na folha tombada do tempo ¹ Antônio Emílio Leite Couto *Beira, Moçambique – 5 de julho de 1955 [ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Mia Couto – Versos na tarde – 09/10/2016 domingo, 9 de outubro de 2016

Anseios Mia Couto¹ Só quero lembrar se o tempo for todo meu. Só anseio lembrança se não houver passado. Bruma e espuma, apagam o tempo em que não amei. E eu amei para ser tudo, todos, sempre. Para te visitar esquecerei a terra e apagarei as estrelas. E irei pelos teus olhos, até o mundo voltar a ter princípio. Sou eu, dirás, E o tempo será lembrado. ¹António Emílio Leite Couto * Beira, Moçambique – 5 de julho de 1955…

Mia Couto – Versos na Tarde – 26/03/2015 quinta-feira, 26 de março de 2015

Tradutor de Chuvas Mia Couto¹ Um lenço branco apaga o céu. A fala da asa vai traduzindo chuvas: não há adeus no idioma das aves. O mundo voa e apenas o poeta faz companhia ao chão. ¹ António Emílio Leite Couto * Beira, Portugal – 5 de Julho de 1955 d.C [ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Mia Couto – Versos na tarde – 04/11/2012 domingo, 4 de novembro de 2012

É vitalício Mia Couto ¹ É vitalício: comer a Vida deitando-a entontecida sobre o linho do idioma. Nesse leito transverso dispo-a com um só verso. Até chegar ao fim da voz. Até ser um corpo sem foz. ¹ Antônio Emílio Leite Couto * Beira, Portugal – 5 de Julho de 1955 d.C [ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

Mia Couto – Versos na tarde sábado, 30 de junho de 2012

A chuva pasmada Mia Couto ¹ Ante o frio, faz com o coração o contrário do que fazes com o corpo: despe-o. Quanto mais nu, mais ele encontrará o único agasalho possível: um outro coração. ¹ António Emílio Leite Couto * Beira, Portugal – 5 de Julho de 1955 d.C [ad#Retangulo – Anuncios – Duplo]

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