A Suécia, país que ocupa o 2º lugar no mundo em qualidade de vida e onde repensam muito bem cada coroa a ser gasta, mostra-nos como fazer acabamentos. Embora tenham dinheiro para esbanjar, não o fazem, poupam-no nos acabamentos. Vejam que magnífico resultado no metrô de Estocolmo.
E os túneis do metrô de São Paulo, pelos quais o propinoduto francês, transportou dinheiro para irrigar bolsos e comprar corações e mentes de tucanos de alta plumagem, vão, literalmente, desmoronando.
A jornalista Lucia Hippolito faz revelações, que se fossem da alçada dos petralhas, provavelmente já teriam sido capas das revistas semanais, ou comentários pseudo moralistas do amoral Arnaldo Jabor. Como a sujeira está em poleiros ilustres, não se ouve nem o furibundo Senador Arthur Virgílio, não se vê o histriônico Agripino Maia, e muito menos o patético Mão Santa subirem a tribuna do Senado para comentar o assunto.
Do blog da Lucia Hippolito
Este caso da Alstom ainda vai dar pano para manga. Reúne todos os ingredientes de um escândalo de grandes proporções.
A empresa francesa teria pagado quase US$ 7 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do metrô de São Paulo.
As investigações revelam também relações no mínimo perigosas com a Eletropaulo, quando ainda era uma empresa estatal.
Chefe da Casa Civil no governo Mário Covas foi à Copa do Mundo da França em 98 com tudo pago pela Alstom. (Bem feito! Assistiu de camarote àquele mico na final.)
Empresas offshore teriam sido usadas para que R$ 13,5 milhões fossem pagos como propina a políticos brasileiros, através de pagamento de consultorias forjadas.
Em resumo, grossa corrupção.
Em São Paulo, o Ministério Público Estadual decide investigar os contratos da Alstom com empresas do governo do estado, entre as quais a Eletropaulo (quando era estatal), Metrô, Sabesp, Cesp e CPTM.
Em vista disso, o que faz o Governador José Serra? Tenta desqualificar a denúncia, alegando que é tática eleitoreira do PT. O “kit PT”, segundo expressão do governador.
E se for? A denúncia é verdadeira ou falsa? Existe gente do governo Covas e do governo Alckmin envolvida? Isto é que é importante.
Quantas vezes uma denúncia meramente eleitoreira não acabou revelando fatos escabrosos – e verdadeiros?
É verdade que nenhum governo gosta de CPI. Se tem maioria na Assembléia ou na Câmara dos Deputados, o governo faz valer sua maioria para abafar CPIs ou para matá-las no nascedouro.
(Acabamos de assistir ao falecimento da CPI dos cartões corporativos no Congresso Nacional. O governo Lula fez valer sua maioria, e nada foi investigado.)
Rola na Assembléia Legislativa de São Paulo uma CPI para investigar a privatização da Eletropaulo, instalada antes de estourar o escândalo da Alstom. Naturalmente, a oposição tentou convocar os envolvidos no escândalo.
(Quando estourou o escândalo do dossiê com as despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique, a oposição também tentou convocar a ministra Dilma Roussef. É natural.)
A maioria, ligada ao governador Serra recusou ontem todos os requerimentos de convocação. Faz parte do jogo.
(Na CPI dos cartões, a maioria governista também recusou os requerimentos de convocação da ministra Dilma e de sua assessora Erenice Guerra para falar sobre o dossiê. Faz parte do jogo.)
Este escândalo da Alstom pode até ser escondido dentro do armário. Mas vai assombrar a campanha do ex-governador Alckmin, se ele insistir em ser candidato a prefeito em 2008.
Mas o governador José Serra se ilude, pensando que isto é assunto do governo Covas-Alckmin. Este esqueleto também vai sair do armário para assombrar a campanha do governador em 2010, seja para presidente da República, seja para se reeleger governador de São Paulo.
Como diz com muita precisão o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “safadeza não prescreve”.
Minha sábia avó já dizia: “todo mundo é bom mais à lua falta uma banda”. O dito mostra-se cada vez mais atual, bem como também o popular “nada melhor que um dia após o outro, ou o infalível “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”.
Todos esses, e mais alguns outros axiomas, vestem o figurino dos tucanalhas, que a exemplo dos petralhas, estão aí para o exercício da enganação. O que o PSDB quer que seja feito contra o PT não permite que seja feito quando o alvo é um emplumado partidário. O escândalo do suborno nos financiamentos do metrô de São Paulo, “buraco” corruptor que reside nos subterrâneos desde o governo de Mário Covas, até o do tucano Alckmin, permanece soterrado pela maioria do PSDB na Assembléia Legislativa da paulicéia desvairada.
Da coluna do Claudio Humberto
A base do governo de São Paulo rejeitou hoje os requerimentos apresentados pelo PT para tentar investigar o caso Alstom na Assembléia Legislativa.
Os governistas, que são maioria na CPI da Eletropaulo, rejeitaram sete requerimentos de uma só vez. Entre os requerimentos rejeitados estavam os que pediam a convocação do ex-presidente da Alstom José Luiz Alquéres, do presidente da Eletropaulo, Britaldo Soares, do ex-secretário estadual de Energia Andrea Matarazzo, do sucessor de Matarazzo, Mauro Arce, do ex-presidente da Eletropaulo Emmanuel Sobral e do presidente da Acqua Lux Engenharia, Sabino Idelicato.
A CPI também rejeitou um requerimento que pedia ao Ministério da Justiça informações sobre a investigação da Alstom que comprovariam a ligação da multinacional com a Eletropaulo. O comportamento do PSDB governista em São Paulo lembra muito a base governista federal…











