A polarização da disputa política nas eleições para presidente do Brasil permite que se vislumbrem dois cenários. Ambos perigosos para a oxigenação, tão essencial, à democracia. Em uma possível vitória de Dilma Rousseff, o PT irá mais e mais estabelecendo uma perigosa hegemonia, estendendo seus (dele) tentáculos com voraz apetite sobre o Estado brasileiro.
Temo, nesse caso, que não haverá mais uma oposição que possas expressar algum vigor. Há exemplo do que aconteceu no governo Lula, essa oposição trafegará entre a ira santa de meia dúzia de indignados e o tráfego de interesses acomodados em um disfarçado governismo aproveitador.
Caso o vencedor seja José Serra, já se sabe que tipo de iracunda, irracional e destrutiva oposição petista o tucano terá que enfrentar.
O Editor
Quando a oposição perde, apita: PRIiiiiii!
O perigo da mexicanização está na transformação do Nosso Guia em “El Jefe Máximo” do Lulato
QUANDO A OPOSIÇÃO brasileira é devastada pelo resultado eleitoral, alguém apita: “PRIiii!”. É um grito de advertência contra o perigo da instalação de um regime de partido único (de fato) no Brasil. Algo parecido com a coligação de políticos, burocratas, sindicalistas e cleptocratas que governou o México de 1926 a 2000, boa parte do tempo sob a sigla do Partido da Revolução Institucionalizada.
O apito de PRI costumava soar depois da eleição. Agora ele veio antes, com um inoportuno componente de derrotismo. Ele soou em 1970, quando a popularidade do general Médici e os camburões da polícia esmagaram o MDB. A oposição ficou com 87 das 310 cadeiras da Câmara, perdendo até o terço necessário para requerer uma CPI. O governo elegeu 42 senadores, perdendo apenas no Rio de Janeiro e na antiga Guanabara. Era o PRI.
Quatro anos depois, o MDB elegeu os senadores em 16 dos 22 estados. Não se falou mais em PRI.
Em 1986, cavalgando o Plano Cruzado, o PMDB de José Sarney elegeu 22 governadores, 36 senadores e a maioria dos deputados. Novamente: PRI! Três anos depois Fernando Collor de Mello elegeu-se presidente da República e, desde então, o apito calou-se, para voltar a ser ouvido agora.
Falar em PRI no Brasil quando o PSDB caminha para completar 20 anos consecutivos de poder em São Paulo é, no mínimo, uma trapaça. Sabendo-se que o PT conformou-se com uma posição subsidiária nas eleições para governadores, o espantalho torna-se risível.
É nessa hora que se deve olhar para o espantalho. Ele não é o que quer o tucanato abichornado, mas o paralelo histórico tem algo a informar. O PRI surgiu depois de uma revolução durante a qual mataram-se três presidentes e desterraram-se outros dois.
Seu criador não foi Emiliano Zapata, muitos menos Pancho Villa (ambos passados nas armas), mas um general amigo dos sindicatos e dos movimentos sociais. Chamava-se Plutarco Elias Calles, assumiu em 1924, saiu em 28 e governou até 1935 por meio de prepostos, fazendo-se chamar de “Jefe Máximo”. Esse período da história mexicana é conhecido como “Maximato”. A boa notícia para quem flerta com um Lulato é que Calles parece-se com Nosso Guia na política voltada para o andar de baixo e até mesmo fisionomicamente, sem barba.
A má notícia vai para a turma do mensalão. Um dia “El Jefe Máximo” teve uma ideia e decidiu entregar o poder ao companheiro de armas Lázaro Cárdenas. Encurtando a história, Cárdenas dobrou à esquerda, exilou meia dúzia de larápios do “Maximato”, inclusive um ex-presidente e, em 1936, despachou o próprio Calles, que ralou cinco anos de exílio.
O que está aí para todo mundo ver é o Lulato, com Nosso Guia pedindo votos para sua candidata e uma grande parte do eleitorado, consciente e satisfeita, dizendo que atenderá com muito gosto ao seu pedido. Um país com a sofisticação econômica do Brasil, com a qualidade da sua burocracia e com o vigor de suas instituições democráticas não cai nas mãos de um PRI qualquer.
Apitando-se, faz-se barulho, e só. O problema da oposição brasileira, com sua vertente demófoba, chama-se Lula, “El Jefe Máximo”, que o embaixador Celso Amorim chamou de Nosso Guia e Dilma Rousseff qualificou como o “grande mestre, ele nos ensinou o caminho”.
Elio Gaspari/O Globo


O embate futuro entre Lula, Aécio e Geraldo
Ouvir os especialistas desses institutos de pesquisas é um exercício que trafega entre o cômico, o cínico e o trágico. Se o “achismo” é o esporte preferido dos “zilhões” de analistas, sociólogos, cientistas políticos e economistas, que pululam nos programas televisivos, quando oriundo dos chefões das pesquisas é puro oportunismo. Uma hora, os tucanos, quando tinham 15% de vantagem, validavam as pesquisas. Agora, as desqualificam. A turma da dona Dilma, à moda FHC, está sentando na cadeira presidencial antes da hora. O senhor do Ibope, que já errou antes, agora parece querer “tirar o braço da seringa” e ficar bem na foto. Mais uma vez os ingênuos e incautos Tupiniquins estão cara a cara com um estelionato estatístico.

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Os Tupiniquins, na maioria, são cinicamente enrolados pelo discurso grafado em “enrolation” cretino, mantra predileto dos membros da “nomenkatura”, embasados no tripé Direito, Política e Economia. A população, completamente alheia ao tema, confuso e complexo, fica refém dos inúmeros “especialistas, e “analistas” que pululam na mídia, servos dos interesses de economistas chapas-brancas e políticos profissionais. O jornalista Hélio Fernandes, com precisão cirúrgica, vai direto ao ponto!
Apesar da origem humilde — trabalhou como feirante ajudando o pai no mercado de S. Paulo — José Serra sempre teve sua (dele) imagem associada à elite mais soberba do paulistério desvairado. Agora a propaganda tenta convencer que Zé — sim, os marqueteiros tentam empurrar de goela abaixo do eleitor que Serra é um simplório Zé —, é o cara.
