Inútil correr

O PSDB envereda pelo caminho de desqualificar Dilma Rousseff. Se persistir nele, é certo que quebrará a cara. Todos os principais candidatos a presidente são políticos qualificados. Têm experiências políticas e administrativas distintas, e só. Ninguém chega a uma candidatura presidencial por um grande partido, ou um grande movimento (caso de Marina Silva), sem antes passar por testes duríssimos.

Outro mito espalhado na praça é que Dilma foi imposta goela abaixo ao PT por Luiz Inácio Lula da Silva. É só uma parte da verdade. A explicação inteira deve incluir que o PT gosta de Dilma, por duas razões básicas: o partido a vê à esquerda de Lula e acredita que terá sobre ela uma ascendência maior do que tem hoje sobre ele.

Essa segunda hipótese precisará ser comprovada na prática, caso a ministra da Casa Civil vença a eleição. De todo jeito, PT e aliados estão confortáveis com Dilma na corrida presidencial. Não estariam se a vissem como alguém frágil, sem personalidade.

E uma última observação. Dilma já mostrou que se sai bem em situações marcadas por alta taxa de agressividade na disputa. Foi assim, por exemplo, no confronto verbal com o senador José Agripino (DEM-RN), quando teve que ir ao Congresso falar sobre o dossiê.

A oposição dá a impressão de tergiversar para fugir do debate programático. É inútil, porque alguma hora ela terá que dizer o que vai fazer se chegar ao governo do Brasil.

blog do Alon

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Lula, Dilma e a eleição de um poste

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Continua, como dizem os cronistas esportivos, o denodado esforço dos políticos tucanos para se igualarem aos inacreditáveis petista. Cada vez mais, dia após dia, os dois partidos se mostram mais siameses.

Lula, Aécio, Serra, PSDB, PT… Tenho dito aqui neste espaço que petistas e tucanos só se diferenciam pelo método, sendo siameses no agir.

Espanta a cara de pau de iracundos tucanos em apontar o dedão acusador em direção às mazelas dos outros, enquanto silenciam, corporativa e amoralmente, quando a sujeira das emplumadas penas aparecem.

Pois é. Nada como um dia atrás do outro! E do outro também!

O Editor


Aécio imita Lula e já inaugura até pedra fundamental

O governador tucano de Minas, Aécio Neves, adotou uma prática que, sob Lula, a oposição especializou-se em criticar: a “inauguração” de pedras fundamentais.

Aécio mimetizou Lula no município mineiro de Divinópolis. “Inaugurou” ali a pedra fundamental de um hospital público.

O hospital vai custar R$ 36 milhões às arcas estaduais. Aécio liberou R$ 8,9 milhões desse total.

A a obra é coisa por fazer. Só será concluída na próxima gestão. Mas Aécio, em franca campanha, cuidou de contabilizar antecipadamente o feito:

“O Hospital Regional, uma demanda, uma necessidade, uma carência quase que histórica dessa cidade, começa agora a ser implementado”.

Nas palavras do governador, as futuras instalações chegaram mesmo a ganhar forma:

“Um hospital todo equipado é o que pretendemos oferecer à população de Divinópolis”.

Candidato declarado ao Senado, Aécio levava a tiracolo o vice-governador Antonio Anastasia.

Vem a ser uma espécie de Dilma Rousseff de calças. Um tucano que Aécio tenta eleger seu sucessor.

Ainda em Divinópolis, Aécio e Anastasia “entregaram” um aeroporto. Foi reformado, ao custo de R$ 11 milhões.

Para Aécio, tratou-se de uma “inauguração”. De acordo com o texto levado ao portal do governo mineiro, realizou-se uma “reinauguração“.

Governador e vice deixaram em Divinópolis um rastro de verbas: R$ 6 milhões para pavimentação de vias públicas…

…R$ 840 mil para a construção de um par de postos de saúde, R$ 730 mil para a um terminal de passageiros do aeroporto local.

Antes de retornar a Belo Horizonte, Aécio concedeu uma entrevista.

Perguntaram-lhe sobre a articulação de prefeitos mineiros em favor do voto “Dilmasia” –Dilma para presidente e Anastasia para governador.

E ele: “Acho uma bobagem. Acho que aqueles que estiveram conosco, vão estar empenhados também na eleição do nosso partido, na eleição do governador José Serra…”

“…Esse é o nosso compromisso e vou trabalhar no limite das minhas forças para que ele tenha um ótimo resultado em Minas Gerais”.

blog Josias de Souza

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Suplicy repudia posicionamento de Lula sobre Cuba

Raul Jungmann protocola no Planalto a carta dos ‘dissidentes’

Em discurso feito na tribuna do Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou de Lula posições mais firmes e coerentes sobre a falta de demcocracia em Cuba.

Para Suplicy, o “respeito” que Lula devota aos irmãos Raúl e Fidel Castro não deveria impedi-lo de lembrar aos amigos cubanos alguns valores básicos.

Por exemplo: a necessidade de observar os direitos humanos e a conveniência de valorizar as liberdades democráticas, sobretudo a liberdade de expressão.

O senador petista lembrou que, em 1998, numa visita que fez a Cuba, o então papa João Paulo Segundo não se furtara a mencionar o essencial.

Segundo Suplicy, o papa defendera o fim do embargo dos EUA à ilha. Mas também mencionara que Cuba deveria render-se à liberdade e ao pluralismo político.

Em entrevista concedida à Associated Press, Lula comparou os presos políticos de Cuba aos criminosos comuns de São Paulo. E condenou a greve de fome.

Em seu discurso, Suplicy cuidou de recordar ao presidente que há enorme diferença entre os presos de consciência de Cuba e os bandidos paulistas. Acrescentou:

“Gostaria que Lula se recordasse de algumas das pessoas da história que fizeram greve de fome para alcançar um objetivo importante na história dos povos”.

Suplicy mencionou o líder indiano Mahatma Gandhi. Citou também o ícone sul-africano Nelson Mandela.

Também nesta quarta (10), o deputado Raul Jungmann protocolou no Planalto a carta que Lula negara ter recebido na visita que fizera a Cuba, em 23 de fevereiro.

No texto, os opositores do regime de Havana pedem a Lula que interceda junto aos irmãos castro em favor da liberação dos presos políticos de Cuba.

Lula queixara-se de que os autores da carta deram-na por entregue sem ao menos tê-la protocolado. Agora, já não pode alegar a ausência de protocolo.

A exemplo de Suplicy, Jungmann também refutou os últimos comentários do presidente: “Lula e a ministra Dilma [Rousseff] foram presos políticos…”

“…Por isso mesmo o presidente não poderia nivelar prisioneiros de consciência com sequestradores, assassinos e estupradores, que são pessoas que cometeram crimes…”

“…Isso não tem o menor cabimento. Os prisioneiros de Cuba estão na cadeia porque lutam pela democracia e pela liberdade”.

Mais cedo, Jungmann tentará aprovar na comissão de Relações Exteriores da Câmara uma moção lamentando a morte de Orlando Zapata Tamayo.

Preso em Cuba, Tamayo fenecera horas antes da chegada de Lula a Cuba, depois de 85 dias de uma infrutífera greve de fome.

Representantes do consórcio governistas manobraram para impedir que a moção fosse aprovada.

“É lamentável que a base do governo se recuse a enxergar o flagrante desrespeito aos direitos humanos em Cuba”, disse Jungmann.

De resto, as derradeiras declarações de Lula ecoaram também em Cuba. Mereceram comentários do jornalista e sociólogo Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias.

Fariñas disse que Lula é “cúmplice da tirania dos Castro“. Mais: afirmou que Lula esqueceu o próprio passado.

blog do Josias de Souza

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Eleições 2010 – Ciro é o ‘calo’ de Lula

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Brasil: da série “Me engana que eu gosto”!

É isso aí. Se a mãe do p@aclanque pode aparecer até em campeonato de cuspe à distância, porque o que os paulistas já apelidaram de “Zé Alagão” também não pode mentir e fraudar a lei eleitoral? PSDB e PT, em seus expoentes e na militância, são siameses na mentira e “experts” em apontar o de do de pseudo-vestais para os pecados dos outros.

Argh!

O Editor


Serra já ‘inaugura’ até maquete de obra não-licitada

Milton Michida/Divulgação

O governador de São Paulo, José Serra, suposto candidato do PSDB à sucessão de Lula, protagonizou uma cena inusitada.

Como que decidido a rivalizar com Dilma Rousseff em visibilidade, Serra abalou-se da capital para o litoral Sul do Estado.

O governador “inaugurou”, veja você, a maquete de uma ponte. E nem ficou vermelho. Uma tenda protegeu-o do Sol.

Não, você não leu errado. É isso mesmo. Serra visitou o local onde será erigida uma obra que ainda nem foi licitada.

Quando estiver pronta, na gestão do sucessor de Serra, a ponte vai ligar as cidades de Santos e Guarujá. Hoje, o trajeto é feito de balsa.

Flertando com o ridículo, Serra discorreu sobre a obra que, depois de licitada, consumirá 30 meses e R$ 700 milhões da próxima gestão:

“Com esta ponte (?!?!?!) nós vamos quebrar um gargalo que é muito importante aqui na região da Baixada Santista…”

“…Além disso, a ponte terá até um papel paisagístico [...]. Nós vamos dar mais segurança para as pessoas e para os navios e mais rapidez, coisas fundamentais”.

Depois dessa pantomima, eliminaram-se as dúvidas quanto à candidatura presidencial de Serra. Só um candidato é capaz de render-se assim ao burlesco.

Em Minas, também rendido à fúria inauguratória desta quadra eleitoral, o governador tucano Aécio Neves entregou um hospital à população de Uberlândia.

Coisa pronta, à vista de todos, não uma maquete por licitar. Para satisfação de Aécio, um repórter amistoso levantou a bola na frente dele.

Pediu que falasse sobre o programa oficial de distribuição de geladeiras a mineiros pobres. Aécio não desperdiçou a oportunidade do chute:

“Estamos permitindo que mais de 300 mil famílias de Minas, de mais baixa renda, possam trocar os seus equipamentos domésticos ociosos ou ultrapassados como uma geladeira ou um chuveiro elétrico por novos, sem custo absolutamente nenhum”.

Falou para a platéia local: “Apenas em Uberlândia serão 7.700 famílias atendidas”. Didático, explicou que o cidadão entrega a geladeira velha e recebe uma “geladeira zero quilômetro”. Repisou: “Sem qualquer custo”.

Mimetizando Lula, Aécio cuidou de acomodar a bola no colo de Antonio Anastasia, o tucano que, em Minas, vai às urnas como uma espécie de Dilma Rousseff de calças.

Aécio explicou que, depois que ele se for, o bolsa geladeira “será ampliado pelo vice-governador Antonio Anastasia”, o nome que escolheu para sucedê-lo.

Trafegando na fronteira da legislação eleitoral, Aécio disse que, ao programar investimentos, sua gestão não está senão “planejando o futuro”.

“E a garantia da continuidade desses investimentos é a garantia que [...], no que depender de mim, por muito tempo ainda, vamos ter Antonio Anastasia à frente do governo”.

Perguntou-se a Aécio se não acha que Serra perde terreno ao protelar a retirada de sua candidatura presidencial do armário.

E Aécio: “Não acredito. Não tenho essa aflição [...]. A campanha está longe ainda de ter o seu ápice. A campanha está longe ainda do debate”.

Reafirmou que se considera fora do páreo nacional. “O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo”.

Curiosamente, terminou a entrevista expressando-se no condicional. Disse que se volta para Minas, “provavelmente como candidato ao Senado”.

E, desde Minas, “vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra”.

Provavelmente? “Cabe a ele anunciar, no momento que achar mais adequado”, Aécio encerrou.

O tucanato já entregou os pontos. Engoliu o calendário de Serra. Anúncio de candidatura, disse Sérgio Guerra, o presidente da legenda, só no final do mês.

Até lá, Serra planeja desfilar sua não-candidatura em muitas cerimônias de inauguração. Torça-se para que a lista de obras não inclua mais nenhuma maquete.

blog Josias de Souza

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Brasil: da série “O tamanho do buraco!”

Olhem aí, Tupiniquins, o ralo por onde escoa o seu, o meu, o nosso sofrido “caraminguá”!

O Editor


Governo vai torrar R$ 1 mi em ‘Datamulher’ eleitoral

Inebriado com Lula, um presidente superpopular, o brasileiro espanta-se cada vez menos com o governo. É, hoje, um sujeito de pouquíssimos espantos.

Se o governo esfregar na cara do brasileiro um absurdo, ele não fará a concessão de uma surpresa. É absurdo? Pois que seja, e com o meu dinheiro.

Aproveitando-se do sumiço do ponto de exclamação, a ministra petê Nilcéa Freire (Secretaria das Mulheres) decidiu exagerar.

Num par de notas, a coluna ‘Painel’ revela, na Folha, a penúltima da ministra. Leia:

- De mulher pra mulher: A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, subordinada diretamente à Presidência da República e chefiada pela petista Nilcéa Freire, fará licitação de R$ 1 milhão para contratar instituto ou fundação que realize pesquisas durante a campanha eleitoral.

Segundo o edital, trata-se de acompanhar os movimentos do eleitorado feminino. Além de pesquisas, o pacote inclui análise de materiais de campanha (‘inclusive sites e blogs dos candidatos’).

A secretaria diz ter decidido bancar as pesquisas por se tratar de um ‘processo eleitoral único, no qual há candidatas mulheres com boa margem de intenção de voto’ -em especial a do governo, Dilma Rousseff.

- Ferramenta: O edital prevê ainda que o instituto monitore o comportamento da mídia durante a campanha e analise debates entre os candidatos.

O signatário do blog se compadece do brasileiro, esse povo sem horror.

Com seus ‘oo’ de espanto, seus ‘rr’ guturais, seu hirto ‘h’, horrou nunca foi um vocábulo tão necessário. Ai daquele que vive sem horror.

blog do Josias de Souza

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Espicaçado pelos adversários e escondido pelos aliados, Fernando Henrique Cardoso tornou-se um franco-atirador político.

Há um mês, no primeiro domingo de fevereiro, FHC levara aos jornais um artigo em que, advogado de si mesmo, defendera sua gestão.

Aceitara, de resto, o repto plebiscitário de Lula: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.

Neste primeiro domingo (7) de março, em novo artigo, FHC tenta prover à oposição um esboço de “programa”. Agora, olha pra frente. Fala de “futuro”.

“A hora é agora”, anota FHC no título do artigo.” Hora de avançar a partir do que conseguimos nestes 25 anos de democracia e de buscar um futuro [...]”.

Vai abaixo um resumo da plataforma esboçada no texto do ex-presidente tucano:

1. Pilares Economia: “Controle da inflação, pelo sistema de metas, câmbio flutuante, lei de responsabilidade fiscal, autonomia das agências regulatórias, são pilares que podem se ajustar às conjunturas, mas não devem ser renegados, e não podem estar sujeitos a intervenções político-partidárias e interesses de facção”.

2. Gastos públicos e comércio exterior: “O novo governo terá de cuidar de controlar os gastos correntes e de conter a deterioração da balança de pagamentos (sem fechar a economia ou inventar mágicas para aumentar artificialmente a competitividade de nossos produtos)”.

3. Tamanho do Estado: “Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas ou vice-versa…”.

“…Ninguém propõe um ‘Estado mínimo’, nem muito menos o PSDB. Outra coisa é inchar o Estado, com nomeações a granel, e utilizar as empresas públicas para servir a interesses privados ou partidários”.

4. Estatal X privado: “A verdadeira ameaça ao desenvolvimento sadio não é privatizar mais, tampouco o PSDB defende isto. Empresas estatais se justificam em áreas para as quais haja desinteresse do capital privado ou necessidade de contrapeso público. Não devem acobertar ganhos políticos escusos nem aumentar o controle partidário sobre a economia”.

5. Salário mínimo e política Social: “A política continuada de aumento real do salário mínimo a partir de 1994, a extensão de programas sociais a camadas excluídas e a difusão de mecanismos de transferência direta de renda (as bolsas), melhoraram as condições de vida e ampliaram o mercado interno. Tudo isso precisa ser mantido. Caberá ao novo governo reduzir os desperdícios e oferecer serviços de melhor qualidade, melhor avaliados e com menor clientelismo”.

6. Gastos sociais X carga tributária: “Não se pode elidir uma questão difícil: a expansão dos impostos sustentou os programas sociais. Atingiu-se um limite que, se ultrapassado, prejudicará o crescimento econômico. É ilusão pensar que um país possa crescer indefinidamente puxado pelo gasto público financiado por uma carga tributária cada vez maior e pelo consumo privado. Falta investimento, sobretudo em infraestrutura, e falta poupança doméstica, principalmente pública, para financiá-lo”.

7. Reforma tributária: “Maior poupança pública não virá de maior tributação. Ao contrário, é preciso começar a reduzir a carga tributária, sobretudo os impostos que recaem sobre a folha de pagamentos, para gerar mais empregos. Para investir mais, tributar menos e dispor de melhor oferta de serviços sociais, não há alternativa senão conter o mau crescimento do gasto”.

8. Juros: A redução de tributos e a melhoria do gasto público “permitirá a redução das taxas de juros e o aumento da poupança pública, como condição para aumentar a taxa de investimento na economia. Sem isso, cedo ou tarde, se recolocarão os impasses no balanço de pagamentos, com a deterioração já perceptível das contas em transações correntes, e na dívida pública, que em termos brutos já ultrapassa 70% do PIB”.

9. Corrupção: “Os escândalos de corrupção continuam desde o mensalão do PT [Nesse ponto, FHC esquece convenientemente de mencionar o tucanoduto mineiro, precursor das valerianas petistas]. Há responsabilidades pessoais e políticas a serem cobradas e condenadas” [inclusive as do grão-tucano Eduardo Azeredo, diga-se].

10. Reforma política: “O sistema eleitoral e partidário está visivelmente desmoralizado. Uma reforma nesta área se impõe. Ela se fará mais facilmente no início do próximo governo e se houver um mínimo de convergência entre as grandes correntes políticas. O PSDB deve liderar esse debate na busca de consenso”.

11. Segurança: “Há avanços no plano federal e em vários Estados. A expansão da criminalidade advém do crime organizado e do uso das drogas. O dia a dia das pessoas é de medo. As famílias e as pessoas precisam de nossa coragem para propor modos mais eficientes de enfrentar o tema. A despeito da melhoria do sistema jurisdicional e prisional, estamos longe de oferecer segurança jurídica às empresas e, o que mais conta, às pessoas”.

12. Energia: “Olhando o futuro, falta estratégia e sobram dúvidas: o que faremos no campo da energia? Onde foi parar o programa do biodiesel? Que faremos com os êxitos que nossos agricultores e técnicos conseguiram com o etanol? Que políticas adotar para torná-lo comercializável globalmente?”

13. Petróleo: “A discussão sobre as jazidas de petróleo se restringirá à partilha de lucros futuros ou cuidaremos do essencial: a base institucional para lidar com o pré-sal, a busca de tecnologias adequadas e de uma política equilibrada de exploração?”

14. Educação: “E a ‘revolução educacional’, que, com as honrosas exceções em um ou outro Estado, é apenas objeto de reverência, mas não de ação concreta?

15. O Brasil no mundo: “Que papel desempenharemos no mundo, o de uma subpotência bélica ou a de um país portador de uma cultura de convivência entre as diferentes raças e culturas, com tolerância e paz, embora cioso de sua segurança?”

Em meio às certezas e às dúvidas que levanta, FHC vai se firmando como única voz da oposição capaz de enunciar ideias.

Num instante em que Lula sapateia sobre o passado e Dilma avança sem um rival que lhe faça o contraponto, FHC, o rejeitado, se esforça para qualificar o debate.

- Serviço: O artigo de FHC foi às páginas de vários jornais. Pressionando aqui, você chega à íntegra, veiculada pelo gaúcho ‘Zero Hora’.

blog Josias de Souza

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Com um nome conhecido desde 63, oposição ainda vacila em lançar logo a candidatura

Roberto Romano¹/O Estado de S.Paulo

Nossa cultura se caracteriza pela aceleração do tempo e o controle do espaço. Desde a invenção da imprensa a economia, a ciência e a técnica seguem o ritmo rápido de ação e planejamento. Cidadãos e líderes buscam dominar o relógio para atingir o poder e mantê-lo. Não só Benjamin Franklin enunciou tal realidade, vital na política. As lições sobre o tema foram formuladas pelos gregos, pioneiros das eleições na história, com a teoria do kayrós, o tempo oportuno. Se um peixe desliza pelo rio e eu o desejo, devo preparar a lança para apanhá-lo no átimo certo. Um segundo antes, ou depois, perdi o almoço. O mesmo, diz a mesma sabedoria, ocorre nas eleições. Maquiavel, “homem prudentíssimo” (no juízo de Spinoza) fornece provas desse imperativo. Se alguém deseja vencer, precisa dominar o calendário.

Nas eleições, a hegemonia exige máquinas partidárias unidas. A demora na reunião de recursos físicos e humanos anuncia desastres. Os concorrentes, se movidos pela prudência, unificam os batalhões antes da luta. Se existe disciplina coesa, o número dos aderentes aumenta. Caso contrário, eles debandam. A política, diz Botero, teórico da razão de Estado (1589), é arte de ampliar a reputação. Luta pelo candidato quem o imagina vencedor, o abandona quem teme sua derrota. Simultaneamente, vêm a estratégia e as táticas de campanha, em cenários realistas. Assim se garante força de ataque e defesa contra os concorrentes. Mas nenhuma estratégia ideal substitui a coesão da campanha.

O domínio do tempo afiança o controle do espaço. Para vencer, um partido ou coalizão precisam dominar o todo territorial e a maioria de suas partes. Não basta ter o apoio de algumas regiões: urge abranger a maioria das cidades, nelas garantir comitês de apoio. Também importa fazer com que o elo entre lideranças e bases seja o mais rápido e fluente possível. A maioria dos apoiadores deve encampar todas as batalhas, não a deste ou daquele setor dirigente. O excesso de caciques pode afugentar tribos inteiras. Se alguns caciques desejarem tudo para si, sem partilhar as oportunidades de atingir o poder, todos perdem.

A candidatura de Dilma Rousseff goza de imunidades excepcionais (inclusive no TSE) para fazer sua campanha. Ela possui recursos humanos e financeiros numerosos e conta com uma eficaz assessoria de marketing. A dupla Duda Mendonça e João Santana ostenta vistoso currículo, quando se trata de fazer o eleitorado aceitar fantasias e promessas. Há mais de um ano a postulante ao Planalto faz comícios pelo Brasil, seguindo os passos do presidente. Suas aparições (e desaparecimentos, quando convocada a prestar contas no Congresso) são regidas pela batuta de Santana. Sua estratégia política está armada desde longa data, incluindo alianças que lhe permitem chegar aos rincões do País. No controle espacial o PMDB tem relevância. A militância, ressabiada desde o mensalão, retorna às ruas com ímpeto, dada a esperança do programa que ruma para a esquerda.

A oposição esbanja tempo, não o controla. E seu espaço encolhe na mesma ordem. Com um nome conhecido desde 1963 em todos os recantos do Brasil, ela chega tarde ao lançamento da candidatura. Não existe, em termos públicos, estratégia de campanha, com um agravante: Dilma conta com o PMDB nacional e a oposição tem promessas de apoio do PMDB paulista. Falta unidade de comando, os dirigentes tucanos e democratas não chegam ao consenso. Líderes como Aécio Neves, essenciais em qualquer hipótese, até hoje estranharam José Serra e seus aliados. Desconfiança idêntica ocorreu no sentido Serra-Aécio. Com a indecisão de nomes e programas, vem o vazio no imaginário do eleitorado. Os oposicionistas perdem a reputação de vitoriosos, o que prejudica a máquina publicitária, da qual não se tem notícia sequer dos operadores. Cronologia e território fogem das mãos oposicionistas. O escândalo de Brasília veio no minuto certo para ser aproveitado pelo marketing da campanha governamental.

Nada, no tempo e no espaço, é irreversível. A política também se define como arte de vencer limitações, surpreendendo o adversário. E tucanos sabem fazer política, quando querem e podem.

Mas não é a primeira vez que eles ameaçam jogar uma vitória pela janela, devido aos seus desentendimentos. Basta recordar a primeira eleição de Luiz Inácio da Silva: as quebras no comando do PSDB repercutiram imediatamente nos eleitores.

Coisa pior veio com a candidatura Alckmin. Ele foi hipnotizado pela retórica publicitária adversa, como nas acusações de privatismo. O candidato colocou Lula em apuros, mas o boné da Petrobras na sua cabeça mostrou falta de poder no ataque, por ausência de uma agressiva estratégia e coesão partidária.

Os Bourbons, na França, eram conhecidos por nunca esquecer ou perdoar, pois jamais aprendiam. Seriam os oposicionistas do Brasil os seus herdeiros ?

¹ Filósofo, professor de ética e filosofia na Unicamp. Autor, entre outros livros, de O Caldeirão de Medeia

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Um Toque Trágico
Theófilo Silva ¹

Os governos costumam flertar com a insensatez de tempos em tempos. A insensatez ocorre como ondas, e algumas delas não são perceptíveis pela maioria dos observadores ou mesmo por uma ínfima parte deles. Somente alguns privilegiados, com um finíssimo poder de observação, conseguem detectar ameaças invisíveis.

Poderíamos citar três exemplos entre homens de estado com essa capacidade. Um deles foi Winston Churchill, que, no ostracismo em que se encontrava nos anos trinta, foi capaz de enxergar o perigo que Hitler representava para o mundo e não parou de bradar isso para os ouvidos moucos de seus contemporâneos. Quando lhe deram crédito, já era tarde, o mal já estava feito e a humanidade viveu o momento mais doloroso de toda a sua história. Ainda que esse mal tenha sido destruído depois.

Outro foi John Maynard Keynes, o economista de dois metros de altura. Entre as muitas sacadas de Lord Keynes, a mais objetiva talvez tenha sido o seu completo repúdio ao Tratado de Versalhes, que punia violentamente a cruel Alemanha derrotada em sua arrogância na Primeira Grande Guerra. O então jovem, Keynes pediu demissão de seu cargo no governo inglês afirmando, que “o Tratado irá gerar mais ódio e guerra, pois quebra a cadeia econômica europeia”. Poucos o apoiaram. O resultado é conhecido. Vinte anos depois tivemos uma guerra ainda mais violenta.

O terceiro personagem é George Kennan, um diplomata americano sediado em Moscou que por meio de um longo telegrama em 1946 advertia os EUA e o mundo sobre o perigo do expansionismo soviético, denunciando o que seria a Guerra Fria.

Na peça Júlio César, de Shakespeare, Casca, um dos assassinos do ditador romano, cunha uma frase que é usada por todos nós, mas que poucos sabem que é do Bardo. Quando Brutus lhe pergunta sobre o que Cícero disse de César, ele responde: “falou, mas o que ele disse, é grego para mim”.

Parece que o ocidente está falando grego para o governo brasileiro no que diz respeito às relações com o Irã e ao apoio ao seu programa nuclear. Lula está na contramão dos visionários que tudo enxergavam, já que nessa questão em que todos veem o perigo, ele não enxerga nada. Sem falarmos da ameaça do coronel Chávez, o novo palhaço latino americano. Lula está brincando com ditadores, quem brinca com ditadores flerta com a tragédia. O grande César foi assassinado por tornar-se ditador. Mesmo que seja um jogo de barganha com os americanos, é uma diplomacia condenável apoiar ditaduras.

Brincar demais com o perigo leva ao que ocorre com a casa Legislativa de Brasília, conhecida internacionalmente como Casa do Espanto, tal o nível de imoralidade que esse poder chegou. Ameaçados de uma intervenção federal, ainda insistem em conchavos mentindo para o judiciário e a sociedade. Agora, correm o riso de fechar.

O Brasil escolheu “a marcha da insensatez”, de que falava a historiadora Bárbara Tuchman. Ainda bem que nossa importância em questões mundiais é pouco acima de zero. Shakespeare apontava a existência do toque trágico para desencadear uma calamidade. A questão iraniana é trágica para a humanidade. Temos que impedi-la!

¹ Theófilo Silva é autor do livro, A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador da Rádio do Moreno.

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A dar crédito à oposição, o empresário Abílio Diniz faz parte do grupo de 82% dos brasileiros imbecis que se deixaram enganar pelo Lula. O que pode nos salvar são os 18% de gênios esclarecidos que não caíram na ‘cantada’ do apedeuta do agreste.

O Editor


Só açúcar para Dilma e Lula

Dono da maior rede varejista do país, Abílio Diniz declara apoio à candidata do PT

O empresário Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, maior rede varejista do país, se declarou ontem um verdadeiro cabo eleitoral da pré-candidata do PT à Presidência da República, a ministra Dilma Rousseff. Na apresentação do novo presidente da empresa, Enéas Pestana, Diniz defendeu Dilma e disse que ela tem “todas as condições” de levar adiante o “legado” que será deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— É o legado do crescimento, da geração do emprego e da distribuição de renda.

Este é o legado que ele (Lula) deixa. Tenho uma profunda admiração por este homem — disse Diniz, negando que os elogios sejam uma declaração de voto na ministra.

Diniz é o primeiro grande empresário a dar uma declaração de apoio à candidata do PT. Em 89, durante o período eleitoral, Diniz foi sequestrado e, às vésperas das eleições em que o ex-presidente Collor disputava a Presidência contra Lula, a polícia prendeu os sequestradores ligados a movimentos de esquerda da América Latina e encontrou nomes de petistas em agendas dos criminosos, o que levou a polícia a vincular o caso a petistas e a apresentar os sequestradores com camisetas da campanha do PT. Isso prejudicou a campanha de Lula, que foi derrotado por Collor.

Apesar de elogiar Dilma ontem, Diniz se negou a fazer comparações entre o atual governo e o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Para ele, o presidente Lula não vai se afastar de Dilma, caso ela seja eleita, pois ficará “por trás”, olhando e fazendo com que o seu legado continue.

— Ela tem condições de levar esse legado em frente, até porque Lula vai ajudar. A Dilma tem todas as condições pelos conhecimentos dela, e até porque o Lula vai ajudar.

Ele não vai ficar omisso — disse.

Uma das qualidades do presidente, segundo Diniz, é que ele está o tempo todo em busca de crescimento, de saber, de perguntar e ouvir: — Você já viu político que ouve? Ele (Lula) ouve, ouve, ouve… É impressionante.

Essa não é primeira vez que o empresário faz elogios em público a Lula. No início do ano, ele disse que era “fã de carteirinha” do presidente. Perguntado se a ministra Dilma também é uma boa ouvinte, Diniz garantiu que sim: — Ela ouve muito mais do que vocês podem imaginar. Sou um cara equilibrado, de bom senso, já sou um velhinho (tem 73 anos), tenho boa cabeça. Por que será que eu gosto da Dilma? Porque ela é ministra da Casa Civil eu me encanto com ela? Não. Eu gosto da Dilma porque eu a conheço.

Na avaliação de Diniz, a ministra ainda tem dificuldade de ser reconhecida pelo público comum e precisa conseguir se mostrar como é vista nas conversas do dia a dia da sua pasta: — Ela precisa (se mostrar como pessoa comum). Para que as pessoas tenham ideia de quem é a Dilma. Estou falando de uma pessoa de quem sou amigo e tenho admiração.

Ela pergunta e é muito bem informada.

Lino Rodrigues/O Globo

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Hélio Chaves ¹

O PSDB está numa encruzilhada e patina na própria indecisão e resistência. Depois do resultado da última pesquisa Datafolha, apontando o crescimento da candidata do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a aproximação dos índices de intenção de votos do candidato tucano, José Serra, os nervos no ninho andam a flor da pele, as cobranças aumentam e afligem os aliados DEM e PPS.

Analises políticas aumentam a angustia tucana, e com isso a pressão sobre o governador de Minas, Aécio Neves, para que aceite compor a sonhada chapa puro-sangue do PSDB.

Aécio gastou sola de sapato na corrida pela escolha partidária, mas foi preterido por tucanos paulistas e por caciques da legenda. Relegado a um plano “B” do partido, Aécio, agora, é visto como o divisor de águas entre a derrota e a vitória eleitoral. O governador não parece disposto a gastar mais sola de sapato numa caminhada lado a lado com Serra. Para isso, ele teria que abrir mão de uma cadeira praticamente garantida no Senado Federal.

Conseguir romper a resistência de Aécio será uma tarefa ingrata para quem trabalhou para que ele desistisse da candidatura a presidente. Pelo visto, a velocidade imprimida à carruagem eleitoral de Dilma, os desastres naturais que se abateram sobre São Paulo e a indefinição de Serra atingiram em cheio o tucano provocando a perda de pontos. Aécio, cada vez mais forte e cobiçado é visto como única opção para concretizar o sonho do PSDB de voltar ao poder.

O DEM, a noiva preferida para vice na chapa tucana, acabou sozinho no altar. As chances foram para o ralo quando o partido se viu enroscado até o pescoço no escândalo do Mensalão no DF e o saldo é negativo. O partido teve que cortar na própria carne. Obrigou o único governador da legenda, José Roberto Arruda – preso na PF, e seu vice, Paulo Octávio – que renunciou ao cargo, a se desfiliarem.

O deputado Leonardo Prudente – flagrado num vídeo enchendo as vestimentas com dinheiro, teve que deixar a presidência do Legislativo local, o partido e renunciar para não ser cassado. O deputado Junior Brunelli que orou pela saúde da propina renunciou, mas o suplente, Geraldo Naves (DEM), não pode assumir a vaga, pois está encarcerado no presídio da Papuda em Brasília.

No Congresso Nacional, os Democratas procuram sobrevida encurralados pelo escândalo e enfraquecidos como oposição. Outra opção para vice poderia vir do PPS de Roberto Freire – estrela socialista apagada e fora de foco há muito tempo. O partido não tem um quadro de peso nem algo de novo para oferecer a candidatura de José Serra.

No PT acredita-se, que por enquanto não há grandes problemas. O partido continua aparando arestas para manter os aliados amarrados à candidatura Dilma e evitar rachas nos palanques estaduais. O nome mais cotado para vice de Dilma é Michel Temer (PMDB-SP). Aliados acreditam que Temer não agrega valor à candidatura petista, mas como abrir mão dos peemedebistas? O raciocínio é o de que, se Lula fez de Dilma a candidata e empurrou seu nome goela abaixo do partido, então, qualquer nome do PMDB não fará muita diferença.

O PSDB corre contra o tempo. Aécio assiste de camarote o corre-corre para convencê-lo. Como diz o ditado popular – o bom mineiro costuma comer pelas beiradas. Aécio está com a faca e o queijo na mão. Resta saber se dará a primeira fatia para Serra. De qualquer forma, se for convencido e aceitar preencher a lacuna na chapa tucana o custo poderá ser muito alto, principalmente para quem o tratou como borralheiro e hoje é obrigado a tratá-lo como o príncipe que poderá dar fôlego a candidatura do “Grã-tucano”.

¹ Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo.

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