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Corrupção no Brasil, Churchill, Keynes e Shakespeare

Um Toque Trágico
Theófilo Silva ¹

Os governos costumam flertar com a insensatez de tempos em tempos. A insensatez ocorre como ondas, e algumas delas não são perceptíveis pela maioria dos observadores ou mesmo por uma ínfima parte deles. Somente alguns privilegiados, com um finíssimo poder de observação, conseguem detectar ameaças invisíveis.

Poderíamos citar três exemplos entre homens de estado com essa capacidade. Um deles foi Winston Churchill, que, no ostracismo em que se encontrava nos anos trinta, foi capaz de enxergar o perigo que Hitler representava para o mundo e não parou de bradar isso para os ouvidos moucos de seus contemporâneos. Quando lhe deram crédito, já era tarde, o mal já estava feito e a humanidade viveu o momento mais doloroso de toda a sua história. Ainda que esse mal tenha sido destruído depois.

Outro foi John Maynard Keynes, o economista de dois metros de altura. Entre as muitas sacadas de Lord Keynes, a mais objetiva talvez tenha sido o seu completo repúdio ao Tratado de Versalhes, que punia violentamente a cruel Alemanha derrotada em sua arrogância na Primeira Grande Guerra. O então jovem, Keynes pediu demissão de seu cargo no governo inglês afirmando, que “o Tratado irá gerar mais ódio e guerra, pois quebra a cadeia econômica europeia”. Poucos o apoiaram. O resultado é conhecido. Vinte anos depois tivemos uma guerra ainda mais violenta.

O terceiro personagem é George Kennan, um diplomata americano sediado em Moscou que por meio de um longo telegrama em 1946 advertia os EUA e o mundo sobre o perigo do expansionismo soviético, denunciando o que seria a Guerra Fria.

Na peça Júlio César, de Shakespeare, Casca, um dos assassinos do ditador romano, cunha uma frase que é usada por todos nós, mas que poucos sabem que é do Bardo. Quando Brutus lhe pergunta sobre o que Cícero disse de César, ele responde: “falou, mas o que ele disse, é grego para mim”.

Parece que o ocidente está falando grego para o governo brasileiro no que diz respeito às relações com o Irã e ao apoio ao seu programa nuclear. Lula está na contramão dos visionários que tudo enxergavam, já que nessa questão em que todos veem o perigo, ele não enxerga nada. Sem falarmos da ameaça do coronel Chávez, o novo palhaço latino americano. Lula está brincando com ditadores, quem brinca com ditadores flerta com a tragédia. O grande César foi assassinado por tornar-se ditador. Mesmo que seja um jogo de barganha com os americanos, é uma diplomacia condenável apoiar ditaduras.

Brincar demais com o perigo leva ao que ocorre com a casa Legislativa de Brasília, conhecida internacionalmente como Casa do Espanto, tal o nível de imoralidade que esse poder chegou. Ameaçados de uma intervenção federal, ainda insistem em conchavos mentindo para o judiciário e a sociedade. Agora, correm o riso de fechar.

O Brasil escolheu “a marcha da insensatez”, de que falava a historiadora Bárbara Tuchman. Ainda bem que nossa importância em questões mundiais é pouco acima de zero. Shakespeare apontava a existência do toque trágico para desencadear uma calamidade. A questão iraniana é trágica para a humanidade. Temos que impedi-la!

¹ Theófilo Silva é autor do livro, A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador da Rádio do Moreno.

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