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Cora Coralina – Versos na tarde – 14/04/2017

Saber Viver Cora Coralina¹ Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que […]

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Cecília Meireles – Prosa na tarde – 12/03/2017

O Livro da Solidão Cecília Meireles ¹ Os senhores todos conhecem a pergunta famosa universalmente repetida: “Que livro escolheria para levar consigo, se tivesse de partir para uma ilha deserta…?” Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem naturalmente: “Uma história de Napoleão.” Mas uma ilha deserta nem sempre é um exílio… Pode ser […]

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Demócrito Rocha – Versos na tarde – 08/03/2017

O Rio Jaguaribe Demócrito Rocha¹ O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta por onde escorre e se perde o sangue do Ceará. O mar não se tinge de vermelho porque o sangue do Ceará é azul … Todo plasma toda essa hemoglobina na sístole dos invernos vai perder-se no mar. Há milênios… desde que se […]

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Claudia Camara – Prosa na tarde – 07/03/2017

Espelho Claudia Camara ¹ Eu vou falar porque transbordo. Só porque não tem jeito, vou dizer adagas afiadíssimas, impiedosas, sobre sua carne. Não me olhe ou esmorecerei e minha voz vai se calar, exausta de compaixão. Não me olhe, porque as palavras sairão como cuspes lançados contra seu rosto. Escarros antigos, empedrados de dores caladas. […]

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Fagundes Varela – Verso na tarde – 06/03/2017

Deixa-me! Fagundes Varela ¹ Quando cansado da vigília insana Declino a fronte num dormir profundo, Por que teu nome vem ferir-me o ouvido, Lembrar-me o tempo que passei no mundo? Por que teu vulto se levanta airoso, Tremente em ânsias de volúpia infinda? E as formas nuas, e ofegante o seio, No meu retiro vens […]

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Aurea Domenech – Versos na tarde 04/03/2017

O corpo do nosso amor Aurea Domenech* O corpo do nosso amor como o do vinho mais denso, derrama-se em nós como nas traças mais finas. Mais certo que os trilhos dos trens ligeiros, mais exato que os mapas que se desenham nos livros, tem a volúpia das figuras antigas e a claridade de algo […]

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Alice Ruiz – Versos na tarde – 02/03/2017

O poeta me viu Alice Ruiz¹ bastou um olhar e pode ver a mola mestra da aprendiz que sou a escolha que fiz no avesso e apesar da sorte adversa de não pesar de ser feliz poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim diz ¹Alice Ruiz * Curitiba, PR. […]

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Geir Nuffer Campos – Versos na tarde – 01/03/2017

Alba Geir Nuffer Campos¹ Não faz mal que amanheça devagar, as flores não têm pressa nem os frutos: sabem que a vagareza dos minutos adoça mais o outono por chegar. Portanto não faz mal que devagar o dia vença a noite em seus redutos do leste — o que nos cabe é ter enxutos os […]

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Eustáquio Gorgone de Oliveira – Versos na tarde – 27/02/2017

Poema 1 Eustáquio Gorgone de Oliveira¹ Quando a hora já se desfez De que valem os cosméticos ? O corpo é quem primeiro se retira do calendário. Depois segue a alma com botões vermelhos e fica o frasco de mercúrio vazio. quem redige o poema se ilude No cheiro de canela-sassafraz. ¹Eustáquio Gorgone de Oliveira […]

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Anna Maria Dutra – Versos na tarde – 26/02/2017

Delírio Anna Maria Dutra Quero amar verde-musgo alucinadamente Com o amor tempestade a trovejar fremente Rodopiando louco no vento que encrespado Vai arrancar da terra o tronco mais cravado. Quero amar como o rio varando enlouquecido O barro de seu corpo no leito adormecido A devorar faminto os prazeres das margens. Na febre dos instintos, […]

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Júlia Cortines – Versos na tarde – 25/02/2017

Interrogação Júlia Cortines¹ Contemplo a noite: a cúpula estrelada do firmamento sobre mim palpita; meu olhar, que a interroga, embalde fita o olhar dos astros, que não vêem nada: — Nessa amplitude lôbrega e infinita que inteligência ou força inominada numa elipse traçou a vossa estrada, estrelas de ouro, que o mistério habita? Dizei-me se, […]

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Artur Eduardo Benevides – Versos na tarde – 24/02/2017

Da poesia Artur Eduardo Benevides¹ 1. A poesia é um pequenino veio nas colinas a se espalhar por vésperas e matinas até encontrar a solidão do mar. E a solidão somos nós. O mar: o pranto o a voz dos que Jamais puderam regressar. 2. A poesia (passacale final na escadaria de mármore do templo) […]

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