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Catulo da Paixão Cearense – Poesia terça-feira, 23 de outubro de 2018

Tu passaste por esse jardim Catulo da Paixão Cearense Tu passaste por este jardim! Sinto aqui certo odor merencório Desse branco e donoso jasmim Num dilúvio de amoras pendeu Os arcanjos choraram por mim Sobre as folhas pendidas do galho Que a luz de seus olhos brilhantes verteu Tu passaste, que de quando em quando Vejo nas rosas no hastil lacrimado Das corolas de todas as flores As minhas angústias, abertas em flores Neste ramo que ainda se agita Uma…

J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde – 30/08/2018 quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Quando chegares J.G de Araújo Jorge¹ Não sei se voltarás sei que te espero. Chegues quando chegares, ainda estarei de pé, mesmo sem dia, mesmo que seja noite, ainda estarei de pé. A gente sempre fica acordado nessa agonia, à espera de um amor que acabou sendo fé… Chegues quando chegares, se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem, a sós; se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e perguntaremos por nós…

Almandrade – Versos na tarde quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Ponto de fuga Almandrade ¹ Que indagação faz o umbigo feminino quando aparece entre uma peça e outra da veste? Intimidade sensualidade. Nem mesmo a musicalidade dos pêlos é maior que o apelo da cicatriz do nascimento. ¹ Antônio Luiz M. Andrade * Salvador,BA. É arquiteto, poeta e artista plástico baiano. Como artista plástico já participou de quatro bienais internacionais em São Paulo, além de várias outras exposições no país e no exterior. Editou em 74 a revista “Semiótica” e,…

Heriqueta Lisboa – Versos na tarde segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Os lírios Henriqueta Lisboa¹ Certa madrugada fria irei de cabelos soltos ver como crescem os lírios. Quero saber como crescem simples e belos – perfeitos! – ao abandono dos campos. Antes que o sol apareça neblina rompe neblina com vestes brancas, irei. Irei no maior sigilo para que ninguém perceba contendo a respiração. Sobre a terra muito fria dobrando meus frios joelhos farei pergunta à terra. Depois de ouvir-lhe o segredo deitada entre lírios adormecerei tranquila. ¹Henriqueta Lisboa * Lambari,…

J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Quando chegares… J.G de Araújo Jorge ¹ Não sei se voltarás sei que te espero. Chegues quando chegares, ainda estarei de pé, mesmo sem dia, mesmo que seja noite, ainda estarei de pé. A gente sempre fica acordado nessa agonia, à espera de um amor que acabou sendo fé… Chegues quando chegares, se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem, a sós; se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e perguntaremos por nós… José Guilherme de Araújo Jorge *…

JG. de Araújo Jorge – Versos na tarde quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Gosto quando me falas de ti… JG. de Araújo Jorge ¹ Gosto quando me falas de ti… e vou te percorrendo e vou descortinando a tua vida na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos [tranqüilos Gosto quando me falas de ti… e então percebo que antes mesmo de chegar, me adivinhavas, que ninguém te tocou, senão o vento que não deixa vestígios, e se vai desfeito em carícias vãs… Gosto quando me falas de ti… quando aos poucos a…

João Cabral de Melo Neto – Versos na tarde – 07/11/2017 terça-feira, 7 de novembro de 2017

Ode Mineral João Cabral de Melo Neto ¹ É mineral o papel onde escrever o verso; o verso que é possível não fazer. São minerais as flores e as plantas, as frutas, os bichos quando em estado de palavra. É mineral a linha do horizonte, nossos nomes, essas coisas feitas de palavras. É mineral, por fim, qualquer livro: que é mineral a palavra escrita, a fria natureza da palavra escrita. ¹ João Cabral de Melo Neto * Recife, PE. –…

Ledo Ivo – Versos na tarde – 04/11/2017 sábado, 4 de novembro de 2017

A Queimada Ledo Ivo ¹ “Queime tudo o que puder: as cartas de amor as contas telefônicas o rol de roupas sujas as escrituras e certidões as inconfidências dos confrades ressentidos a confissão interrompida o poema erótico que ratifica a impotência e anuncia a arteriosclerose os recortes antigos e as fotografias amareladas. Não deixe aos herdeiros esfaimados nenhuma herança de papel. Seja como os lobos: more num covil e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados. Viva…

Paulo Leminsk – Versos na tarde – 28/10/2017 sábado, 28 de outubro de 2017

Amor Bastante Paulo Leminsk ¹ quando eu vi você tive uma idéia brilhante foi como se eu olhasse de dentro de um diamante e meu olho ganhasse mil faces num só instante basta um instante e você tem amor bastante um bom poema leva anos cinco jogando bola, mais cinco estudando sânscrito, seis carregando pedra, nove namorando a vizinha, sete levando porrada, quatro andando sozinho, três mudando de cidade, dez trocando de assunto, uma eternidade, eu e você, caminhando junto…

Líria Porto – Versos na tarde – 27/10/2017 sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Per secula seculorum Líria Porto ¹ tornei-me o invólucro da tua boca sou eu o teu beijo permanente ao beijares outra boca beija-a sôfrego beija-a sedento estarás a beijar-me como louco em todos os sabores e indecências ¹ Líria Porto Professora, mineira, vive em Belo Horizonte. Inédita, tem poemas publicados no Cronópios e na Germina — Revista de Literatura e Arte. Fonte Escritoras Suicidas

Vinicius de Moraes – Versos na tarde – 13/09/2017 quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ternura Vinicius de Moraes ¹ Eu te peço perdão por te amar de repente Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos Das horas que passei à sombra dos teus gestos Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos Das noites que vivi acalentado Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente E posso te dizer que o grande afeto que te deixo Não trai o exaspero das lágrimas nem…

Gerardo Mello Mourão – Versos na tarde – 07/09/2017 quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Sibila (Último oráculo) Gerardo Mello Mourão ¹ Perdido nas veredas das palavras tapa os ouvidos – canto sibilino não escuta: olha apenas estes olhos apaga teus sentidos – só nos olhos acharás o caminho; sem meus olhos, somente os meus – redondos neste rosto – morrerás entre ínvios labirintos. Sibila sou – Sibila, a Sâmia, a Délfica* poetas e pontífices me seguem olha meus olhos – não te perderás olha meus olhos e estarás perdido perdido neles morrerá de amor…

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