A Constituição brasileira, entre outros, consagra o princípio da presunção de inocência. A par disso, e sem entrar no mérito das preferências eleitorais de cada um, não consta em nenhum inquérito da época do regime militar, que dona Dilma tenha participado de alguma ação armada, e também não foi julgada nem foi condenada por isso. Parece claro que o PSDB prefere não abordar, na propaganda eleitoral, o passado ‘terrorista’ de Dilma Rousseff.
Qual a razão?
Leiam abaixo reportagem de Vera Rosa no Estado de São Paulo.
O Editor


PT mira tucanos da luta armada

Mas ofensiva só irá para o programa de TV se Serra vincular Dilma a ações terroristas

A cúpula da campanha de Dilma Rousseff (PT) coletou dados sobre tucanos que, a exemplo da candidata do PT à Presidência, participaram de organizações conhecidas por pregar a luta armada na ditadura militar. A ofensiva só irá para o programa de TV, no entanto, se o candidato do PSDB, José Serra, recorrer à estratégia de vincular a ex-chefe da Casa Civil a ações terroristas.

Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será acionado, em caso de emergência, para dizer que já foi vítima do que o PT chama de “tática do medo”.

O resgate da história põe na berlinda o concorrente do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, ex-chefe da Casa Civil quando Serra era governador de São Paulo e ex-secretário-geral da Presidência na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Além dele são mencionados o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, morto em 1998, e o deputado José Aníbal (SP).

Aloysio ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), que pregava a luta armada, nos anos 60. Tal como a candidata do PT, adotou codinomes na ditadura: era chamado de “Beto” e “Mateus”. Motta, por sua vez, entrou na Ação Popular (AP), grupo de influência católica que abrigou o próprio Serra. Ao contrário do presidenciável, que se exilou no Chile depois do golpe militar de 1964, ficou no Brasil e foi preso em 1965.

Aníbal foi companheiro de Dilma na organização revolucionária marxista Política Operária (Polop), em Belo Horizonte. “Dilma e eu nos separamos, em maio de 1969, porque eu achava que aquele caminho estava equivocado”, disse o deputado. “Mas citar isso na propaganda, sem contextualização, é um rebaixamento político da campanha. O PT quer esconder o mensalão e fica agora fazendo ameaças.”

Jogo de risco. Lula assistiu à pré-estreia do programa de Dilma na noite de segunda-feira, um dia antes do início do horário eleitoral gratuito. Foi uma sessão reservada, no Palácio da Alvorada, com a participação da candidata e de coordenadores da campanha. Em uma das propagandas, Dilma fala do seu passado como mulher que combateu a ditadura. De ex-guerrilheira, apareceu como guerreira. Era um “antídoto” contra eventual ataque do PSDB.

Em conversas reservadas, no entanto, Lula disse não acreditar que Serra recorra a esse tipo de expediente. No diagnóstico do Planalto e do comitê petista, trata-se de um “jogo de extremo risco” e o tucano teria mais a perder do que a ganhar. Em primeiro lugar, porque companheiros seus também participaram de organizações que defendiam a luta armada. Sem contar que ele próprio foi obrigado a viver clandestinamente no exílio.

Estilizada. Na tentativa de reforçar a identidade de Dilma como ex-guerrilheira, o coordenador das redes sociais da campanha, Marcelo Branco, pôs na internet imagem estilizada da candidata, em várias cores, para ser usada como fundo de tela do computador. Ela reproduz a foto que consta do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), quando Dilma foi presa, aos 22 anos.

“É um movimento de solidariedade, por tudo o que ela passou”, comentou Branco. Na prática, sua ideia é jogar os holofotes sobre a resistência da candidata na luta contra a ditadura, nos anos 60 e início dos 70. “Isso aproxima Dilma da militância dos partidos aliados”, insistiu ele. “A repercussão é positiva.”

No comando político da campanha, porém, não foram poucos os que torceram o nariz para a iniciativa. Motivo: não querem esticar um assunto com grande potencial de desgaste.

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É lamentável ver o PSDB ter que se sujeitar aos tacapes verbais do vice de Serra, que só tem contribuído para derrubar a candidatura tucana. Serra poderia ter procurado aliado mais equilibrado. O Índio acha mesmo que a Dilma irá responder alguma coisa sobre a possível ligação do PT com as FARC? Nunquinha! Pra complicar mais ainda o calvário do PSDB, a Folha de São Paulo publica na coluna ‘Painel’, que Paulo Preto — até há pouco tesoureiro da campanha de Serra — entrará com queixa-crime contra os tucanos Eduardo Jorge, José Aníbal e Evandro Losacco, tesoureiro-adjunto do PSDB, pela acusação de ter desaparecido com os R$ 4 milhões da campanha do Serra.
O Editor


Índio bate em Dilma por MST e Farc em debate de vices

O deputado Índio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência da República, manteve a posição de guerrilha verbal contra a candidata do PT, Dilma Rousseff, questionando sua relação com o MST e com a guerrilha colombiana Farc em debate de vices nesta terça-feira em São Paulo.

O deputado lembrou que em abril Dilma colocou o boné com logo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Recentemente, o fundador do MST, João Pedro Stédile, disse em entrevista à Reuters, que o Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se a petista vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso o tucano José Serra seja o escolhido.

“Esse governo foi frouxo com as invasões de terra”, afirmou Índio.

O vice de Dilma, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), declarou não haver objeções em relação aos movimentos sociais. “Eles são bem-vindos para nossa campanha, desde que nos limites da lei”, afirmou.

“O que está fora da lei não estará, não será tolerado pela nossa coligação”, disse.

Segundo Temer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consegui “pacificar os movimentos sociais”. “O trânsito já não para mais em Brasília. Vamos para as eleições com todos os setores sociais tranquilizados.”

Indio também voltou à carga na acusação de ligação do PT com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc).

“Até agora a Dilma não respondeu se vê ligação entre as Farc e as drogas”, afirmou.

“A Dilma tem que explicar por que o PT é ligado às Farc”, disse. “A questão é: o PT tem ligação com as Farc, que têm ligação com o narcotráfico”, acrescentou.

Reuters

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No Absurdistão, os Tupiniquins contemplam a ‘firme’ posição ideológica dos seus (deles) parlamentares. PT e PSDB, além de siameses — só são gato e rato, não necessariamente nessa ordem, ou rato e rato?  — para a platéia, e continuam farinha do mesmo saco. Intramuros, no escondidinho dos gabinetes, “fazemos qualquer negócio”.
A oposição concorda com o governo quando deveria, no mínimo, discutir a questão ou apresentar outra proposta.
Esses exóticos membros da elite parlamentar do “Vaselinastão”, não tem bandeira nem ideologia. Argh!

Nas tabas já se ouvem Tupiniquins brandindo a borduna e bradando: “ou Marina ou voto nulo”!

O Editor


Por Serra, PSDB se une a PT no Congresso

Com medo de herdar Previdência ainda mais deficitária, tucanos tentam evitar votação de projeto que reajusta aposentadorias

Estratégia de DEM e PPS é votar proposta que estende reajuste do salário mínimo a todas as pensões do INSS e deixar ônus de veto para Lula

Objeto de preocupação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), a proposta de reajuste de aposentadorias produziu uma aliança tácita entre PSDB e PT no Congresso e rachou a oposição.

Com medo de herdar um profundo deficit da Previdência num eventual governo Serra, o PSDB trabalha, discretamente, para evitar a votação da proposta que aplica a todas as faixas de aposentadoria do INSS o mesmo índice de reajuste do salário mínimo.

Numa reunião em São Paulo, os líderes na Câmara do PSDB, José Aníbal, e do PT, Cândido Vaccarezza, e o presidente da Casa, Michel Temer, traçaram um acordo para evitar que projeto fosse levado à votação.

Aliados do PSDB, PPS e DEM pregam, no entanto, voto em favor do projeto -de autoria do senador petista Paulo Paim (RS)-, para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assuma o ônus do veto.

O presidente do PPS, Roberto Freire, admite que “Serra está preocupado” com o impacto da medida. “Serra tem espírito público. Ele vê reflexos também no seu governo. Está preocupado com o futuro do país”, diz Freire. Mas avisa que o PPS votará a favor do projeto.

“Se o governo não tem racionalidade administrativa, cria cargos para abrigar apaniguados, por que o aposentado será punido? O PSDB ajuda o governo e sempre leva porrada.”

De Catia Seabra/Folha de S.Paulo

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Brasil: da série “O tamanho do buraco”!

A pouca, aliás, nenhuma vergonha, atravessa todas as fronteiras ideológicas.

Não tem para ninguém! Suas (deles) ex-celências, querem humilhar Al Capone.

A bandalheira é generalizada. A turma do mensalão passa a ser referência de ética diante dessa corja! Todos os partidos e seus respectivos dedões acusatórios da roubalheira dos outros, estão chafurdando na mesma pocilga. Como é que as vestais do PSDB do DEM e do PSOL vão explicar essa bandalheira?

Quem acha que Arthur Virgílio ou Zé Agripino, por exemplo, irão fazer um “mea culpa” e pedir perdão ao “aprendiz” de meliante Delúbio Soares, acredita em Papai Noel e em mula sem cabeça.

Cadê a furibunda Heloísa Helena? Afinal o líder de seu (dela) partido Ivan Valente é um dos turistas às nossas custas.

A gentalha que infesta o Congresso Nacional, todos eleitos com nossos votos, saliente-se, criou o Bolsa Aeronave!

Como é que essa turma pode reclamar do bolsa esmola, ops, bolsa família que o apedeuta dá aos miseráveis? Até o José Anibal, aquele poço de moralidade do PSDB, tá no cocho!

Anotem e divulguem o nome dos caras que estão metendo a mão, desavergonhadamente, no seu, no meu, no nosso sofrido dinheirinho.

Argh!

O editor

Líderes e famílias viajam ao exterior, Câmara paga. Metade dos 23 líderes partidários usou cota em viagens internacionais. Nova Iorque, Paris e Miami são destinos mais comuns entre as 82 viagens. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves usou a cota da Câmara para levar a família aos Estados Unidos

Metade dos 23 líderes da Câmara utilizou a cota de passagens em 82 viagens internacionais nos últimos dois anos. O uso indiscriminado do benefício transcende as bandeiras partidárias e ideológicas, envolvendo 11 lideranças da base governista e da oposição.

Pelo menos oito líderes aproveitaram o recurso da Câmara para levar parentes para o exterior. São eles: Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), José Aníbal (PSDB-SP), Sandro Mabel (PR-GO), Mário Negromonte (PP-BA), Sarney Filho (PV-MA), Fernando Coruja (PPS-SC), Ivan Valente (Psol-SP) e André de Paula (DEM-PE), líder da minoria na Casa. Também cederam o benefício a terceiros para viagens internacionais Daniel Almeida (PCdoB-BA), Uldurico Pinto (PMN-BA) e Cléber Verde (PRB-MA).

Clique aqui para ver a relação de viagens de cada um deles

Leia tudo sobre a farra das passagens aéreas

O destino preferido dos parlamentares e de seus familiares é Nova Iorque. A cidade americana aparece como origem ou destino de 28 viagens custeadas com recursos públicos. Paris desponta, logo a seguir, na preferência dos deputados. A capital francesa é ponto de chegada ou partida em 16 ocasiões. Miami, com 15 viagens, é a terceira cidade estrangeira mais visitada com verba da Câmara pelos líderes. No total, gastaram R$ 145,6 mil.

Três líderes utilizaram a cota em voos para o exterior mais de dez vezes. Com 23 viagens, Mário Negromonte é o campeão em uso da cota com passagens internacionais. Fernando Coruja, com 19, e Henrique Eduardo Alves, com 13, aparecem na sequência.

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Parece que pela primeira vez, nas últimas décadas, na taba dos Tupiniquins, os caciques estão pensando nos caras-pálidas. Assim, é possível que suas (deles) ex-celências esqueçam o próprio umbigo.

Oposição admite discutir a nova estatal do petróleo.
PSDB: ‘Não gostamos de estatal, mas veremos com calma’
DEM: ‘Maioria é contra, mas tem uma corrente que defende’

Do blog do Josias de Souza

Despertada pelo barulho que vem do Planalto, a oposição resolveu entrar no debate do pré-sal. PSDB e DEM programaram para esta semana as primeiras reuniões inspiradas pela necessidade de destrinchar o tema. O encontro dos tucanos está previsto para quarta. O dos ‘demos’, para quinta. Ambos em Brasília. As duas legendas tentam uniformizar os respectivos discursos em relação a um tema que vai desaguar no Congresso.

Como explorar as novas reservas petrolíferas farejadas na costa brasileira, a mais de 6 mil metros de profundidade? Curiosamente, os oposicionistas vão à mesa em posição mais convergente com o governo do que se poderia supor. A idéia mais controversa em discussão no Planalto é a que prevê a criação de uma nova estatal petrolífera.

Ouça-se o que dizem a respeito os presidentes do privatista PSDB e do liberal DEM:
Primeiro o tucano Sérgio Guerra (PE): “A gente não gosta de estatal. Mas, nesse caso, é preciso analisar com calma. Precisa ver como seria essa nova estatal.”
Agora, o ‘demo’ Rodrigo Maia (RJ): “Em princípio, a maioria é contra a nova estatal. Mas tem uma corrente que defende. Vamos abrir o debate sem posições fechadas.”

Neste alvorecer do debate, o discurso da oposição coincide com a pregação de Lula noutro ponto: ninguém discorda da tese de que o pré-sal reclama cuidados especiais. Para Lula, a nova riqueza deve ser convertida em inversões na educação. Precisa ser usada para “resolver o problema dos milhões de pobres” brasileiros.

“O pré-sal é novidade relevante”, concorda Sérgio Guerra. “É importante do ponto de vista tecnológico, econômico e empresarial. Acho que dá para aprovar alguma coisa até 2010. Tem muito tempo. Dá para analisar com calma.”

“Se for verdadeiro o volume de petróleo anunciado, o Brasil muda de patamar no mercado internacional do petróleo”, ecoa Rodrigo Maia. “Não há como ficar alheio a isso.” O “volume” que Rodrigo deseja ver confirmado não é, de fato, negligenciável. Alça à casa dos 80 bilhões de barris. O bastante para converter o Brasil na sexta potência petrolífera no mundo.

Medido pela cotação atual do petróleo (US$ 112 o barril), o pré-sal valeria algo em torno de US$ 9 trilhões. Cerca de sete vezes o PIB do país.

A discussão promete. Um pedaço da oposição não parece tão disposto a transigir. “Essa história de estatal me soa a malandragem”, diz, por exemplo, José Aníbal (SP). Líder do PSDB na Câmara, Aníbal lembra que, para arrancar o óleo do fundo do mar, serão necessários “investimentos altíssimos.” Acha que o timbre nacionalista de Lula, “em vez de trazer os investidores para a empreitada, afugenta-os.” Por isso, declara-se “totalmente contrário” à nova estatal. O lero-lero em torno do pré-sal está, por ora, recoberto por uma camada de especulação. Na semana passada, porém, Lula começou a limpar o terreno. Esclareceu que uma comissão do governo estuda mudanças à Lei do Petróleo. Foi baixada em 1997, sob FHC. Instituiu a quebra do monopólio da Petrobras.

Com essa lei, abriu-se para as companhias estrangeiras o mercado nacional de prospecção e exploração de petróleo. Algo que, a depender de Lula, deve mudar no caso do pré-sal. A nova riqueza, no dizer do presidente, não vai ficar “na mão de meia dúzia de empresas.”

Deve-se ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) a idéia de retirar das mãos da Petrobras a gestão das mega reservas. Inspirou-se no modelo da Noruega. A proposta não é consensual nem dentro do governo. Sérgio Gabrielli, o petista que preside a Petrobras, torce o nariz.

Acha que bastaria o governo aumentar a participação da União nos royalties e tonificar a cota -”participação especial”- que as empresas são obrigadas a repassar ao Estado. O DEM parece mais próximo de Lobão do que de Gabrielle. Eleito pelo Rio, o Estado que mais recebe royalties do petróleo, Rodrigo Maia não quer mexidas nessa área. Quanto à nova estatal, lembra que a da Noruega tem limitações legais para contratar e pagar salários. “Aqui, podemos fazer o mesmo, definindo em lei uma estrutura enxuta.”

Rodrigo acrescenta: “Não entraremos nessa discussão com posições fechadas. Por sermos liberais temos de ser contra estatal? Não necessariamente. Somos contra o inchaço da máquina. Se for uma coisa enxuta, não vejo razões para não debater.”

Como se vê, a tentativa de Lula de reeditar campanha getulista da década de 40 sob novo slogan -”O pré-sal é nosso”- encontra mais eco na oposição do que poderia supor o mais ferrenho governista.

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