O avião não tripulado Eitan.
Nova arma de Israel para possível ataque às instalações nucleares do Irã.

Israel já teria condição de atacar o Irã, mas nega que tenha intenção.

Enquanto jornalistas, políticos e acadêmicos em todo o mundo aguardam o resultado prático das novas restrições econômicas impostas ao Irã, crescem as apostas israelenses em tecnologia para conter o programa nuclear da República Islâmica. O discurso oficial adotado pelo governo de Israel garante que uma ação militar em solo iraniano está descartada num futuro próximo, mas não esconde o fato de que o temor da nuclearização de Teerã é hoje um dos únicos – senão o único – consenso nacional no país: Israel está seguro de que um Irã nuclear ameaça sua existência e crê que sanções não são obstáculo no caminho rumo à bomba.

O premier Benjamin Netanyahu vem enfrentando crescentes pressões de seu governo conservador – sobretudo do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Beitenu – por dar ao mundo a impressão de que Israel concorda em deixar a questão iraniana nas mãos de Washington, mas, internamente, a única certeza quanto ao destino das milhares de centrífugas iranianas é a de que todas as opções estão sobre a mesa.

Há três meses, entrou em operação o que Israel considera um dos atores principais de uma eventual ofensiva ao Irã: o novo avião não tripulado Eitan, com autonomia de voo de cerca de 20 horas sem reabastecimento e a capacidade de carregar dezenas de toneladas de bombas. A chegada da moderna aeronave – do tamanho de um Boeing 737 comercial e completamente controlada por computador – aumentou os rumores de que, mesmo sem apoio internacional, o país poderia ousar uma manobra para impedir que o governo de Mahmoud Ahmadinejad tenha capacidade de produzir sua primeira ogiva nuclear.

Não há sequer uma semana sem a divulgação de alguma perspectiva alarmante sobre um suposto ataque israelense às instalações nucleares, nos mesmos moldes do ocorrido em 1981, quando Israel bombardeou e destruiu a usina de Osirak, no Iraque. Mas, apesar de uma Força Aérea com tecnologia militar de ponta, o analista militar Alon Ben-David, do Canal 10 da TV de Israel, observa que um dos maiores trunfos do país pode ser o fato de que – segundo ele – governo e Exército estejam despistando a opinião pública mundial.

O coronel de reserva Zeev Raz, chefe da esquadrilha que bombardeou Osirak, tenta conter a euforia e adverte que, apesar da tecnologia de reabastecimento em voo para enfrentar o longo percurso, a empreitada exigiria participação humana. O ex-piloto lembra ainda o desafio emocional de missões de grande porte. Segundo ele, quando o governo Menachem Begin autorizou a ofensiva, todos sabiam que a missão poderia acontecer: foi um ano de treino no Mar Mediterrâneo e em cápsulas de simulação.

Globo Online

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Querendo ou não, gostando ou não, pacifista ou belicista, a energia nuclear é fundamental para garantir a soberania de um país continental como o Brasil. Com imenso território pleno de biodiversidade e reservas imensas de minerais estratégicos, a força nuclear é um decisivo elemento de dissuasivo. Não existem países amigos. Existem interesses.
Por último, mas não por fim fica a pergunta: Outras nações, que já têm armas nucleares, podem proibir a um outro estado a mesma coisa?
O Editor


José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”

Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba

O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.

ENTREVISTA – JOSÉ GOLDEMBERG
QUEM É
Gaúcho de Santo Ângelo, José Goldemberg, de 82 anos, é físico nuclear
O QUE FEZ
Foi reitor da Universidade de São Paulo (1986-1990), ministro da Educação (1991-1992), secretário federal da Ciência e Tecnologia (1990-1991) e do Meio Ambiente (1992)
PRÊMIOS
Prêmio Volvo do Meio Ambiente (2000) e Prêmio Planeta Azul (2008), o “Nobel” do Meio Ambiente

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?

José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.

ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?

Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.

ÉPOCA – O programa não andou.

Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

ÉPOCA – O que prevê o TNP?

Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.

ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?

Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.

ÉPOCA – Como assim?

Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.

ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?

Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.

ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.

Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.

“O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”.

ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.

Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).

ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?

Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.

ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.

Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.

ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.

Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.

ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?

Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.

ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.

Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.

Peter Moon/Época

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É preciso também indagar ao sociólogo, qual era exatamente a política externa do seu (dele) governo e os valores da antiga diplomacia brasileira?

Deveria ter aproveitado a análise e feito uma comparação entre as duas políticas externas da diplomacia brasileira.

Achando pouco o papel de senhor de todos os saberes, FHC diz a certa altura; (…) “Nem por isso, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares”.

Uáu! Isso é que Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante. Usar pra que, quando não se tem nenhum inimigo externo?

O Editor


FHC: Lula atravessa um ‘surto de ego deslumbrado’

Em artigo veiculado neste domingo (6), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discorre sobre a política externa de Lula. Dá especial realce ao caso do Irã.

Anota duros ataques a Lula. Classifica de “bazófias presidenciais” a retórica do sucessor, baseada na tese de que “hoje não nos agachamos mais perante o mundo”.

Sustenta que as relações do Brasil com outros países sempre se orientaram por “valores” e pelo “interesse nacional”.

Acusa Lula de recorrer à “demagogia”. Algo que, a seu juízo, “não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do país”.

Para FHC, tomado pelo histórico de sua Diplomacia, é “natural” que o Brasil “insista em sentar à mesa dos tomadores de decisões globais”.

Pergunta: “Por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro?”

Atribui as reações ao acordo nuclear intermediado com o Irã por Brasil e Turquia a dois fatores.

1. “A falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa”

2. “A forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo”.

Ao esmiuçar o primeiro tópico, FHC compara o Irã ao Brasil. Escreve que, no caso brasileiro, o país já dispõe de tecnologia para produzir a bomba atômica.

Nem por isso, argumenta FHC, o mundo desconfia que o Brasil vá utilizar os conhecimentos de que dispõe para fins militares.

Leia-se o miolo do artigo de FHC: “Conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis)…”

“…Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria…”.

“Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica…”

“…Não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio [...] ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica“.

Diferentemente do que ocorre com o Brasil, prossegue FHC, “falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia”.

Vem daí, segundo o ex-presidente, a resistência dos EUA ao acordo de Teerã. Ele reproduz um dos argumentos centrais da Casa Branca:

“[...] A quantidade de urânio já disponível [no Irã], mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba”.

“O xis da questão”, FHC acrescenta, “seria a obtenção pelo Brasil e Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá”.

Acha que, para ser “eficaz”, evitando a imposição de sanções ao Irã, a ação de Lula teria de “desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares”.

Anota que, nesse ponto, “a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado”. E fustiga Lula com ironias que associam o encontro de Teerã à Copa do Mundo:

“O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro passando a impressão de que havíamos dado um drible nas “grandes potências”, digno de Copa do Mundo…”

“…Reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o ‘outro lado’. E em política internacional, mais do que em geral, cosi é (se vi pare)”.

“Cosi é (se vi pare)” é o título de uma peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Coisa de 1917. Em português, significa “Assim é, se lhe parece”.

Trata-se de uma comédia, na qual Pirandello contrapõe realidade e aparência. O mesmo objetivo do artigo em que o ex-presidente intelectual fustiga o sucessor autodidata.

A exemplo do que fizera em artigos anteriores, FHC sustenta que, também na política externa, sua administração deixou um legado benfazejo. “Políticas que tiveram desdobramentos positivos no atual governo”.

A certa altura, FHC escreve: “No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7, ver-se-á que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco Mundial pelos países emergentes”.

Carol Guedes/Folha

O artigo de FHC já está disponível no site do Jornal Zero Hora

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A ninguém é dado ficar espantado com o “dois pesos e duas medidas” da política externa dos Estados Unidos.

A posição “cautelosa” de Mrs. Clinton em relação do ataque de Israel aos navios da chamada frota humanitária, demonstra, para analistas diplomáticos internacionais, que o país de Barack Obama não tem aliados. Tem interesses. Desde as “fantasmagóricas” armas de destruição em massa que ‘não existiam’ no Iraque, que é preciso desconfiar de declarações de quaisquer autoridades, de quaisquer governos.

De qualquer maneira, a ação de Israel é um entrave às tentativas diplomáticas de se resolver o conflito no oriente médio. Com ou sem razão, o ato de abordagem dos navios municia os que desejam o fim do Estado judeu.

Contudo, segundo reportagens do N.Y. Times havia terroristas entre os ‘pacifistas’ que se encontravam nos navios. A verdade, quem sabe, um dia surgirá e aí todos saberão quem estava com a razão.

O Editor

PS. A esquerda neurótica, que agora pula na jugular do Estado de Israel, é a mesma que ficou muda quando do ataque da Coreia do Norte que afundou a corveta da marinha da Coreia do Sul, ataque que causou a morte de 46 tripulantes.


Hillary pede que a ‘resposta’ a Israel seja ‘cuidadosa’

Há duas Hillarys em Washington. Uma, já conhecida, é a Hillary ‘Mata-e-Esfola’ Clinton do caso do Irã.

A outra, uma Hillary ‘Flor-Sem-Espinhos’ Clinton, revelou-se nesta terça (1º), num comentário sobre o ataque de Israel à flotilha humanitária pró-Gaza:

“Acho que a situação [de Israel], de nossa perspectiva, é muito difícil e requer uma resposta cuidadosa e atenciosa”.

É fácil distinguir uma Hillary da outra. Na dúvida, basta levar as duas ao fogo. Elas não fervem à mesma temperatura.

blog Josias de Souza

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Enquanto no Brasil os caras pintadas foram para as ruas pedir a saída do então presidente Fernando Collor, em 1992, a organização Repórteres sem Fronteiras lançou uma campanha em que as fotos dos presidentes Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, Kim Jong II, da Coreia do Norte, e Muammar Kadafi, da Líbia, na página amassada de uma revista.

Eles estão na lista dos 40 maiores “Predadores da Liberdade de Imprensa“, ranking publicado todos os nos pela organização.

No ranking desse ano, entrou também Hu Jintao, da China. A campanha, da Saatchi & Saatchi e dos artistas Stephen J. Shanabrook e Veronika Georgieva, inclui ainda um vídeo com o close de uma pessoa amassando lentamente a página sob o slogan: “Somente a imprensa livre pode ferí-los”.

blog da Adriana Carranca

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Comportamento dos EUA é alvo de críticas sobre Irã

Analistas atribuem recuo a pressões internas

O fato de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter apresentado à ONU uma proposta de impor sanções ao Irã, um dia depois do Brasil e da Turquia terem obtido do governo iraniano um acordo de ceder à demanda daquela instituição para que enviasse urânio para ser enriquecido no exterior — num grau suficiente apenas para uso médico e energético — é visto por especialistas brasileiros em relações exteriores como uma rendição de Obama a pressões internas.

— Fica claro que o Brasil tinha uma ação responsável quando abriu as negociações com o aval dos EUA. A carta (de Obama para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de sua viagem à Teerã) prova isso — disse Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista.

Ela se referia ao fato de Obama ter afirmado à Lula, que se o Irã concordasse em enviar 1.200 quilos de urânio para ser enriquecido em outro país, a um grau suficiente apenas para uso médico e energético, “geraria confiança e diminuiria as tensões regionais”. Foi exatamente isso que Brasil e Turquia obtiveram do governo iraniano.

Para Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a divulgação da carta deixa clara a divisão do governo americano.

Ele lembra que o presidente Obama já havia indicado que desejava um acordo com o Irã, mas teve que ceder às pressões da elite política e intelectual dos EUA.

Integrantes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado criticaram o recuo. O líder em exercício do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), disse que a insistência dos EUA em impor novas sanções ao Irã desmoraliza Obama. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), viu a carta de Obama como um “incentivo” a que o Brasil avançasse nas negociações.

Mas ressalvou que ela também continha um alerta de que um acerto com o presidente Mahmoud Ahmadinejad careceria de garantias.

Diante do mal-estar causado pelo recuo de Obama, o secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, enfatizou as boas relações bilaterais: — Estamos nos dando bem numa quantidade enorme de assuntos. A lista é muito longa. Estamos extremamente comprometidos em manter uma forte ligação com o Brasil. Tivemos uma diferença de avaliação em relação ao Irã — disse ele sexta-feira, em Atlanta, antes da divulgação de trechos da carta.

O Globo

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Por que a mediação brasileira irritou tanto a Europa

Depois de ter assinado com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, um acordo com o Irã sobre o programa nuclear iraniano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “a diplomacia saiu vitoriosa”. Mas essa não é a opinião dos diplomatas europeus, que, sem rejeitar o acordo de segunda-feira, fizeram caretas, dizendo que “o Irã está de novo com as cartas na mão”.

Os israelenses estão ainda mais descontentes. Eles odiaram o acordo, mas fizeram uma distinção entre os dois responsáveis. A Turquia, cujas relações com Jerusalém deterioraram-se depois da guerra na Faixa de Gaza, voluntariamente prestou-se às “manobras iranianas”.

Já Lula, “pecou pela ingenuidade”, sugerindo que o Brasil, pouco habituado aos ardis da diplomacia, caiu “na armadilha iraniana”.

Esse desânimo espanta. Na verdade, o acordo entre Brasil, Turquia e Irã reproduz o mecanismo de troca de urânio concebido em Viena em outubro de 2009 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Na ocasião, EUA, França e Rússia consideraram o sistema engenhoso. Mas o Irã o rejeitou.

Ora, os mesmos que aprovaram esse texto, em vez de saudar a virtuosidade de Lula e Erdogan, resmungam.

À primeira vista, podemos pensar que os grandes da diplomacia mundial, simplesmente ficaram melindrados ao ver que Ancara e Brasília obtiveram de um só golpe o que os “gênios” não conseguiram. “O Irã está com as cartas na mão”, opinou o francês Bruno Tertrais, da Fundação para Pesquisa Estratégica.

“Os ocidentais devem agora empreender uma grande batalha de relações públicas.”

O nervosismo da França é mais observado contra a Turquia, que a diplomacia francesa não aprecia (Sarkozy rejeita a entrada da Turquia na União Europeia).

Muito menos visível no caso de Lula porque a França tem um velho hábito de amar o Brasil.

Lula é o chefe de Estado mais admirado pelos franceses (mais do que Barack Obama). E Sarkozy, como todos os franceses, gosta do Brasil e de Lula.

Gilles Lapouge é correspondente em Paris do O Estado de S.Paulo

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Irã será um novo Iraque?

Ainda existem os inocente(?) ou beócios que acreditam que o complexo industrial militar não conduz a política internacional. A historia está lotada de casos em que a panaceia de manutenção da paz escamoteia os reais interesses econômicos que permeiam as ações pseudo libertárias das grandes potências.

Apesar disso,e, por causa disso, não devem ser descartadas as reais más intenções dos maluquetes tipo Ahmadinejah, Chaves e cia.

O Editor


Assim como no Iraque…

A comunidade internacional dispõe de todos os motivos para desconfiar das intenções do Irã, que apesar de haver assinado acordo com o Brasil e a Turquia, continuará enriquecendo urânio a 20% ou mais em seu território. Desconfia-se, também, que o presidente Ahmadinejah permanece disposto a fazer a bomba atômica.

É preciso cuidado e vigilância, apesar de nenhuma reação registrar-se diante da evidência de que Israel possui artefatos nucleares.

Agora tem um problema: não fosse o país dos aiatolás um dos maiores produtores de petróleo do mundo, seria tão grande assim a má vontade das potências nucleares, com os Estados Unidos à frente?

Afinal, de verdade ou de mentirinha, o governo de Teerã assinou um tratado comprometendo-se a enviar 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido para a Turquia e a receber, dentro de um ano, 120 quilos enriquecidos a 20%, de uso limitado a atividades energéticas e de medicina.

Estariam os gaviões atômicos empenhados apenas em impedir o Irã de ingressar no seu clubinho?

Ou andam de olho no petróleo do país, hoje exportado para o mundo inteiro, mas pode ser que amanhã, não, por iniciativa de um dirigente radical qualquer?

É bom não esquecer o que aconteceu no Iraque. Saddam Hussein teria sido deposto e condenado à morte por possuir armas de destruição em massa, que afinal não possuía, ou por haver prometido trocar o dólar pelo euro, nos negócios petrolíferos sob sua supervisão?

Hoje, quem comanda as operações de extração e comercialização do petróleo iraquiano, senão as grandes empresas americanas e inglesas?

Não cogitam, por enquanto, da invasão armada do Irã, mas que ela se encontra minuciosamente planejada, não há que duvidar. Assim como no caso da invasão do Iraque, argumentos e pretextos não faltam. Saddam invadiu os poços de petróleo do Kwait, foi posto para fora e ficou marcado para morrer. Ahmadinejah que se cuide.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

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Vixe!!! Agora os “cumpanheiros” vão querer o Nobel da Paz pro chefe dos Tupiniquins. E, se, FHC se mudará para o polo sul.
O Editor

O Brasil amanhece sob o impacto de uma notícia vinda de Teerã. Uma novidade que traz as digitais de Lula.

Os brasileiros ainda dormiam quando Lula foi ao café da manhã, nesta segunda (17).

Dividiu a mesa com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Depois de se alimentar, os três foram ao encontro dos jornalistas. Trouxeram à luz um acerto esboçado na véspera.

Sob a mediação do Brasil e com a participação da Turquia, o Irã concordou em assinar um acordo para a troca de urânio por combustível nuclear.

Ao lado dos chefes e sob olhares dos repórteres, os ministros das Relações Exteriores dos três países assinaram o acordo.

Coube ao porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, esmiuçar os termos do entendimento.

Pretende-se que a coisa funcione assim: O Irã enviará à Turquia 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%).

O urânio ficará guardado na Turquia, sob vigilância turca e iraniana, pelo período de um ano.

Decorridos os 12 meses, o Irã receberia em troca 120 quilos de urânio enriquecido a 20% da Rússia e da França. Material destinado a pesquisas médicas.

Trata-se de uma fórmula parecida com a que havia sido sugerida, no final do ano passado, pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU).

A diferença é a presença da Turquia como fiel depositária do urânio do Irã. O governo turco mantém boas relações com Teerã e também com o Ocidente.

Comprometeu-se a devolver o urânio a Teerã caso os russos e os franceses não cumpram com a sua parte no acordo.

O acerto será submetido agora à AIEA. Só vai ser implementado se obtiver o aval da agência da ONU.

Imagina-se que o novo cenário pode esvaziar o balão das retaliações ao Irã, soprado pelos EUA, com a ajuda da comunidade Europeia.

Se tudo correr como planejado, Lula voltará para o Brasil diferente. A barriga do presidente se converterá numa espécie de segundo peito.

Será difícil para a oposição aturá-lo. Um pedaço do petismo já falava, na noite passada, em articular a candidatura de Lula ao Nobel da Paz.

Proto-inimigo do regime de Teerã, Israel apressou-se em borrifar água fria na fervura diplomática.

Minutos depois do anúncio do acordo, o governo israelense mandou dizer que o Irã está apenas “manipulando” o Brasil e a Turquia.

blog Josias de Sousa

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Irã, Turquia e Brasil: acordo sobre troca de combustível

O ministro do Exterior da Turquia disse neste domingo que um acordo foi alcançado entre Irã, Turquia e Brasil sobre os procedimentos para reavivar o paralisado acordo de troca de combustível nuclear defendido pelas Nações Unidas.

Quando questionado por jornalistas em Teerã sobre se haveria um acordo sobre a troca de combustível, Ahmet Davutoglu respondeu:

“Sim, isso foi alcançado após quase 18 horas de negociações”.

O ministro do exterior turco disse que uma anúncio oficial pode ser feito na segunda-feira, pela manhã, após revisão dos presidentes brasileiro e iraniano e do primeiro-ministro turco, que chegou à capital iraniana para juntar-se às negociações sobre o acordo neste domingo.

O Globo

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Para EUA, Brasil é canal confiável

Embaixador americano elogia atuação do país nas negociações sobre programa nuclear

A antiga parceria entre os Estados Unidos e o Brasil entrou, agora, numa nova etapa, afirmou ontem o embaixador americano no país, Thomas Shannon. Segundo ele, as relações bilaterais deram lugar a uma relação global, com os dois países agindo em conjunto na busca de objetivos em outras nações. Por esse motivo, a tentativa brasileira de convencer o Irã a um diálogo transparente, com relação ao seu programa nuclear, seria uma iniciativa bem-vinda.

Segundo ele, os EUA já reconheceram que o Brasil deixou de ser uma potência emergente.

— Ela já emergiu — afirmou Shannon, em visita ao GLOBO. — O Brasil ocupa agora um lugar no cenário global que não pode ser negado ou mesmo ignorado.

Esse fato transformou as relações entre os EUA e o Brasil de uma forma fundamental — disse ele, acrescentando que tal parceria deve estar baseada em fatos, porque “já vivemos num mundo pós-ideologia”, em que ideologia e retórica “não são mais as ferramentas adequadas para compreender a realidade do mundo em que vivemos, muito menos para definir nosso compromisso ou nossa cooperação”.

O fato de o Brasil se apresentar como interlocutor na questão nuclear iraniana, continuou Shannon, exemplifica esse novo momento, com o governo brasileiro navegando num circuito que atualmente está fechado ao americano: — O importante em qualquer negociação é ter canais de comunicação confiáveis. O Irã tem dificuldades em se comunicar com o resto do mundo.

Nesse sentido, tanto o Brasil quanto a Turquia fazem um papel importante.

Nossa esperança é que essa iniciativa tenha êxito. Somos céticos, não com o Brasil ou a Turquia, mas com o Irã. Mas vamos continuar conversando com o Brasil sobre isso, para ver se será possível produzir um resultado que seja bom para o Irã e para o mundo.

Antes da visita ao jornal, Shannon fez uma palestra no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), na qual comentou que o engajamento dos EUA com o Brasil “em iniciativas novas e inovadoras”, tanto de forma bilateral quando global, às vezes é testado “pela nossa capacidade de entender e responder um ao outro”. E justificou: — Intimidade, em qualquer relacionamento, não representa ausência de questionamentos. Significa uma percepção ou compreensão mútua que se sobrepõe às diferenças. A maneira com a qual lidamos com as diferenças é importante, mas o mais importante é como nossas parcerias são construídas.

Segundo Shannon, tem havido mudanças fundamentais que “valorizam a qualidade, a constância, a abrangência e a diversidade do nosso diálogo”. Ele lembrou que já houve períodos de engajamento e cooperação intensos seguidos de períodos de afastamento e desatenção, como resultado de mudanças de prioridades e de desafios em outras partes do mundo “que desviavam a atenção”.

Isso mudou: — No cenário atual não podemos mais permitir que nossas relações fiquem estagnadas — esclareceu, ponderando a seguir: — Nós sempre estaremos nos ajustando a novos desafios, e nossa confiança mútua crescerá enquanto desenvolvemos maneiras práticas e efetivas para responder aos desafios especiais do século XXI.

Shannon disse que nessa nova etapa de relacionamento prefere não utilizar a palavra “estratégica” para definir a parceria Brasil-EUA: — O problema com essa palavra é que todo mundo a usa para descrever suas relações. E muitas vezes ela serve para esconder a pobreza de uma relação — comentou o embaixador.

José Meirelles Passos/O GLOBO

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Não quero transformar esse espaço em uma reprodução de matérias do jornal impresso. Mas, como o Irã é assunto recorrente no blog, coloco para discussão aqui o conteúdo da entrevista que fiz com a Nobel da Paz iraniana, Shirin Ebadi, publicada pelo Estado na edição desse domingo.

Conheci Shirin pessoalmente em Teerã, em 2007. Com seus pouco mais de 1m50 de altura, ela abriu pessoalmente a porta do seu pequeno escritório para mim. Fez sinal para que eu entrasse e a passos rápidos atravessamos uma recepção lotada de mulheres até a sua sala.

Eram iranianas a quem Shirin defende gratuitamente, com ajuda do U$ 1,3 milhão que recebeu pelo prêmio, em 2003. Para quem quiser saber um pouco mais sobre a sua história, recomendo ler o livro ainda sem tradução para o português Iran Awakening (O Despertar do Irã, na tradução livre).

As entrevistas que fiz com Shirin, em 2007 e na semana passada, constarão do livro que preparo para esse ano sobre o país dos aiatolás. Conto com vocês para me ajudar nessa tarefa com críticas, comentários, sugestões e reflexões sobre esse tão distante e controverso Irã.

Shirin Ebadi tem um recado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Diga a ele que não deveria fazer amizade com governos criminosos.” O apelo é de uma Nobel da Paz e ela se refere à aproximação do Brasil com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, selada por sua visita oficial ao País, em novembro, que deve ser reforçada com a ida de Lula ao Irã, agendada para junho.

Desde as eleições presidenciais que levaram Ahmadinejad ao segundo mandato, provocando protestos por possíveis fraudes nas urnas, Shirin está refugiada com a família na Alemanha. Em Teerã, 40 manifestantes foram mortos em confronto com a polícia, segundo números oficiais – organizações civis falam em mais de 80.

Cerca de 100 opositores foram julgados desde agosto, 5 deles condenados à morte. Na quarta-feira, o governo iraniano anunciou para o dia 7 o julgamento de sete líderes da fé bahai (leia abaixo).

“Será que ele (presidente Lula) não vê o que está acontecendo nas ruas de Teerã? Como pode fazer amizade com um governo que mata seus jovens e estudantes, sua gente?”, diz. As amizades do presidente Lula preocupam Shirin por ele ocupar uma posição de destaque cada vez maior no cenário internacional.

Em fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU discutirá novas sanções contra o programa nuclear do Irã, e o Brasil, que desde o dia 1º ocupa vaga não-permanente no órgão, terá de se posicionar. No lugar do embargo econômico, “que só faz prejudicar os iranianos”, Shirin defende o isolamento político do presidente Ahmadinejad.

Ela foi a primeira mulher muçulmana a receber um Nobel da Paz, também o primeiro concedido a um iraniano, em reconhecimento por seu trabalho na defesa dos direitos humanos em um regime que triunfou com sua ajuda e, mais tarde, quase lhe tirou a vida.

Shirin era, então, a primeira juíza e única representante feminina na corte do monarca xá Reza Pahlevi, visto pela população como corrupto, que esbanjava gastos em festas regadas a champanhe francês enquanto os iranianos empobreciam, além de impor costumes ocidentalizados demais para um povo com 2,5 mil anos de história.

Foi contra tudo isso que Shirin se colocou, motivada pela ideia de democracia islâmica estampada na figura do carismático aiatolá Ruhollah Khomeini, que prometia resgatar o orgulho iraniano e princípios de igualdade e Justiça com a Revolução de 1979.

Estava enganada. Triunfado o regime, Shirin foi impedida de exercer o cargo de juíza e viu-se em um limbo supostamente imposto pela religião. Como advogada independente passou a defender os direitos de presos políticos e mulheres contra decisões da Justiça agora sob domínio dos aiatolás, assim como a política e a economia.

Mais tarde, veria seu nome em uma lista de jurados de morte, como relata no livro, não publicado no Brasil, Iran Awakening (O Despertar do Irã, em tradução livre).

“O Nobel serviu para mim como um escudo de proteção. Mas, ainda tentam me calar, ameaçando meus parentes e colegas de trabalho”. Em entrevista ao Estado, por telefone, Shirin relata a situação no Irã, seis meses após as eleições, e pede aos brasileiros que “ouçam a voz dos iranianos”.

blog da Adriana Carranca

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