Microsoft lançará celulares ainda no primeiro semestre

Aparelhos seriam dirigidos a usuários de redes sociais.

Celular da Microsoft é dirigido a usuários de redes sociais e deve ser lançado no primeiro semestre

A Microsoft espera lançar dois celulares no fim do primeiro semestre, informou uma fonte com conhecimento do assunto nesta quinta-feira.

O blog de tecnologia Gizmodo publicou fotografias de um aparelho preto com cantos arredondados que inclui um miniteclado deslizável.

O Gizmodo disse que as fotos, que mostram ainda a marca da Microsoft e o logo da Verizon, fazem parte de materiais de marketing enviados ao blog por uma fonte.

Os telefones, que serão vendidos pela maior operadora dos Estados Unidos, a Verizon Wireless, seriam dirigidos a usuários de redes sociais, segundo a fonte, que não quis ser identificada porque os aparelhos ainda não foram anunciados.

Os celulares estão sendo desenvolvidos pela Microsoft sob o nome de Projeto Rosa (em tradução livre), disse a fonte. Representantes do fabricante de software e da Verizon Wireless não quiseram comentar a informação.

Até agora, a presença da Microsoft no mercado de telefonia móvel se limita à venda de seu sistema operacional para celulares, o Windows Phone, para diversos fabricantes de aparelhos.

Mas a empresa vem perdendo sua fatia do mercado para empresas como Apple e Google, entre outras.

A Microsoft também vende o aparelho Sidekick, fabricado pela Sharp, desde a aquisição da empresa Danger.

Há anos, a Microsoft nega boatos de que estaria desenvolvendo novos celulares além do Sidekick, mas persistem os rumores sobre o Projeto Rosa.

Gizmodo/Reuters

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Cidade no Kansas muda seu nome para… Google

A cidade de Topeka, no Kansas, está tentando agradar o Google e teve uma ideia inusitada. O prefeito da cidade declarou que, durante o mês de março, a cidade mudará seu nome para Google, segundo publicou a AFP. Isso mesmo, o endereço se tornou: Google, no Kansas.

A ideia é tentar atrair a atenção do Google para que os testes do projeto de internet em alta velocidade do gigante das buscas sejam feitas por lá.

No site da cidade (Topeka.org), já é possível ver informações sobre a campanha para que as “fibras óticas” do Google cheguem à cidade. Um pronunciamento do Prefeito surge com o slogan: “Google, Kansas – a capital das fibras óticas”.

De acordo com a AFP, as comunidades norte-americanas que tiverem interesse em ser sede dos experimentos devem mostrar interesse ao Google até o dia 26 de março.

Folha OnLine

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Com a promessa de ser um espécie de “Google nacional“, segundo o presidente Lula, o novo Portal Brasil estreou nesta quarta-feira ainda com alguns problemas de navegação.

Os links demoram para abrir, e por vezes a lentidão faz com que a conexão com o site seja perdida. Segundo a assessoria da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o problema ocorre devido ao grande volume de conteúdo que está sendo inserido.

A Secom esclareceu ainda que a situação deverá se normalizar nos próximos dias, já que a capacidade de acesso do novo portal foi quintuplicada, passando de 1.000 para 5.000 acessos simultâneos por segundo.

O objetivo do portal é reunir serviços e informações sobre ações e programas federais que antes estavam dispersas por diversos sites. Informações sobre como tirar a carteira de identidade, calendários de campanhas de vacinação e orientações sobre aposentadoria são exemplos dos conteúdos disponíveis. Para realizar o projeto, o governo gastou R$ 11 milhões e a empresa contratada foi o grupo TV1.

Durante a cerimônia de lançamento em Brasília, Lula afirmou que com o portal “não haverá mais segredo, tudo será publicado para todos os brasileiros”.

O Globo

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Google anuncia compra de site de edição de fotos

Equipe do Picnik passa a trabalhar em conjunto com a do Picasa.

Gigante já adquiriu oito companhias desde setembro, diz porta-voz.

Site Picnik foi comprado pelo Google

O Google comprou o site de edição de fotos on-line Picnik, dando continuidade à onda de aquisições pelo gigante de buscas na internet das últimas três semanas.

O Google não divulgou os termos financeiros do acordo de compra. Segundo o site da Picnik, a empresa fundada em Seattle há cinco anos conta com um quadro de funcionários de 20 pessoas.

O porta-voz do Google Andrew Pederson disse em e-mail que a equipe do Picnik se uniu ao escritório do Google na cidade e que vai trabalhar com a equipe do Picasa, serviço de compartilhamento de fotos do Google.

O acordo é o mais recente exemplo do crescente apetite do Google por novas aquisições.

Em outubro, o presidente-executivo da companhia, Eric Schmidt, afirmou que a empresa retomará sua taxa histórica de, em média, uma pequena aquisição por mês, com acordos maiores a cada um ou dois anos.

No mês passado, o Google comprou o site de buscas em redes sociais Aardvark e o serviço de webmail reMail. Desde setembro, a empresa já comprou oito companhias, segundo Pederson.

G1/Reuters

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A pergunta é:

British Library: “Nós vamos estar aqui em 100 anos”. Será que o Google estará?

A British Library está empenhada em criar uma coleção de sites britânicos a fim de preservá-los para a posteridade. A coleção intitulada UK Web Archive está aberta ao público e compreende cerca de seis mil sites.

Há de tudo: sites pessoais, sites de turismo, comerciais e institucionais, classificados por categorias.

Seis mil pode parecer um número muito pequeno, em se considerando que existem mais de oito milhões em domínio britânico. O problema é que a construção da coleção é muito lenta.

Por razões de copyright, a British Library tem que solicitar permissão aos responsáveis pelos sites antes de copiá-los.

É claro que se pode perguntar se isso vale a pena, em se considerando que existem iniciativas como a “Wayback Machine” gerenciada pela organização sem fins lucrativos Internet Archive organisation, para não se falar do próprio cache do Google.

A resposta da British Library, através de um porta-voz, é : “As grandes empresas aparecem e desaparecem. Nós estaremos aqui em 100 anos. Será que o Google estará?”

Via BBC News/blog do Dodô/Marcos Palacios

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Mulher processa Google nos EUA por suposta violação de privacidade do Buzz

O Google Buzz, nova ferramenta em tempo real do Google, levou uma mulher dos Estados Unidos a abrir um processo contra a empresa, informou o jornal “The Daily Telegraph” na quinta-feira (18).

Ainda de acordo com informações do diário, Eva Hibnick, da Flórida, instruiu os advogados para o processo contra o Google em uma corte federal de San Jose, também no Estado norte-americano.

Tela do novo Google Buzz; empresa é processada nos EUA por suposta invasão de privacidade

A alegação foi de que a companhia violou a lei pelo uso de novas ferramentas para compartilhar suas informações pessoais sem seu consentimento.

A acusação alega que o Google tem quebrado uma série de leis sobre comunicação eletrônica.

Hibnick está em busca de uma quantia não-especificada para compensação financeira, e também quer uma liminar que impeça o Google de ter iniciativas semelhantes no futuro.

O Google não quis comentar o assunto.

Na semana passada, a companhia anunciou modificações em seu novo serviço de rede social Buzz depois de receber queixas dos internautas sobre a falta de proteção da confidencialidade de sua correspondência.

O site TechCrunch analisa que “o perigo em se criar uma rede social em torno de contatos de e-mail, como faz o Google Buzz no Gmail, é que as fronteiras entre o que é privado e público não estão sempre claras”.

O Buzz foi lançado no começo do mês e, desde então, os usuários começaram a se queixar da falta de confidencialidade.

Em resposta às críticas, o Google anunciou várias mudanças no serviço, com a aplicação de uma “opção mais visível para não mostrar no perfil do usuário a lista de quem ele segue ou a de seus seguidores.

Folha Online

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Indústria de GPS busca novo rumo com mapa grátis em celulares

Segundo a Nokia, 3 milhões de consumidores já baixaram pacote.

Tema está no centro dos debates do Mobile World Congress.

A indústria de serviços de navegação perdeu seu rumo agora que Google e Nokia oferecem mapas em seus smartphones gratuitamente. O tema foi bastante discutido no evento do setor de dispositivos móveis, Mobile World Congress, em Barcelona esta semana.

A Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, seguiu o exemplo do Google e, no mês passado, lançou um serviço gratuito de mapas para cerca de 20 milhões de aparelhos, afetando diretamente o setor de navegação no mundo todo.

Analistas afirmam que a medida já mostra efeitos claros. “Serviços de navegação em celulares eram uma indústria. Agora são um aplicativo, um aplicativo gratuito”, disse Tim Shepherd, da consultoria Canalys.

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A Nokia afirmou na segunda-feira (17) que 3 milhões de consumidores já haviam baixado o pacote de navegação gratuito.

Ao mesmo tempo, a estratégia da Nokia e do Google de oferecer serviços de navegação gratuitamente pode criar novas oportunidades para outras empresas do setor.

“Nós temos um plano B, mas não posso dar mais detalhes por enquanto. Faremos anúncios mais tarde no ano”, disse Gerhard Mayr, vice-presidente do setor global de telefonia da Navigon, terceira maior vendedora de aparelhos de navegação da Europa depois da TomTom e da Garmin.

“Vemos agora um apetite maior por nossas soluções”, disse Mayr. “Estamos negociando com diversas partes.”

Enquanto isso, outros tentam transformar o mapa em algo mais.

“Criamos nosso próprio mapa”, disse Noam Bardin, presidente-executivo da Waze, dona de um aplicativo de navegação para aparelhos móveis com informações sobre trânsito e condições das estradas.

“O valor está em informações em tempo real. Nenhum software pode te dizer se há gelo na estrada ou para ir à direita no estacionamento porque o lado esquerdo está lotado”, disse Bardin.

Reuters/G1

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Gmail é o serviço de correio eletrônico mais utilizado

O Google vai transformar o seu serviço Gmail para ficar semelhante a uma rede social, segundo o The Wall Street Journal na sua edição de hoje. O jornal americano garante que a pedra basilar dessa mudança será a possibilidade do usuário compartilhar, inclusive vídeos com amigos, tal como já é possível no Facebook e Twitter.

Segundo o site especializado em novos mídias Mashable, a mudança deve ser anunciada amanhã.

Os jornalistas do site receberam um convite para estar presente num evento na sede da Google. O convite prometia revelar inovações em dois dos [seus] produtos mais populares?.

O Gmail é sem dúvida um dos produtos mais populares da Google e transformar o serviço de e-mail numa rede social seria uma grande inovação.

Em relação ao outro produto que vai ser alterado, os jornalistas do Mashable apostam no Picasa, no YouTube ou no Google Friend Connect.

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16 milhões de pessoas no Reino Unido acessaram a internet de seus celulares em dezembro de 2009.

As operadoras de telefonia celular da Inglaterra se aliaram com a empresa de pesquisa de mercado comScore para medir o uso da internet em dispositivos móveis, na primeira iniciativa do tipo que esperam ser capaz de lançar de vez o mercado de publicidade móvel.

Anunciantes tem mostrado interesse em atingir os celulares de consumidores, que trazem a vantagem de permitir um tipo de anúncio altamente pessoal como geograficamente dirigido, mas a intenção tem sido contida por fatores que incluem falta de dados sobre o consumo de mídia móvel.

Segundo a empresa de pesquisa de mercado Gartner, as receitas globais com publicidade em dispositivos móveis alcançaram 530 milhões de dólares no ano passado, podem saltar para 13,5 bilhões de dólares em 2013.

As operadoras celulares detém os dados sobre como seus usuários utilizam telefones, mas até agora vinham se mostrando relutantes em explorar essa informação por receio de levantarem questionamentos sobre privacidade dos clientes.

“Nos reunimos em uma coalizão de interesses e dissemos ´vamos tentar alguma coisa´”, afirmou Henry Stevens, que é responsável por publicidade móvel na GSM Association.

Stevens afirmou que levou quase três anos de conversas para tirar o projeto do papel e que as cinco operadoras celulares britânicas concordaram em fornecer dados anônimos de uso de Internet para a criação do produto.

Ele afirmou que a associação espera repetir o exercício em outros mercados depois da Inglaterra, que foi escolhida por seu tamanho e estágio relativamente maduro de desenvolvimento.

Os dados disponibilizados por O2, da Telefônica; Vodafone, Orange, T-Mobile e 3UK mostram que 16 milhões de pessoas no Reino Unido acessaram a internet de seus celulares em dezembro.

Os usuários visitaram 6,7 bilhões de páginas e gastaram 4,8 bilhões de minutos online a partir de seus aparelhos.

Os sites mais visitados foram Facebook, páginas do Google e da Telefônica, em termos de número de usuários. Com relação a número de páginas vistas e tempo gasto no site, o Facebook foi disparado o destino mais popular.

Compradores de espaço publicitário afirmaram que uma medição transparente poderá tornar possível o planejamento de campanhas de publicidade móveis e medir o sucesso dessas iniciativas da mesma forma com que fazem com outras mídias.

“Dados básicos de audiência é o ponto de partida”, disse Bob Wootton, diretor de marketing e publicidade da associação britânica do setor de propaganda ISBA, no lançamento de novo produto no final de ontem.

Info Online
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Circula na internet, um vídeo e fotos, do que se diz ser o tablet do Google.
A belezura, espalham os boatos, seria lançado juntamente com o sistema operacional Chrome OS.
Será que teremos mais um concorrente para o Kindle da Amazon e para o iPad da Apple?

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A estratégia alucinada por trás do tablet de Jobs

O iPad é a segunda coisa mais ousada que Steve Jobs fez em sua vida. E, a estas alturas, o prezado leitor está lá pensando com seus botões: “coitado, o colunista pirou.” É só um iPhone grande.

Sim, é. O tablet de Jobs não é uma revolução. É evolução de uma linha bem sucedida de produtos. Mas trata-se de uma jogada arrojada que vem de uma estratégia alucinada.

Ele, afinal, quer concorrer com a web.

A corrida é pela internet móvel. De um lado do ringue está o Google. A trupe da cidadezinha de Mountain View tem uma vantagem: sua plataforma Android é aberta e portanto serão muitos os smartphones e tablets com o sistema. Os aparelhos podem parecer caros hoje. Mas haverá modelos vendidos a US$ 100 lá por 2013. Telefonia celular sempre avançou muito rápido e com a internet móvel não será diferente.

O Google abre as portas para um mundo que os navegantes já conhecem. É a internet da boa e velha web, aberta como sempre foi.

Do outro lado está a Apple. Promete uma multimídia mirabolante. Há um formato para livros – e o livro texto de medicina permitirá ao estudante vasculhar por dentro do corpo humano com filmes e cores e sons aos quais ele jamais teve acesso.

E um formato para periódicos – o jornal e a revista mantêm a diagramação elegante do papel, mas a ela somam-se a atualização continuada da internet, filmes, galerias de fotos. As vantagens de um e as do outro. Isso, para não falar dos games. Tudo estruturado numa plataforma que já é conhecida. A da dupla iPod e iTunes.

A vantagem do Google virá no preço e no fato de que todos já estão habituados com a web aberta.

Mas que ninguém dispense a Apple – ela também conta com uma vantagem no momento em que a internet fica móvel: os produtores de conteúdo estão do seu lado. Estúdios de cinema, gravadoras, jornais, revistas, editoras, game houses, quem produz conteúdo quer um ambiente já aceito pelo mercado no qual possa vender o que produz.

E, se o melhor conteúdo estiver fora da web aberta, talvez a Apple possa virar esse jogo.

Neste ambiente, Microsoft e RIM, do Blackberry, correm desesperadas atrás. Para não falar da pobre Palm.

Ao decidir concorrer com a web, Steve Jobs faz a segunda coisa mais ousada de sua carreira. A primeira foi o computador pessoal.

Pedro Doria/Estadão

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Tempos atrás fui consultado em relação à legalidade ou não da prática do wardriving e do warchalking. Até então, eu sabia da existência de tais condutas, mas desconhecia que já haviam sido batizadas.

Wardriving é, basicamente, uma prática em que, na direção de um veículo pelas ruas da cidade, munido de um notebook equipado com uma placa de rede sem fio, parte-se em busca de redes wi-fi (wireless fidelity) abertas ou que possuam falhas na sua segurança, com o intuito de acesso à Internet de forma gratuita.

Warchalking é um termo criado para designar a ação de marcar com giz, ou de alguma outra forma visível aos transeuntes, a presença de pontos de Internet a radio (wi-fi) que têm redes inseguras ou abertas, já previamente detectadas pela prática do wardriving. Foram criados, inclusive, adesivos e símbolos para difusão das informações.

Sem nos aprofundarmos na parte técnica das condutas, após rápida navegada pela web percebemos que são práticas bastante difundidas nos Estados Unidos e em diversos países, inclusive no Brasil. A ação é tão conhecida que no dia 03 de novembro de 2001 foi criado o Dia Mundial do Wardriving, comemorado anualmente naquela data. Uma busca simples pelo Google trará diversos resultados com páginas bem interessantes.

Vamos iniciar nossa análise, a fim de que possamos concluir sobre a legalidade ou não de tais práticas. Nossa primeira análise vai partir de nossa Constituição Federal.

I. Legislação vigente

O inciso X do artigo 5º da Constituição da República prevê a inviolabilidade do sigilo das correspondências e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e nas formas que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.

Este inciso protege um direito fundamental de suma importância para a análise do presente assunto. Ele trata, no âmbito do nosso estudo, da inviolabilidade do sigilo das comunicações de dados, ou seja, o sigilo de toda e qualquer transmissão de dados é protegido por lei e, consequentemente, não deve ser violado.

Partindo desta informação inicial, chega-se à simples conclusão de que a interceptação de dados de terceiros, quando não autorizada judicialmente (nos casos previstos em lei) é ilegal, seja por qual meio for. Assim, a prática não autorizada pela Constituição é a de violar o sigilo de transmissão de dados, como ler um e-mail alheio, por exemplo, tema controverso que será abordado no próximo artigo.

A Constituição protege o sigilo das informações que estão sendo transmitidas por ambiente eletrônico. Mas e se nenhum dado de terceiros for violado? A prática do wardriving e a do warchalking, em teoria, não engloba a invasão de dados de terceiros, somente, em tese, a utilização de sua rede wi-fi para acesso à Web. Temos de partir para uma melhor especialização e análise de leis infraconstitucionais, como o Código Penal, por exemplo. O artigo 153 prevê que “divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem” configura um ilícito penal. Entendemos que tal prática se aproxima da conduta não autorizada pela Constituição da República (violar sigilo de transmissão de dados), sem também se aproximar da prática do wardriving ou do warchalking. Mas devemos explorar melhor a legislação de nosso país, que, infelizmente, é bastante pulverizada e extensa.

Há quem defenda, e eu ouso discordar, que o artigo 155 § 3º do Código Penal (Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa móvel alheia. § 3° Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.) poderia ser aplicado ao caso, mas tal opinião vai contra nosso entendimento, pois a lei se refere à energia elétrica ou outro tipo de energia que tenha valor econômico. É cristalina a diferença entre energia e ondas de rádio, sendo, portanto, ao meu ver, inaplicável tal dispositivo legal. Entendo que a intenção do legislador foi a de proteger quaisquer outros tipos de energia que por ventura viessem ou venham a ser criados.

Analisando a Lei 9.296/96, que trata da interceptação telefônica, o parágrafo único do artigo 1° nos traz que o disposto naquela “lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”. Há discussão em relação à constitucionalidade deste parágrafo único, pois o texto da Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 5°, inciso X, traz que somente poderia haver interceptação legal no caso das comunicações telefônicas, sendo que para esta corrente, seria ilegal a interceptação de dados informáticos, mesmo com autorização judicial.

Também não é nosso objeto tal discussão, pois o que nos interessa é o artigo 10 da Lei de Interceptação Telefônica (Lei 9.296/96), que dispõe que “constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou de telemática (…) sem autorização judicial”.

A expressão “interceptar” parece ter sido utilizada de forma menos abrangente que a “intenção” da lei, pois nos traz o sentido de interromper, obstar, impedir, apoderar-se do que é dirigido a alguém, mas a prática e a análise do “animus” do legislador nos levam a entendimento contrário. É só pensar numa “interceptação” telefônica. Sabemos tratar-se somente de uma “escuta”, com ou sem a gravação da conversa, sem conhecimento dos que estão sendo “gravados”, sem interromper ou perder algum dado da ligação. E da mesma forma deve ser pensada a interceptação de dados informáticos.

Assim, para os que entendem ser constitucional a interceptação de dados de informática e telemática (Luis Flávio Gomes e Guilherme de Souza Nucci) tal conduta sem autorização judicial configura o crime do artigo 10, e da mesma forma, seguindo os ensinamentos dos nobres doutrinadores que defendem a inconstitucionalidade (Vicente Greco Filho e Luiz Francisco Torquato Avolio), a interceptação sem autorização também estaria tipificada pelo mesmo artigo 10 da Lei. 9.296/96. Por este motivo que a discussão em relação à constitucionalidade da lei nos parece ser inerte em nosso estudo atual, apenas no que se refere ao tema abordado.

Importante atentar para o fato de que a tipificação acima diz respeito às situações em que há interceptação de dados que estão sendo transmitidos ou recebidos pela suposta vítima. Os praticantes do wardriving e do warchalking se defendem com o argumento de que não acessam dados da vítima, somente fazem uso de sua conexão de Internet, imaginando que tal conduta não prejudica ninguém.

Vez por outra a mídia noticia sobre ligações clandestinas (“gatos”) em TVs a cabo. Será que há alguma semelhança entre as condutas objetos deste estudo e a “GatoNet”? Entendemos que sim, pois em ambas, teoricamente, a vítima não é prejudicada (no caso da Internet, a velocidade de conexão da vítima poderá ser prejudicada nos momentos em que o intruso a utiliza), só estaria pagando para que um “mais esperto” utilize eu serviço, que normalmente não é barato.

Em que pese serem condutas muito parecidas, há entendimento pacifico em relação à prática do “gatonet”, configurando-a como crime. Porém, em relação ao wardriving sem acesso a informações e dados da vítima, não há corrente majoritária bem definida. Muitos defendem a corrente de equiparação ao furto de energia que tenha valor econômico. Parece que esta tese é bem aceita pelo Judiciário, apesar de aparentemente não condizer com a realidade.

II. O projeto de lei

Ademais, importa salientar que existem diversos Projetos de Lei tratando sobre Crimes Eletrônicos, porém três dos mais importantes [Projeto de Lei da Câmara (PLC) n° 89, de 2003 (n° 84, de 1999, na origem), e os Projetos de Lei do Senado (PLS) n° 137, de 2000, e n° 76, de 2000] foram unidos em um único PLC, atualmente em trâmite no Senado Federal, sob n.° 89/2003.

Neste projeto, que deveria ter sido votado no primeiro semestre de 2007, conforme promessas do Relator do Projeto, o Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), há a previsão de que a conduta tratada neste artigo passe a ser considerada crime, criando o artigo 339-A no Código Penal Brasileiro:

Art. 339-A. Acessar indevidamente, ou sem autorização, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

§ 1º Nas mesmas penas incorre quem fornece a terceiro meio indevido ou não autorizado de acesso a dispositivo de comunicação ou sistema informatizado.

§ 2º A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se vale de anonimato, de nome suposto ou da utilização de identidade de terceiros para a prática de acesso.

Alguém deve estar imaginando: Quem seria louco de sair com um notebook na rua e ficar dentro de um veículo navegando na Internet, se expondo ao risco de ser assaltado, só para poder economizar com um serviço de Internet? Eu mesmo respondo: Esta conduta facilita a ação de crackers e outros criminosos “virtuais” do ambiente eletrônico, fazendo com que a sua localização se torne quase que impossível, facilitando diversas condutas criminosas.

Importa salientar que há formas, bem simples, de proteger sua rede wi-fi, por meio da utilização de criptografias. A maioria dos equipamentos à venda no mercado nacional e internacional traz este dispositivo.

III. Conclusão

Após pesquisa e leitura de diversos autores, pude formar a minha opinião no sentido de que as práticas do wardriving e do warchalking, apesar de serem não éticas e não recomendadas, ainda não se encontram tipificadas como crime na legislação vigente no Brasil. Importa salientar que há entendimentos contrários, inclusive de Delegados de Polícia e de Magistrados que continuam a entender tratar-se de “furto de sinal”, e, em que pese a dificuldade de flagrar alguém na conduta, e o fato de a instauração de procedimento policial de investigação depender de “queixa” da vítima, continuo desaconselhando a prática do wardriving e do warchalking.

Aguardemos, então, a provável aprovação da Lei de Crimes Eletrônicos.

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Rafael Correia/iMaster
Delegado da Polícia Civil do ES. Graduado em Direito e Pós-Graduado em Direito Processual Civil pela FDV. Autor de diversos artigos na área do “Direito Eletrônico” e “Direito e Internet”. Site pessoal: www.rafaelcorrea.com.br
rafael@rafaelcorrea.com.br

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