A equipe do Google+ anunciou nesta segunda-feira (07/05) que tem novidades no Hangouts, seu serviço de videoconferência dentro da rede social.

Segundo o blog da companhia, a partir de hoje, usuários poderão transmitir seus vídeos ao vivo para toda a web através da ferramenta chamada de Hangouts On Air.

Antes de começar um Hangout, marque a opção “Ativar Hangouts On Air” e, depois, basta ativar a novidade clicando no botão “Iniciar transmissão”.

A partir daí, o vídeo será transmitido ao vivo, via perfil do Google+ ou canal no YouTube.

Além disso, é possível embedar a transmissão em qualquer site ou blog.

A rede social ainda disponibiliza um recurso que permite que, durante a transmissão, você veja quantas pessoas estão te assistindo, e ainda grave ou compartilhe o vídeo com quem não pode acompanhá-lo.

Ao terminar a sessão, o YouTube faz o upload automático da gravação para o seu canal no YouTube e posta o vídeo no seu perfil do Google+.

A equipe do Google+ anunciou nesta segunda-feira (07/05) que tem novidades no Hangouts, seu serviço de videoconferência dentro da rede social.

Segundo o blog da companhia, a partir de hoje, usuários poderão transmitir seus vídeos ao vivo para toda a web através da ferramenta chamada de Hangouts On Air.

Antes de começar um Hangout, marque a opção “Ativar Hangouts On Air” e, depois, basta ativar a novidade clicando no botão “Iniciar transmissão”.

A partir daí, o vídeo será transmitido ao vivo, via perfil do Google+ ou canal no YouTube.

Além disso, é possível embedar a transmissão em qualquer site ou blog.

A rede social ainda disponibiliza um recurso que permite que, durante a transmissão, você veja quantas pessoas estão te assistindo, e ainda grave ou compartilhe o vídeo com quem não pode acompanhá-lo.

Ao terminar a sessão, o YouTube faz o upload automático da gravação para o seu canal no YouTube e posta o vídeo no seu perfil do Google+.

Olhar Digital

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Tribunal decidiu que site coloque filtros para impedir violações.
Órgão alemão representa 60 mil escritores e músicos do país.

Um tribunal alemão determinou que o YouTube instale filtros para impedir que os usuários façam upload de clipes de música cujos direitos são detidos por um órgão do país.

Segundo a agência de notícias alemã “Dapd”, o tribunal estadual de Hamburgo decidiu nesta sexta-feira (20) a favor do órgão chamado Gema, que representa cerca de 60 mil escritores e músicos alemães.

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A Gema é uma entidade alemã que cuida do recolhimento de direitos autorais.

O órgão e outros grupos entraram com o processo contra o site de vídeos do Google em 2010.

A ação se refere a vídeos publicados no site sem autorização ou pagamento de royalties.

Conforme a “BBC”, o órgão alemão disse no tribunal que o YouTube não fez o suficiente para impedir que vídeos protegidos por direitos autorais não fossem publicados no site.

O caso na Alemanha foi baseado em sete clipes postados no YouTube.

No entanto, se a companhia for obrigada a pagar royalties para todos os vídeos musicais publicados no site, pode ter que desembolsar uma grande quantia, segundo a “BBC”.

A corte de Hamburgo parcialmente deu razão ao YouTube ao concluir que o site não tem a obrigação de, proativamente, procurar possíveis violações de direitos autorais, mas ressaltou que a página precisa tomar atitudes quando os proprietários dos vídeos pedem.

O YouTube disse que não tem qualquer responsabilidade legal pelo conteúdo enviado ao site.

A companhia ainda afirmou que verifica e bloqueia conteúdo quando os usuários alertam a empresa sobre supostas violações.

Atualmente, estima-se que cerca de 60 horas de vídeo são carregadas para o YouTube em todo o mundo a cada minuto.
G1 

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Serviço de armazenamento deve ser lançado na próxima semana.
O Google vai lançar o serviço de armazenamento de arquivos na nuvem, chamado Google Drive ou GDrive, na próxima semana, informou o site “The Next Web”, que teve acesso a um comunicado de um dos parceiros do Google no lançamento.

Conforme o “The Next Web”, o serviço será inicialmente gratuito e dará 5 GB de armazenamento para cada usuário. O lançamento deve acontecer na próxima terça-feira (24) pelo site http://drive.google.com, que ainda não está funcionando.

Serviços similares como o Dropbox e o Box oferecem espaços de armazenamento, de graça, de 2 GB e 5 GB, respectivamente. O serviço do Google vai permitir ao usuário guardar dados como arquivos de texto, fotos, vídeos e músicas.

De acordo com o “The Next Web”, o Google Drive terá pastas no desktop de computadores Mac e Windows. Porém, ainda não se sabe o serviço vai ganhar um ícone no Mac como já acontece com o Dropbox.
G1

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Esqueça os robôs humanoides e os mordomos mecânicos educados, que põem a mesa e colocam as crianças para dormir, típicos de filmes de ficção científica.

Os primeiros traços de humanidade incorporados por máquinas já começam a aparecer, em grande escala, nas ferramentas de buscas.

GOOGLE SAPIENS

Sites de busca investem em sistema de pesquisa mais ‘humano’
Sites têm de entender seus desejos, diz primeiro funcionário do Google

Amit Singhal, engenheiro sênior do Google, disse ao “Wall Street Journal” que, nos próximos meses, o mecanismo de busca da empresa será mais parecido com “a forma como os humanos entendem o mundo”.

É a próxima geração das buscas, processo em curso “há vários anos”, segundo ele.

Singhal fala da busca semântica, sistema incorporado pelo Siri (assistente virtual da Apple presente no iPhone 4S) e por outro punhado de serviços que estão no mercado, como Wolfram Alpha, Sensebot e Yummly.

Atualmente, o modelo de buscas está baseado na relevância dos conteúdos dos sites e na quantidade de compartilhamentos do link da página, entre outros fatores.

Na busca semântica, esse modelo funciona a partir do cruzamento de dados, que são “interpretados” pelas máquinas para compreender o sentido dos termos buscados e, assim, oferecer resultados cada vez mais eficazes.

Trocando em miúdos: ao fazer uma busca, você poderá receber uma resposta direta, como um ser humano daria, em vez das grandes listas de endereços atuais.

“Fizemos progresso com a conversão de dados em informação e podemos dizer que estamos engatinhando na direção correta para transformar informação em conhecimento para as pessoas”, disse o Google em nota à Folha.

Apesar de o buscador Bing ainda estar em fase beta, a Microsoft também mostrou sinais de que pretende investir na busca semântica.

A companhia comprou, em 2008, a start-up de pesquisa inteligente Powerset e incorporou elementos semânticos ao Bing (por enquanto, apenas na versão norte-americana), tais como respostas diretas e simples para perguntas como “quando é a Páscoa?”.

PROATIVIDADE

O sistema semântico, quando aperfeiçoado, vai se tornar tão bom que não será preciso nem fazer as buscas, preveem os mais otimistas.

Segundo Rui Tramontin, professor-doutor de engenharia da computação na Universidade Federal de Santa Catarina, as possibilidades são gigantescas.

“Em um futuro próximo, o seu celular será capaz de captar uma dúvida sua durante uma conversa. Ou, de posse de seus gostos, ele poderá sugerir filmes ou restaurantes que sirvam seu tipo de comida, sem que você precise fazer pesquisa alguma. Será tudo baseado em contexto.”
ALEXANDRE ORRICO/Folha de S.Paulo

Ilustração de Caco  Galhardo/Folha Press


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Tela do OpenStreetMap, que cria mapas com a ajuda de usuários. (Foto: Reprodução)

Aplicativos de localização são baseados em conteúdo de seus usuários.
Waze e OpenStreetMap são exemplos de programas do tipo.

Quando Benjamin Gleitzman se mudou de Nova York para San Francisco, ele usou um aplicativo de mapas para guiá-lo por meio dos Estados Unidos. No meio do Estado de Wyoming, a voz do programa disse para ele virar à esquerda, mas ali não havia nenhuma passagem.

No lugar de reclamar para a criadora do aplicativo, uma companhia chamada Waze, ele entrou no sistema de mapas e colocou um aviso para outras pessoas que estivessem dirigindo pela região, dizendo que aquela estrada não existia.

Esse tipo de atitude segue se tornando popular ao redor do mundo. Inspirados na ideia de colaboração da Wikipédia, serviços como o Waze juntaram multidões de contribuidores voluntários com smartphones equipados com GPS para mapear as estradas. Consumidores, empresas e outras organizações acabaram dependendo desses mapas, do tipo crowdsourced, cuja autoria é de uma comunidade.

“Eu posso ver como os mapas melhoram a cada dia”, disse Gleitzman, um programador de 25 anos, que depende do Waze para se guiar no trânsito em San Francisco.

A Waze foi criada em Tel Aviv, em 2006, como um projeto de mapeamento open source chamado Freemap.

A empresa afirma que hoje tem 14 milhões de motoristas ao redor do mundo, incluindo mais de um milhão apenas em Israel.

Do total de usuários, a Waze conta que cerca de 45 mil editam as informações de localização e outros 5 mil gerenciam os mapas para garantir sua precisão.

“Nosso objetivo de vida é fazer com que você economize uns cinco minutos por dia a caminho do trabalho”, disse Noam Bardin, CEO da empresa. Segundo ele, o poder da multidão é “um jeito melhor” para mapear o mundo.

O OpenStreetMap é um outro esforço que acredita no mesmo conceito para a criação de mapas, mas segue mais de perto o modelo sem fins lucrativos da Wikipédia.

Como a enciclopédia virtual, qualquer um pode ir ao site do OpenStreetMap e adicionar ou editar informações. Qualquer um pode usar os mapas e não há cobrança.

Criado no Reino Unido no começo dos anos 2000, o serviço cresceu para meio milhão de usuários registrados, incluindo 16 mil contribuidores muito ativos, de acordo com a organização.

Especialmente popular na Grã Bretanha e na Alemanha, OpenStreetMap é construído por usuários que rastreiam suas viagens por meio de sistemas de GPS e conectam os pontos para criar rodovias, ruas e trilhas de escalada em mapas digitais.
G1

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O Google adotou uma nova política de privacidade no início de março.

A nova política muda apenas a forma que o Google pode relacionar seus dados: antes, cada serviço do Google era separado; agora, se uma mesma conta for usada em mais de um serviço, os dados podem ser relacionados.

Embora o Google não esteja coletando nada além do que já coletava, muitas informações suas provavelmente já estão com eles, mesmo que você não seja cadastrado em nenhum serviço.

A boa notícia é que você pode ter uma ideia do quanto o Google sabe sobre você, e até controlar algumas coisas.

Histórico da web e do YouTube
O Google é capaz de registrar todas as suas pesquisas, além de outras atividades, e associá-las à sua conta do Google, se você tiver feito o login antes de usar o site, ou mesmo anonimamente – mesmo que você não tenha feito o login.

O site que você visitou – depois de ter feito a pesquisa – também fica registrado.

Essa configuração pode ser controlada no endereço google.com/history e deve ser sua principal preocupação em relação à sua privacidade no uso dos serviços do Google.

O Google argumenta que o histórico da web permite refinar as buscas e dar resultados mais relevantes, porque permite que a empresa saiba melhor o que você procura.

Independentemente, é o recurso mais invasivo quanto à privacidade e seu uso deve ser considerado.

O YouTube tem o mesmo recurso e o ajuste é separado. As configurações estão acessíveis em youtube.com/my_history

Preferências de anúncios
A página localizada em google.com/ads/preferences informa o que o Google “acha” que sabe sobre você.

Essas informações foram determinadas de forma anônima a partir dos sites que você visitou e que usavam o AdSense, a plataforma de publicidade do Google. Elas existem mesmo que você não tenha uma Conta Google.

É possível ver quais “categorias de interesse” o Google associou ao seu comportamento e também em qual perfil de navegação você se encaixou. Este colunista, por exemplo, foi colocado na faixa etária de 65 anos – o que não é muito correto, mas outros interesses foram identificados corretamente pelo Google.

Informações capturadas pelo Google nem sempre são precisas.
Essas informações ajudam a empresa a exibir anúncios publicitários mais próximos do seu interesse. Essas informações não são associadas ao seu nome ou outros dados que você cadastrou nos serviços do Google.

Dica: se você frequentemente vê um anúncio do Google que não lhe interessa, é possível bloquear aquele anúncio.

Basta clicar no link “Anúncios Google” ou “Ads by Google” (que deve estar no canto do quadro publicitário) e essa opção irá aparecer em uma tela em seguida.

Confira o ‘Dashboard’
O painel de controle dos serviços do Google, chamado de “dashboard”, resume várias coisas que o Google sabe sobre você, que podem incluir até mesmo seu modelo de celular e os aplicativos que você instalou no Android Market, se você usa um celular com o sistema Android.

Pode ser o caso de até o IMEI (identificador único do seu celular) estar registrado na sua conta.

Note que, apesar de algumas dessas informações estarem armazenadas pelo Google, várias delas são protegidas pela legislação.

Nenhum funcionário do Google pode ler suas mensagens de e-mail armazenadas no Gmail, por exemplo.

O mesmo vale para qualquer outro serviço do tipo, como o Hotmail, Yahoo ou até seu provedor de internet, que não pode monitorar sua conexão com a internet sem uma autorização da justiça.

Se você quer impedir que o Google associe todos os seus dados a uma única identidade, o que você precisa fazer é usar “Contas Google” diferentes para cada serviço: e-mail, YouTube, Google+, Picasa, etc.

Com isso, o Google não irá realizar o cruzamento dos dados.

Isso só não vale para os dados de publicidade, que você pode controlar de forma independente e mesmo sem estar logado, como já explicado.
Altieres Rohr/G1

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Por Evgeny Morozov ¹
O grande paradoxo da internet atual é que a web parece cada vez menos ordeira, no exato momento em que as companhias de tecnologia decidiram pregar as virtudes da ordem e do controle.

O Facebook serve como exemplo: recentemente, foi apanhado ainda hospedando fotos que usuários haviam pedido que fossem excluídas três anos atrás, enquanto um defeito em seu sistema de segurança permitia acesso público às fotos privadas de seu fundador, Mark Zuckerberg. Outro exemplo é o grupo de hackers Anonymous, que continua a divulgar informações pessoais sobre cidadãos privados e autoridades governamentais, com o objetivo de expressar grandes princípios políticos (ou como simples diversão). Há também a popular rede social Path, que recentemente foi flagrada transferindo conteúdo dos celulares de seus usuários para seus servidores.

Por sorte, o Path ao menos tomou algumas precauções de segurança. Sem elas, as agendas de contatos de seus 2 milhões de usuários já poderiam ter sido adquiridas pelo Anonymous. Isso não só representaria um ataque à privacidade dos usuários como poderia macular suas reputações. Afinal, quem pode saber que informações embaraçosas eles armazenam em seus celulares? Algo semelhante aconteceu no passado: em 2010, o Google estragou o lançamento do Google Buzz ao revelar os nomes dos contatos de e-mail mais frequentes de seus usuários –o que dificilmente serviu para melhorar a reputação do serviço.

O que se pode fazer? Uma solução seria tornar a web um lugar menos anônimo, para que seja possível rastrear e punir as ações de organizações como o Anonymous. Outra seria aceitar que desastres como esses são inevitáveis e manter o foco em administrar bem a reputação pessoal on-line. Diversas “start-ups” já vêm alardeando sua capacidade de rebaixar informações desfavoráveis sobre um usuário a posições menos visíveis em uma lista de retorno de buscas. O serviço pode custar milhares de dólares, o que criaria uma nova disparidade digital entre ricos e pobres.

A terceira solução, mais popular, é aceitar o chamado “direito de ser esquecido” – um direito tão ambíguo que nem mesmo seus proponentes costumam conseguir defini-lo. Em sua forma mais fraca, é questão de bom senso: os usuários deveriam ter a capacidade de excluir qualquer informação sobre si mesmos que tenham inserido em serviços on-line. Na forma mais forte -sob a qual usuários poderiam excluir informações pessoais em sites de terceiros ou serviços de busca -, é uma solução pouco realista e excessivamente restritiva.

No entanto, o “direito de ser esquecido” pouco fará para mitigar fiascos como o do Google Buzz ou o do Path, quanto menos regulamentará as ações do Anonymous. Embora possa servir para limitar a distribuição de informações divulgadas inadvertidamente, não consolará os usuários cuja reputação já tenha sido prejudicada pela distribuição inicial da informação. Às vezes, basta vislumbrar uma informação comprometedora para que danos sejam causados; o “direito de ser esquecido” pode fazer com que informações desse tipo desapareçam da internet –mas não fará com que sejam esquecidas pelos amigos ou parceiros de negócios da parte ofendida.

Eis uma solução mais elegante: precisamos de um sistema de seguro compulsório contra desastres on-line. Pois a revelação acidental de uma informação on-line não passa de um desastre on-line – um feroz tsunami artificial capaz de destruir uma reputação da mesma forma que um tsunami real destruiria uma casa.

Assim, caso o Facebook se esqueça de excluir a foto que um usuário achou ter apagado anos atrás, ou o Google divulgue acidentalmente toda a lista de contatos dele  - e, mais importante, se o usuário for capaz de provar que isso lhe causou danos verificáveis (por exemplo, um ex-namorado maluco começou a perseguir uma usuária on-line por conta disso), a pessoa teria direito a compensação monetária.

Então caberia a ela decidir se aceita o dinheiro e começa uma vida nova na rede ou se usará os serviços de uma das “start-ups” mencionadas acima para reparar sua reputação on-line. E as quantias não precisam ser modestas; já que apenas uma pequena proporção de usuários sofre danos reais com revelações como essas, um pequeno pagamento mensal de todos os usuários bastaria para levantar fundos substanciais a serem usados na ajuda a quem de fato esteja com problemas.

O esquema tem muitas vantagens. Acima de tudo, ele não interfere na maneira pela qual a internet funciona. Não existe necessidade de eliminar o anonimato on-line ou de criar uma estrutura sofisticada de censura, algo que o “direito de ser esquecido” requereria. Segundo, ele oferece às vítimas dos tsunamis da informação ao menos um resquício de compensação adequada. Seria o fim das promessas vagas de que “isso não voltará a acontecer”; as vítimas receberiam dinheiro vivo. Terceiro, seria uma forma de nivelar o jogo no que tange o acesso aos serviços de proteção à reputação on-line e promoveria o ideal de igualdade – porque não seriam mais apenas os ricos que seriam capazes de pagar milhares de dólares para reparar suas reputações.

O mais importante é que o sistema preserva o espírito de inovação da internet. As companhias de internet não precisariam reformular seus modelos de negócios a fim de acomodar as demandas mais exóticas associadas ao “direito de ser esquecido”. Da mesma forma, usuários comuns que já estejam sentindo certa paranoia quanto às suas reputações não precisariam excluir todas as suas contas da internet nem teriam de virar eremitas digitais. Mesmo que o Anonymous revele todos os fatos conhecidos sobre suas vidas, eles receberiam ao menos alguma compensação monetária.

Esse seguro de reputações on-line não é uma panaceia, claro –não deveria substituir o Estado de Direito como ferramenta primária de promoção do interesse público. Empresas descuidadas com os dados de seus usuários ainda deveriam ser processadas e multadas. Mas um esquema de seguros como esse ofereceria algum consolo àqueles de nós que se viram lançados aos confins mais kafkianos da internet.

Por que tornar o sistema compulsório? As pessoas que não usam a internet não deveriam ser isentas? Infelizmente, uma pessoa não precisa usar a internet para ter sua privacidade invadida por ela. Alguém pode ser identificado em uma foto embaraçosa no Facebook sem saber coisa alguma sobre o Facebook. Da mesma forma, quando o Anonymous ataca os bancos de dados on-line de agências do governo, todo cidadão se torna uma possível vítima.

É claro que, como acontece com toda proposta inovadora, existem centenas de detalhes a resolver. Mas esses não representam desafios intransponíveis. De fato, algumas seguradoras – entre as quais gigantes como a AIG – já oferecem a seus clientes empresariais “seguros de reputação” semelhantes ao seguro para vítimas da internet. O necessário agora seria torná-los acessíveis e úteis para os indivíduos, resolvendo algumas das questões mais prementes.

Por exemplo, medir ou mesmo definir o que constitui “dano” a uma reputação on-line pode ser complicado. Mas a crescente quantificação de nosso status social na web – onde somos definidos e avaliados com base nos amigos que temos online– pode em breve tornar essa tarefa mais fácil.

Além disso, deveríamos evitar a criação de um risco moral, ou seja, dar aos usuários incentivos para distribuir fotos embaraçosas de si mesmos na internet com o objetivo de receber indenização por isso no futuro. Ao mesmo tempo, também será um desafio garantir que os indivíduos em risco – aqueles que têm contas genuínas em múltiplas plataformas de internet – não sofram discriminação ou tenham de pagar demais às seguradoras. Mas esse princípio de seleção adversa pode ser superado caso o programa de seguros seja administrado pelo governo.

Da perspectiva da inovação, seria possível afirmar que os interesses da sociedade são servidos quando temos grande número de usuários testando o maior número possível de novos serviços da internet. Portanto, conferir a eles o seguro on-line mais abrangente pode até mesmo representar um objetivo digno, na arena da política pública.

Não avaliar os benefícios de esquemas de seguros como o proposto e ao mesmo tempo abraçar slogans populistas vagos tais como o “direito de ser esquecido” é orientar indevidamente uma política de internet. Uma política de internet inteligente, por outro lado, deveria se ocupar com a maximização do “bem-estar de informação” e fazer seu melhor para criar e defender um “Estado de bem-estar da informação”. Uma rede de segurança digital poderia tornar a internet mais humana sem prejudicar a inovação.
Folha.Com

Tradução de PAULO MIGLIACCI
¹ Evgeny Morozov é pesquisador-visitante da Universidade Stanford e analista da New America Foundation. É autor de “The Net Delusion: The Dark Side of Internet Freedom” (a ilusão da rede: o lado sombrio da liberdade na internet). Tem artigos publicados em jornais e revistas como “The New York Times”, “The Wall Street Journal”, ” Financial Times” e “The Economist”. Lançará em 2012 o livro “Silicon Democracy” (a democracia do silício). Escreve às segundas-feiras, a cada quatro semanas.

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Gigante das buscas diz que vê ação do órgão com ‘surpresa e apreensão’.
Ecad diz que tem embasamento legal para cobrar taxas de blogs.

“Vemos com surpresa e apreensão o recente movimento do Ecad na cobrança direta a usuários da ferramenta de inserção (“embed”) do Youtube”, disse Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas e relações Governamentais do Google Brasil, em um post no blog da empresa (leia o post no blog do YouTube Brasil).

A ferramenta “embed” permite que os vídeos sejam colocados nas páginas de blogs e outros sites –assim, eles não precisam ser vistos na página do próprio YouTube.

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Ecad diz ser legal cobrança de taxa de blogs que usam vídeos do Youtube

Leonardi lembrou que o Google e o Ecad têm um acordo assinado. Segundo ele, durante as negociações, “tomamos um enorme cuidado para assegurar que nossos usuários poderiam inserir vídeos em seus sites sem interferência ou intimidação por parte do Ecad”.

O representante do Google diz que reconhece o papel do órgão no Brasil, mas o contrato não permite a coleta de pagamento dos usuários.

De acordo com o Google, o Ecad não pode fazer a cobrança dos blogs porque, na prática, esses sites não hospedam ou retransmitem qualquer conteúdo ao associam um vídeo do YouTube á sua página (por meio da ferramenta de “embed”).

“Como esses sites não estão executando nenhuma música, o ECAD não pode, dentro da lei, coletar qualquer pagamento sobre eles”, afirmou Leonardi.

O executivo do Google também se diz preocupado com o conceito do Ecad sobre o que seria uma “execução pública na Internet”.

“Tratar qualquer disponibilidade ou referência a conteúdos online como uma execução pública é uma interpretação equivocada da Lei Brasileira de Direitos Autorais”, disse.

Leonardi finaliza o post dizendo que o Google espera “que o Ecad pare com essa conduta e retire suas reclamações contra os usuários que inserem vídeos do YouTube em seus sites ou blogs”.

Os usuários que colocam seus vídeos no Youtube podem escolher se querem que o vídeo seja incorporado a outro site por meio do “embed”.
G1

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A discussão relativa à privacidade na Internet perpassa pelo reconhecimento de quanto estão defasadas as legislações em seu mais amplo espectro do Direito, em se tratando de tecnologia da informação.
O congresso americano criou o E.C.P.A (Eletronic Communications Privacy Act). O E.C.P.A considera ilegal que qualquer indivíduo ou o governo intercepte ou “abra” qualquer mensagem digital. Monitorar uma linha de comunicação digital, ou monitorar o que está sendo digitado no computador, infringe o E.C.P.A.

Sempre que ouço falar em ‘marco regulatório’ vislumbro, sempre, a sombra de uma tesoura. O grande desafio é compatibilizar o combate ao crime ao mesmo tempo em que não se imponha nenhum tipo de censura à liberdade de expressão, assegurando a todos o mais amplo acesso à informação.

O debate, por mais pueril e abstrato que seja, é sempre melhor que o silêncio. Seja o que acontece por interesses seja o que ocorre pela força da censura. Contudo, quando se trata de mídias digitais os ‘especialistas’ e todos os demais “ólogos” que se envolvem no debate ainda não entenderam que a internet é incontrolável. Por mais que se sofisme, não dá para esconder que todos os governos, de todos os matizes, sonham mesmo é com a posse de ferramentas legais que os permitam calarem quem se lhes opõe.
O mais é conversa fiada dissimulada em retórica legalista.

José Mesquita – Editor


Falta transparência às regras da internet, dizem especialistas.

O controle sobre o uso de dados pessoais no mundo digital deve ser do indivíduo, e as empresas devem informar com clareza como eles são utilizados.

Esses foram os principais pontos de consenso entre os participantes de um debate sobre privacidade realizado na CeBIT, feira de tecnologia que ocorre até sábado na Alemanha.

Participaram do painel “Dados Pessoais: A Moeda Corrente do Mundo Digital?”: Richard Allan, diretor de políticas públicas na Europa do Facebook; Lutz Heuser, chefe de tecnologia da AGT Internatonal e executivo-chefe do AGT Group Germany, organizações que atuam em segurança; Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia e comissária europeia para agenda digital; e Peter Schaar, comissário federal para proteção de dados e liberdade de informação da Alemanha.

A moderação foi feita por Dieter Kempf, presidente da Bitkom, associação alemã de empresas de tecnologia da informação, telecomunicações e novas mídias.

Para Kroes, dados pessoais são a moeda corrente da internet.

Até por isso, é necessária uma regulação que ofereça confiança e transparência para as partes envolvidas – mas ainda falta muito para isso, disse ela.

Allan, do Facebook, concordou sobre a carência de regras, mas disse que atenção e vínculo, não dados pessoais, são a moeda do mundo digital.

“Na internet, você luta para que as pessoas prestem atenção ao seu serviço e crie um vínculo com ele.”

Dados pessoais são como ativos, disse Schaar. Ou seja, têm valor.

E há muitas empresas, como o Facebook e o Google, com um modelo de negócios baseado no uso desses ativos.

É necessário discutir como dar o controle dos dados ao indivíduo, afirmou.

São eles têm que decidir sobre o uso de suas informações.

Esse controle não deve ser simplesmente uma tela com os termos e condições de uso do serviço, disse Heuser. “Você clica no botão e continua. Ninguém os lê.” Em sua visão, esses longos documentos são “uma maneira inapropriada de oferecer transparência”.

Kempf provocou: e se um aplicativo instalado no celular puder, sem avisar, acessar dados de localização e lista de contatos? “Isso é transparência?” O aplicativo deve informar o usuário, respondeu Heuser, não com termos e condições, mas com um aviso na tela avisando quais dados pessoais serão disponibilizados.

Um simples aviso é insuficiente, acredita Schaar.

“Precisamos de mais informações”, disse. Por exemplo, o que será feito com os dados, quanto tempo eles ficarão armazenados. Uma possibilidade seria oferecer informações básicas em uma primeira tela e um link com detalhes adicionais para quem estiver mais interessado.

O desafio é exatamente ser abrangente e simples ao mesmo tempo, emendou Allan. “Se deixarmos algo de fora, somos criticados.”

Por isso, o Facebook tem longos documentos bem detalhados, mas também ferramentas simples de controle, disse.

Ao tentar instalar um aplicativo na rede social, por exemplo, uma tela avisa que dados são acessados e oferece um link para a política de privacidade do programa.

Também é importante que as pessoas entendam o significado das informações lhes são expostas, disse Schaar.

As empresas precisam falar a mesma língua do usuário, disse Schaar.

E as redes sociais, por sua vez, não falam ou não entendem o idioma jurídico, disse Kroes, ao comentar desafios de montar uma regulação sobre privacidade na rede e responder a uma frase de Allan.

“Nós precisamos ser claros.”

O uso de dados pessoais é uma área em que todos –indústria, autoridades, reguladores– têm responsabilidades, concluiu.
Emerson Kimura/Folha de S.Paulo

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Smartphone Celular Sansung Galaxy

Em janeiro, os aparelhos inteligentes foram responsáveis por 43% do faturamento das fabricantes de celulares no Brasil, segundo a consultoria GfK.

Os smartphones vão se tornar, este ano, a categoria mais importante do mercado brasileiro de celulares. Em janeiro, os aparelhos inteligentes responderam por 43% do faturamento do setor, segundo dados da consultoria GfK. Até o fim do ano, devem ultrapassar os celulares convencionais.

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Como são mais caros que os chamados “feature phones” (aparelhos comuns), a participação dos smartphones, em unidades vendidas, é bem menor que a fatia que detêm no faturamento. Em janeiro, por exemplo, ficaram com 17,9% do volume.

“O crescimento dos smartphones é uma tendência mundial”, afirmou Claudia Bindo, gerente de negócios da GfK. A empresa de pesquisas estima que, neste ano, os celulares inteligentes serão 36% dos aparelhos vendidos, no mundo.

“Nos países desenvolvidos, os smartphones estão crescendo até mais rapidamente”, disse Claudia. “Um dos fatores que ajudam a desacelerar o crescimento nos países em desenvolvimento é a demanda por aparelhos com mais de um chip.”

Segundo a GfK, foram lançados 212 modelos de celulares no Brasil em 2011. Desse total, 70 eram smartphones. Somente quatro smartphones aceitavam mais de um chip. A tendência para este ano é que mais modelos de celulares inteligentes com mais de um chip cheguem ao mercado brasileiro, reduzindo essa barreira.

Diferentemente dos “feature phones”, o smartphone tem um sistema operacional aberto, que permite que desenvolvedores de aplicativos escrevam software para ele.

A maior fatia do mercado brasileiro está com o Android, do Google, que respondeu por 71% das vendas em janeiro. Outros exemplos são o iOS, da Apple, que roda no iPhone, e o Windows Phone, da Microsoft, que, assim como o Android, não é exclusivo de um fabricante.

Competição.

A LG foi uma das empresas que lançou um smartphone de dois chips no ano passado. A fabricante sul-coreana chegou tarde ao mercado, com a linha Optimus no fim de 2010, mas tem conseguido ganhar participação, com sua aposta no Android.

Segundo Rodrigo Ayres, gerente geral de estratégias de negócios de celulares da LG, uma das bases da empresa para alavancar o crescimento são tecnologias que vêm do próprio grupo, como a tela que exibe imagens tridimensionais sem necessidade de óculos, desenvolvida pela LG Display.

“Também lançamos aparelhos com telas com altíssimo brilho”, disse Ayres. A empresa partiu do zero em 2010 e chegou ao fim do ano passado, segundo o executivo, como a segunda maior fabricante de aparelhos com sistema Android no País.

Até o fim do mês, a Nokia vai lançar no Brasil os seus dois celulares com Windows Phone. “A expectativa do mercado é grande”, afirmou Vinícius Costa, gerente de produtos da Nokia, que aposta no espaço para a consolidação de um terceiro sistema operacional.

O mercado brasileiro de aparelhos é hoje, em sua maioria, um mercado de reposição. Poucos aparelhos vão para quem nunca teve antes um celular.

O gerente da Nokia destacou que pessoas que compraram celulares comuns, com acesso a apenas alguns serviços de internet, vão querer, em algum momento, migrar para os smartphones.

Mais barato. A queda de preços dos smartphones é um dos fatores que têm levado ao crescimento da categoria. Roberto Soboll, diretor de produtos de telecomunicações da Samsung, lembrou que, há dois anos, um celular inteligente custava por volta de R$ 2 mil.

“Atualmente, existem produtos de R$ 399 no mercado”, disse o executivo. “Este será o ano da consolidação do smartphone popular.”
Renato Cruz/O Estado de S. Paulo

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Google: Fora do funil

Enquanto o Google amplia seu filtro, outros buscadores optam por uma internet menos direcionada por dados pessoais.
Por Murilo Roncolato/Estadão

O Google mudou, unificou e simplificou sua política de privacidade na semana que passou e deixou entidades que zelam pelo respeito à proteção de dados pessoais e transparência na internet em alerta. Preocupada com as reações, a empresa faz agora uma “campanha educacional” para explicar as mudanças que devem afetar o modo como vemos a internet através dessa grande vitrine chamada Google.

A mudança faz que 60 dos seus produtos (como YouTube, Picasa e Gmail) sigam apenas uma política de privacidade. Antes, cada serviço tinha uma política própria. Com isso a empresa ganha a capacidade de associar informações pessoais do usuário. Oficialmente, a diretora de privacidade do Google, Alma Whitten, se pronunciou dizendo que essa “associação” já era feita antes entre os serviços, a novidade é que agora eles mesmos se habilitaram a combinar históricos de buscas do YouTube a outras informações pessoais, cedidas pelo usuário ou não.

Historicamente, o Google tem modificado seu algoritmo de buscas que determina quais páginas exibir a partir dos termos buscados para tornar os resultados cada mais personalizados. Ele vincula informações obtidas pelo acompanhamento da navegação do usuário por meio de cookies (esteja ele logado ou não), como localização e conteúdo compartilhado por amigos ou pelo próprio usuário em redes sociais.

A nova política dá mais uma passo nessa aventura do Google que pode resultar, como se preocupam alguns estudiosos, na criação de “bolhas”, fechando os usuários em círculos de temas e pessoas que o isolam da grande web.

O Google é o buscador mais usado no mundo (com 90,2% do tráfego no Brasil, segundo a Hitwise, e 66,2% nos EUA, segundo a Comscore) e atual dono do maior banco de páginas indexadas de toda a web. Em 2008, ano em que o último dado foi divulgado, o número estava em mais de 1 trilhão. Embora a disputa seja desigual, há outros buscadores úteis na web (veja abaixo) que vão além do Bing, que pertence à Microsoft, e do Yahoo.

Para conquistar o público mais preocupado com privacidade, sites como Startpage e DuckDuckGo usam o tema como meta para ganhar popularidade. O Duck-DuckGo, por exemplo, saltou de 200 mil visitas diárias em fevereiro de 2011 para 500 mil em dezembro e 1 milhão na segunda semana do mês passado.

O criador do site, Gabriel Weinberg, é um ex-estudante do MIT. Apesar do crescimento, ele já disse não ter dinheiro para competir com Google e Microsoft que atualizam seus bancos de dados periodicamente. Por isso, optou por construir um buscador melhor se concentrando no que considera “valores de longo prazo”: respostas instantâneas, com menos spam, privacidade de verdade e uma melhor experiência de pesquisa global.

Na bolha. No blog do Google, Whitten escreveu: “Se estiver logado no Google, você espera que nossos produtos trabalhem lindamente juntos”. Será mesmo?

Eli Pariser, autor do livro The Filter Bubble – What the internet is hiding from you (Bolha-filtro – O que a internet está escondendo de você, ed. Penguin, sem edição brasileira), disse em um TED de 2011 que, ao contrário do que se pensava originalmente, a web não é um ambiente livre dos “curadores” da informação.

“O que vemos é uma troca de bastão dos curadores humanos para os algoritmos”, disse. “Se os algoritmos decidirão o que veremos, precisamos ter certeza de que eles não estarão atados apenas à relevância, mas também a coisas importantes, desconfortáveis, desafiadoras, de outros pontos de vista.”

A empresa californiana alega que as alterações em seus algoritmos sempre tiveram o objetivo de oferecer o conteúdo mais relevante e confiável para o usuário. Por isso a necessidade de guardar informações pessoais. Por outro lado, o rendimento do Google vem da publicidade por meio dos anúncios direcionados. E dados pessoais do usuário são necessários para isso.

Em entrevista ao Link, Ken Auletta, autor de Googled (Ed. Agir), diz que o “cabo de guerra” entre atender anunciantes e ajudar usuários pode fazer que ele perca a credibilidade conquistada nos 14 anos de existência.

“O Google se gabava de ser livre e neutro. Mas hoje ele também produz seu próprio conteúdo e luta para manter os usuários em seus sites em favor próprio, colocando-os no topo dos resultados ”, diz o escritor e jornalista americano. “Em paralelo, ele descobriu que os anunciantes desejam obter mais informações, por isso, como o Facebook e outros sites, procura extrair mais dados dos usuários. Isto pode ser compartilhado com os anunciantes que estão dispostos a pagar o preço por estas informações.”

Alternativas

Bing: O buscador da Microsoft segue quase a mesma lógica de privacidade que o Google e tem um banco de páginas indexadas menor que o rival. Não busca vídeos e não relaciona imagens e outras categorias de busca na página de resultados. Br.bing.com

Yahoo: É dos mais antigos. Em 2010 fez acordo com a Microsoft e passou a usar o motor do Bing. Logo, resultados (e termos de privacidade) são os mesmos. Leva vantagem por ter buscas de vídeos, o Yahoo Respostas e filtro para busca no Twitter ou na Wikipedia. Br.search.yahoo.com

DuckDuckGo: Criado no fim de 2008, não guarda dados de navegação e faz uso de um misto de motores de busca (Yahoo, Wikipedia, Wolfram Alpha, além do DuckDuckBot). Tem recebido investimentos e usuários. Duckduckgo.com

Startpage: Usa o sistema do Google, mas é configurado para garantir a privacidade: não registra IP, não usa cookies e permite acessar páginas por proxy (“copia” o conteúdo da página e mostra no próprio site). Startpage.com

Blekko: Prioriza qualidade a quantidade. Tem um número menor de páginas indexadas e exclui páginas de spam ou que inflam artificialmente sua relevância. Grava dados de navegação, IP e informações de redes sociais caso o usuário esteja logado. Blekko.com

Ask: Além de exibir resultados tradicionais, tem um sistema de perguntas e respostas feito pelos usuários. Guarda todos os dados do usuário (termos de busca, browser, IP), além de e-mail e dados acrescentadas por quem se registra. Ask.com

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Um dia após a mudança na política de privacidade, o Google Brasil convocou jornalistas para uma entrevista por telefone nesta sexta-feira (2), para esclarecer o procedimento. O porta-voz da empresa, Felix Ximenes, disse ter percebido uma “reação alarmista” inicial em todo o mundo, “mas que depois foi acalmando, conforme foram lendo a nova politica e comparando com a antiga”. No Brasil, porém, afirma ter notado “uma interpretação equivocada do que estamos fazendo”.

Há quase 2 dias, a política de privacidade passou a ser única para os mais de 60 serviços oferecidos pelo Google. Antes da mudança, anunciada em janeiro deste ano, a empresa enviou alertas aos usuários, e afirmou que, na essência, as regras não foram alteradas, mas reunidas de forma mais simples. Na Europa, porém, a agência de regulamentação de dados da França disse que iniciará uma investigação sobre as novas normas, após uma interpretação preliminar indicar que elas não são compatíveis com as leis europeias de proteção à privacidade pessoal.

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Um dos tópicos comentados pelo diretor de comunicação nesta sexta foi que, segundo ele, há notícias que dizem que o Google obteve “o que nem o governo americano conseguiu, que é criar uma identidade única na internet”. Ximenes rebateu, dizendo que o Google não tem uma identidade única para o usuário na internet, mas para o usuário do Google. “Somos uma empresa, a internet é muito maior que a gente. Não somos uma porta de entrada na internet, a internet é um ambiente aberto.”
O porta-voz também destacou que o Google não passará a coletar dados com a nova política de privacidade porque já o fazia. “Já tínhamos esses dados porque você já utililizava, o log da chamada [do celular do Google, exemplificou] fica registrado. Agora oferecemos ao usuário o controle os dados disponíveis.” Junto à explicação da nova política de privacidade, o Google disponibiliza a chamada ferramenta de gestão de privacidade (clique aqui para ver no site).
O cruzamento de dados, porém, deve aumentar. “Estamos deixando claro que, em alguns casos, isso [um dado] pode ser cruzado, desde que traga benefícios para você [usuário]“, afirma o diretor.

Uso anônimo e encerramento de conta
Ximenes destacou que, se o usuário não achar suficiente o controle de seus dados por meio da ferramente de gestão, ele ainda tem a opção de utilizar o Google sem a criação de um perfil (login). Isso, porém, é restrito a alguns serviços, como o de busca e a visualização da maioria dos vídeos no YouTube, por exemplo. Outros, como a rede social Google+ e o próprio Gmail exigem que o usuário tenha uma conta e forneça dados pessoais. O porta-voz não confirma se esse tipo de exigência será ampliada a outros ou novos serviços. “Mas é possível manter mais de um perfil para diversos serviços”, afirma, “desde que não seja com o mesmo e-mail; pode até ser com o mesmo nome, porque [o Google] não faz checagem de homônimos”.

O diretor destacou ainda que a empresa permite que o usuário que discorde da política retire conteúdo de e-mail e das redes sociais, por exemplo, levando a outro site que escolher, e que informações desaparecem após “dias”, quando as contas são fechadas -no Orkut, porém, segundo Ximenes, elas são armazenadas por até 3 meses, após a desativação do perfil, e ficam invisíveis nesse período. “O dado pertence ao usuário, e não ao Google”, afirma.

“Quem mais sabe sobre você é seu cartão de crédito, não é o Google. Por que as pessoas não estão fazendo as mesmas perguntas sobre outras empresas?”
Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google, sobre a coleta de dados de usuários

Comparação
Ao comentar críticas à política de privacidade, o diretor faz comparações com outras empresas. “Quem mais sabe sobre você é seu cartão de crédito, não é o Google. Por que as pessoas não estão fazendo as mesmas perguntas sobre outras empresas?”, questionou.

Perguntado sobre que tipo de garantia o usuário tem sobre o que é feito com os dados coletados, Ximenes respondeu que a empresa nunca vendeu essas informações e que nunca um ataque aos serviços foi bem-sucedido. “Nosso negócio é 100% construído em credibilidade, não há nada que prenda vocês à gente. Se falharmos na qualidade, ou na credibilidade, vocês vão embora.”

Celular ‘mudará’ internet
A nova política do Google, afirma o porta-voz, antecipa que “as experiências na internet serão cada vez mais pessoais”, o que ocasionará na mudança de comportamento do usuário. “A tendência é uma experiência mais pessoal, cada vez mais vai ser feita pelo celular. A máquina de casa é multiusuários, o celular, não”, compara Ximenes. “Cada vez mais os serviços ele [o usuário] usa têm um grau de personalização, mas ele tem que saber que tem escolha e controle [sobre isso].”
Luciana de Oliveira/G1

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