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Ferreira Gullar – Verso na tarde – 01/07/2017 sábado, 1 de julho de 2017

Estranheza do Mundo Ferreira Gullar¹ Olho a árvore e indago: está aí para quê? O mundo é sem sentido quanto mais vasto é. Esta pedra esta folha este mar sem tamanho fecham-se em si, me repelem. Pervago em um mundo estranho. Mas em meio à estranheza do mundo, descubro uma nova beleza com que me deslumbro: é teu doce sorriso é tua pele macia são teus olhos brilhando é essa tua alegria. Olho a árvore e já não pergunto “para…

Ferreira Gullar – Versos na tarde – 13/07/2015 segunda-feira, 13 de julho de 2015

Poemas portugueses V Ferreira Gullar¹ Prometi-me possuí-la muito embora ela me redimisse ou me cegasse. Busquei-a na catástrofe da aurora, e na fonte e no muro onde sua face, entre a alucinação e a paz sonora da água e do musgo, solitária nasce. Mas sempre que me acerco vai-se embora como se me temesse ou me odiasse. Assim persigo-a, lúcido e demente. Se por detrás da tarde transparente seus pés vislumbro, logo nos desvãos das nuvens fogem, luminosos e ágeis!…

Ferreira Gullar – Versos na tarde – 07/06/2015 domingo, 7 de junho de 2015

Estranheza do Mundo Ferreira Gullar ¹ Olho a árvore e indago: está aí para quê? O mundo é sem sentido quanto mais vasto é. Esta pedra esta folha este mar sem tamanho fecham-se em si, me repelem. Pervago em um mundo estranho. Mas em meio à estranheza do mundo, descubro uma nova beleza com que me deslumbro: é teu doce sorriso é tua pele macia são teus olhos brilhando é essa tua alegria. Olho a árvore e já não pergunto…

Ferreira Gullar – Versos na tarde – 25/04/2015 sábado, 25 de abril de 2015

Dois e dois: Quatro Ferreira Gullar¹ Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena Como teus olhos são claros e a tua pele, morena como é azul o oceano e a lagoa, serena como um tempo de alegria por trás do terror me acena e a noite carrega o dia no seu colo de açucena – sei que dois e dois são quatro sei que a…

Ferreira Gullar – Versos na tarde – 25/05/2014 domingo, 25 de maio de 2014

Quando Ferreira Gullar ¹ com minhas mãos de labareda te acendo e em rosa embaixo te espetalas quando com meu aceso archote e cego penetro a noite de tua flor que exala urina e mel que busco eu com toda essa assassina fúria de macho? que busco eu em fogo aqui em baixo? senão colher com a repentina mão de delírio uma outra flor: a do sorriso que no alto o teu rosto ilumina? ¹ José Ribamar Ferreira * São…

Educação: Crase em questão terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Com educação não há humilhação. Se dependesse do ex-deputado João Herrmann Neto, a crase estaria com os dias contados. É de sua autoria o projeto de lei 5.154, de 2005, que extingue o uso do acento grave para indicar a ocorrência de crase. O fenômeno fonético-sintático continuará existindo, diz o projeto, sugerindo equivocadamente que um fato lingüístico se sujeite ao crivo da lei. Chegou-me ao conhecimento a iniciativa do parlamentar através da revista Língua Portuguesa, a qual, em sua edição…

Marx se revira na tumba terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A utopia matou o rato Os capitalistas aprenderam a lição e viram que seria melhor perder alguns anéis do que todos os dedos. Karl Marx certamente morreria de vergonha se ainda estivesse vivo para ver em que se transformou, na Coreia do Norte, o sonho da sociedade igualitária e fraterna que ele concebeu. Revoltado com a selvageria do capitalismo de sua época, quando o trabalhador não gozava de qualquer direito, concebeu uma sociedade que, em vez do domínio da burguesia,…

Ferreira Gullar – Versos na tarde domingo, 11 de dezembro de 2011

Dois e Dois são Quatro Ferreira Gullar ¹ Como dois e dois são quatro Sei que a vida vale a pena Embora o pão seja caro E a liberdade pequena Como teus olhos são claros E a tua pele, morena como é azul o oceano E a lagoa, serena Como um tempo de alegria Por trás do terror me acena E a noite carrega o dia No seu colo de açucena – sei que dois e dois são quatro sei…

Ferreira Gullar – Versos na tarde segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Poema obsceno Ferreira Gullar ¹ Façam a festa cantem e dancem que eu faço o poema duro o poema-murro sujo como a miséria brasileira Não se detenham: façam a festa Bethânia Martinho Clementina Estação Primeira de Mangueira Salgueiro gente de Vila Isabel e Madureira todos façam a nossa festa enquanto eu soco este pilão este surdo poema que não toca no rádio que o povo não cantará (mas que nasce dele) Não se prestará a análises estruturalistas Não entrará nas…

Ferreira Gullar – Versos na tarde sábado, 25 de julho de 2009

Nova Canção do Exílio Ferreira Gullar ¹ Minha amada tem palmeiras Onde cantam passarinhos e as aves que ali gorjeiam em seus seios fazem ninhos Ao brincarmos sós à noite nem me dou conta de mim: seu corpo branco na noite luze mais do que o jasmim Minha amada tem palmeiras tem regatos tem cascata e as aves que ali gorjeiam são como flautas de prata Não permita Deus que eu viva perdido noutros caminhos sem gozar das alegrias que…

Sarney e o auxílio moradia: o Maranhão na lama domingo, 31 de maio de 2009

Brasil: da série “só dói quando eu rio”! O Maranhão, berço de Gonçalves Dias – biografia de Gonçalves Dias -, de Ferreira Gullar, Josué Montello e tantos outros grandes nomes da história e da literatura brasileira, não mereceria, nesse momento em que a população sofre com as implacáveis inundações – passam de 300 mil o número de desabrigados -, ainda ser aferroado pelo marimbondo de fogo do atraso. Os descendentes da brava e altiva nação Timbira assistem abismados as estripulias…

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