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Polícia de cidade americana publica fotos de presos no Facebook.
Departamento pede que usuários deixem informações no site.
Após polêmica, fotos de detidos por dirigirem embriagados foram retiradas.
Uma cidade no estado americano de New Jersey decidiu publicar fotos e informações sobre presos e suspeitos no Facebook. De acordo com reportagem da rede de TV “ABC”, a medida é manter a população de Evesham informada sobre os crimes em sua região e facilitar a notificação de informações à polícia.
“Quando veem a informação na página, ela dá a oportunidade de imediato feedback na área de comentários ou links que colocamos na nossa página, onde pode nos mandar e-mails com informações”, disse o capitão Frank Locantore. Recentemente, com ajuda do Facebook, a polícia conseguiu localizar um jovem suspeito de atear fogo em 13 locais da cidade, por exemplo.
Página no Facebook mostra informações sobre presos em Evesham
Mas as informações divulgadas no site causaram polêmica na cidade. Há algumas semanas, o perfil deixou de publicar as fotos de pessoas detidas por dirigirem embriagadas. Mesmo que os registros sejam públicos, dirigir bêbado é uma infração de trânsito, não um crime – o que levou a muitas reclamações sobre a política de privacidade da instituição.
“Direitos à privacidade estão sob constante ataque na área da internet. Este é apenas mais um exemplo de falta de bom senso”, afirmou o advogado Jack Furlong à “ABC”.
De acordo com a TV, apesar de ter retirado as fotos do site, a polícia não pediu desculpas pela divulgação das imagens. Segundo os policiais, eles estão apenas usando a tecnologia para manter os cidadãos informados.
Assim como no mundo real a prevenção ainda é a melhor ferramenta de segurança. As pessoas que “habitam” o mundo virtual devem entender que na realidade não existe computador 100% seguro. Contudo alguns cuidados podem reduzir significativamente a chance de alguém invadir seu computador capturar dados que são privativos. Inúmeros são os mecanismos de defesa. Desde manter a porta fechada, numa analogia ao mundo real, até dificultar o máximo possível o “trabalho” do invasor. Alguns programas são usados por empresas para monitorar suas redes internas, como o software LanEmpresa, fazem gerenciamento e monitoramento remoto de sites acessados, bate-papos, msn, orkut, teclas digitadas, telas, fotos, emails trocados, programas usados, impressões, imagens, inventário de tudo conversado, páginas na internet e gera relatórios! O Editor
Pacotão de segurança: intranet, MSN roubado e dados em redes sociais. Altieres Rohr ¹ Hoje as dúvidas envolvem a proteção de computadores em redes internas, ou intranets, como um criminoso pode roubar credenciais de acesso a contas de serviços na web e quais cuidados são necessários para não ter informações em redes sociais aproveitadas por hackers. Confira!
Programas conhecidos como Crawlers juntam dados de usuários.
Invasão de rede interna Gostaria de saber se uma intranet também pode ser invadida por algum hacker, mesmo tendo um servidor proxy. Foto: Svilen Milev Enquanto há uma conexão com a rede externa, computadores podem ser acessados.
Redes internas de empresas podem ser invadidas mesmo que os computadores, por si só, não tenham conectividade externa diretamente. Isso pode acontecer de duas formas: ataque ao equipamento externo ou invasão diretamente do sistema interno.
Aos leitores que não conhecem o termo “intranet“, seu significado é um pouco turbulento, mas a coluna vai tratá-lo como “rede interna” ou “LAN”. É uma configuração normal em empresas, e até em redes domésticas. Como não é comum o provedor disponibilizar um endereço IP para cada computador, a rede interna fica conectada à internet apenas por um único ponto de acesso.
Em uma empresa com 500 máquinas, por exemplo, isso fica evidentemente complicado dar um IP externo para computador, ainda mais com a escassez de endereços IP.
A empresa (ou a rede doméstica) então utiliza roteadores ou proxies. Esses equipamentos ficam de intermédio entre a internet e as máquinas da empresa. O computador fica “fora” da internet, e apenas o proxy ou o roteador é que ficam realmente na rede.
Hoje, os softwares e os recursos de acesso à internet por meio desses intermediários estão tão avançados que apenas em situações muito específicas um usuário comum vai perceber que não está diretamente na internet.
Isso significa que o computador está sim conectado à internet, apenas de uma maneira indireta. Um hacker pode invadir o roteador ou o proxy e assim conseguir um caminho para a rede empresarial ou doméstica.
Mas o invasor nem precisa depender da invasão desses equipamentos. Um usuário conectado dessa forma tem acesso normal a sites de internet – exceto, é claro, nas empresas que bloqueiam algumas páginas – mas, principalmente, o usuário pode ler e-mails. Usando brechas em programas de e-mail ou engenharia social (enganação), um invasor pode convencer o funcionário a abrir um e-mail malicioso, comprometendo diretamente à rede interna.
Um criminoso inteligente consegue facilmente obter o controle total do computador infectado, mesmo ele estando com uma conexão limitada à internet. É claro que a empresa pode ter controles e softwares de segurança na rede que permitirão identificar que ocorreu uma invasão, mas isso é o que diferencia uma empresa que está preparada para ataques de outra que não está.
O computador da rede interna infectado pode até servir de proxy para o invasor, permitindo que ele acesse todos os dados da rede interna.
Resumindo, é possível invadir a rede interna e a empresa deve ter monitoramento da rede para detectar invasões. O que às vezes é desnecessário em computadores de redes internas é um firewall de entrada, já que o computador não terá tráfego de entrada. No mais, uma rede interna deve ser tão segurança quanto sistemas que estão na internet.
Contas roubadas
Acessaram minha conta de MSN e Orkut, trocaram minha senha, e depois me enviaram pra outro e-mail a nova senha. É possível descobrir de que máquina ou IP foi enviada a mensagem? De que maneira é possível roubar a senha do MSN de alguém?
Softwares maliciosos podem capturar senhas digitadas, mas há outros meios para roubar credenciais de acesso.
É possível descobrir o IP de onde a mensagem foi enviada, mas descobrir o computador verdadeiro de onde o e-mail partiu vai depender de uma análise mais completa e, provavelmente, de uma autorização judicial, ou seja, é preciso iniciar um processo para identificar o responsável.
Indivíduos mal-intencionados podem roubar senhas de MSN – ou de qualquer outro serviço – das seguintes formas:
1- Adivinhando a senha. Muitas pessoas usam senhas fáceis e comuns. Criminosos tentam as senhas, uma a uma, e conseguem. Outras pessoas revelam no Orkut sua “paixão” por algum artista, por exemplo, e usam aquele nome como senha.
2- Descobrindo as respostas secretas. Alguns serviços web não incentivam um uso inseguro do recurso de respostas secretas – usadas para recuperação de senha. O invasor pode adivinhar a resposta e trocar a senha. A invasão pode nem acontecer no MSN, mas em uma conta de e-mail e partir desse ponto. É normal fazer o registro em certos serviços e receber um e-mail com a senha usada. Um hacker pode achar esse e-mail na caixa de entrada e tentar em outros serviços, como o MSN.
3- Usando softwares maliciosos. Você pode estar infectada com um vírus ou ter usado um computador infectado, como na escola, faculdade, trabalho ou cibercafé. O programa captura a senha e a envia para o criminoso, permitindo que ele roube sua conta.
Pode haver outros meios, mas esses são os principais. Usar senhas fortes, evitar o uso de computadores públicos e manter o computador livre de vírus são práticas que irão impedir que sua senha seja roubada.
Crawler em redes sociais
A coluna comentou sobre a existência da possibilidade de programas, conhecidos como crawlers, varrerem redes sociais para juntar dados de seus usuários. Um software desse tipo precisa de um ponto de partida, e a coluna sugeriu as comunidades populares.
1- Gostaria de saber se eu poderia continuar nas comunidades do Orkut que tem seus perfis ocultos? E as com poucos membros?
2- Que tipos de dados são coletados pelos hackers e para quais fins específicos?
Primeiro software conhecido a agregar dados em redes sociais coletou 2,8 GB de nomes no Facebook.
Você não deve sair das comunidades populares das quais participa. Um crawler provavelmente vai achar seu perfil, mais cedo ou mais tarde, se ele for persistente. A lição aqui é que qualquer informação postada em uma rede social pode ser capturada e que há meios para isso e que, por esse motivo, você deve ter muito cuidado ao colocar seus dados na web.
Qualquer informação pode ser útil para um hacker, depende da criatividade dele e da intenção que ele tem. Ele pode usar suas comunidades para enviar um e-mail específico para você, por exemplo, contendo uma praga digital.
Ele pode usar as informações em sua rede social para tentar adivinhar suas senhas, ou se aproximar dos seus amigos.
É claro que certas pessoas são alvos mais interessantes para um hacker. Por exemplo, quem trabalha em bancos, executivos ou quem tem uma situação financeira favorável.
Mas o simples risco de ser alvo de um golpe não pode determinar todas as suas escolhas.
Faça uma avaliação: o que você perde divulgando uma informação? Qual o risco que você corre? Mas o que você ganha? Você quer encontrar pessoas em uma comunidade, participar? É realmente relevante estar naquela comunidade? Quais benefícios e problemas isso pode te trazer?
Se você for divulgar a informação, considere o uso de controles de privacidade. Defina quem pode e quem não pode ver seu telefone ou e-mail, por exemplo. Se não há um controle para a informação que você pretende divulgar, pense duas vezes se você realmente precisa colocá-la em seu perfil.
Com isso, você vai conseguir fazer um uso da rede social correndo poucos riscos e ainda colhendo benefícios de ter seu perfil na rede.
¹ Altieres Rohr/G1
Especialista em segurança de computadores. Ele criou e edita o Linha Defensiva, site e fórum de segurança que oferece um serviço gratuito de remoção de pragas digitais, entre outras atividades. Na coluna “Segurança para o PC”, o especialista também vai tira dúvidas deixadas pelos leitores na seção de comentários.
A violência contra a mulher é violência contra a humanidade. Enganam-se os machistas ao relegarem o problema como afeto somente ao ambiente doméstico. Não existe democracia sem Direitos Humanos. Cedo ou tarde, os indiferentes, omissos ou coniventes com esse “status quo” serão vítimas indiretas dessa barbárie doméstica, e praticada em diversos países como ato punitivo amparado por lei. Cabe ressaltar que a maioria dos homens não faz parte desse perfil machista.
É preciso não mais argumentar com a máxima, cruel, de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.” É preciso também derrubar o mito de que a violência contra a mulher, o que vem logo à mente, é a pura agressão física. Na realidade, a violência contra a mulher vai além da física.
Além do mais a violência contra o ser humano fere valores, normas, condutas e convenções.
O Editor
Violência contra a mulher: eu me manifesto e você? Vai ficar olhando? Por Marli Gonçalves *
Mulheres apedrejadas, esquartejadas, violentadas, exploradas, baleadas, surradas, torturadas, mutiladas, coagidas, reguladas, censuradas, perseguidas, abandonadas, humilhadas. Até quando a barbaridade inaceitável vai vigorar?
Eu me manifesto, sim, contra tudo que considero inaceitável. E não é de hoje. Desde pequena meto-me em encrencas por causa disso. Uma vez, tinha acho que uns 12 anos, e brincava na portaria do prédio quando ouvi um homem brigando com uma mulher do outro lado da calçada, ameaçando-a de morte, dando-lhe uns sopapos. Não tive dúvidas.
Atravessei, entrei pequenina no meio deles, gritando forte por socorro, o que o assustou e fez com que ele parasse as agressões. Para minha surpresa, ao olhar para os lados, vi que havia muitos adultos assistindo à cena, impassíveis.
Nunca me esqueci disso. Inclusive porque, quando voltei para casa, tomei uma bronca daquelas. Atraída pelos meus gritos, minha mãe tinha ido à janela, e assistiu. “E se ele estivesse armado e te matasse?” – ouvi. Creio que respondi que nunca ficaria quieta vendo aquela cena, onde quer que fosse, e que jamais seria resignada.
Dentro de minha própria casa já havia assistido a cenas que teriam ido para esse lado, não tivesse sido minha mãe uma guerreira baixinha e desaforada, ela própria vítima de um pai tão violento que não o aceitava nem em sua carteira de identidade, nem em sobrenome. Minha avó materna teria sido morta por um “acidente”, em que um motorista de ônibus, que por ele teria sido pago, acelerou quando ela descia. Caiu, bateu com a cabeça na sarjeta, morrendo horas depois, de hemorragia, na pequena cidade do interior de Minas.
Anos depois, senti em minha própria pele o desespero solitário da agressão, da humilhação, do medo. Em plena juventude e viço, em uma ligação amorosa complicada, de paixão e amor intenso que vi virar violência, agressão, loucura e insegurança, só saí viva porque mal ou bem sou de circo, e protegida pelos meus santos e anjos, daqui e do céu… Tentei não envolver ninguém, resolver, e quase virei primeira página policial. Tive a minha vida quase ceifada, ora por ameaça de facadas; ora por canos e barras de ferro, ora pela perda de todas as referências, ora pela coação verbal.
Os poucos e únicos amigos que ainda tentaram ajudar também entraram no rol da violência. E os (ex) amigos que viraram as costas, ou faziam-se de cegos, desses também me lembro bem; inclusive de alguns que conseguiam piorar a situação e pareciam gostar disso, insuflando. Ou se calando. Ou me afastando. Deve ser bonito ver o circo pegar fogo.
Desespero solitário, sim. Não há a quem recorrer. Polícia? Apoiam os homens. Delegacia da Mulher? Na época não existia, mas parece que sua existência só atenuou a dimensão do problema, que pode acontecer em qualquer lar, lugar, classe social. Lei? Veja aí a Lei Maria da Penha. Pensava já naquele tempo, meu Deus, e se eu ainda tivesse filhos para proteger, além de mim? Não poderia ter me livrado – concluo ainda hoje, pasma em ver como a situação anda, em pleno Século XXI. Hoje, acredito que curei minhas feridas, que não foram poucas, especialmente as emocionais.
Há semanas venho tentando defender, aqui do meu cantinho, a libertação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, mais uma das mulheres iranianas cobertas da cabeça aos pés pelo xador, a vestimenta preta que é uma das versões mais radicais do véu muçulmano. Mas esse, a roupa, não é o maior problema dela e de outras iranianas. Viúva, dois filhos, em 2005 Sakineh foi presa pelo regime fundamentalista do Irã. Em 2007, julgada. A pena inicial foram 99 chibatadas. O crime, adultério! Sua pena final, a morte por apedrejamento.
Uma história que lembra a fascinante personagem bíblica de Maria Madalena, a moça que aguardava a morte por apedrejamento até ser salva por Jesus Cristo. Cristo provocou com uma frase que ficou célebre, e revelou-se futurista: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”.
Esses iranianos estão querendo matar Sakineh e outras a pedradas, e com pedras pequenas, para que sofram mais; talvez porque sejam, acreditam, muito puros? A sharia, lei islâmica, devia prever cortar dedos, língua, furar os olhos desses brucutus modernos, hitlers escondidos sob mantos religiosos, protegidos por petróleo e riquezas?
Não bastasse a novela de Eliza Samudio que, morta ou não, faltou ser chutada igual bola, e de tantas jovens, inclusive adolescentes, mortas pelos namoradinhos, a advogada que morreu no fundo da represa. Todo dia tem violência. No noticiário ou na parede do lado da sua, no andar de baixo, no de cima, na casa da frente.
Nem bem a semana terminou e outro caso internacional estava na capa da revista Time, com o propósito de pedir a permanência das tropas de ocupação no Afeganistão. Na foto, na capa, a imagem chocante da afegã Aisha, 18 anos, que teve o nariz e as orelhas decepados pelo Talibã. Foi a punição à sua tentativa de fugir de casa, de uma família que a maltratava. Agora, Aisha está guardada em lugar sigiloso, com escolta armada, paga pela ONG Mulheres pelas Mulheres Afegãs. Deve ser submetida a uma cirurgia para a reconstrução do rosto.
No Irã, ou melhor, globalmente, porque lá nada se cria, se estabeleceu a campanha “Um Milhão de Assinaturas exigindo mudanças de leis discriminatórias”, com protestos e abaixo-assinados, de grupos internacionais de mulheres e ativistas, organizações de direitos humanos, de universidades e centros acadêmicos e iniciativas de justiça social, que manifestam o apoio às mulheres iranianas para reformar as leis e conseguir o mesmo estatuto dentro do Irã legal do sistema.
O que há? O que está havendo? Mulher é menos importante? A realidade: em cerca de 50 pesquisas do mundo inteiro, de 10% a 50% das mulheres relatam ter sido espancadas ou maltratadas fisicamente de alguma forma por seus parceiros íntimos, em algum momento de suas vidas; 60% das mulheres agredidas no ano anterior à pesquisa o foram mais de uma vez; 20% delas sofreram atos muito fortes de violência mais do que seis vezes.
No Brasil, a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres entre 15 e 44 anos; 20% das mulheres do mundo foram vítimas de abuso sexual na infância; 69% das mulheres já foram agredidas ou violadas.
No Nordeste, 20% das mulheres agredidas temem a morte caso rompam a relação; no geral, 1/3 das mulheres agredidas continuam a viver com os seus algozes. E continuam sendo agredidas. É pau, é pedra, é o fim do caminho.
Estudos identificam, ainda, uma lista de “provocadores” de violência: não obedecer ao marido, “responder” ao marido, não ter a comida pronta na hora certa, não cuidar dos filhos ou da casa, questionar o marido sobre dinheiro ou possíveis namoradas, ir a qualquer lugar sem sua permissão, recusar-se a ter relações sexuais ou suspeitar da fidelidade, entre eles.
Até quando ficaremos assistindo a esse filme? Chega. Foi como li a conclamação da amiga e uma das mais respeitáveis profissionais de comunicação do país, Lalá Aranha, em seu Facebook: “Não posso entender como em pleno século XXI as mulheres brasileiras são tão molestadas. Precisamos fazer algo neste sentido. Quem me acompanha?”
Adivinhem quem foi a primeira a responder? Eis, assim, aqui, também, minha primeira contribuição.
São Paulo, onde as pessoas se isolam, na aridez e grandeza de suas dimensões, mas ainda podem ter seus gritos ouvidos, 2010.
• (*) Marli Gonçalves, jornalista. Inconformada. Espevitada e livre, fiquei feliz quando outro dia me contaram que debaixo da pesada burca as mulheres andam completamente nuas. Será verdade?
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Pacote na web reúne nomes de 100 milhões de usuários do Facebook
Especialista em segurança listou e analisou dados da rede social. Perfis estavam disponíveis no diretório público do Facebook.
O nome foi o suficiente para incentivar um especialista em segurança a criar um código capaz de extrair dados do Facebook. Ron Bowes só queria reunir nomes e analisá-los de forma agregada para descobrir os mais comuns, auxiliando ataques de roubos de senha que dependem de tentativa e erro. Além de criar o pacote, Bowes o colocou na internet, em um download facilmente disponível que contém 2,8 GBs de dados.
2,8 GBs de dados públicos agregados do Facebook apareceram em sites de torrent.
Um torrent contendo 2,8 GB de nomes de usuários do Facebook foi colocado em sites públicos na internet. O arquivo contém apenas nomes, mas levanta a possibilidade de que criminosos possam vasculhar a rede social para reunir todas as informações que os usuários colocam na rede social e que estão livremente acessíveis por todos os outros internautas.
O volume de informação equivalente ao texto de cerca de 2.800 livros. Além dos nomes, o pacote possui análise de dados agregados, como os nomes mais comuns, somente nomes únicos, e a quantidade de vezes que um mesmo nome ou sobrenome apareceu.
A ideia foi do especialista em segurança Ron Bowes. Bowes criou um pequeno código de programação – script, no termo técnico – que analisou a página de diretórios do Facebook. Com isso, o especialista conseguiu uma lista dos nomes de usuários do Facebook, o que permitiu descobrir quais os nomes e sobrenomes mais comuns no Facebook, por exemplo.
A lista foi criada para ser usada em outro programa de segurança, o Ncrack, que visa a quebrar a autenticação (usuário/senha) de serviços de rede. O ataque é conhecido como força bruta do tipo dicionário. Um ataque de força bruta consiste em tentar várias combinações de usuário e senha, até que uma funcione.
O método de dicionário utiliza palavras pré-selecionadas no lugar de combinações geradas automaticamente. A lista poderá servir como um dicionário para o Ncrack, segundo Bowes. Sabendo quais são os nomes mais comuns é possível tentar combinações de usuário/senha com maior probabilidade de acerto.
No The Pirate Bay, um dos maiores sites de torrent da internet, o arquivo com os dados registra 10 mil participantes, o que o torna um dos arquivos mais populares do site.
Nenhuma informação pessoal está na lista. Nem mesmo informações normalmente públicas como o site da internet ou a foto do perfil estão no arquivo. Os usuários que estão na lista já tinham seu nome no diretório do Facebook, e portanto decidiram tornar público seus perfis.
No entanto, a prova de que a informação pode ser coletada e usada no agregado é provavelmente algo que poucos teriam achado possível. Especialistas disseram à imprensa que os dados são uma prova do desconhecimento que cerca o uso das ferramentas de privacidade do Facebook.
Bowes diz que ainda poderia ter examinado os perfis dos amigos daqueles que estavam no diretório público do Facebook. Justificou: “pegar os amigos trará mais dados para processar, e não tenho como lidar com isso no momento. Eu gostaria de fazer isso no futuro, no entanto”. O blog de Rowes encontrava-se offline quando a reportagem foi fechada.
Polêmica sobre vazamento de dados envolve hackers, jornalistas e exército
Soldado americano entregou dados a site que ‘vaza’ dados sigilosos.
Depois de contar história para hacker, diálogos foram parar em revista.
Uma história complicada tem se desenrolado lentamente nas últimas três semanas.
Um soldado norte-americano, Bradley Manning, de 22 anos, vazou dados militares para o site Wikileaks, que já publicou parte das informações nada favoráveis à imagem do governo dos Estados Unidos. Manning decidiu falar de suas ações para um hacker, Adrian Lamo.
Sem muita demora, Lamo entregou Manning às autoridades. Depois, a o site da revista Wired publicou a história, com exclusividade e com acesso a todas as conversas entre Manning e Lamo.
O Wikileaks acusa o hacker e o repórter da Wired, o também ex-hacker Kevin Poulsen, por “quebra de ética jornalística”; Lamo também se diz jornalista e deveria ter defendido Manning como uma fonte, segundo críticos e apoiadores que consideram o soldado um herói.
Confira a história completa na coluna Segurança para o PC de hoje.
O soldado Bradley Manning recentemente perdeu o ranking de Especialista no exército.
O soldado Bradley Manning recentemente perdeu o ranking de Especialista no exército.
Manning e o vídeo que catapultou o Wikileaks Foto:ARquivo Pessoal,/Facebook
Controvérsia não é novidade para o Wikileaks, que tem se envolvido em uma após outra desde a sua criação em 2006. Até recentemente, o fundador do site, o hacker e jornalista australiano Julian Assange, nem sequer aparecia na mídia ou assumia ser o responsável pela página.
Isso mudou radicalmente desde abril, quando o site disponibilizou um vídeo chamado Collateral Murder (Assassinato Colateral), que mostra como o exército dos Estados Unidos matou dois jornalistas e feriu crianças sem nenhum motivo aparente no Iraque. O caso repercutiu na imprensa porque o vídeo estava retido pelo exército; Assange foi biografado e entrevistado por diversos veículos.
O Wikileaks oferece meios para que arquivos secretos sejam vazados com segurança e anonimamente. O vídeo saiu de uma de suas fontes anônimas e isso era tudo o que se sabia.
Antes disso, o Wikileaks havia realizado muitos outros vazamentos, com variadas consequências. Agências de notícia como a Associated Press, formada por um grande número de veículos, doaram dinheiro para custear as operações da Sunshine Press, empresa que gerencia o espaço. O Pentágono já considerava o site um “inimigo da segurança nacional” muito antes de o vídeo ser publicado. No entanto, o caso levou o site a um novo patamar, dando ao Wikileaks cobertura televisiva.
Há um lugar especial no inferno para jornalistas como Lamo e Poulsen”
WikiLeaks
O soldado Bradley Manning disse que foi o responsável por vazar esse vídeo e também outro de um episódio semelhante no Afeganistão. Além disso, 260 mil relatórios diplomáticos teriam sido enviados ao Wikileaks. O site confirmou ter o vídeo do Afeganistão, mas disse jamais ter recebido os 260 mil documentos que Manning afirmou ter vazado. O site não confirmou que Manning é a fonte das informações, porque “não coleta dados pessoais de suas fontes”.
As confissões de Manning foram feitas a Adrian Lamo, um ex-hacker que hoje diz ser jornalista. O blog Threat Level, da Wired, que publicou a história com exclusividade, publicou vários trechos da conversa entre Lamo e Manning. Lamo tem uma relação de anos com o editor do Threat Level, o ex-hacker Kevin Poulsen, que sempre dava cobertura para seus atos de hacking, considerados simples, mas contra grandes empresas.
Além da Wired, apenas o jornal The Washington Post teve acesso às conversas entre Manning e Lamo. Manning teria dito que perdeu um cargo no ranking militar e que seria dispensado por mau comportamento. Nas conversas publicadas pela Wired, Manning diz ter perdido fé no seu trabalho quando viu que protestos políticos contra a corrupção no Iraque estariam sendo tratados como atos de terrorismo pelo exército.
Herói ou vilão e a guerra entre hackers e jornalistas
Se discussões de nível mundial não acontecerem, acho que, como espécie, estamos condenados”
Bradley Manning
O soldado disse a Lamo que queria “fazer uma diferença”, que a publicação do vídeo lhe deu esperança e que estava ansioso pela publicação dos relatórios diplomáticos. “Com sorte teremos debates, discussões a nível mundial e reformas. Se isso não acontecer, acho que, como espécie, estamos condenados”, disse. Manning tem a simpatia de muitos; ele está em uma prisão militar desde o dia 26 de maio. Ainda não foi acusado de nenhum crime, mas deve ser julgado por uma corte marcial.
Kevin Poulsen, o editor da Wired que publicou a história em primeira mão no dia 6 de junho com a exclusividade de acesso total aos logs de conversa entre Lamo e Manning, tem se visto vítima de uma campanha contra sua imagem. Desde o início, o Wikileaks o acusou de quebrar a ética jornalística. No Twitter, o site chegou a postar que “há um lugar especial no inferno para jornalistas como Lamo e Poulsen”.
Da esquerda para a direita: Adrian Lamo, Kevin Mitnick e Kevin Poulsen em 2001. Foto: Matthew Griffiths/Domínio Público
Um comentário no site BoingBoing referido pelo Wikileaks afirma que Poulsen e Lamo conspiraram contra Manning, trabalhando juntos para fazê-lo confessar seus atos e agindo como “ponte” entre a investigação do governo e o soldado. Ataques para minar a reputação de Poulsen, que já foi preso por hacking – como Lamo – não faltam.
Junto a isso tudo, circula uma foto em que Adrian Lamo, Kevin Mitnick e Kevin Poulsen aparecem juntos e sorrindo em 2001. Poulsen, ao ser confrontado, afirmou que Lamo não é seu amigo, mas apenas uma fonte.
Vale mencionar que o editor do Wikileaks, Julian Assange, também já foi preso por hacking. Saiu por bom comportamento depois de pagar uma fiança.
O último a entrar na roda da polêmica foi o colunista e advogado Glenn Greenwald, da Salon. Após uma conversa com Lamo, Greenwald descobriu que o ex-hacker e “jornalista” convenceu Manning a confiar nele. Lamo disse que poderia tratar o soldado como uma fonte e protegê-lo com a lei de imprensa da Califórnia. Disse até que era um ministro cristão e que poderia tratar a conversa como uma confissão de pecados, sendo obrigado, assim, a jamais revelar nada.
Na verdade, Lamo já tinha contato com o FBI pelo menos desde o dia 24 de maio – as conversas entre Manning e Lamo começaram apenas três dias antes. No dia 25, Lamo se encontrou pessoalmente com agentes do FBI. Lamo justifica suas ações dizendo que agiu “em nome da segurança nacional”. Esta coluna prefere destacar outra afirmação do ex-hacker, que já esteve na prisão: “não quero mais agentes do FBI batendo na minha porta”.
O enigmático fundador da Wikileaks, Julian Assange, cancelou viagens aos Estados Unidos por “questões de segurança”. O enigmático fundador da Wikileaks, Julian Assande Foto: Peter Erichsen/NMD/CC
Lamo provavelmente ficou com medo de ser envolvido em uma investigação para capturar o soldado que vazou o vídeo e enfrentar problemas por ter ficado quieto. Bradley Manning disse a Lamo que não tinha mais acesso às informações sigilosas e que seria dispensado. Naquele ponto, ele já estava inofensivo, se é que alguma vez representou perigo.
É claro que uma falsa cruzada em nome da segurança é mais interessante do que o medo. No Facebook, há comunidades a favor das ações de Manning. O site BradleyManning.org pede que o jovem seja considerado um herói. Uma petição para libertá-lo já conseguiu 140 assinaturas. O Wikileaks abriu um fundo de defesa para pagar o advogado do soldado “estão dizendo que ele é nossa fonte e por isso vamos defendê-lo”, diz o site, que não confirma se Manning foi mesmo quem vazou as informações.
Problema de confiança
Greenwald observou que a principal fonte de informação da história não pode ser confiada. Adrian Lamo adora aparecer na mídia – necessidade sempre suprida pelas reportagens de Kevin Poulsen. Todo esse caso pode ser apenas mais uma maneira de Lamo se promover, pondera o colunista da Salon. Desde o início da confusão, Lamo já entrou em contradições: para Greenwald, Lamo afirmou que Manning enviou e-mails para iniciar o contato; para o Yahoo! News, a versão foi a de que o soldado apareceu “do nada” no AOL Instant Messenger (AIM); Lamo já disse que considera pessoas que vazam informações “espiões” e “traidores”, mas também revelou já ter doado dinheiro para o Wikileaks.
Enquanto a história não se define, um jovem de 22 anos que tentou mostrar ao mundo segredos que, até o momento, parecem comprometer apenas a imagem do governo dos Estados Unidos e não a vida dos seus cidadãos, está preso e aguardando ser pelo menos acusado de um crime para que possa se defender.
Se os logs de conversa gravados por Lamo tiverem sua veracidade comprovada, Manning provavelmente não tem chance de escapar de uma punição severa. Mesmo assim, o soldado tem ao seu lado vários apoiadores e, a não ser que a história mude seu rumo, deverá ser lembrado como um herói.
Altieres Rohr/G1
*Altieres Rohr é especialista em segurança de computadores e, nesta coluna, vai responder dúvidas, explicar conceitos e dar dicas e esclarecimentos sobre antivírus, firewalls, crimes virtuais, proteção de dados e outros. Ele criou e edita o Linha Defensiva, site e fórum de segurança que oferece um serviço gratuito de remoção de pragas digitais, entre outras atividades. Na coluna “Segurança para o PC”, o especialista também vai tirar dúvidas deixadas pelos leitores na seção de comentários.
Empresários apostam cada vez mais em redes sociais
Empresas que investem na utilização de perfis em redes sociais como forma de marketing lucram mais, segundo aponta pesquisa feita pelo Altimer Group e Wetpaint com as 100 melhores empresas do mundo, sendo que destas, a que investiram em mídias sociais melhoraram seus resultados em 18%.
Segundo a gestora de marketing da Trevisa Escola de Negócios, Adriana Arroio, há aproximadamente um ano as empresas brasileiras têm ingressado neste novo formato de divulgação de marca, ainda timidamente, mas através dessa redes tentam conquistar clientes através da interação que as redes sociais como Twitter, Orkut, Facebook, LinkedIn e outras oferecem.
Adriana também afirma que o número de clientes pode aumentar em média 20% quando se usa desta nova estratégia como forma de promoção. Segundo a gestora, as vantagens de investir nesta plataforma é baixo custo e o retorno a curto prazo.
“Dá para mensurar os resultados entre 30 e 60 dias”, afirma.
Porém é necessário ter estrutura para que as empresas saibam lidar com os comentários positivos ou negativos.
“Outra vantagem é que a interação permite transformar a imagem. Uma crítica pode rapidamente se tornar um elogio”, completa.
Um dos segmentos que também aposta nas redes sociais é o de bares e restaurantes.
OÓrçado em R$ 2,5 milhões, o recém inaugurado Johnnie Pepper, especializado em carnes acredita no mundo da tecnologia para a propaganda. Entre agência e sistemas especiais, o investimento do espaço é estimado em R$ 200 mil. Segundo Celso Stephano, sócio do estabelecimento, afirma que teve um retorno positivo e que pretende recuperar o valor nos próximos dois anos.
O “Foursquare”, foi uma das apostas da rede de restaurantes Spoleto, especializada culinária italiana rápida.
Segundo Leandro Maia, gerente de marketing, o investimento foi quase zero, porém o retorno positivo. “Apesar de o retorno ter sido bom, as mídias convencionais dão um resultado melhor, pois nem todos os clientes possuem celulares com tecnologia 3G, essencial no uso do ‘Foursquare’”, complementa.
A casa de shows e restaurante de culinária japonesa, Barracuda Sushi Bar, localizado na zona leste de São Paulo, também apostou neste modelo de mídia, e possui um programador para cuidar dos perfis da casa. Além disso possuem uma comunidade no Orkut com mais de dois mil participantes e através disso mandam mensagens diárias aos clientes. Essa prática fez com que o público aumentasse em 30%.
Outro empreendimento que apostou na tecnologia é Bar Bleecker St, que adotou o sistema para a realização de promoções. ” É uma forma de fidelização, não somente de chamar novos clientes. Para isso mantenho o público sempre atualizado”, conta Edu Pimenta, sócio proprietário da casa.
Pimenta investiu algumas vezes em mídia impressa e garante que o resultado não foi como o esperado. Segundo o empresário, é gasto um valor muito elevado, e por vezes não recuperado.
“O boca-a-boca funciona melhor nesses casos. Não tive o resultado esperado quando investi em publicidade nos meios impressos, por isso não voltarei a fazer. Acredito no potencial das redes sociais”, completa.
O sócio do Wall Street Bar localizado no Itaim Bibi, em São Paulo, Thomaz Rothmann , afirma que antes da inauguração do estabelecimento, há sete meses, fazia divulgação no Twitter, no Facebook e no Orkut. “Uso essas ferramentas para fazer divulgação dos jogos, às quartas-feiras, as novidades do bar e as promoções”, diz. Ele afirma que nunca fez anúncios da empresa em outras mídias e as redes sociais têm sido uma ótima forma de conquistar clientes.
A rede America, que completa 25 anos no mercado, começou com essas ações de marketing online há aproximadamente um ano. Quem cuida dos perfis nessas comunidades é a própria agência de publicidade responsável por promover a rede.
Para a gerente de marketing do America, Mirella Scorza, um dos diferenciais da propaganda na internet é que através disso é possível entrar em contato com todas as pessoas que citaram o restaurante de alguma forma em alguma das redes sociais, seja para fazer críticas positivas ou negativas, ou ainda dar sugestões sobre a rede.
Pesquisa
Segundo pesquisa do TI Inside, o Twitter tem cerca de 10 milhões de usuários e o Facebook, contempla 3,4 milhões de perfis cadastrados. A quantidade de usuários atraiu a atenção das empresas que começaram a investir pelas facilidades, como baixo custo e resultados garantidos independente do público a que se quer atingir.
Segundo explica Adriana Arroio é possível aumentar o número de seguidores em 20%, isso a depender da rede social.
“Com isso é possível uma visibilidade maior e aumento significativo na clientela”.
No começo a internet é vista apenas como uma diversão, e usada, no máximo, para troca de e-mails. Por essa época, o computador era artigo de luxo nos lares, e era a época do ICQ e do incipiente MSN.
Agora, com a web 2.0 e a febre das redes sociais, saber quem está online, porque, de onde e para que passou a ser crucial para as estratégias globais de negócios.
O Editor
Mais um capítulo na história da megalomania digitalMark Zuckerberg quer dominar a internet. Seu plano tem método e se ancora na identidade de cada um.
Há quase meio bilhão de pessoas que usam o Facebook com frequência. Estão entre os usuários mais ativos da internet. O Facebook sabe quem são os amigos destas pessoas, conhece seus hábitos de consumo e suas preferências culturais. Conforme mais e mais sites de serviço se aliam ao Facebook, mais o Facebook saberá sobre nossas vidas. E esta informação estará a venda.
O Facebook quer chegar ao ponto em que se alguém sabe quem é quem na internet, se uma única empresa sabe como vender o que para cada um de nós, será ele próprio. A identidade digital de todos nós será um perfil no Facebook.
Mark Zuckerberg não é o primeiro a querer dominar a internet. É só o último de uma história comprida que só. E o conceito de o que é “dominar a internet” tem variado um bocado.
Começou com a Guerra dos Browsers. Foram emocionantes os últimos anos da década de 90 do século passado. A web se popularizou por causa do primeiro software de navegação gráfico – o Mosaic. No topo da onda, o jovem estudante que havia escrito o programa se juntou ao fundador da Silicon Graphics e juntos eles puseram na rede o Netscape.
O raciocínio de Mark Andreessen, o programador, e Jim Clark, o executivo, era de que nossa base computacional deixaria de ser o sistema operacional do micro e pularia para a web. Um raciocínio ousado: nosso correio eletrônico, agenda, textos escritos, relatórios – tudo na web. A Microsoft, que tinha total monopólio do modelo antigo com seu Windows, entrou em pânico e partiu para a guerra aberta, total.
Embora o Explorer da Microsoft ainda esteja aí e o Firefox, baseado no Netscape, também tenha seguido uma carreira de sucesso, ambas perderam.
Assim como é irrelevante qual o sistema operacional que qualquer um use, hoje, tampouco importa qual o browser. Porque o domínio da internet passou a ser de outra ordem: quem controla o acesso a informação?
É o modelo Google que dominou os últimos dez anos. Conforme a internet cresceu, tornou-se impossível acompanhar toda informação em toda parte. E ao se transformar em site-centro de toda a internet, o Google foi além descobrindo um modelo de negócios.
Propaganda. E propaganda barata emaranhada nos resultados de busca a um custo de centavos por clique.
Logo os engenheiros perceberam que podiam ir além. Bastava oferecer serviços para donos de sites pequenos ou grandes. Caixas de busca, ferramentas de análise de tráfego, assinaturas por RSS. Tudo sempre uma boa desculpa para inserir um código do Google no site e, portanto, mais um pedaço da internet no qual o Google pode vigiar o usuário que passeia.
Há uma diferença. O Google acompanha cada página visitada, consegue encaixar a propaganda certa para o usuário de acordo com seu padrão de navegação mas, muitas vezes, não sabe de quem se trata.
Para o Facebook, não basta. E um novo conceito de o que é dominar a internet nasce. Cada usuário que navega pela rede tem nome e sobrenome. E ferramentas começam a pipocar em sites diversos – o botão de “curtir” e o login são apenas o início.
Mas o que é realmente dominar a rede? Quem controla a estrutura de endereços da internet é o Departamento de Comércio dos EUA. Praticamente todas as interconexões de servidores são feitas por roteadores de uma só empresa, a Cisco. O governo chinês filtra quase tudo que seus cidadãos veem com considerável sucesso. A internet já tem quem a controle faz tempo.
O Google anunciou nesta quarta-feira (2) que o sistema operacional Chrome, inicialmente voltado para os notebooks, será lançado no final deste ano.
A afirmação foi feita por Sundar Pichai, chefe da divisão do Chrome no Google, durante a feira Computex,em Taiwan. Foto:Pichi Chuang/Reuters
A companhia procura desafiar o domínio do sistema operacional Windows, da Microsoft, no mercado.
Ele está presente em mais de 90% dos computadores no mundo.
“Estamos tomando todas as precauções com o lançamento do Chrome porque queremos porque queremos levar uma excelente experiência ao usuário”, disse Pichai.
Na quinta-feira (27), a Microsoft afirmou que o Google teria que realizar um esforço muito grande para criar um sistema operacional aberto, obrigando os desenvolvedores de softwares a criar diferentes versões dos seus programas para rodar em Chromes diferentes.
Pichai rebateu esta afirmação, dizendo que a similaridade na base da programação do Chrome faz com que as empresas criem apenas uma versão dos seus programas para o sistema operacional.
“O Chrome OS é um dos poucos sistemas operacionais do futuro que já possuem milhões de aplicativos compatíveis”, disse.
“Você não precisa redesenhar o Gmail para funcionar no Chrome e o Facebook não precisa criar um novo aplicativo compatível”.
O Chrome OS terá o navegador de internet como o centro do seu funcionamento, apresentando aplicativos que funcionarão por meio dele como programas de edição de foto e de vídeo que serão armazenados em servidores externos, conhecidos como “cloud”, ou “nuvem”.
Site prepara versão em português, revela executiva. País tem mais usuários que América Latina
O Twitter, site de microblogs mais popular da internet, já trabalha em uma versão para o português. De acordo com a companhia, o Brasil é um dos países estratégicos, embora inglês e japonês sejam os dois idiomas mais escritos na plataforma.
O brasileiro é um dos povos mais ativos no Twitter, confirmou Jenna Dawn, porta-voz do site americano.
Segundo a consultoria britânica comScore, há 5,945 milhões de usuários no país, cerca de 1,5 milhão de pessoas a mais que em todo o resto da América Latina, onde 4,498 milhões acessam o Twitter.
Em uma conferência com os jornais da América Latina que fazem parte do Grupo de Diarios América (GDA) — formado por 11 dos principais periódicos da região, entre eles O GLOBO — Jenna lembrou do forte crescimento do Twitter no Chile após o terremoto de fevereiro, quando o número de contas aumentou 500%.
Com isso, a empresa percebeu, segundo ela, a importância de ter o site de microblogs em diversos idiomas. Atualmente, são seis: além de inglês, espanhol e japonês, há italiano, francês e alemão.
— Se não tivéssemos Twitter em espanhol, não teríamos conhecido o impacto (da importância do idioma).
O Twitter estará disponível em português, mas ainda não temos uma data para o lançamento — revelou.
75% não postam comentários
A executiva destacou que o Twitter já aposta no Brasil. Isso porque o país é uma das seis nações que têm um “Trend Topic” — espécie de lista que conta com os assuntos mais populares entre os usuários de determinadas localidades. Ao lado do Brasil estão México, Reino Unido, EUA, Canadá e Irlanda. Em breve, haverá um do Chile.
Há ainda os “Trend Topics” das cidades. Atualmente são 13 nos EUA (Nova York, Washington, Los Angeles, São Francisco, entre outras), além de Londres e São Paulo. A ideia do Twitter é criar em breve um “Trend Topic” até para bairros.
Segundo Jenna, Brasil, Chile e Venezuela são responsáveis pelas cifras mais importantes da América Latina.
Mas ela não revelou os números.
Jenna Dawn detalhou o comportamento dos usuários do Twitter. Ela destacou que cerca de 75% dos acessos são feitos por aplicações móveis (telefones celulares) e os 15% restantes, no próprio site. E mais: 75% das pessoas com perfil no Twitter não postam comentários. A empresa também está preocupada com a segurança dos usuários, por isso vem conversando com os governos para manter a plataforma mais segura.
No Brasil, o Twitter — com 5,945 milhões de usuários — é o terceiro site de relacionamento mais acessado.
Fica atrás do Orkut, da Google, com mais de 24,6 milhões de usuários, e do Windows Live Profile, da Microsoft, com 11,2 milhões. Já na América Latina (incluindo o Brasil), o Twitter é o quinto — com 10,4 milhões.
Na região, o líder é o Facebook, com 48,7 milhões de usuários, seguido de Windows Live Profile (36,4 milhões), Orkut (25,2 milhões) e HI5.com (12,5 milhões).
Em entrevista ao jornal mexicano “El Universal”, Jenna afirmou que o Twitter não é “nada sem as pessoas, elas tinham coisas a dizer antes de a plataforma existir”.
— O Twitter não trata de estabelecer laços de amizade, mas sim de compartilhar informações pelo mundo, é um espaço aberto — afirmou a porta-voz, em visita ao México para o primeiro congresso latino-americano de Twitter (#140 México).
O Twitter se define como um serviço aberto de informação em tempo real, em que milhões de pessoas trocam conteúdo. A informação postada deve caber em 140 caracteres.
Durante a F8, conferência de desenvolvedores do Facebook que aconteceu nesta quarta-feira, 21, em São Francisco, a empresa de Mark Zuckerburg se uniu à Microsoft para fazer frente ao Google em uma área em que ele é soberano: edição colaborativa de arquivos online.
Com o Docs.com, os usuários do Facebook vão poder buscar, criar, compartilhar e editar colaborativamente arquivos do Office 2010 com seus amigos. Assim como no Google Docs, também é possível importar e exportar documentos do computador.
O aplicativo ainda está disponível apenas para um número restrito de pessoas e é necessário ser convidado para usá-lo. A parceria é um bom exemplo do que pode ser feito com a nova plataforma Open Graph e com a função de login automático, duas novidades lançadas durante a F8.
A Microsoft continua desenvolvendo o Office Online, mas a parceria com a maior rede social do mundo promete alavancar o Docs.com muito mais rapidamente. Resta saber se ele terá força para competir com o Google Docs.
Internet vai municiar embate nas ruas e no vídeo entre candidatos
“Tudo servirá de munição para o debate político dentro e fora da internet”
Na primeira eleição presidencial brasileira após a bem sucedida campanha digital online que elegeu Barack Obama nos Estados Unidos, as coordenações das duas principais candidaturas já estruturaram seu núcleo de internet e decidiram o que importarão para a internet da experiência americana de dois anos atrás: uma extensa base de dados dos possíveis simpatizantes e muita informação em áudio e vídeo para municiá-los no embate político.
A diferença é que cada lado irá dar prioridade ao seu conteúdo na rede em acordo com a estratégia definida pelas cúpulas da campanha. O PT insistirá nas comparações entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao passo que o PSDB tentará levar à rede o embate de biografias entre seu candidato, José Serra, e a petista Dilma Rousseff.
A expectativa de ambos é fazer com que a acirrada disputa que se verá na tevê, no rádio e nas ruas seja abastecida com informações fornecidas pelas campanhas na internet e amplificadas dentro e fora dela pela rede de apoiadores obtida nas redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Os dados também serão divulgados pelos telefones celulares.
“O grande desafio da campanha digital será o da relevância”
Essas deverão ser as principais influências da campanha americana, já que não há grandes perspectivas de doações financeiras online, por dois motivos: o baixo crédito dos políticos ante a opinião pública e a falta de tradição no país de que pessoas físicas colaborem com dinheiro para as candidaturas. A expectativa da presença da tecnologia da informação, porém, é bem alta. Tanto que, desde o ano passado, tucanos e petistas conversam com os dois principais nomes da campanha de Obama: Scott Goodstein, da empresa Revolution Messaging; e Ben Self, da Blue State Digital.
Goodstein foi “diretor online externo” de Obama e cuidou da estratégia nas redes sociais e nos celulares. Conseguiu 2 milhões de simpatizantes no Facebook, 1 milhão no MySpace e mais de 100 mil no Twitter. Criou ainda o “Obama Mobile” , com mensagens de texto, site móvel (WAP) e downloads de conteúdo pelo celular.
Já Self é especialista na gestão da campanha como um todo pela internet, com expertise na criação de ferramentas para identificar os apoiadores e chamá-los à campanha online e “offline”, além de sites específicos para esclarecer fatos negativos sobre os candidatos. Na campanha de Obama, ele criou um o “Fight the Smears”, algo como “combata as manchas” (www.fightthesmears.com) em que são colocadas as versões da campanha sobre o que consideram fatos manipulados pelo adversário.
O PSDB conversou com ambos mas foi o PT que decidiu contratá-los. Nos últimos 15 dias, os dois estiveram no Brasil para conhecer a equipe e começar a organizar a campanha. O contrato dos dois, na realidade, foi firmado com a agência Pepper Interativa, de Brasília, que contratou uma agência de comunicação para fornecer conteúdo e ainda assinou com Marcelo Branco, diretor-geral das três edições da Campus Party e ex-coordenador da Associação Software Livre.org (ASL), uma entidade cujo objetivo é ampliar a presença do software livre no país.
Sua aproximação com o governo deu-se a partir das discussões sobre o Plano Nacional de Banda Larga, onde atuou como um dos principais representantes da sociedade civil no debate com o governo. No início de fevereiro, teve encontro oficial com Lula para tratar do assunto.
Branco é atualmente o porta-voz da campanha online petista, sendo o responsável especificamente em multiplicar apoiadores e municiá-los com conteúdo político nas redes sociais. “Vamos fornecer elementos de vídeo, áudio e texto, que possam mostrar as realizações do governo Lula, que tem mais de 70% de aprovação e muitas realizações ainda desconhecidas do grande público. Tudo servirá de munição para nossos apoiadores fazerem o debate político dentro e fora da internet”, afirmou.
Para ele, Dilma leva vantagem na disputa pela internet por duas razões. Primeiro pelo fato de ter em sua aliança os dois maiores partidos do Brasil em número de filiados: PT e PMDB, com 1,19 milhão e 1,96 milhão respectivamente. A oposição, somada, tem 2,4 milhões de filiados: 1,11 milhão do PSDB, 944,8 mil do DEM e 385,4 mil do PPS. O outro motivo apontado por ele é estarem na aliança com Dilma partidos ligados à esquerda histórica do país e com tradição de militância organizada, como PSB e PCdoB, além do próprio PT. “Isso tudo nos ajuda. É um patrimônio importante”, diz.
Otimista quanto à campanha digital, diz que de agora em diante a tendência é de que a internet seja o grande fórum de debate político nas eleições.
” Redes sociais da web são uma grande praça pública. Serão as primeiras eleições com milhões debatendo política e postando suas opiniões. Não tenho dúvidas de que a internet ajuda a aprofundar a democracia brasileira a partir de milhões que não participariam da campanha se a net não existisse”, diz.
Os tucanos ainda estão fechando a equipe, mas a ideia é agregar pessoas que estão nas empresas que já atuam para o partido em serviços de marketing digital. São alguns deles: Cila Schumman, marqueteira que iniciou sua carreira no Paraná e hoje presta consultorias em São Paulo. Para o partido, ela elaborou o site “Gente que mente”, que elenca denúncias contra Dilma e Lula, expondo supostas mentiras dos dois seguidas pelo esclarecimento do fato.
Da agência paulistana Loops sairá o filho do ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), Arnon de Mello, que deve ser responsável pela mobilização e planejamento estratégico da campanha digital. Também paulistana, mas com filiais em Brasília, Florianópolis e Seattle, a Talk Interactive cederá seu diretor-executivo, Moriael Paiva, que idealizou a campanha do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), à reeleição. Ele também foi um dos formuladores do tucano.org. Na primeira tentativa de Serra chegar ao Planalto, em 2002, trabalhou na campanha online, ainda incipiente à época. O partido está em negociação com mais duas pessoas, cujos nomes são mantidos em segredo.
À frente da equipe, Sérgio Caruso, atual coordenador de comunicação digital do PSDB e presidente da ONN Networking, uma das principais empresas de tecnologia digital de São Paulo, com clientes do porte de TIM, Telefônica e Nokia. Segundo ele, a campanha online deste ano deverá ter uma adequação do discurso de acordo com a realidade local do eleitor.
“O grande desafio da campanha digital será o da relevância. Falar para as pessoas o que for do interesse local delas”, afirma. Além disso, diz que os bancos de dados serão úteis para chegar aos simpatizantes dos candidatos e dar-lhes munição para o embate político. No caso, com destaque para a biografia do candidato. “A vida do Serra tem conteúdo que não acaba mais, tem muita história para contar. É uma longa trajetória”, diz. Também devem ser postados dados positivos sobre a era FHC, um dos principais alvos dos petistas.
Nos bastidores, as duas campanhas online já estão contaminadas pela arquirrivalidade dos petistas e tucanos, com acusações recíprocas da chamada ” campanha negativa”. Artifício muito utilizado no meio empresarial por meio do “troller” (internauta que provoca alguém com ataques pessoais e destrutivos) e do “fud” (técnica de gerar medo, incerteza e dúvida sobre a concorrência), o eleitor pode se preparar para acompanhá-las na campanha online deste ano. Sem, claro, o aval – ao menos oficial – das coordenações da campanha.
Em nível pessoal, as acusações são diretas aos envolvidos nas campanhas, sempre dentro do contexto digital. A equipe tucana é acusada de ser ligada às grandes empresas de comunicação digital, como a Microsoft, que a ONN de Sérgio Caruso tem em seu rol de clientes. Contra esse argumento avançam os tucanos, que apontam em Marcelo Branco uma trajetória incoerente.
Aguerrido defensor do software livre e tradicional crítico da Microsoft, vai trabalhar ao lado de consultores tão americanos quanto a empresa de Bill Gates, que devem lhe oferecer um produto fechado, contrário aos princípios do software livre. Em seu Twitter, porém, ele já afirmou que todo o conteúdo digital da campanha terá por conceito o software livre.
Aliado dos americanos responsáveis pela campanha de Obama, brasileiro que integra equipe de Dilma fala sobre política na internet
Para aproveitar as novas regras eleitorais que permitem o uso da internet na campanha presidencial, os partidos começam a montar equipes específicas. No caso do PT, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Roussef terá a ajuda de norte-americanos que participaram da bem-sucedida campanha virtual de Barack Obama. Os estrangeiros são Scott Godstein e Joe Rospars, responsáveis pela campanha de mídias sociais de Obama em 2008, e Andrew Paryze, especialista em marketing digital da Blue State Digital — agência americana especializada em campanhas online para políticos e causas. Mas se engana quem pensa que são eles que vão ditar o ritmo das ações da candidatura do PT na internet. Pelo menos, é o que garante o brasileiro Marcelo Branco, militante do movimento do software livre e organizador de importantes eventos ligados à tecnologia, que irá integrar a equipe petista.
“Nosso papel será desdobrar a estratégia geral de campanha para a internet”, explica. Branco, que tem mais de 3 mil seguidores no Twitter, foi contratado pela agência que organiza a campanha digital de Dilma para tratar da estratégia para as redes sociais. “Meu papel não é fazer posts em blogs ou tweets, mas sim trabalhar as coisas internamente”, emenda. Entre as estratégias para mobilizar os militantes do PT e do PMDB, Marcelo garante que o jogo baixo estará descartado. Mas reitera que nenhuma provocação ficará sem resposta.
“A ideia é trazer a comparação entre as realizações da gestão atual contra a anterior, numa postura pró-ativa, apresentando os fatos. Mas, se as provocações vierem, vamos responder, só que com argumentos e não com mais baixaria”, defende. Branco ainda rechaça estratégias comuns na internet usadas para inflar marcas e produtos. “Quando se trata de uma empresa, pode ser útil criar artifícios para conseguir mais seguidores no Twitter ou referências no Google. Mas não vejo muita utilidade em uma campanha política. As pessoas não vão digitar Dilma para pesquisar”, conclui.
A estratégia do PT, muito inspirada no caso de sucesso de Obama, é criar, com as redes sociais, canais de comunicação em que a informação possa ser divulgada para os militantes, mas também capitalizar em cima do que for criado por eles, como vídeos, fotos ou textos. “A campanha online não será voltada apenas para os filiados, mas para apoiadores em geral. A ideia não é só fazer guerra de comunicação, mas ajudar para que a campanha ocorra de forma descentralizada. Ela não pode ser pensada por um grupo pequeno de pessoas, mas sim por milhares de internautas”, acredita Branco.
“Vamos responder tudo”
“A turbinagem e a falsificação de indicadores pode funcionar para ajudar a marca de uma cerveja, mas não é positiva para uma campanha”
Comando
Quem vai cuidar da campanha da Dilma é a agência Pepper Comunicação, montando a equipe, da qual faço parte, com os norte-americanos Scott Godstein e Joe Rospars, que cuidaram da campanha de Obama para as redes sociais e mensagens de celular, e Andrew Paryze, da Blue State Digital. Essa equipe vai ser responsável pela estratégia na internet, mas não definirá a estratégia de campanha, e sim desdobrará a estratégia geral. Tem uma confusão de que as coisas seriam definidas pelos americanos, mas não é isso. Eles trarão a experiência no uso das ferramentas. O case do Obama é o maior sucesso mundial hoje. Então, agregaremos esse valor do marketing político e nós, brasileiros, coordenaremos.
Novo meio
No Brasil, o uso da internet era limitada pela legislação. É um novo uso para as campanhas, e não só para os políticos, mas também para os eleitores. A internet pode ser decisiva, mais ainda não se tem como medir o grau de influência. Mas, que vai fazer diferença, vai. É uma forma de aproximar o político com os eleitores. No caso da Dilma, temos um patrimônio que é o governo atual e sua aprovação, num patamar que nunca tivemos. Desde que sou adolescente, sempre tivemos aquela história de que um dia vai chegaria a vez do Brasil. E, hoje, mesmo os opositores mais ferrenhos reconhecem que o Brasil vive a melhor fase da sua história. Tanto que o Obama falou que o Lula é o cara. A nossa estratégia vai ser mostrar as realizações e compará-las com as do período anterior.
Objetivos
A campanha online não será voltada apenas para os filiados, mas para apoiadores em geral. A ideia não é só fazer guerra de comunicação, mas ajudar a campanha para que ocorra de forma descentralizada. Não pode ser pensada por um grupo pequeno de pessoas, e sim por milhares de internautas. Temos a vantagem de ter do nosso lado os partidos que tem o maior número de militantes, e ainda de ter o apoio dos que estão mais à esquerda, que têm a tradição do militante orgânico. Mas, no fim, o objetivo não deixa de ser atingir os indecisos.
Estratégia
Não apelaremos para o uso de posts de blogueiros negativos e não vamos usar os blogueiros pagos. Cada um tem o seu espaço, sua liberdade de expressão. Não vamos articular para atacar e destruir a reputação de alguns blogueiros. Isso fica feio isso na blogosfera. A ideia é usar os canais (Twitter, Identi.ca, Orkut, Facebook e YouTube) de forma propositiva. Para isso, vamos estimular blogs espontâneos. Assim, esperamos estimular a campanha descentralizada em estados e municípios. Os endereços já existentes vão ser valorizados, para se criar uma dinâmica em rede, que estimula dando conteúdo para que toquem a campanha com suas particularidades. Os conteúdos também virão de baixo para cima.
Baixaria
Vamos ter o esforço de responder tudo, nada vai passar. A baixaria não é novidade em campanhas eleitorais, só deverá ser transposta para a internet. Nossos apoiadores também serão orientados nesse sentido. A turbinagem e a falsificação de indicadores pode funcionar para ajudar a marca de uma cerveja, mas não é positiva para uma campanha. Cada baixaria será respondida com fatos. Até porque a internet funciona como um grande arquivo, que guarda todas as informações.
Americanos
Temos diferenças importantes, como no uso das redes sociais, em que somos mais ativos, comunicativos. Já na questão da infraestrutura de banda larga, temos uma carência importante. Aqui, por exemplo, o Orkut é o principal espaço, já o MySpace é bem menos importante. Por isso que a estratégia não será a mesma adotada na campanha do Obama, mas eles trarão a experiência no uso das ferramentas.