O Haiti, mais que nunca, é aqui!

No reino das baixarias
Esta semana a baixaria chegou ao Congresso, depois de haver-se estabelecido em artigos de jornal, seminários e palanques, do lado de fora. Basta referir algumas referências de parte a parte, entre oposição e governo. O presidente Lula havia chamado o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, de “babaca”, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique rotulou Dilma Rousseff de “boneca do Lula”. Foi o que bastou para encher de vergonha os microfones do Legislativo.
O senador tucano Tasso Jereissati falou da “liderança de silicone” exercida pela candidata, quer dizer, falsa. Jarbas Vasconcelos, do PMDB engajado na candidatura José Serra acusa Dilma de “mentirosa” e Ciro Gomes, até agora candidato, acentua que Fernando Henrique “não tem moral” e que age “por vaidade e inveja”. Sucedem-se as tertúlias para saber que governo foi melhor, ou pior: de FHC ou do Lula.Do jeito que as coisas vão, imagine-se como ficarão quando suspensos os impedimentos legais para as campanhas eleitorais. Porque essas coisas costumam pegar quando movimentadas de cima para baixo. As disputas pelos governos estaduais pegarão fogo. Cite-se apenas Brasília, com o governador acusado de roubalheira, desvio de recursos, compra de deputados e até de tentativa de suborno. Quem se lançar contra José Roberto Arruda precisará alinhar essas e outras acusações, preparando-se para receber igual carga de agressões.
No fundo, é o poder que está em jogo. Para preservá-lo, vale tudo. Para reconquistá-lo, mais ainda. Se as oposições andam com medo do crescimento de Dilma, o PT e o governo tremem diante da possibilidade de perder a ocupação da máquina estatal, mais as mordomias e nomeações desvairadas.
Saída ainda existe para evitar a multiplicação da lambança. Bastaria uma conversa entre o governador José Serra e o presidente Lula, enquanto ainda podem controlar seus contingentes e aliados. Seriam obedecidos, caso dispusessem de vontade política para mandar parar as baixarias. O problema é saber se querem…
Não querem outra coisa
Denunciou o presidente Lula, esta semana, que as elites nacionais são perversas porque pode estudar mas não querem que o povo estude. Na mesma oportunidade, no interior de Minas, Dilma Rousseff completou dizendo que Fernando Henrique governou para as elites, pouco se importando com o povo.
A retórica pode ser até elogiada, mas enquanto a dupla metralhava o andar de cima, em Brasília o Banco Central divulgava que os bancos, em 2009, tiveram seus lucros aumentados em 24%. Centenas de bilhões engrossaram seus cofres, registrando-se a euforia dos especuladores financeiros diante dos resultados. Não querem outro governo senão o atual, e estão preparados, até mesmo, para desencadear uma perigosa campanha pelo continuísmo, caso a candidatura de Dilma Rousseff não decole a ponto de prenunciar sua vitória. Afinal, se em ano de crise econômica, como foi o passado, o que imaginar para o corrente?É bom tomar cuidado.
Mudanças, só de boca
Terça-feira a Comissão de Constituição e Justiça do Senado derrotou, por 14 votos a um, projeto do senador Paulo Pain instituindo o imposto sobre grandes fortunas. Solitário, o senador Eduardo Suplicy não conseguiu convencer seus companheiros, mesmo tendo lembrado que projeto igual havia sido apresentado anos atrás, de autoria do então senador Fernando Henrique Cardoso. Foi aprovado substituto do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior, recomendando o arquivamento da proposta.
Na véspera o Senado havia comemorado o Dia do Aposentado, com o plenário cheio e emocionados discursos em favor da correção de todas as aposentadorias pelos mesmos índices concedidos aos aposentados de salário mínimo. Mesmo assim, a matéria continua engavetada e nem por sombra será votada este ano. As bancadas governistas, em especial do PT e do PMDB, sustentaram a impossibilidade de a Previdência Social arcar com as despesas desse reajuste, mesmo sabendo que em poucos anos estará tudo nivelado por baixo, ou seja, à exceção de algumas carreiras privilegiadas, todos os aposentados estarão recebendo o salário mínimo.
De José Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes e Marina Silva não se ouve uma só palavra a respeito. Apenas o governador Roberto Requião ousa prometer que, se eleito, fará justiça aos velhinhos.
Escorregou
Quem escorregou foi o governador José Serra, que em recente entrevista coletiva, acusou a TV-Brasil de parcialidade, enfatizando as enchentes em São Paulo e esquecendo outras regiões, além de agredi-lo com perguntas que não podia responder.
Está enganado o candidato tucano, certamente sem tempo para assistir os telejornais da Rede Brasil, que sendo pública, não é governamental. Basta somar os espaços e o tempo dedicados à atividade das oposições para concluir que estão no bom caminho, apesar de incompreensões agora conflitantes: no governo também reclamam da TV-Brasil, só que por motivos opostos aos de José Serra. Não parece fácil cultivar a arte da informação precisa e correta.
Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa
O que suas ex-celências fazem, Tupiniquins, com o seu, o meu, o nosso sofrido dinheirinho.
Sobrinha do Senador Álvaro Dias, ocupante contumaz da Tribuna do Senado em apontar o dedão acusatório contra malfeitos de adversários, Valéria Dias, perdeu o cargo no Senado por vínculos de parentesco.
Nada de choro por causa de uma bobagem dessas. Né?
Agora é gerente de projetos do Ministério do Esporte, no Rio.
Negócios na África
A sobrinha de Álvaro Dias esteve pelo Brasil em uma feira de negócios do futebol na África do Sul, segundo revelou o Blog do Cruz.
Nada se cria. Tudo se copia. Desde a descoberta de Marcos Valério pelo Senador Azeredo no mensalão mineiro, vire e mexe, aparece alguma vestal do PSDB envolvida no cínico “Delubiano” recursos não contabilizados.
Certamente os iracundos Tucanos irão argumentar que caixa 2 é diferente de mensalão e coisa e tal, e que o caso é diferente da quadrilha do PT, ou Perillo virá a público dizer que não sabia de nada.
A impressão que fica é que a corja petista tem quintas colunas infiltrados em todos os partidos. Todos “trabalham” a favor do apedeuta de Garanhuns. O grande chefe dos Tupiniquins e sua (dele) turma do PT devem estar rindo “à socapa” como diria Machado. O Assis.
Tenho a convicção que no Brasil o fundo do poço é somente um estágio
Argh!
O Editor
Senador tucano afirma que conversas se referem a doações legais para a sua campanha em 2006
Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006. Os diálogos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goiás, é alvo de inquérito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da máquina pública durante a eleição.Nos relatórios, investigadores afirmam que os diálogos “demonstram a movimentação do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de dívidas de campanha e compra de apoio político”. A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goiás.
As conversas sobre pendências financeiras prosseguiram após a eleição. De acordo com a investigação, o senador teve de recorrer a empréstimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.
“O “trem” seu todo dá uns quatrocentos?”, pergunta Perillo, segundo o relatório. Oliveira responde que suas dívidas já somavam R$ 750 mil. Perillo, então, diz que tem uma pessoa que vai “arrumar” parte do dinheiro. Em outra ligação, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que não poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros políticos: “Eu posso ajudar mais se você arrumar quem queira ajudar.”
Ao ex-deputado Nédio Leite, que também lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria “resolver a totalidade ao invés de ser só aquela parte”. Ele pergunta se Nédio Leite, à época no PP, não sabia de alguém que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.
As cobranças se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, Lúcio Fiúza. Num telefonema, de acordo com o relatório da PF, o então deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato à reeleição, cobra de Lúcio um “caminhão de arroz” . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o próprio Marconi lhe havia dito que “ontem ou hoje ia me passar”.
O então presidente da União de Vereadores de Goiás, Wolmer Tadeu Arraes, também ligou para cobrar. Usando o telefone do comitê de Perillo, o tesoureiro Fiúza fala com um pastor evangélico, identificado como César. Diz que precisava marcar encontro para “encomendar umas orações”. Em seguida, deixa de falar em código. “Metade agora e metade na outra semana”, afirma o tesoureiro ao pastor.
O senador foi gravado em conversas com juízes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma juíza pede que Perillo interceda para evitar a transferência do marido, funcionário do governo. Em outro diálogo, é Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.
A investigação detalha o que a PF classificou como uso da máquina pública na campanha. Assessores reservam aviões e helicópteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. Há registro, ainda, de voos para buscar Perillo em Búzios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram tão frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: “Podem usar isso no futuro.” A PF também acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua segurança pessoal. As gravações foram autorizadas por uma juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.
Outro lado
Ao Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lançadas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da República, que já ajuizou denúncia contra ele no STF. “Minha defesa está 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos”, afirmou. O senador diz que as conversas com políticos sobre dinheiro referem-se a doações legais. “Pedi a empresas doações para vários candidatos, algumas viabilizaram, outras não, e por isso que eles ligavam cobrando”. Ele nega o uso da máquina. “Se usei aviões do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador.”
O ex-deputado Nédio Leite, nega ter vendido apoio político a Perillo em 2006 e diz não lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. “Tenho muita afinidade com ele”, afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho não foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Indústria Química de Goiás (Iquego), não deu retorno ao contato.
Rodrigo Rangel/Estadão
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O apedeuta de Garanhuns entrou no negócio de exportações. Agora os Tupiniquins além de jogadores, travestis e um mundo de ‘comodities’, vão exportar modos de corrupção. Lula vai ensinar aos gringos como conviver com Renans, Sarneys, Collors e outros penduricalhos que infestam a democracia brasileira. Difícil vai ser explicar a história de meias e cuecas. A esperança da tribo tropical é que, se eleito, José Serra não faça acordo com esse tipo de gente para ter maioria no congresso.
Argh!
O Editor
– E esse terremoto, heim?
– Pois é. Estou desolado.
– Calma, a gente dá um jeito.
– O estrago foi grande!
– Sim, mas…
– Perdi o Senado.
– Senado? Eu tô falando do Haiti!
– Sorry, sorry.
– O que houve no seu Senado?
– Um terremoto.
– Aí também?
– Yes, yes. Perdemos a maioria. Ted Kennedy morreu, você sabe…
– Sim, e daí?
– Ele era democrata devotado, voto nosso. Mas teve nova eleição. Perdemos. Ganhou o Scott Brown.
– Sei, sei…
– Republicano. Um oposicionista amalucado.
– Sei, uma espécie de Agripino Maia.
– Heim?
– Agripino, um democrata aqui do Brasil.
– Democrata? No Brasil?
– Exato. Também temos os nossos democratas. Só que aqui eles são republicanos. Conservadores. Entende?
– What?, diz Obama ao intérprete, imaginando-se vítima de má tradução.
– Esquece, esquece. Coisa do Brasil. Você ia dizendo…
– Te invejo. Você é que é feliz. Crise superada. Sindicatos amigos. Um Congresso que ajuda o governo. E eu aqui, às voltas com o caos…
– Também não é assim, companheiro. Não exagera. Cadê aquele Obama do ‘Yes, we can’?
– Evaporou. Agora é ‘sim, nós fazemos o que podemos’. Você não tá entendendo. Perdi a maioria no Senado.
– Bobagem. Eu lido com isso desde 2003.
– Não vou conseguir aprovar mais nada.
– Com jeitinho acaba aprovando.
– Até meus aliados me encostam a faca no peito.
– Hum, hum…
– Para votar a favor da reforma da Saúde, a senadora Mary Landrieu, gente nossa, exigiu a liberação de U$ 300 milhões para a Louisiana, o Estado dela.
– Sei bem como isso funciona.
– Sabe?
– Claro. É o velho toma-lá-dá-cá.
– What?, Obama reclama, de novo, com o intérprete, que esclarece: “Take-there-and-give-here”.
– A nossa Mary se chama Renan Calheiros.
– Ruenan?
– Às vezes muda de nome. Sarney, Jucá… Pra facilitar, eu chamo todo mundo pelo apelido: Bancada do PMDB.
– Não se comparam à nossa Mary Landrieu.
– Você não conhece a bancada do PMDB…
– O que devo fazer?
– Faz o seguinte: quando lhe pedirem dinheiro, você manda aprovar as emendas. Depois, segura. Não libera a verba.
– E funciona?
– Às vezes dá problema. Aí você entrega meia dúzia de cargos.
– O eleitor americano não vai entender.
– Você convoca uma entrevista e diz que precisa assegurar a governabilidade.
– Assegurar o quê?
– Anota aí: go-ver-na-bi-li-da-de.
– Será que basta?
– Talvez não. Convém você copiar a nossa medida provisória.
– Mas nós aqui precisamos de medidas permanentes.
– Sim, exatamente. As nossas medidas provisórias são permanentes.
– Heim?
– Te explico melhor pessoalmente, na reunião do G8.
– Isso dá certo?
– Já me rendeu mais de 80% de popularidade.
– Você é o cara!
blog do Josias de Souza
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Siamêses no cinismo.
—Delubio Soares: “Não existe mensalão. São recursos contabilizados”.
—Senador Agripino Maia: “O mensalão não é do DEM é do Arruda”!
Assim, as duas sinistras figuras reduzem os Tupiniquins a um bando de dementes.
Argh!
O monopólio da mentira.
Texto de Rui Barbosa escrito em 1919.
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No circo da política, só há dois tipos de personagens: os cínicos e os que não conseguem se conter.
Foto: Bruno Miranda/Folha
Ao longo da semana, tucanos e petistas sacudiram o picadeiro num eletrizada troca de sopapos verbais.
Privatistas! Irresponsáveis! Incompetente! Mentirosa! Jagunço! É calúnia! Babaca!
Nesta sexta (22), Lula e José Serra avistaram-se em São Paulo. E o cinismo, para tranquilidade geral, foi restabelecido.
Presidente petista e governador tucano foram inaugurar um laboratório de remédios na cidade paulista de Itapita.
Na véspera, o PT chamara Serra de “hipócrita”. Acusara-o de esconder-se atrás das críticas disparadas pelo tucano Sérgio Guerra, seu “jagunço”.
Pois bem. Ao discursar ao lado de Lula, o pseudo-oposicionista Serra falou do tema preferido do presidente: futebol.
Contou que, ao chegar, trocara um dedo de prosa com o grupo de funcionários que o aguardava na entrada do laboratório.
“Fui lá cumprimentá-los, perguntei se tinha algum palmeirense e tinha muito pouco, infelizmente…”
“…Mas o deputado (estadual, Barros) Munhoz me garante que Itapira tem mais palmeirenses do que parece”.
Serra animou-se a perguntar qual era o time da preferência da platéia. Palmeirenses, de fato, quase nenhum.
E o grão-tucano, levando um risinho à ponta do bico: “Estamos mal. O governador não pode ser perfeito”.
Ao receber a bola levantada por Serra, Lula, que na véspera dera canelada no “jagunço” do governador –”É um babaca”— limitou-se a levá-la à rede:
“Foi Deus que botou na cabeça do [ministro da Saúde José Gomes] Temporão a ideia de me convidar para vir aqui hoje…”
“…Não tem nada mais importante para um corintiano do que ver um palmeirense perceber que tem tão pouco palmeirense aqui e tanto corintiano. Serra, já ganhei o dia por isso”.
Difícil saber o que espanta mais na política, se a troca de ofensas genuínas ou o intercâmbio de gentilezas falsificadas.
De concreto, apenas uma convicção: à platéia, além do custeio da bilheteria, cabe, por ora, o papel de palhaça.
blog Josias de Souza
Serra diz que PSDB é avesso a publicidade – mas ele faz
Com previsão para gastar R$ 204 milhões em publicidade ao longo de 2010, ano em que deverá disputar a Presidência, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse nesta terça-feira que o seu governo faz questão de ser discreto em relação ao que entrega à população.
Num discurso em que garantiu que não usaria a máquina pública para promover sua gestão, durante cerimônia para anunciar gasto de R$ 282 milhões em pequenas obras nas escolas estaduais, Serra disse que, sempre que possível, esconderia o logotipo do governo do estado em materiais de divulgação, seguindo o que ele chamou de “estilo tucano”.
- Tucano é nota 100 em esconder a autoria das coisas. Nem todo mundo na política do Brasil é nota 100 nessa matéria, pelo contrário. O material (escolar) é de muito boa qualidade, esconde o nome do governo – disse ele, garantindo que os tucanos são avessos a publicidade.
O discurso, no entanto, não refletia a realidade. Em cima de um palco improvisado, o governo reuniu todo o kit escolar que será entregue aos alunos da rede pública.
Os únicos itens que não traziam o logotipo do governo eram a borracha, a tesoura e o apontador, além dos materiais esportivos. Mochila, caderno, lápis, caneta e cola tinham o símbolo estampado. Ainda assim, Serra garantiu que o PSDB não tem por hábito levantar a bandeira da publicidade.
- O tucano é avesso a fazer publicidade quando está no governo. Não se pode dizer que a gente usa a máquina governamental para promover sequer o governo, que dirá o partido. Os tucanos são imbatíveis nessa matéria. Está no DNA. É uma virtude – disse ele.
O Globo/Flávio Freire
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Para o exercício do logro, o governador José Roberto Arruda possui instrumental completo: não conhece limites, menospreza o discernimento alheio, confia na eficácia de seus truques e acha que suas mentiras têm pernas longas.
A ideia de recorrer ao mesmo expediente de 2001, de novo pedindo desculpas por seus pecados alegando ter sido vítima da própria ingenuidade, deve ter-lhe parecido genial.Afinal, foi muito bem-sucedido na ocasião. Recebeu uma votação extraordinária no ano seguinte para deputado federal e cinco anos depois de renunciar ao mandato e sair escorraçado do PSDB, virou um “case” em matéria de volta por cima, elegendo-se governador em aliança integrada, entre outros, pelo mesmo PSDB.
Nos quatro principais pronunciamentos que fez nesse período para negar e depois se penitenciar de seus delitos, José Roberto Arruda escreveu um perfeito tratado geral sobre a arte de iludir plateias com a feição do pecador contrito.
“Inútil resistir à verdade”, disse ele em momento alto de franqueza quando admitiu ao Senado, em 23 de abril de 2001, que cinco dias antes havia mentido naquela mesma tribuna ao negar a violação do sigilo do painel eletrônico e chamar de mentirosa a funcionária que afirmava ter entregado a ele a lista de votantes na cassação de Luiz Estevão, no ano anterior.
Naquele ato de contrição, na véspera de renunciar ao mandato de senador, Arruda se disse vítima da própria cobiça – “o poder estava me levando, pela vaidade exagerada, pela ambição desmedida, a um atalho, a um desvio, que não é o caminho que tracei”- e assegurou ter aprendido a lição: “É um aviso para mudar enquanto é tempo”.
Invocava a desproporcionalidade entre o crime e o castigo – “não matei, não roubei, não enriqueci, não desviei dinheiro público!” – e distribuía ensinamentos a respeito da prevalência da ética sobre a ambição.
“Não há nada de errado em ser ambicioso, mas o erro que muitos temos cometido, e eu certamente cometi, é definir a ambição antes de definir a ética.” Esta seria a receita contra a tentação de, diante da oportunidade, se reduzir o “rigor ético”.
Parlamentar de primeiro mandato à época, Arruda dizia ter sido acometido por “grande dose de ingenuidade”.
“De fraqueza, de açodamento. Falhei, fui ingênuo, infantil, descuidado algumas vezes, mas pretendo, com esse gesto (a penitência) que vem de dentro da alma, dar o exemplo de que sempre se pode retomar o verdadeiro caminho.”
Daí em diante, a bordo desse discurso, José Roberto Arruda tomou o caminho da reconstrução da carreira. Pediu perdão coletiva e individualmente a quase cada um de seus eleitores, percorrendo bairros de porta em porta, dizendo de seu arrependimento aos cidadãos de Brasília.
Até chegar em 2006 a governador do Distrito Federal e, três anos depois, voltar à cena da transgressão com provas produzidas em operação da Polícia Federal, de como havia, de novo, privilegiado a ambição do poder em detrimento do “rigor ético”.
Aliou-se a um esquema de ilicitudes montado pelo antecessor e tomou um atalho para o Palácio do Buriti se elegendo “por dentro” do aparelho. Viciado, e, portanto, aderiu aos vícios.
Conforme ficou demonstrado pela entrega de gabinete, acesso e desenvoltura de trânsito no poder ao homem que operava a corrupção, que viria a se transformar no denunciante do esquema e com ele, Arruda, visto por todo o Brasil em cena amena de transação financeira.
E o que diz agora o penitente de outrora?
Apela por indulto, alega outra vez ingenuidade, alude ao “erro” de ter “permitido que interesses contrariados” ficassem tão próximos dele e mostra que se alguma coisa aprendeu, foi a se aperfeiçoar na arte de ludibriar: “Eu perdoo a cada dia os que me insultam. Entendo as suas indignações pela força das imagens. E sabem por que eu perdoei? Porque só assim eu posso pedir perdão pelos meus pecados”.
Ato contínuo pede que o deixem trabalhar sossegado a fim de que “o governo não seja prejudicado” e muitas obras possam ser inauguradas em prol do povo.
Uma síntese do festival de descaramento que assombra o Brasil.
Dora Kramer/Estadão
Brasil: da série “Acorda Brasil!”
Perdulário, inoperante e se revelando cada vez mais inútil, o Senado dessa pobre e depauperada república dos Tupiniquins, não dá sossego. Novamente, o inefável José Sarney, está à frente da mamata.
Eternamente de férias da moral e da ética, suas (deles) ex-celências, não perdem a oportunidade de meter a mão, descaradamente no bolso do contribuinte. Um caminho que resta aos Tapuias e demais tribos de abestados é não reeleger essa súcia.
Lembrem-se: A urna corrige!
O Editor
Sua assinatura estava na decisão sobre cota de passagens: ‘O ato é falso’, diz.
Na pressa de agradar os senadores num ano eleitoral, a Mesa Diretora do Senado incluiu entre os seis parlamentares que aprovaram o ato autorizando o uso este ano da verba de transportes aéreo do ano passado o senador Gerson Camata (PMDB-ES), que nem mesmo estava em Brasília. Camata disse que, naquele dia e hora, estava em São Paulo.Em resposta ao pedido de Camata para que fosse investigado, a diretoria-geral do Senado limitou-se ontem a republicar o ato, com uma inovação: no lugar de Camata colocou o nome do senador Aldemir Santana (DEM-DF). Camata afirma que a medida não valida o ato e nem resolve o “dano moral” que teve ao ser incluído na lista dos responsáveis por mais uma das mordomias do Senado. “O ato é falso e inconstitucional, como me informou a advocacia do próprio Senado. Você não pode carregar recursos de um ano para usar no outro”, alega.
A decisão revoga uma das anunciadas medidas moralizadoras adotadas pela Casa no ano passado, no auge do escândalo dos atos secretos. Ficou acertado, quando da tentativa de conter a farra das passagens aéreas, que a sobra do dinheiro retomaria aos cofres da Casa.
Para o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), a republicação do ato com o nome de outro senador não acaba com a sua nulidade. “É muita baderna”, reconhece. “O certo é que o ato é nulo de pleno direito e, para valer, a Mesa teria de reiniciar todo o processo.” Já o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), trata a troca dos nomes como sendo “uma questão subjetiva”.
Os patrocinadores do ato são o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e os senadores Serys Slhessarenko (PT-MT), Mão Santa (PSC-PI) e Patrícia Saboya (PDT-CE).
Não foi a primeira vez que a Mesa Diretora revogou uma “medida moralizadora”, como o próprio Sarney gosta de chamar as decisões para acabar com abusos na administração da Casa. Em setembro, recuou na medida que proibia a transferência para os Estados de servidores comissionados das lideranças dos partidos. Na época, Sarney disse no plenário que a autorização atendia a “todos os líderes”. Ficou constatado depois que somente seis integrantes da Mesa sabiam da novidade e que os líderes dos maiores partidos não foram consultados sobre o assunto.
Rosa Costa/Estadão