Brasil: da série “quente viu e quem te vê”.

O Globo – De Soraya Aggege:
Tucanos impedem investigação sobre Alstom.

PSDB de SP consegue evitar convocação de envolvidos e diligências e blindam o ex-secretário Zylbersztajn.

O PSDB paulista enterrou de vez ontem a possibilidade de o caso Alstom ser investigado na CPI da Eletropaulo, na Assembléia Legislativa de São Paulo. A multinacional francesa é acusada, na França e na Suíça, de pagar propina a servidores e políticos em troca de contratos públicos em estatais de São Paulo durante governos tucanos. Ontem, o PSDB barrou as tentativas da bancada petista de investigação de supostos envolvidos, de documentos e de diligências.

Os deputados tucanos conseguiram também blindar o ex-secretário de Energia David Zylbersztajn. Ele depôs ontem por mais de duas horas à CPI da Eletropaulo, mas pouco falou sobre os contratos das estatais de energia com a Alstom.

- O secretário de Energia não assina contratos. Isso fica no âmbito das próprias empresas estatais. Só soube do caso Alstom pelos jornais – disse Zylbersztajn, quando o deputado petista Enio Tatto conduziu o depoimento para o tema, sob protestos dos tucanos, que têm maioria na Assembléia Legislativa paulista.

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E os túneis do metrô de São Paulo, pelos quais o propinoduto francês, transportou dinheiro para irrigar bolsos e comprar corações e mentes de tucanos de alta plumagem, vão, literalmente, desmoronando.

A jornalista Lucia Hippolito faz revelações, que se fossem da alçada dos petralhas, provavelmente já teriam sido capas das revistas semanais, ou comentários pseudo moralistas do amoral Arnaldo Jabor. Como a sujeira está em poleiros ilustres, não se ouve nem o furibundo Senador Arthur Virgílio, não se vê o histriônico Agripino Maia, e muito menos o patético Mão Santa subirem a tribuna do Senado para comentar o assunto.

Do blog da Lucia Hippolito

Este caso da Alstom ainda vai dar pano para manga. Reúne todos os ingredientes de um escândalo de grandes proporções.

A empresa francesa teria pagado quase US$ 7 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do metrô de São Paulo.

As investigações revelam também relações no mínimo perigosas com a Eletropaulo, quando ainda era uma empresa estatal.

Chefe da Casa Civil no governo Mário Covas foi à Copa do Mundo da França em 98 com tudo pago pela Alstom. (Bem feito! Assistiu de camarote àquele mico na final.)

Empresas offshore teriam sido usadas para que R$ 13,5 milhões fossem pagos como propina a políticos brasileiros, através de pagamento de consultorias forjadas.

Em resumo, grossa corrupção.

Em São Paulo, o Ministério Público Estadual decide investigar os contratos da Alstom com empresas do governo do estado, entre as quais a Eletropaulo (quando era estatal), Metrô, Sabesp, Cesp e CPTM.

Em vista disso, o que faz o Governador José Serra? Tenta desqualificar a denúncia, alegando que é tática eleitoreira do PT. O “kit PT”, segundo expressão do governador.

E se for? A denúncia é verdadeira ou falsa? Existe gente do governo Covas e do governo Alckmin envolvida? Isto é que é importante.

Quantas vezes uma denúncia meramente eleitoreira não acabou revelando fatos escabrosos – e verdadeiros?

É verdade que nenhum governo gosta de CPI. Se tem maioria na Assembléia ou na Câmara dos Deputados, o governo faz valer sua maioria para abafar CPIs ou para matá-las no nascedouro.

(Acabamos de assistir ao falecimento da CPI dos cartões corporativos no Congresso Nacional. O governo Lula fez valer sua maioria, e nada foi investigado.)

Rola na Assembléia Legislativa de São Paulo uma CPI para investigar a privatização da Eletropaulo, instalada antes de estourar o escândalo da Alstom. Naturalmente, a oposição tentou convocar os envolvidos no escândalo.

(Quando estourou o escândalo do dossiê com as despesas pessoais do ex-presidente Fernando Henrique, a oposição também tentou convocar a ministra Dilma Roussef. É natural.)

A maioria, ligada ao governador Serra recusou ontem todos os requerimentos de convocação. Faz parte do jogo.

(Na CPI dos cartões, a maioria governista também recusou os requerimentos de convocação da ministra Dilma e de sua assessora Erenice Guerra para falar sobre o dossiê. Faz parte do jogo.)

Este escândalo da Alstom pode até ser escondido dentro do armário. Mas vai assombrar a campanha do ex-governador Alckmin, se ele insistir em ser candidato a prefeito em 2008.

Mas o governador José Serra se ilude, pensando que isto é assunto do governo Covas-Alckmin. Este esqueleto também vai sair do armário para assombrar a campanha do governador em 2010, seja para presidente da República, seja para se reeleger governador de São Paulo.

Como diz com muita precisão o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “safadeza não prescreve”.

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PSDB se recusa a investigar a Alstom

Minha sábia avó já dizia: “todo mundo é bom mais à lua falta uma banda”. O dito mostra-se cada vez mais atual, bem como também o popular “nada melhor que um dia após o outro, ou o infalível “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”.

Todos esses, e mais alguns outros axiomas, vestem o figurino dos tucanalhas, que a exemplo dos petralhas, estão aí para o exercício da enganação. O que o PSDB quer que seja feito contra o PT não permite que seja feito quando o alvo é um emplumado partidário. O escândalo do suborno nos financiamentos do metrô de São Paulo, “buraco” corruptor que reside nos subterrâneos desde o governo de Mário Covas, até o do tucano Alckmin, permanece soterrado pela maioria do PSDB na Assembléia Legislativa da paulicéia desvairada.

Da coluna do Claudio Humberto

A base do governo de São Paulo rejeitou hoje os requerimentos apresentados pelo PT para tentar investigar o caso Alstom na Assembléia Legislativa.

Os governistas, que são maioria na CPI da Eletropaulo, rejeitaram sete requerimentos de uma só vez. Entre os requerimentos rejeitados estavam os que pediam a convocação do ex-presidente da Alstom José Luiz Alquéres, do presidente da Eletropaulo, Britaldo Soares, do ex-secretário estadual de Energia Andrea Matarazzo, do sucessor de Matarazzo, Mauro Arce, do ex-presidente da Eletropaulo Emmanuel Sobral e do presidente da Acqua Lux Engenharia, Sabino Idelicato.

A CPI também rejeitou um requerimento que pedia ao Ministério da Justiça informações sobre a investigação da Alstom que comprovariam a ligação da multinacional com a Eletropaulo. O comportamento do PSDB governista em São Paulo lembra muito a base governista federal…

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Tucanoduto da Alstom

Nada melhor que um dia atrás do outro ou, como estampava o então atlético, argh!, ex-presidente Fernando Collor em suas (dele) domingueiras camisetas “o tempo é o senhor da razão”.

Assim, a exemplo da queda da máscara “collorida” , a plumagem tucana, até então segundo seus (deles) áulicos a única impoluta, começa a mostrar que as tais alvares plumas, não são imunes à propinas. Confira abaixo matéria do O Estado de São Paulo.

Offshore MCA concentrou 50% das propinas para tucanos

Relatório indica que Alstom pagou comissão de 15% para obter contrato com Eletropaulo

De Sônia Filgueiras e Eduardo Reina:

Um único contrato de consultoria teria sido usado para dar cobertura a mais da metade das propinas supostamente pagas, entre outubro de 1998 e abril de 2001, a pessoas ligadas ao governo de São Paulo, então sob o comando do PSDB. Segundo as investigações do Ministério Público da Suíça, o contrato foi fechado entre a Alstom e a offshore MCA Uruguay Ltda. Outras offshores, empresas com sede em paraísos fiscais, fecharam contratos da mesma natureza.

Com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a MCA era administrada pelo brasileiro Romeu Pinto Júnior, que não quis falar ao Estado sobre o assunto.

Os supostos serviços de consultoria foram formalizados em contratos para dar cobertura à promessa de comissões. O valor foi prometido em troca da assinatura de um contrato entre Alstom e Eletropaulo: o Gisel II, orçado, segundo os investigadores suíços, em 251,7 milhões de francos franceses (o equivalente a R$ 98,1 milhões, em valores de hoje).

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