Lula, Dilma e a eleição de um poste

A ‘coisa’ começou a esquentar. Do pescoço pra baixo, tudo é canela.
O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato à Presidência, acusou ontem o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), presidenciável tucano, de aparelhar o Estado para se beneficiar eleitoralmente.
“Serra pegou o Márcio Fortes, um banqueiro do Rio, e o nomeou para dirigir a empresa de eventos de São Paulo. Todo mundo sabe que o Márcio Fortes, na verdade, ajuda a captação de dinheiro na campanha [presidencial]“, disse Ciro, em entrevista à rádio CBN, no Rio.
À Folha Fortes afirmou que Ciro “demonstrou sua ignorância”. Ele disse que não é banqueiro, mas engenheiro. “Não estou tratando de recursos para campanha. já tratei disto no passado, como político do PSDB.”
Ex-secretário e ex-tesoureiro do PSDB, Fortes dirige a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento.
Márcio Fortes está cotado para ser o vice da chapa encabeçada pelo deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) na disputa pelo governo fluminense.
Na entrevista, Ciro Gomes disse que é “remotíssima” a possibilidade de ser candidato à sucessão de Serra e negou que vá se encontrar com o presidente Lula para discutir tal tema. Ele também voltou a dizer que é mais preparado que Dilma para a corrida eleitoral.
João Paulo Gondim/Folha de S.Paulo
Continua, como dizem os cronistas esportivos, o denodado esforço dos políticos tucanos para se igualarem aos inacreditáveis petista. Cada vez mais, dia após dia, os dois partidos se mostram mais siameses.
Lula, Aécio, Serra, PSDB, PT… Tenho dito aqui neste espaço que petistas e tucanos só se diferenciam pelo método, sendo siameses no agir.
Espanta a cara de pau de iracundos tucanos em apontar o dedão acusador em direção às mazelas dos outros, enquanto silenciam, corporativa e amoralmente, quando a sujeira das emplumadas penas aparecem.
Pois é. Nada como um dia atrás do outro! E do outro também!
O Editor
Aécio imita Lula e já inaugura até pedra fundamental
O governador tucano de Minas, Aécio Neves, adotou uma prática que, sob Lula, a oposição especializou-se em criticar: a “inauguração” de pedras fundamentais.Aécio mimetizou Lula no município mineiro de Divinópolis. “Inaugurou” ali a pedra fundamental de um hospital público.
O hospital vai custar R$ 36 milhões às arcas estaduais. Aécio liberou R$ 8,9 milhões desse total.
A a obra é coisa por fazer. Só será concluída na próxima gestão. Mas Aécio, em franca campanha, cuidou de contabilizar antecipadamente o feito:
“O Hospital Regional, uma demanda, uma necessidade, uma carência quase que histórica dessa cidade, começa agora a ser implementado”.
Nas palavras do governador, as futuras instalações chegaram mesmo a ganhar forma:
“Um hospital todo equipado é o que pretendemos oferecer à população de Divinópolis”.
Candidato declarado ao Senado, Aécio levava a tiracolo o vice-governador Antonio Anastasia.
Vem a ser uma espécie de Dilma Rousseff de calças. Um tucano que Aécio tenta eleger seu sucessor.
Ainda em Divinópolis, Aécio e Anastasia “entregaram” um aeroporto. Foi reformado, ao custo de R$ 11 milhões.
Para Aécio, tratou-se de uma “inauguração”. De acordo com o texto levado ao portal do governo mineiro, realizou-se uma “reinauguração“.
Governador e vice deixaram em Divinópolis um rastro de verbas: R$ 6 milhões para pavimentação de vias públicas…
…R$ 840 mil para a construção de um par de postos de saúde, R$ 730 mil para a um terminal de passageiros do aeroporto local.
Antes de retornar a Belo Horizonte, Aécio concedeu uma entrevista.
Perguntaram-lhe sobre a articulação de prefeitos mineiros em favor do voto “Dilmasia” –Dilma para presidente e Anastasia para governador.
E ele: “Acho uma bobagem. Acho que aqueles que estiveram conosco, vão estar empenhados também na eleição do nosso partido, na eleição do governador José Serra…”
“…Esse é o nosso compromisso e vou trabalhar no limite das minhas forças para que ele tenha um ótimo resultado em Minas Gerais”.
blog Josias de Souza
Brasil: da série ” perguntar não ofende”!
Quem irá pagar a conta? Que dizer, o pato?
O Editor
Campanha rica: Dilma aluga quatro mansões
O comitê de Dilma Rousseff (PT) está alugando quatro mansões no Lago Sul, bairro de classe média alta de Brasília, para os núcleos da campanha. Três delas custarão em média R$ 30 mil mensais por dez meses, sendo 30% pagos à vista, em troca da imediata desocupação dos imóveis. Uma mansão será usada pelo ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, o coordenador, e a “área de inteligência” da campanha.
PR a bordo
A mansão mais cara (cerca de R$ 50 mil mensais) tem píer para lancha e terá heliponto, para o presidente Lula chegar e sair sem ser a notado.
Dinheiro sobrando
Somente na mansão principal, que será ocupada pela candidata Dilma Rousseff, serão gastos R$ 500 mil em obras de reforma e adaptação.
Mau sinal
Os contratos das mansões para a campanha de Dilma Rousseff têm sido negociados pelo dono de uma gráfica de Brasília.
Bela estrutura
Uma mansão é para o serviço de telemarketing, que vai disparar 600 milhões de mensagens gravadas de Dilma, e outra para estúdio de TV.
coluna Claudio Humberto
Brasil: da série “Me engana que eu gosto”!
É isso aí. Se a mãe do p@aclanque pode aparecer até em campeonato de cuspe à distância, porque o que os paulistas já apelidaram de “Zé Alagão” também não pode mentir e fraudar a lei eleitoral? PSDB e PT, em seus expoentes e na militância, são siameses na mentira e “experts” em apontar o de do de pseudo-vestais para os pecados dos outros.
Argh!
O Editor
Milton Michida/Divulgação
O governador de São Paulo, José Serra, suposto candidato do PSDB à sucessão de Lula, protagonizou uma cena inusitada.
Como que decidido a rivalizar com Dilma Rousseff em visibilidade, Serra abalou-se da capital para o litoral Sul do Estado.
O governador “inaugurou”, veja você, a maquete de uma ponte. E nem ficou vermelho. Uma tenda protegeu-o do Sol.
Não, você não leu errado. É isso mesmo. Serra visitou o local onde será erigida uma obra que ainda nem foi licitada.
Quando estiver pronta, na gestão do sucessor de Serra, a ponte vai ligar as cidades de Santos e Guarujá. Hoje, o trajeto é feito de balsa.
Flertando com o ridículo, Serra discorreu sobre a obra que, depois de licitada, consumirá 30 meses e R$ 700 milhões da próxima gestão:
“Com esta ponte (?!?!?!) nós vamos quebrar um gargalo que é muito importante aqui na região da Baixada Santista…”
“…Além disso, a ponte terá até um papel paisagístico [...]. Nós vamos dar mais segurança para as pessoas e para os navios e mais rapidez, coisas fundamentais”.
Depois dessa pantomima, eliminaram-se as dúvidas quanto à candidatura presidencial de Serra. Só um candidato é capaz de render-se assim ao burlesco.
Em Minas, também rendido à fúria inauguratória desta quadra eleitoral, o governador tucano Aécio Neves entregou um hospital à população de Uberlândia.
Coisa pronta, à vista de todos, não uma maquete por licitar. Para satisfação de Aécio, um repórter amistoso levantou a bola na frente dele.
Pediu que falasse sobre o programa oficial de distribuição de geladeiras a mineiros pobres. Aécio não desperdiçou a oportunidade do chute:
“Estamos permitindo que mais de 300 mil famílias de Minas, de mais baixa renda, possam trocar os seus equipamentos domésticos ociosos ou ultrapassados como uma geladeira ou um chuveiro elétrico por novos, sem custo absolutamente nenhum”.
Falou para a platéia local: “Apenas em Uberlândia serão 7.700 famílias atendidas”. Didático, explicou que o cidadão entrega a geladeira velha e recebe uma “geladeira zero quilômetro”. Repisou: “Sem qualquer custo”.
Mimetizando Lula, Aécio cuidou de acomodar a bola no colo de Antonio Anastasia, o tucano que, em Minas, vai às urnas como uma espécie de Dilma Rousseff de calças.
Aécio explicou que, depois que ele se for, o bolsa geladeira “será ampliado pelo vice-governador Antonio Anastasia”, o nome que escolheu para sucedê-lo.
Trafegando na fronteira da legislação eleitoral, Aécio disse que, ao programar investimentos, sua gestão não está senão “planejando o futuro”.
“E a garantia da continuidade desses investimentos é a garantia que [...], no que depender de mim, por muito tempo ainda, vamos ter Antonio Anastasia à frente do governo”.
Perguntou-se a Aécio se não acha que Serra perde terreno ao protelar a retirada de sua candidatura presidencial do armário.
E Aécio: “Não acredito. Não tenho essa aflição [...]. A campanha está longe ainda de ter o seu ápice. A campanha está longe ainda do debate”.
Reafirmou que se considera fora do páreo nacional. “O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo”.
Curiosamente, terminou a entrevista expressando-se no condicional. Disse que se volta para Minas, “provavelmente como candidato ao Senado”.
E, desde Minas, “vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra”.
Provavelmente? “Cabe a ele anunciar, no momento que achar mais adequado”, Aécio encerrou.
O tucanato já entregou os pontos. Engoliu o calendário de Serra. Anúncio de candidatura, disse Sérgio Guerra, o presidente da legenda, só no final do mês.
Até lá, Serra planeja desfilar sua não-candidatura em muitas cerimônias de inauguração. Torça-se para que a lista de obras não inclua mais nenhuma maquete.
blog Josias de Souza
Brasil: da série “O tamanho do buraco!”
Olhem aí, Tupiniquins, o ralo por onde escoa o seu, o meu, o nosso sofrido “caraminguá”!
O Editor
Inebriado com Lula, um presidente superpopular, o brasileiro espanta-se cada vez menos com o governo. É, hoje, um sujeito de pouquíssimos espantos.
Se o governo esfregar na cara do brasileiro um absurdo, ele não fará a concessão de uma surpresa. É absurdo? Pois que seja, e com o meu dinheiro.
Aproveitando-se do sumiço do ponto de exclamação, a ministra petê Nilcéa Freire (Secretaria das Mulheres) decidiu exagerar.
Num par de notas, a coluna ‘Painel’ revela, na Folha, a penúltima da ministra. Leia:
- De mulher pra mulher: A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, subordinada diretamente à Presidência da República e chefiada pela petista Nilcéa Freire, fará licitação de R$ 1 milhão para contratar instituto ou fundação que realize pesquisas durante a campanha eleitoral.
Segundo o edital, trata-se de acompanhar os movimentos do eleitorado feminino. Além de pesquisas, o pacote inclui análise de materiais de campanha (‘inclusive sites e blogs dos candidatos’).
A secretaria diz ter decidido bancar as pesquisas por se tratar de um ‘processo eleitoral único, no qual há candidatas mulheres com boa margem de intenção de voto’ -em especial a do governo, Dilma Rousseff.
- Ferramenta: O edital prevê ainda que o instituto monitore o comportamento da mídia durante a campanha e analise debates entre os candidatos.
O signatário do blog se compadece do brasileiro, esse povo sem horror.
Com seus ‘oo’ de espanto, seus ‘rr’ guturais, seu hirto ‘h’, horrou nunca foi um vocábulo tão necessário. Ai daquele que vive sem horror.
blog do Josias de Souza
Espicaçado pelos adversários e escondido pelos aliados, Fernando Henrique Cardoso tornou-se um franco-atirador político.
Há um mês, no primeiro domingo de fevereiro, FHC levara aos jornais um artigo em que, advogado de si mesmo, defendera sua gestão.Aceitara, de resto, o repto plebiscitário de Lula: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.
Neste primeiro domingo (7) de março, em novo artigo, FHC tenta prover à oposição um esboço de “programa”. Agora, olha pra frente. Fala de “futuro”.
“A hora é agora”, anota FHC no título do artigo.” Hora de avançar a partir do que conseguimos nestes 25 anos de democracia e de buscar um futuro [...]”.
Vai abaixo um resumo da plataforma esboçada no texto do ex-presidente tucano:
1. Pilares Economia: “Controle da inflação, pelo sistema de metas, câmbio flutuante, lei de responsabilidade fiscal, autonomia das agências regulatórias, são pilares que podem se ajustar às conjunturas, mas não devem ser renegados, e não podem estar sujeitos a intervenções político-partidárias e interesses de facção”.
2. Gastos públicos e comércio exterior: “O novo governo terá de cuidar de controlar os gastos correntes e de conter a deterioração da balança de pagamentos (sem fechar a economia ou inventar mágicas para aumentar artificialmente a competitividade de nossos produtos)”.
3. Tamanho do Estado: “Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas ou vice-versa…”.
“…Ninguém propõe um ‘Estado mínimo’, nem muito menos o PSDB. Outra coisa é inchar o Estado, com nomeações a granel, e utilizar as empresas públicas para servir a interesses privados ou partidários”.
4. Estatal X privado: “A verdadeira ameaça ao desenvolvimento sadio não é privatizar mais, tampouco o PSDB defende isto. Empresas estatais se justificam em áreas para as quais haja desinteresse do capital privado ou necessidade de contrapeso público. Não devem acobertar ganhos políticos escusos nem aumentar o controle partidário sobre a economia”.
5. Salário mínimo e política Social: “A política continuada de aumento real do salário mínimo a partir de 1994, a extensão de programas sociais a camadas excluídas e a difusão de mecanismos de transferência direta de renda (as bolsas), melhoraram as condições de vida e ampliaram o mercado interno. Tudo isso precisa ser mantido. Caberá ao novo governo reduzir os desperdícios e oferecer serviços de melhor qualidade, melhor avaliados e com menor clientelismo”.
6. Gastos sociais X carga tributária: “Não se pode elidir uma questão difícil: a expansão dos impostos sustentou os programas sociais. Atingiu-se um limite que, se ultrapassado, prejudicará o crescimento econômico. É ilusão pensar que um país possa crescer indefinidamente puxado pelo gasto público financiado por uma carga tributária cada vez maior e pelo consumo privado. Falta investimento, sobretudo em infraestrutura, e falta poupança doméstica, principalmente pública, para financiá-lo”.
7. Reforma tributária: “Maior poupança pública não virá de maior tributação. Ao contrário, é preciso começar a reduzir a carga tributária, sobretudo os impostos que recaem sobre a folha de pagamentos, para gerar mais empregos. Para investir mais, tributar menos e dispor de melhor oferta de serviços sociais, não há alternativa senão conter o mau crescimento do gasto”.
8. Juros: A redução de tributos e a melhoria do gasto público “permitirá a redução das taxas de juros e o aumento da poupança pública, como condição para aumentar a taxa de investimento na economia. Sem isso, cedo ou tarde, se recolocarão os impasses no balanço de pagamentos, com a deterioração já perceptível das contas em transações correntes, e na dívida pública, que em termos brutos já ultrapassa 70% do PIB”.
9. Corrupção: “Os escândalos de corrupção continuam desde o mensalão do PT [Nesse ponto, FHC esquece convenientemente de mencionar o tucanoduto mineiro, precursor das valerianas petistas]. Há responsabilidades pessoais e políticas a serem cobradas e condenadas” [inclusive as do grão-tucano Eduardo Azeredo, diga-se].
10. Reforma política: “O sistema eleitoral e partidário está visivelmente desmoralizado. Uma reforma nesta área se impõe. Ela se fará mais facilmente no início do próximo governo e se houver um mínimo de convergência entre as grandes correntes políticas. O PSDB deve liderar esse debate na busca de consenso”.
11. Segurança: “Há avanços no plano federal e em vários Estados. A expansão da criminalidade advém do crime organizado e do uso das drogas. O dia a dia das pessoas é de medo. As famílias e as pessoas precisam de nossa coragem para propor modos mais eficientes de enfrentar o tema. A despeito da melhoria do sistema jurisdicional e prisional, estamos longe de oferecer segurança jurídica às empresas e, o que mais conta, às pessoas”.
12. Energia: “Olhando o futuro, falta estratégia e sobram dúvidas: o que faremos no campo da energia? Onde foi parar o programa do biodiesel? Que faremos com os êxitos que nossos agricultores e técnicos conseguiram com o etanol? Que políticas adotar para torná-lo comercializável globalmente?”
13. Petróleo: “A discussão sobre as jazidas de petróleo se restringirá à partilha de lucros futuros ou cuidaremos do essencial: a base institucional para lidar com o pré-sal, a busca de tecnologias adequadas e de uma política equilibrada de exploração?”
14. Educação: “E a ‘revolução educacional’, que, com as honrosas exceções em um ou outro Estado, é apenas objeto de reverência, mas não de ação concreta?
15. O Brasil no mundo: “Que papel desempenharemos no mundo, o de uma subpotência bélica ou a de um país portador de uma cultura de convivência entre as diferentes raças e culturas, com tolerância e paz, embora cioso de sua segurança?”
Em meio às certezas e às dúvidas que levanta, FHC vai se firmando como única voz da oposição capaz de enunciar ideias.
Num instante em que Lula sapateia sobre o passado e Dilma avança sem um rival que lhe faça o contraponto, FHC, o rejeitado, se esforça para qualificar o debate.
- Serviço: O artigo de FHC foi às páginas de vários jornais. Pressionando aqui, você chega à íntegra, veiculada pelo gaúcho ‘Zero Hora’.
blog Josias de Souza
O esquema de Roriz teria desviado R$ 13 milhões
Continuam paralisadas na Justiça, até hoje, sete anos depois, as denúncias apresentadas pelo Ministério Público do DF contra o ex-governador Joaquim Roriz, acusado de manter um esquema de caixa dois por meio de desvio de recursos públicos. Este é o tema da reportagem de capa do Jornal de Brasília deste domingo. Os promotores estimam os desvios em R$ 13 milhões.
Roriz contratava empresas e repassava recursos para os pagamentos de serviços que nunca seriam feitos, sustenta o MPF. Para justificar o pagamento, as empresas emitiam notas fiscais frias. Depois, essas empresas assumiam os gastos do comitê de campanha do então governador – que concorria à reeleição.
O dinheiro pagou até a construção de um estúdio de tevê onde foram gravados os programas da campanha de Roriz. E duas empresas suspeitas de participação no mensalão do DEM são mencionadas no processo contra o governo anterior, a Adler e a Linknet, prestadoras de serviço do governo. O dono da Linknet apareceu em um vídeo, gravado por Durval Barbosa, reclamando do valor da propina no governo de José Roberto Arruda, que se encontra preso.
Por que parou? – O Ministério Público descobriu que o contrato do Instituto Candango de Solidariedade com a Linknet aumentou dez vezes em pouco mais de um ano. Saltou de R$ 2,5 milhões em março de 2001 para quase R$ 30 milhões em agosto de 2002, auge da campanha eleitoral. De acordo com a denúncia do Ministério Público, esgotadas as possibilidades de mais repasses para o instituto, o governo buscou outra fonte: as notas passaram a ser emitidas para a Secretaria de Gestão e para a Polícia Civil.
Essa ação penal de 2003 foi desmembrada. Os processos contra a maioria dos denunciados foram para a Justiça comum e estão parados. Já o processo contra Joaquim Roriz foi encaminhado para o Superior Tribunal de Justiça porque ele tinha foro privilegiado por ser governador na época.
Mas não andou porque a Câmara Legislativa não deu a autorização para a Justiça processá-lo. recursos para os pagamentos de serviços que nunca seriam feitos. Para justificar o pagamento, as empresas emitiam notas fiscais frias. Depois, essas empresas assumiam os gastos do comitê de campanha do então governador – que concorria à reeleição.
Jornal de Brasília