Hélio Chaves ¹
O PSDB está numa encruzilhada e patina na própria indecisão e resistência. Depois do resultado da última pesquisa Datafolha, apontando o crescimento da candidata do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a aproximação dos índices de intenção de votos do candidato tucano, José Serra, os nervos no ninho andam a flor da pele, as cobranças aumentam e afligem os aliados DEM e PPS.
Analises políticas aumentam a angustia tucana, e com isso a pressão sobre o governador de Minas, Aécio Neves, para que aceite compor a sonhada chapa puro-sangue do PSDB.
Aécio gastou sola de sapato na corrida pela escolha partidária, mas foi preterido por tucanos paulistas e por caciques da legenda. Relegado a um plano “B” do partido, Aécio, agora, é visto como o divisor de águas entre a derrota e a vitória eleitoral. O governador não parece disposto a gastar mais sola de sapato numa caminhada lado a lado com Serra. Para isso, ele teria que abrir mão de uma cadeira praticamente garantida no Senado Federal.
Conseguir romper a resistência de Aécio será uma tarefa ingrata para quem trabalhou para que ele desistisse da candidatura a presidente. Pelo visto, a velocidade imprimida à carruagem eleitoral de Dilma, os desastres naturais que se abateram sobre São Paulo e a indefinição de Serra atingiram em cheio o tucano provocando a perda de pontos. Aécio, cada vez mais forte e cobiçado é visto como única opção para concretizar o sonho do PSDB de voltar ao poder.
O DEM, a noiva preferida para vice na chapa tucana, acabou sozinho no altar. As chances foram para o ralo quando o partido se viu enroscado até o pescoço no escândalo do Mensalão no DF e o saldo é negativo. O partido teve que cortar na própria carne. Obrigou o único governador da legenda, José Roberto Arruda – preso na PF, e seu vice, Paulo Octávio – que renunciou ao cargo, a se desfiliarem.
O deputado Leonardo Prudente – flagrado num vídeo enchendo as vestimentas com dinheiro, teve que deixar a presidência do Legislativo local, o partido e renunciar para não ser cassado. O deputado Junior Brunelli que orou pela saúde da propina renunciou, mas o suplente, Geraldo Naves (DEM), não pode assumir a vaga, pois está encarcerado no presídio da Papuda em Brasília.
No Congresso Nacional, os Democratas procuram sobrevida encurralados pelo escândalo e enfraquecidos como oposição. Outra opção para vice poderia vir do PPS de Roberto Freire – estrela socialista apagada e fora de foco há muito tempo. O partido não tem um quadro de peso nem algo de novo para oferecer a candidatura de José Serra.
No PT acredita-se, que por enquanto não há grandes problemas. O partido continua aparando arestas para manter os aliados amarrados à candidatura Dilma e evitar rachas nos palanques estaduais. O nome mais cotado para vice de Dilma é Michel Temer (PMDB-SP). Aliados acreditam que Temer não agrega valor à candidatura petista, mas como abrir mão dos peemedebistas? O raciocínio é o de que, se Lula fez de Dilma a candidata e empurrou seu nome goela abaixo do partido, então, qualquer nome do PMDB não fará muita diferença.
O PSDB corre contra o tempo. Aécio assiste de camarote o corre-corre para convencê-lo. Como diz o ditado popular – o bom mineiro costuma comer pelas beiradas. Aécio está com a faca e o queijo na mão. Resta saber se dará a primeira fatia para Serra. De qualquer forma, se for convencido e aceitar preencher a lacuna na chapa tucana o custo poderá ser muito alto, principalmente para quem o tratou como borralheiro e hoje é obrigado a tratá-lo como o príncipe que poderá dar fôlego a candidatura do “Grã-tucano”.
¹ Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo.


