Hélio Chaves ¹

O PSDB está numa encruzilhada e patina na própria indecisão e resistência. Depois do resultado da última pesquisa Datafolha, apontando o crescimento da candidata do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a aproximação dos índices de intenção de votos do candidato tucano, José Serra, os nervos no ninho andam a flor da pele, as cobranças aumentam e afligem os aliados DEM e PPS.

Analises políticas aumentam a angustia tucana, e com isso a pressão sobre o governador de Minas, Aécio Neves, para que aceite compor a sonhada chapa puro-sangue do PSDB.

Aécio gastou sola de sapato na corrida pela escolha partidária, mas foi preterido por tucanos paulistas e por caciques da legenda. Relegado a um plano “B” do partido, Aécio, agora, é visto como o divisor de águas entre a derrota e a vitória eleitoral. O governador não parece disposto a gastar mais sola de sapato numa caminhada lado a lado com Serra. Para isso, ele teria que abrir mão de uma cadeira praticamente garantida no Senado Federal.

Conseguir romper a resistência de Aécio será uma tarefa ingrata para quem trabalhou para que ele desistisse da candidatura a presidente. Pelo visto, a velocidade imprimida à carruagem eleitoral de Dilma, os desastres naturais que se abateram sobre São Paulo e a indefinição de Serra atingiram em cheio o tucano provocando a perda de pontos. Aécio, cada vez mais forte e cobiçado é visto como única opção para concretizar o sonho do PSDB de voltar ao poder.

O DEM, a noiva preferida para vice na chapa tucana, acabou sozinho no altar. As chances foram para o ralo quando o partido se viu enroscado até o pescoço no escândalo do Mensalão no DF e o saldo é negativo. O partido teve que cortar na própria carne. Obrigou o único governador da legenda, José Roberto Arruda – preso na PF, e seu vice, Paulo Octávio – que renunciou ao cargo, a se desfiliarem.

O deputado Leonardo Prudente – flagrado num vídeo enchendo as vestimentas com dinheiro, teve que deixar a presidência do Legislativo local, o partido e renunciar para não ser cassado. O deputado Junior Brunelli que orou pela saúde da propina renunciou, mas o suplente, Geraldo Naves (DEM), não pode assumir a vaga, pois está encarcerado no presídio da Papuda em Brasília.

No Congresso Nacional, os Democratas procuram sobrevida encurralados pelo escândalo e enfraquecidos como oposição. Outra opção para vice poderia vir do PPS de Roberto Freire – estrela socialista apagada e fora de foco há muito tempo. O partido não tem um quadro de peso nem algo de novo para oferecer a candidatura de José Serra.

No PT acredita-se, que por enquanto não há grandes problemas. O partido continua aparando arestas para manter os aliados amarrados à candidatura Dilma e evitar rachas nos palanques estaduais. O nome mais cotado para vice de Dilma é Michel Temer (PMDB-SP). Aliados acreditam que Temer não agrega valor à candidatura petista, mas como abrir mão dos peemedebistas? O raciocínio é o de que, se Lula fez de Dilma a candidata e empurrou seu nome goela abaixo do partido, então, qualquer nome do PMDB não fará muita diferença.

O PSDB corre contra o tempo. Aécio assiste de camarote o corre-corre para convencê-lo. Como diz o ditado popular – o bom mineiro costuma comer pelas beiradas. Aécio está com a faca e o queijo na mão. Resta saber se dará a primeira fatia para Serra. De qualquer forma, se for convencido e aceitar preencher a lacuna na chapa tucana o custo poderá ser muito alto, principalmente para quem o tratou como borralheiro e hoje é obrigado a tratá-lo como o príncipe que poderá dar fôlego a candidatura do “Grã-tucano”.

¹ Hélio Chaves é analista de suporte da Infoglobo.

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Sai o “eu sou neguinha de Caetano Veloso e entra o “eu sou mestiço” de Aécio Neves.
É possível que a alardeada mineirice dos políticos das Alterosas, não encontre em Aécio Neves seu mais fiel representante.
O neto de Tancredo Neves parece estar mais próximo daquele tipo de criança que se não for no banco da frente do carro, joga a chupeta ao chão, faz beicinho e diz que não vai.

O Editor

PS 1. Será que ao “acenar” com a candidatura de José de Alencar, o estrategista Lula aplicou um freio em Aécio?
PS 2. Essa estória de puro sangue está mais para cavalos e menos para políticos. Espera-se, então, que a disputa não cavalgue para troca de coices.
PS 3. Com o Arruda ‘Panetone’ na cadeia, quem o DEM indicaria para vice?


Com recusa de Aécio, DEM exigirá indicação do ‘vice’

Aliado do PSDB não se dispõe a ceder a vaga para Tasso

Inviabilizado o ‘Plano Aécio’, DEM ameaça ‘chutar o balde’ se PSDB lhe negar a vice

Às voltas com o inferno astral das pesquisas, o PSDB está prestes a empurrar para dentro da não declarada candidatura de José Serra uma encrenca nova.

Arma-se uma confusão em torno da escolha do candidato à vice-presidência na chapa oposicionista. No centro da polêmica, está o tucano Tasso Jereissati (CE).

Na fase em que a “cabeça” da chapa ainda era disputada entre Aécio Neves e José Serra, ficara entendido que caberia ao DEM indicar o vice.

Sentindo-se preterido, Aécio abdicou da disputa em dezembro. Voltou suas baterias para Minas Gerais, de cujas urnas planeja extrair uma cadeira no Senado.

A partir daí, tucanos e ‘demos’ firmaram um pacto não escrito: moveriam as montanhas de Minas para fazer de Aécio o vice de Serra.

Aécio deu de ombros para a pressão. Nem o último Datafolha, que acomodou Dilma Rousseff nos calcanhares de Serra, o fez mudar de idéia.

“Sou mestiço”, disse Aécio nesta segunda (1º), ao reafirmar sua resistência à idealizada chapa “puro-sangue”.

Súbito, o tucanato passou a perscrutar alternativas a Aécio. Para desassossego do DEM, foi ao noticiário o nome do grã-tucano Tasso Jereissati.

Uma tentativa de evitar que o “sangue” da chapa tucana seja contaminado pelo panetone-vírus, um micróbio que levou à cova a seccional do DEM em Brasília.

Ao farejar o cheiro de queimado, a tribo ‘demo’ levou as mãos ao tacape. Avisa, por ora a portas fechadas, que não aceitará a manobra.

Frustrando-se o plano Aécio, o DEM vai exigir o retorno ao acerto original: considera que a posição de vice é sua. E não admite que ninguém tasque.

O blog ouviu, na noite passada, dois políticos da direção nacional do DEM. Ambos disseram que, sem Aécio, ou mistura-se o sangue ou haverá problemas.

Um dos líderes ouvidos pelo repórter pronunciou duas frases singelas:

1. “O tempo de TV do DEM é idêntico ao do PSDB”.

2. “Quem manda na convenção do DEM somos nós, não o PSDB”.

Dito de outro modo: Serra dispõe, hoje, de menos tempo de televisão que Dilma Rousseff, rodeada por uma mega coligação…

…Se for adiante a idéia de trocar Aécio por Tasso, o DEM ameaça tomar outro rumo na convenção do partido, marcada para junho.

Assim, ou PSDB engole as passas do panetone brasiliense ou se arrisca a comparecer à campanha aliado apenas ao PPS e a outras legendas cujo apoio ainda negocia.

Entre elas o mensaleiro PTB de Roberto Jefferson e o PSC de Joaquim Roriz, uma espécie de precursor dos malfeitos que desaguaram em José Roberto Arruda, engolfando-o.

“Problemas todos os partidos têm”, disse um dos líderes do DEM ao repórter. “Nós soubemos lidar com os nossos…”

“…E não vamos admitir ser tratados como aliados de segunda classe. Não somos”.

De resto, a direção do DEM considera um “grave erro” a abertura da caça ao “alazão” alternativo antes de explicar, tintim por tintim, os porquês da recusa de Aécio.

O diabo é que o próprio Aécio, na manifestação feita nesta segunda-feira, levou água para o moinho de Tasso Jereissati –“um bom nome”, ele disse.

De resto, o governador tucano de Minas já elaborou os argumentos que levará à mesa de um jantar que terá com José Serra, nesta quarta (4).

Dirá que serve mais e melhor à causa da oposição se conservar o foco em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país.

Alega que o eleitorado do Estado apreciaria ter um mineiro em quem votar para presidente. A vice, ao contrário, pode soar como prêmio de consolação.

Algo que, no dizer de Aécio, frustraria seus eleitores. E, no limite, tiraria votos da chapa tucana em vez de agregar-lhe força.

Daí sua decisão de concentrar-se na campanha de seu candidato ao governo mineiro, Antonio Anastasia, e na sua própria campanha –ao Senado, não a vice.

Ou seja, a menos que o PSDB consiga produzir o milagre do convencimento, Serra terá de comparecer aos palanques de 2010 ao lado de um vice ‘demo’.

blog Josias de Souza

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Sina de formiga

Era um inferno. Sempre que passava por ali, o elefante esmagava a entrada do formigueiro. Então as formigas decidiram reagir. Um dia, aos milhares, saltaram sobre o elefante e começaram a picá-lo.

Com um abanão das orelhas, o elefante livrou-se delas.

Restou uma agarrada ao seu pescoço. “Esgana o bicho, esgana”, gritavam as outras em coro.

O elefante da história está mais para Lula, aprovado por oito entre dez brasileiros, assim como as formigas estão mais para a oposição — PSDB, PPS, DEM em fase terminal e uma fatia do PMDB.

Quem será a formiga que insiste inutilmente em esganar o elefante? Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado?

Ora, Arthur anda sumido desde que perdeu a batalha pelo afastamento de José Sarney da presidência do Senado.

Há duas semanas, voou para um café da manhã com Barack Obama em Washington. Imaginava trocar ideias com ele. Havia dois mil convidados. O Amazonas de Arthur é fortaleza do lulismo. Ele pretende se reeleger. Sabe como é…

A formiguinha suicida seria José Agripino Maia, líder do DEM no Senado? Agripino anda muito ocupado com o escândalo que engoliu o único governador do seu partido, José Roberto Arruda, do DF, preso numa cela da Polícia Federal, em Brasília. O escândalo ainda ameaça engolir o vice Paulo Octávio, do DEM.

E Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB? Poupemos Guerra. O coração dele bate acelerado diante da demora do governador José Serra, de São Paulo, em se declarar candidato à vaga de Lula. E bate aflito diante do risco de o próprio Guerra não se reeleger senador por Pernambuco. É uma carga dupla e bastante pesada

De Aécio Neves, outra estrela do infausto formigueiro, diga-se que jamais aprovaria o plano de um ataque em massa ao elefante. Se dependesse dele, o formigueiro simplesmente teria mudado de endereço para escapar de eventuais danos. Como não o levaram em conta, mergulhou terra adentro e foi cuidar de sua vida.

Tudo deu certo para Lula desde que se elegeu presidente em 2002. Seu governo sobreviveu ao explosivo escândalo do mensalão. A economia cresceu. Milhões de brasileiros ascenderam à classe C. A maioria dos partidos se rendeu aos seus encantos. E o PT à candidata que ele sacou do bolso.

Dizem que a próxima será a primeira eleição em 21 anos na qual os brasileiros estarão impedidos de votar em Lula. De fato, é verdade.

Mas na prática, não. Dilma só existe como candidata porque Lula a inventou. Nada mais direto, pois, do que o apelo que orientará sua campanha: votar em Dilma significa votar em Lula.

Caberá à oposição separar os dois — fácil, não? A ela caberá também a difícil tarefa de vender Serra como o melhor candidato pós-Lula.

Melhor até mesmo do que Dilma, a quem Lula escolheu.

E logo quem? E logo Serra, que concorreu contra Lula em 2002. Se Serra tivesse vencido, não haveria Lula presidente por duas vezes. Oh, céus!

O ex-metalúrgico que chegou ao lugar antes privativo dos verdadeiros donos do poder deixou de pertencer à categoria dos homens comuns — embora daí extraia sua força. Foi promovido nos últimos oito anos à condição de mito. E como tal deverá ser encarado pelas futuras gerações. É improvável que alguém como ele reprise sua trajetória.

A oposição se propõe a derrotar um mito. E tentará fazê-lo sem reunir sua força máxima.

Serra está pronto para conversar com Aécio sobre a vaga de vice em sua chapa.

Quanto a isso, há duas coisas mais ou menos certas.

Serra oferecerá a vaga a Aécio.

E Aécio a recusará.

Descarte-se a hipótese de Serra sugerir: “Bem, nesse caso, você sai para presidente com meu apoio e eu irei disputar um novo mandato de governador”. Aécio tem a resposta na ponta da língua: “Agora é tarde. Quis ser candidato. Sugeri a realização de prévias dentro do partido. Não fui ouvido. Serei candidato ao Senado”.

E aí, José? Aí, José só vencerá a eleição se Dilma acabar perdendo para ela mesma.

Ricardo Noblat/O Globo

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Brasil: da série “O tamanho do buraco”!

Panetones, cuecas, meias, mensalões… Na verdade é roubo mesmo. Todos os partidos enrolados nas mais imorais práticas de corrupção e nepotismo. Só chamando o ladrão.

Como diz Zé Bêdêu — o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira em Fortaleza — “arre égua não escapa ninguém”!

Agora é o Prefeito de São Paulo quem aparece na alça de mira da Justiça Eleitoral. Por mais que a sentença seja de 1ª instância fica a máxima de que “onde há fumaça há fogo”!

Kassab o primeiro prefeito da capital paulista cassado desde a redemocratização, em 1985. O prazo para recurso no Tribunal Regional Eleitoral é de três dias, e como tem efeito suspensivo, os dois podem recorrer sem deixar os cargos. As doadoras ilegais seriam a Associação Imobiliária Brasileira e empreiteiras, (sempre as mesmas né?)como Camargo Corrêa e OAS.

A coligação de Kassab e da vice prefeita Alda gastou R$29,76 milhões na campanha – R$10 milhões seriam irregulares, de acordo com a Justiça Eleitoral.

Enquanto isso, os emplumados tucanos continuam em cima do muro, por omissão, ajudando a construir um palanque vencedor para dona Dilma.

Argh!

O Editor


Justiça eleitoral cassa mandatos de Kassab e vice, diz jornal

Decisão deve ser publicada no Diário Oficial de terça-feira (23).

Advogado do prefeito diz que lógica do juiz cassaria até o presidente.

A edição eletrônica do jornal ‘O Estado de São Paulo’ informou que a Justiça Eleitoral cassou, em primeira instância, o mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM, por receber doações ilegais para a campanha de 2008. A vice de Kassab, a peemedebista Alda Marco Antonio, também teve o mandato cassado, de acordo com a reportagem. Ambos podem recorrer da decisão sem deixar seus cargos.

A decisão, segundo a reportagem, partiu do juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende Silveira, o mesmo juiz que havia cassado o mandato de um grupo de 16 vereadores paulistanos nos últimos meses do ano passado. O G1 tentou entrar em contato com o juiz Aloísio Sérgio Resende Silveira, mas não obteve retorno.

O motivo seria o mesmo das cassações anteriores: abuso de poder econômico. Assim como os vereadores cassados em primeira instância, Kassab e Alda teriam recebido mais de 20% das doações de fontes consideradas vedadas.

Entre os doadores considerados vedados pelo artigo 24 da Lei Eleitoral (9.504/97) estão “órgão da Administração Pública direta e com recursos provenientes do Poder Público”, “concessionário ou permissionário de serviços públicos” e “entidade de classe ou sindical”.

Em nota, os advogados do prefeito afirmam que as “contribuições foram feitas seguindo estritamente os mandamentos da lei”. O texto afirma ainda que, se essa decisão servir de precedente, “por esse mesmo motivo seriam cassados desde o Presidente Lula até o vereador do menor município do Brasil”.

Ao G1, um dos advogados do prefeito, Ricardo Penteado questionou a base da decisão do juiz da 1ª Vara Eleitoral. “A tese que o juiz defende, ele próprio reconhece que já foi vencida no Tribunal Superior Eleitoral, de que as empresas que são sócias de concessionárias não podem doar”, disse Penteado.

G1

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Carcará nos Bandeirantes

O maior erro da oposição venezuelana, e a concorrência ao título é enorme, foi o boicote às eleições de 2005.

O resultado foi um controle total do Legislativo, armação perfeita para o golpe constitucional chavista.

Oposição fraca geralmente significa democracia fraca. No cenário mais extremo, a oposição no Brasil pode virar residual em 2011 se José Serra não concorrer à Presidência.

As coisas já estão pela hora da morte. A prisão de José Arruda é outro prego no caixão do DEM, que um dia sonhou ser a direita renovada de que o país precisa.

O PSDB é um bloco de vaidosos desunidos, sãopaulocêntricos, indefiníveis (direitistas de esquerda ou esquerdistas de direita?), sem pose e sem discurso diante do sucesso estrondoso de Lula.

Mas o PSDB tem um candidato presidencial forte, José Serra, que, por recall, méritos ou algo que não sabemos, ainda lidera as pesquisas, mesmo fugindo da campanha e enfrentando uma máquina federal com força nunca antes empregada nesta nova República.

Estrategista, cerebral, Serra calcula que não precisa entrar na chuva para se molhar agora, com Lula e Dilma loucos por briga até para que a neopetista apareça e cresça.

Serra hesita, cheio de razões: a megapopularidade de Lula, a economia virtuosa, a fraqueza da oposição, a supermáquina federal.

A decisão é difícil para quem tem como quase certo mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes, a segunda cadeira mais importante do país.

A desistência de Serra transforma Dilma em favorita máxima, se já não o é.

Abre também caminho para um segundo turno Dilma-Ciro e outras conseqüências sísmicas –uma Venezuela 2005 à brasileira, com a oposição, se não sumida como lá, pequena o suficiente para dar a PT e aliados maioria mais do que qualificada, capaz de desviar o país do consenso atual, tão tardio quanto essencial.

Pousou carcará no Palácio dos Bandeirantes. Se correr, o bicho pega, se ficar, ele come.

Sérgio Malbergier/Folha Online

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Parece piada mas é sério. Os partidos políticos brasileiros continuam cultivando o desprezo dos Tupiniquins. Dessa maneira a candidatura de Dilma Rousseff vai terminar sendo “um passeio”! Acredito que por essas e outras é que o ressabiado José Serra teme ser candidato nessa geleia geral!

O Editor


No Espírito Santo, o DEM cogita aliar-se a PMDB e PT

Aliado do PSDB de José Serra no plano nacional, o DEM costura no Espírito Santo uma parceria com PMDB e PT, pilares da candidatura de Dilma Rousseff.

Os ‘demos’ capixabas flertam com o apoio à candidatura de Ricardo Ferraço (PMDB) ao governo do Estado.

Ferraço é, hoje, vice-governador do Espírito Santo. Vai às urnas escorado no prestígio do governador Paulo Hartung (PMDB).

O petismo local foi convidado a indicar o candidato a vice da chapa de Ferraço.

Assim, confirmando-se todos os arranjos, vai-se formar a curiosa aliança PMDB-PT-DEM.

Em notícia veiculada nesta segunda (15), o repórter Felipe Quintino informa que a atração de aliados tornou-se um desafio para o PSDB do Espírito Santo.

Chama-se Luiz Paulo Vellozo Lucas o candidato do tucanato ao governo estadual. É deputado federal, amigo do presidenciável José Serra.

Arrastar o DEM para dentro da coligação tucana tornou-se, entre todos, o principal desafio de Vellozo Lucas.

Pela lógica, o movimento seria natural, já que, na seara nacional, o DEM é o principal parceiro da candidatura presidencial do tucano Serra.

Mas Vellozo Lucas enfrenta uma emboscada do ilógico. Ouça-se o que diz o secretário-geral do diretório do DEM-ES, vereador Max Mata:

“Não podemos colocar as questões nacionais à frente das locais”.

Max Mata argumenta que, ligando-se à candidatura pemedebê de Ricardo Ferraço, o DEM tonifica suas chances na disputa de 2010.

Passaria a sonhar com a eleição de pelo menos um deputado federal para representar o Estado na Câmara, em Brasília.

Como se vê, os interesses regionais podem aproximar nos Estados forças que, em Brasília, parecem irreconciliáveis.

No fundo, PT e DEM padecem de males semelhantes. O mal do DEM é o excesso de cabeças associado à escassez de miolos.

O PT padece da mesma insuficiência de massa encefálica, mas com uma cabeça só, a de Lula.

blog Josias de Souza

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Teremos mais um “inocente” pegue na nefanda prática, antes apontada como exclusividade do PT, do caixa 2?

Ou o ilustre membro do DEM será mais um que irá declarar que ‘eu não sabia de nada’?

Quem sabe dirá, à moda do cínico Delúbio Soares, que se trata de ‘recursos não contabilizados’?

Virá o ilustre líder do DEM no senado, Agripino Maia declarar, a exemplo do que disse no mensalão do DEM em Brasília, que  “não é do DEM, é do Kassab”?

Gilberto Kassab, ‘afogado’, com trocadilhos, por favor, até o pescoço nas denúncias, poderá sair com a mesma desculpa esfarrapada que o PSDB usa em relação ao senador Eduardo Azeredo: “não é mensalão. É caixa 2, sobras de campanha”!

O Editor


Doações ilegais ameaçam mandato de Kassab

Kassab teve 33% de doações ilegais em 2008, diz perícia

Um parecer técnico contábil da Justiça Eleitoral de São Paulo indica que 33% do total arrecadado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), na campanha eleitoral de 2008 teve origem em fontes de doações consideradas ilegais pelo Ministério Público Eleitoral.

O laudo, concluído em outubro e obtido pela Folha, indica o risco de que Kassab seja condenado em primeira instância à perda do cargo.

Em casos semelhantes, o juiz Aloísio Silveira, responsável pela ação, cassou o mandato de 16 vereadores da capital.

Ele tem adotado como critério para condenar à perda de mandato contas de campanha que apresentem mais de 20% dos recursos provenientes de fontes vedadas.

A execução de sentença contra os vereadores foi suspensa até que os recursos deles sejam julgados em 2ª instância pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

blog da TukaSkaletti/Folha de S. Paulo

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Um passeio pelos arquivos do TSE revela que o tribunal vem sedo seletivo no julgamento de ações por violações à legislação eleitoral.

Esquiva-se de impôr a Lula e Dilma Rousseff os rigores de um ordenamento jurídico que já rendeu, por acusações análogas, até a cassação de governador.

Na semana passada, o presidente do STF, Gilmar Mendes, levantou o problema: “Tem que haver um critério único para aferir a campanha antecipada…

“…Não se pode usar um critério para prefeito, governadores, e outro para presidente da República. A Justiça Eleitoral tem que primar por um [...] um parâmetro único”.

A oposição –PSDB, DEM e PPS— já protocolou no TSE nove representações contra Lula e a candidata dele à sucessão. Quatro já foram mandadas ao arquivo. Cinco estão pendentes de julgamento.

Em todas elas, Lula e Dilma são acusados de converter cerimônias oficiais em atos de campanha. Campanha ilegal, já que a lei fixa o dia 5 de julho como data oficial para o início da refrega eleitoral.

Considerando-se apenas os últimos quatro meses, Dilma foi levada à vitrine em 46 cerimônias públicas. Entre elas inaugurações e vistorias de obras. Tornou-se uma ministra “palanqueira”.

O blog recuperou a íntegra do processo que levou à cassação do governador do Maranhão, Jackson Lago. Foi apeado do cargo em março de 2009. Assumiu a segunda colocada no pleito de 2006, Rosena Sarney (PMDB).

O veredicto pró-cassação prevaleceu no plenário do TSE por cinco votos a dois. Um dos malfeitos que contribuíram para que a cabeça de Jackson Lago fosse à bandeja tem características semelhantes às que envolvem Lula e Dilma.

O episódio ocorreu no município maranhense de Codó, em abril de 2006, três meses antes do início oficial da campanha daquele ano. Governava o Maranhão José Reinaldo Tavares. Ex-aliado dos Sarney, rompera com a família do presidente do Senado, José Sarney.

Admitia a eleição de qualquer sucessor, menos Roseana Sarney. Apoiava dois candidatos: Edson Vidigal, derrotado; e Jackson Lago, vitorioso. Levou ambos a um evento oficial: a assinatura de convênio para a liberação de verbas à prefeitura de Codó.

Do alto de um palanque, José Reinaldo discursou para uma plateia de cerca de 500 pessoas. Cobriu Jackson e Vidigal de elogios. Disse coisas assim:

1. “O doutor Jackson Lago é um homem lutador, médico. Foi prefeito três vezes de São Luís, em um homem credenciado. Nós temos que acabar com esse negócio de uma família mandar no Maranhão, gente [...]“.

2. “Nós estamos trazendo essa grande parceria [...], com alguns milhões de reais. E digo para vocês que vou fazer ainda muito, mas os nossos candidatos –ou o Vidigal ou o Jackson— vão continuar e vão fazer ainda mais do que eu fiz.”

3. “Vocês vão ter aqui a condição de escolher entre dois homens do maior gabarito desse Estado. Um é o doutor Jackson Lago [...]. O outro é o nosso amigo de infância Edson Vidigal”.

Em voto seguido parcial ou integralmente por quatro colegas, o relator do processo contra Jackson Lago, ministro Eros Grau, considerou que, nesse episódio, “ficou consubstanciado abuso de poder político e econômico”.

Restou provado também, segundo ele, a “prática de conduta vedada” pela legislação eleitoral. Nas representações do PSDB, DEM e PPS, atribui-se a Lula papel semelhante ao exercido no Maranhão por José Reinaldo Tavares.

O presidente exibe Dilma em cerimônias e pa©mícios, exatamente como o então governador fizera com Jackson Lago. Lula apresenta sua candidata como a pessoa que manterá o que ele fez e fará muito mais.

O presidente desfere ataques à oposição, fixando uma disputa ao estilo “nós [governo Lula] contra eles [gestão FHC]“. É, precisamente, o que fez José Reinaldo em relação aos Sarney. Em seus discursos, Lula vale-se de malabarismo verbal.

Ele reconhece que não pode falar de eleição, como fez no último dia 19, em Minas (veja vídeo lá no alto). Mas não fala em outra coisa. É como se Lula testasse os limites e a paciência da Justiça Eleitoral.

No julgamento de Jackson Lago, os ministros que se opuseram à cassação levantaram duas questões.

A primeira: as candidaturas ao governo do Maranhão não haviam sido ainda formalizadas. A segunda: não havia evidências de que as supostas infrações tiveram influência no resultado da eleição.

Prevaleceu o entendimento de que a punição não dependia nem de uma coisa –o lançamento formal dos candidatos— nem de outra— a influência sobre a votação.

O caso de Jackson Lago envolveu um leque de outras acusações que não pesam contra Lula e Dilma –compra de votos, por exemplo.

Mas, tomada pela parte que atribuiu peso ao comício disfarçado de cerimônia oficial ocorrido em Codó, a sentença deixa boiando no ar uma pergunta:

Por que a infração levada em conta na cassação de um governador não teve, por ora, relevo para a imposição de uma simples multa a Lula e Dilma, como pede a oposição?

Ao julgar as representações que ainda não analisou, o TSE terá cinco oportunidades para estabelecer o que Gilmar Mendes chamou de “critério único”. Sob pena de ganhar o noticiário como um Tribunal Seletivo Eleitoral.

blog Josias de Souza
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O escândalo do mensalão de Brasília parece longe de refluir, apesar da boa vontade da Câmara Legislativa para com o governador José Roberto Arruda.

São capazes de assustar o país inteiro as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, mais os processos já se iniciando no Poder Judiciário.

Porque a cascata de dinheiro irregular não vinha encharcando apenas deputados distritais, secretários e assessores do governo local. Pelo jeito, chegaram até mesmo às cúpulas de grandes partidos.

Arruda era do DEM, mas outras legendas também teriam sido beneficiadas com mesadas permanentes, a título de “congraçamento político”. Quando a bomba estourar, e não falta muito, vai ter gente correndo para todo lado.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa
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Mensalão e cuecas

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Siamêses no cinismo.

—Delubio Soares: “Não existe mensalão. São recursos contabilizados”.

—Senador Agripino Maia: “O mensalão não é do DEM é do Arruda”!

Assim, as duas sinistras figuras reduzem os Tupiniquins a um bando de dementes.

Argh!

O monopólio da mentira.
Texto de Rui Barbosa escrito em 1919.

“Mentira de tudo, em tudo e por tudo.
Mentira na terra, no ar, no céu.
Mentira nos protestos.
Mentira nas promessas.
Mentira nos progressos.
Mentira nos projetos.
Mentira nas reformas.
Mentira nas convicções.
Mentira nas soluções.
Mentira nos homens, nos atos e nas coisas.
Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita.
Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. (…) Mentira nas instituições, mentira nas eleições.
Mentira nas apurações.
Mentira nas mensagens.
Mentira nos relatórios.
Mentira nos inquéritos.
Mentira nos concursos.
Mentira nas embaixadas.
Mentira nas candidaturas.
Mentira nas garantias.
Mentira nas responsabilidades.
Mentira nos desmentidos.
A mentira geral. O monopólio da mentira”.

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O partido de Heloisa Helena detectou mau cheiro no acordo com o Partido Verde, no qual identificou rastro do DEM e do PSDB. Assim, a senadora Marina Silva perde o apoio da bolivariana alagoana.

O Editor


PSOL rompe aproximação com Marina Silva após aliança PV-PSDB no Rio

A Executiva Nacional do PSOL decidiu nesta quinta-feira encerrar as conversas com o PV para o apoio à candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República. Segundo a direção do partido, o principal motivo do rompimento é a decisão do PV de se coligar com o PSDB na disputa para o governo do Rio de Janeiro.

“Não queremos relações próximas com candidaturas conservadoras. Queremos uma candidatura autônoma, independente, não satélite das que estão aí”, disse o secretário-geral do PSOL, Afrânio Boppré, após reunião da Executiva Nacional, em Brasília.

O coordenador-geral da pré-candidatura de Marina Silva, o vereador do Rio de Janeiro, Alfredo Sirkis (PV), afirmou que a decisão do PSOL não surpreende. “De fato nunca considerei essa hipótese [de aliança]. Há diferenças substanciais entre os dois partidos”, afirmou.

No entanto, para ele, é possível fechar com o PSOL alianças estaduais como no caso de Alagoas, onde Heloísa Helena sairá candidata ao Senado. Segundo Sirkis, a desistência do PSOL é de certa forma positiva. “É preocupante fazer uma aliança, escamoteando as divergências, que podem aparecer no meio da campanha. É melhor não haver aliança nacional e haver acordos estaduais”, diz o vereador.

Com a decisão da Executiva Nacional, o grupo da presidente nacional do PSOL, Heloisa Helena (AL), decidiu lançar o presidente do partido em Goiás, Martiniano Cavalcanti, como pré-candidato do partido à Presidência. Além de Cavalcanti, os ex-deputados Babá e Plínio de Arruda Sampaio também já lançaram suas pré-candidaturas.

A convenção nacional do partido, marcada para os dias 10 e 11 de abril, vai decidir quem será o candidato da legenda ao Palácio do Planalto.

Heloísa Helena, que disputou a Presidência pelo PSOL em 2006, ficando em terceiro lugar, deve tentar neste ano voltar ao Senado por Alagoas. Ela não concedeu entrevista após a reuniu porque não estava se sentindo bem.

Fernando Gabeira

A movimentação contra a aproximação com o PV começou depois que o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) admitiu a possibilidade de entrar na disputa estadual em coligação com o PSDB. Apontado como o candidato ideal do governador José Serra (PSDB), Gabeira tem aval de Marina Silva.

Segundo reportagem da Folha publicada na terça-feira (19), Gabeira não apoiará o governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Pelo menos no primeiro turno. Ele disse que apoiará “unicamente” Marina Silva.

Na semana passada, um manifesto divulgado pela deputada Luciana Genro (PSOL-RS) e mais dois integrantes da Executiva Nacional já indicava o possível rompimento das negociações com o PV. Na ocasião, eles condicionaram o apoio à Marina Silva à desistência da candidatura de Gabeira ao lado PSDB.

“Quando iniciamos a discussão para a aliança [com Marina], um dos pressupostos era uma candidatura independente das forças políticas”, afirmou Luciana. Segundo ela, essa independência deve refletir nos palanques estaduais.

Gabriela Guerreiro/Folha Online, em Brasília

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