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Garcia Lorca – Versos na tarde – 26/09/2017

Se as minhas mãos pudessem desfolhar Garcia Lorca¹ Eu pronuncio teu nome nas noites escuras, quando vêm os astros beber na lua e dormem nas ramagens das frondes ocultas. E eu me sinto oco de paixão e de música. Louco relógio que canta mortas horas antigas. Eu pronuncio teu nome, nesta noite escura, e teu […]

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Carlos Drummond de Andrade – Versos na tarde – 30/07/2017

Ausência Carlos Drummond de Andrade ¹ Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, […]

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Murilo Mendes – Versos na tarde – 29/07/2017

O fósforo Murilo Mendes ¹ Acendendo um fósforo acendeu Prometeu, o futuro, a liquidação dos falsos deuses, o trabalho do homem. O fósforo: tão radioso quanto secreto. Furioso, deli- cado. Encolhe-se no seu casulo marrom; mas quando cha- mado e provocado, polêmico estoura, esclarecendo tudo. O século é polêmico. O gás não funciona hoje. Temos […]

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Brecht – Versos na tarde – 30/06/2017

Aos Vacilantes Brecht¹ O que está errado, agora, no nosso discurso? Alguma coisa? Ou tudo? Com quem ainda podemos contar? Somos sobras da correnteza viva, que o rio depositou em suas margens? Ficaremos para trás, sem entendermos, sem sermos entendidos por ninguém? Precisamos ter sorte? Isso é o que perguntas. Não esperes resposta a não […]

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Brecht – Versos na tarde – 24/06/2017

Também o céu Brecht¹ Também o céu às vezes desmorona E as estrelas caem sobre a terra Esmagando-a com todos nós. Isto pode ser amanhã. ¹Eugen Berthold Friedrich Brecht * Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898 + Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956 Conheça a Biografia de Brecht Tweet

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Brecht – Versos na tarde – 23/06/2017

Na morte de um combatente da paz Brecht¹ Aquele que não cedeu Foi abatido O que foi abatido Não cedeu. A boca do que preveniu Está cheia de terra. A aventura sangrenta Começa. O túmulo do amigo da paz É pisoteado por batalhões. Então a luta foi em vão? Quando é abatido o que não […]

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Brecht – Versos na tarde – 22/06/2017

Esse desemprego Brecht¹ Meus senhores é mesmo um problema Esse desemprego! Com satisfação acolhemos Toda oportunidade De discutir a questão. Quando queiram os senhores! A todo momento! Pois o desemprego é para o povo Um enfraquecimento. Para nós é inexplicável Tanto desemprego. Algo realmente lamentável Que só traz desassossego. Mas não se deve na verdade […]

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Brecht – Versos na tarde – 21/06/2017

Se fossemos infinitos Brecht¹ Fossemos infinitos Tudo mudaria Como somos finitos Muito permanece. Sobre a violência A corrente impetuosa é chamada de violenta Mas o leito do rio que a contem Ninguém chama de violento. A tempestade que faz dobrar as bétulas E tida como violenta E a tempestade que faz dobrar Os dorsos dos […]

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Brecht – Versos na tarde – 20/06/2017

Refletindo sobre o inferno Brecht¹ Refletindo, ouço dizer, sobre o inferno Meu irmão Shelley achou ser ele um lugar Mais ou menos semelhante a Londres. Eu Que não vivo em Londres, mas em Los Angeles Acho, refletindo sobre o inferno, que ele deve Assemelhar-se mais ainda a Los Angeles. Também no inferno Existem, não tenho […]

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Brecht – Versos na tarde – 18/06/2017

Precisamos de você Brecht¹ Aprende – lê nos olhos, lê nos olhos – aprende a ler jornais, aprende: a verdade pensa com tua cabeça. Faça perguntas sem medo não te convenças sozinho mas vejas com teus olhos. Se não descobriu por si na verdade não descobriu. Confere tudo ponto por ponto – afinal você faz […]

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Brecht – Versos na tarde – 17/06/2017

O vosso tanque general é um carro forte Brecht¹ Derruba uma floresta esmaga cem Homens, Mas tem um defeito – Precisa de um motorista O vosso bombardeiro, general É poderoso: Voa mais depressa que a tempestade E transporta mais carga que um elefante Mas tem um defeito – Precisa de um piloto. O homem, meu […]

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Brecht – Versos na tarde – 16/06/2017

O nascido depois Brecht¹ Eu confesso: eu Não tenho esperança. Os cegos falam de uma saída. Eu Vejo. Após os erros terem sido usados Como última companhia, à nossa frente Senta-se o Nada. ¹Eugen Berthold Friedrich Brecht * Augsburg, Alemanha – 10 de Fevereiro de 1898 + Berlim, Alemanha – 14 de Agosto de 1956 […]

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