Mais uma vez, parece que o “grande irmão do norte” parece desconhecer a realidade dos outros países do mundo. Principalmente quando são países islâmicos. O “imbroglio” agora, para as forças de combate americanas, é o Afeganistão.

Nação composta por inúmeras etnias, e por isso mesmo, ou por causa disso, um eterno caldeirão de rivalidades, o Afeganistão tem 50% da população constituída pelos patãs, 30% são tradjiques, além de outra parte em que se incluem usbeques, turcomanos e beluques. No quesito religião 90% são muçulmanos sunitas e 9%, xiitas.

Cerca de 140 mil soldados americanos e da Otan participam da ocupação do país, ocupação essa que ao longo de 9 anos e meio mais aparenta ter entrado em um beco sem saída.
O Editor


Imprensa, TV e Internet fazem EUA desabar no Afeganistão

A exemplo do que ocorreu com a guerra do Vietnã, em 75, os jornais, as emissoras de televisão e, agora, a internet, juntos, poderão contribuir para um recuo das forças americanas e da OTAN no Afeganistão, tantos e tão realistas são os documentos secretos que no final da semana o australiano Jules Assange tornou públicos ao mundo.

A dimensão da iniciativa e o risco jornalístico de enveredar por um caminho militar ligado à segurança de estados e de pessoas foram tão grandes que, antes de fazer explodir a comunicação eletrônica, o diretor da ONG Wikileaks antecipou o conteúdo do site ao New York Times, ao inglês The Guardian e à revista alemã Der Spiegel.

A CNN, no inicio da década de 70, precipitou a retirada dos Estados Unidos do Sudeste Asiático a partir do momento em que colocou no ar militares americanos detonando a cabeça de prisioneiros ou então lançando-os, sem paraquedas, de aviões e helicópteros.

Lembro bem que a atriz Jane Fonda valeu-se da reportagem controlada pelo então seu marido, Ted Turner, para liderar uma imensa passeata em Washington, em torno da Casa Branca, pelo fim imediato da guerra que fora iniciada em 62 pelo presidente Kennedy, atravessou o mandato de Lyndon Johnson, o primeiro de Richard Nixon, também o segundo, e só acabou em 75 na administração Gerald Ford que assumiu depois do escândalo de Watergate.

A sociedade norteamericana ficou perplexa com o que a imprensa e televisão destacavam. A frase a liberdade não é de graça, usada por Truman na guerra da Coréia, perdeu o sentido com o segundo fracasso na Ásia. Mas eis que, na sequência do tempo, vieram a absurda invasão do Iraque, desencadeada por George Walker Bush, e até o momento mantida pelo presidente Barack Obama, apesar de compromisso de terminá-la a curto prazo assumido na campanha eleitoral.

Provavelmente o complexo industrial militar – denunciado em livro pelo general Eisenhower, que presidiu os EUA do início de 53 ao começo de 61, pois foi eleito em 52 e reeleito em 56 – entrou em ação e somou o Afeganistão ao Iraque, adicionando Bagdad a Cabul. No Iraque, uma série de torturas praticadas, morte de milhares de iraquianos, luta de guerrilha e sobotagens, mais de 3 mil americanos mortos. No Afeganistão, a lista de mortos aumenta a cada dia e, de acordo dom o site de Julien Assage, fatos nebulosos vinculando setores das forças invasoras com o Taleban de Bin Laden.

Os diamantes são eternos, escreveu Ian Fleming, criador de James Bond. A cada dia mais se comprova a teoria na prática. A indústria de armas está por atrás, pela frente, pelos lados dos conflitos. Um mercado que proporciona lucros à base da vida e da integridade de centenas de milhares de pessoas. Ritual macabro esse que parte do princípio da defesa da liberdade e termina com o aprisionamento e a ocultação dele próprio.

As excelentes matérias de Gustavo Chacra, Andréa Murta e Fernando Ainchenberg, publicadas respectivamente nas edições de 27 de julho de O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e de O Globo, focalizaram nitidamente o panorama extremamente crítico que a divulgação dos quase 100 mil documentos secretos causou.

Por intervenção do New York Times, dezenas de nomes de pessoas não vieram à tona, pelo menos por enquanto, para não colocar em risco suas vidas. O impacto mundial está sendo de tal ordem – acentuam os jornalistas – que em seu conjunto essa página singular da história de hoje pode vir a terminar a guerra do Afeganistão amanhã.

Pedro de Coutto/Tribuna da Imprensa

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EUA discutem lei que permitiria que presidente ‘desligasse’ a internet.

Projeto de lei propõe novos órgãos para tratar de segurança cibernética.

Obama teria o poder de ordenar às empresas bloqueio de tráfego.

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em caso de emergência, Barack Obama poderia ordenar bloqueio de sites.

Um projeto de lei em discussão no Senado americano pode dar ao presidente dos Estados Unidos o poder de “desligar” a internet em caso de emergência nacional. O texto propõe a criação de novos órgãos para tratar exclusivamente de assuntos ligados à segurança nacional e ciberespaço

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Entre outras mudanças, o presidente teria autoridade para tomar “medidas extremas” em resposta a ataques que coloquem em risco a segurança do país.

A proposta do senador Joe Lieberman, líder do comitê de Segurança Interna americano, sugere a criação do Office of Cyber Policy, um órgão da Casa Branca para tratar de políticas para internet e elaborar uma estratégia nacional para o ciberespaço. O projeto também tem o objetivo de “estabelecer uma parceria público-privada para definir prioridades nacionais de segurança cibernética”, de acordo com texto publicado no site do comitê.

Se aprovada, a lei pode dar ao presidente o poder de obrigar empresas a bloquearem o tráfego de sites, por exemplo. Embora nenhum dos parlamentares tenha dúvidas sobre a gravidade da ameaça cibernética, o Senado está dividido sobre quão grande é o papel que o governo deveria desempenhar e que agência federal deveria ser responsável pelo assunto.

No meio, estão os líderes da indústria, que argumentam que as empresas privadas muitas vezes podem fazer um trabalho melhor do que o governo federal para proteger seus sistemas e garantir funcionários qualificados.

Phil Reitinger, do departamento de Segurança Interna, diz que o presidente já possui alguns poderes emergenciais, então qualquer ajuste não deve interferir em leis já existentes.

A legislação, segundo ele, “reconhece que os americanos esperam que o governo federal antecipe, previna e responda a ameaças cibernéticas”. E que as disposições relativas aos poderes presidenciais “reconhecem que o governo pode precisar tomar medidas extraordinárias para cumprir essas responsabilidades”.

G1/AP

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A ninguém é dado ficar espantado com o “dois pesos e duas medidas” da política externa dos Estados Unidos.

A posição “cautelosa” de Mrs. Clinton em relação do ataque de Israel aos navios da chamada frota humanitária, demonstra, para analistas diplomáticos internacionais, que o país de Barack Obama não tem aliados. Tem interesses. Desde as “fantasmagóricas” armas de destruição em massa que ‘não existiam’ no Iraque, que é preciso desconfiar de declarações de quaisquer autoridades, de quaisquer governos.

De qualquer maneira, a ação de Israel é um entrave às tentativas diplomáticas de se resolver o conflito no oriente médio. Com ou sem razão, o ato de abordagem dos navios municia os que desejam o fim do Estado judeu.

Contudo, segundo reportagens do N.Y. Times havia terroristas entre os ‘pacifistas’ que se encontravam nos navios. A verdade, quem sabe, um dia surgirá e aí todos saberão quem estava com a razão.

O Editor

PS. A esquerda neurótica, que agora pula na jugular do Estado de Israel, é a mesma que ficou muda quando do ataque da Coreia do Norte que afundou a corveta da marinha da Coreia do Sul, ataque que causou a morte de 46 tripulantes.


Hillary pede que a ‘resposta’ a Israel seja ‘cuidadosa’

Há duas Hillarys em Washington. Uma, já conhecida, é a Hillary ‘Mata-e-Esfola’ Clinton do caso do Irã.

A outra, uma Hillary ‘Flor-Sem-Espinhos’ Clinton, revelou-se nesta terça (1º), num comentário sobre o ataque de Israel à flotilha humanitária pró-Gaza:

“Acho que a situação [de Israel], de nossa perspectiva, é muito difícil e requer uma resposta cuidadosa e atenciosa”.

É fácil distinguir uma Hillary da outra. Na dúvida, basta levar as duas ao fogo. Elas não fervem à mesma temperatura.

blog Josias de Souza

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Comportamento dos EUA é alvo de críticas sobre Irã

Analistas atribuem recuo a pressões internas

O fato de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter apresentado à ONU uma proposta de impor sanções ao Irã, um dia depois do Brasil e da Turquia terem obtido do governo iraniano um acordo de ceder à demanda daquela instituição para que enviasse urânio para ser enriquecido no exterior — num grau suficiente apenas para uso médico e energético — é visto por especialistas brasileiros em relações exteriores como uma rendição de Obama a pressões internas.

— Fica claro que o Brasil tinha uma ação responsável quando abriu as negociações com o aval dos EUA. A carta (de Obama para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de sua viagem à Teerã) prova isso — disse Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista.

Ela se referia ao fato de Obama ter afirmado à Lula, que se o Irã concordasse em enviar 1.200 quilos de urânio para ser enriquecido em outro país, a um grau suficiente apenas para uso médico e energético, “geraria confiança e diminuiria as tensões regionais”. Foi exatamente isso que Brasil e Turquia obtiveram do governo iraniano.

Para Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a divulgação da carta deixa clara a divisão do governo americano.

Ele lembra que o presidente Obama já havia indicado que desejava um acordo com o Irã, mas teve que ceder às pressões da elite política e intelectual dos EUA.

Integrantes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado criticaram o recuo. O líder em exercício do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), disse que a insistência dos EUA em impor novas sanções ao Irã desmoraliza Obama. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), viu a carta de Obama como um “incentivo” a que o Brasil avançasse nas negociações.

Mas ressalvou que ela também continha um alerta de que um acerto com o presidente Mahmoud Ahmadinejad careceria de garantias.

Diante do mal-estar causado pelo recuo de Obama, o secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, enfatizou as boas relações bilaterais: — Estamos nos dando bem numa quantidade enorme de assuntos. A lista é muito longa. Estamos extremamente comprometidos em manter uma forte ligação com o Brasil. Tivemos uma diferença de avaliação em relação ao Irã — disse ele sexta-feira, em Atlanta, antes da divulgação de trechos da carta.

O Globo

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Por que a mediação brasileira irritou tanto a Europa

Depois de ter assinado com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, um acordo com o Irã sobre o programa nuclear iraniano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “a diplomacia saiu vitoriosa”. Mas essa não é a opinião dos diplomatas europeus, que, sem rejeitar o acordo de segunda-feira, fizeram caretas, dizendo que “o Irã está de novo com as cartas na mão”.

Os israelenses estão ainda mais descontentes. Eles odiaram o acordo, mas fizeram uma distinção entre os dois responsáveis. A Turquia, cujas relações com Jerusalém deterioraram-se depois da guerra na Faixa de Gaza, voluntariamente prestou-se às “manobras iranianas”.

Já Lula, “pecou pela ingenuidade”, sugerindo que o Brasil, pouco habituado aos ardis da diplomacia, caiu “na armadilha iraniana”.

Esse desânimo espanta. Na verdade, o acordo entre Brasil, Turquia e Irã reproduz o mecanismo de troca de urânio concebido em Viena em outubro de 2009 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Na ocasião, EUA, França e Rússia consideraram o sistema engenhoso. Mas o Irã o rejeitou.

Ora, os mesmos que aprovaram esse texto, em vez de saudar a virtuosidade de Lula e Erdogan, resmungam.

À primeira vista, podemos pensar que os grandes da diplomacia mundial, simplesmente ficaram melindrados ao ver que Ancara e Brasília obtiveram de um só golpe o que os “gênios” não conseguiram. “O Irã está com as cartas na mão”, opinou o francês Bruno Tertrais, da Fundação para Pesquisa Estratégica.

“Os ocidentais devem agora empreender uma grande batalha de relações públicas.”

O nervosismo da França é mais observado contra a Turquia, que a diplomacia francesa não aprecia (Sarkozy rejeita a entrada da Turquia na União Europeia).

Muito menos visível no caso de Lula porque a França tem um velho hábito de amar o Brasil.

Lula é o chefe de Estado mais admirado pelos franceses (mais do que Barack Obama). E Sarkozy, como todos os franceses, gosta do Brasil e de Lula.

Gilles Lapouge é correspondente em Paris do O Estado de S.Paulo

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Eleições: campanha no celular sem opt-in não dá

Cuidado com a “pegadinha do Malandro” no marketing político.

Por Marcelo Castelo ¹

Não temos como falar sobre o mundo publicitário em 2010, sem passar por Copa do Mundo e eleições…

Eleições! No ano passado, no evento Efeito Obama, estive com Ben Self, estrategista da campanha digital de Obama e “futuro” responsável pela campanha digital da Dilma Rousseff.

Em sua palestra, Shelf destacou o potencial do celular lembrando as mais de 160 milhões de linhas ativas de celular (números da época, atualmente já passamos dos 175). Chegou até a falar que o “canal” celular só perde para a TV aberta…

Muito bom ouvir esse tipo de colocação, mas devemos ter cuidado e nos atentar a alguns detalhes. Utilizar o celular para atingir as massas deve ser via voz ou SMS e é exatamente por isso que para mim o opt-in é o principal ponto de discussão aqui.

Em relação à voz nem preciso me aprofundar muito, o telemarketing já está aí para pontuar a opinião dos usuários sobre este tipo de serviço. Falando sobre SMS… Imagine só um petista recebendo uma mensagem no estilo “vote Serra” em seu celular. Acho que ele não ficaria muito feliz!

Vou bater na velha tecla: apesar de ser uma mídia de massa, o celular é muito pessoal e isso se agrava quando o assunto é política. Opt-in genérico definitivamente não pode ser levado em consideração quando o assunto é política, religião, sexo ou futebol.

Dentre os players que não gostam de frustrar os usuários de celular, as operadoras aparecem em destaque. Voltando ao exemplo do nosso amigo que recebeu o SMS do “Vote Serra”, se ele fosse reclamar com alguém, com certeza o call-center da operadora apareceria com uma de suas primeiras opções. Por causa disso um projeto de opt-in genérico, além de não agradar os usuários, provavelmente não seria aprovado pelas operadoras!

Uma alternativa que vejo com muito bons olhos é o opt-in ativo, no qual o usuário deve enviar uma determinada palavra-chave para um número curto e assim começará a receber conteúdos via SMS do seu candidato. Por exemplo, quem enviar Serra para 45455, começará a receber SMS com propostas, lembretes de quando o candidato for aparecer em algum canal de televisão, lembrete de visitas do candidato na sua cidade etc.

O assunto das mensagens pode ser segmentado e o tipo de informação oferecida pode ser dos mais variados.

Este formato me lembra muito o Twitter e seus 140 caracteres. Eu, por exemplo, passei a gostar mais do Serra após começá-lo a seguir no Twitter, me senti mais próximo! Inclusive, mesmo com centenas de perguntas, todos os dias ele responde para algum anônimo.

Só para registrar, eu escolhi seguir o Serra e é assim que acho que deve funcionar em relação ao SMS… As pessoas devem escolher de quem querem, ou não, receber as mensagens.

Para divulgar este “serviço”, não faltam oportunidades. Os políticos devem aproveitar e mobilizar todas as mídias que dispõem. Colocar chamadas nos horários políticos, nas propagandas de TV, rádio, no site e por aí vai…

Para mim este opt-in ativo, somado ao formato de “pílula”, é uma solução matadora.

É claro que além dos SMS, temos outros formatos que podem ser explorados pelos partidos. Internet móvel, aplicativos, Bluetooth, “santinhos” pelo celular, QR codes. Isso sem contar os diferentes formatos de mídia, se é que eles poderão ser utilizados…

Um bom exemplo, que merece destaque, é o aplicativo do Obama para iPhone. Entre outras funcionalidades, ele se integrava com a agenda do celular e iria selecionando com quais pessoas da sua agenda você já tinha falado na tentativa de convencê-los a votar no Obama. Muito bacana!

Para finalizar, gostaria de falar para todos aqueles que vão trabalhar de alguma maneira em alguma campanha, para que não caiam na “tentação do Malandro“.

Em 2008, o então candidato a vereador pelo PTB, Sérgio Malandro, disparou um “broadcast SMS” convocando os eleitores a votarem nele (obviamente, nenhum deles tinha autorizado o recebimento das mensagens). Confira a mensagem abaixo:

Reparem que a mensagem não veio de um número curto, mas sim de um número de celular com o DDD 31. Provavelmente algum “malandro” utilizou um modem GSM e listas de terceiros para fazer este disparo “fora do radar” das operadoras.

Nem preciso dizer a minha opinião sobre o assunto, né? Além de ser ilegal, o opt-in passou longe desta ação! Existem algumas palavras-chave para a utilização do mobile marketing em campanhas políticas: relevância, frequência, engajamento, etc.

Mas a palavra que não pode sair da cabeça de quem estiver por trás dessas campanhas é “opt-in”!

¹Marcelo Castelo (twitter.com/mcastelo) é sócio da F.biz e editor-chefe do blog Mobilepedia.

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Internet vai municiar embate nas ruas e no vídeo entre candidatos

“Tudo servirá de munição para o debate político dentro e fora da internet”

Na primeira eleição presidencial brasileira após a bem sucedida campanha digital online que elegeu Barack Obama nos Estados Unidos, as coordenações das duas principais candidaturas já estruturaram seu núcleo de internet e decidiram o que importarão para a internet da experiência americana de dois anos atrás: uma extensa base de dados dos possíveis simpatizantes e muita informação em áudio e vídeo para municiá-los no embate político.

A diferença é que cada lado irá dar prioridade ao seu conteúdo na rede em acordo com a estratégia definida pelas cúpulas da campanha. O PT insistirá nas comparações entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao passo que o PSDB tentará levar à rede o embate de biografias entre seu candidato, José Serra, e a petista Dilma Rousseff.

A expectativa de ambos é fazer com que a acirrada disputa que se verá na tevê, no rádio e nas ruas seja abastecida com informações fornecidas pelas campanhas na internet e amplificadas dentro e fora dela pela rede de apoiadores obtida nas redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Os dados também serão divulgados pelos telefones celulares.

“O grande desafio da campanha digital será o da relevância”

Essas deverão ser as principais influências da campanha americana, já que não há grandes perspectivas de doações financeiras online, por dois motivos: o baixo crédito dos políticos ante a opinião pública e a falta de tradição no país de que pessoas físicas colaborem com dinheiro para as candidaturas. A expectativa da presença da tecnologia da informação, porém, é bem alta. Tanto que, desde o ano passado, tucanos e petistas conversam com os dois principais nomes da campanha de Obama: Scott Goodstein, da empresa Revolution Messaging; e Ben Self, da Blue State Digital.

Goodstein foi “diretor online externo” de Obama e cuidou da estratégia nas redes sociais e nos celulares. Conseguiu 2 milhões de simpatizantes no Facebook, 1 milhão no MySpace e mais de 100 mil no Twitter. Criou ainda o “Obama Mobile” , com mensagens de texto, site móvel (WAP) e downloads de conteúdo pelo celular.

Já Self é especialista na gestão da campanha como um todo pela internet, com expertise na criação de ferramentas para identificar os apoiadores e chamá-los à campanha online e “offline”, além de sites específicos para esclarecer fatos negativos sobre os candidatos. Na campanha de Obama, ele criou um o “Fight the Smears”, algo como “combata as manchas” (www.fightthesmears.com) em que são colocadas as versões da campanha sobre o que consideram fatos manipulados pelo adversário.

O PSDB conversou com ambos mas foi o PT que decidiu contratá-los. Nos últimos 15 dias, os dois estiveram no Brasil para conhecer a equipe e começar a organizar a campanha. O contrato dos dois, na realidade, foi firmado com a agência Pepper Interativa, de Brasília, que contratou uma agência de comunicação para fornecer conteúdo e ainda assinou com Marcelo Branco, diretor-geral das três edições da Campus Party e ex-coordenador da Associação Software Livre.org (ASL), uma entidade cujo objetivo é ampliar a presença do software livre no país.

Sua aproximação com o governo deu-se a partir das discussões sobre o Plano Nacional de Banda Larga, onde atuou como um dos principais representantes da sociedade civil no debate com o governo. No início de fevereiro, teve encontro oficial com Lula para tratar do assunto.

Branco é atualmente o porta-voz da campanha online petista, sendo o responsável especificamente em multiplicar apoiadores e municiá-los com conteúdo político nas redes sociais. “Vamos fornecer elementos de vídeo, áudio e texto, que possam mostrar as realizações do governo Lula, que tem mais de 70% de aprovação e muitas realizações ainda desconhecidas do grande público. Tudo servirá de munição para nossos apoiadores fazerem o debate político dentro e fora da internet”, afirmou.

Para ele, Dilma leva vantagem na disputa pela internet por duas razões. Primeiro pelo fato de ter em sua aliança os dois maiores partidos do Brasil em número de filiados: PT e PMDB, com 1,19 milhão e 1,96 milhão respectivamente. A oposição, somada, tem 2,4 milhões de filiados: 1,11 milhão do PSDB, 944,8 mil do DEM e 385,4 mil do PPS. O outro motivo apontado por ele é estarem na aliança com Dilma partidos ligados à esquerda histórica do país e com tradição de militância organizada, como PSB e PCdoB, além do próprio PT. “Isso tudo nos ajuda. É um patrimônio importante”, diz.

Otimista quanto à campanha digital, diz que de agora em diante a tendência é de que a internet seja o grande fórum de debate político nas eleições.

” Redes sociais da web são uma grande praça pública. Serão as primeiras eleições com milhões debatendo política e postando suas opiniões. Não tenho dúvidas de que a internet ajuda a aprofundar a democracia brasileira a partir de milhões que não participariam da campanha se a net não existisse”, diz.

Os tucanos ainda estão fechando a equipe, mas a ideia é agregar pessoas que estão nas empresas que já atuam para o partido em serviços de marketing digital. São alguns deles: Cila Schumman, marqueteira que iniciou sua carreira no Paraná e hoje presta consultorias em São Paulo. Para o partido, ela elaborou o site “Gente que mente”, que elenca denúncias contra Dilma e Lula, expondo supostas mentiras dos dois seguidas pelo esclarecimento do fato.

Da agência paulistana Loops sairá o filho do ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), Arnon de Mello, que deve ser responsável pela mobilização e planejamento estratégico da campanha digital. Também paulistana, mas com filiais em Brasília, Florianópolis e Seattle, a Talk Interactive cederá seu diretor-executivo, Moriael Paiva, que idealizou a campanha do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), à reeleição. Ele também foi um dos formuladores do tucano.org. Na primeira tentativa de Serra chegar ao Planalto, em 2002, trabalhou na campanha online, ainda incipiente à época. O partido está em negociação com mais duas pessoas, cujos nomes são mantidos em segredo.

À frente da equipe, Sérgio Caruso, atual coordenador de comunicação digital do PSDB e presidente da ONN Networking, uma das principais empresas de tecnologia digital de São Paulo, com clientes do porte de TIM, Telefônica e Nokia. Segundo ele, a campanha online deste ano deverá ter uma adequação do discurso de acordo com a realidade local do eleitor.

“O grande desafio da campanha digital será o da relevância. Falar para as pessoas o que for do interesse local delas”, afirma. Além disso, diz que os bancos de dados serão úteis para chegar aos simpatizantes dos candidatos e dar-lhes munição para o embate político. No caso, com destaque para a biografia do candidato. “A vida do Serra tem conteúdo que não acaba mais, tem muita história para contar. É uma longa trajetória”, diz. Também devem ser postados dados positivos sobre a era FHC, um dos principais alvos dos petistas.

Nos bastidores, as duas campanhas online já estão contaminadas pela arquirrivalidade dos petistas e tucanos, com acusações recíprocas da chamada ” campanha negativa”. Artifício muito utilizado no meio empresarial por meio do “troller” (internauta que provoca alguém com ataques pessoais e destrutivos) e do “fud” (técnica de gerar medo, incerteza e dúvida sobre a concorrência), o eleitor pode se preparar para acompanhá-las na campanha online deste ano. Sem, claro, o aval – ao menos oficial – das coordenações da campanha.

Em nível pessoal, as acusações são diretas aos envolvidos nas campanhas, sempre dentro do contexto digital. A equipe tucana é acusada de ser ligada às grandes empresas de comunicação digital, como a Microsoft, que a ONN de Sérgio Caruso tem em seu rol de clientes. Contra esse argumento avançam os tucanos, que apontam em Marcelo Branco uma trajetória incoerente.

Aguerrido defensor do software livre e tradicional crítico da Microsoft, vai trabalhar ao lado de consultores tão americanos quanto a empresa de Bill Gates, que devem lhe oferecer um produto fechado, contrário aos princípios do software livre. Em seu Twitter, porém, ele já afirmou que todo o conteúdo digital da campanha terá por conceito o software livre.

Caio Junqueira/VALOR

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Entrevista – Marcelo Branco
Autor(es): Tiago Falqueiro
Correio Braziliense

Aliado dos americanos responsáveis pela campanha de Obama, brasileiro que integra equipe de Dilma fala sobre política na internet

Para aproveitar as novas regras eleitorais que permitem o uso da internet na campanha presidencial, os partidos começam a montar equipes específicas. No caso do PT, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Roussef terá a ajuda de norte-americanos que participaram da bem-sucedida campanha virtual de Barack Obama. Os estrangeiros são Scott Godstein e Joe Rospars, responsáveis pela campanha de mídias sociais de Obama em 2008, e Andrew Paryze, especialista em marketing digital da Blue State Digital — agência americana especializada em campanhas online para políticos e causas. Mas se engana quem pensa que são eles que vão ditar o ritmo das ações da candidatura do PT na internet. Pelo menos, é o que garante o brasileiro Marcelo Branco, militante do movimento do software livre e organizador de importantes eventos ligados à tecnologia, que irá integrar a equipe petista.

“Nosso papel será desdobrar a estratégia geral de campanha para a internet”, explica. Branco, que tem mais de 3 mil seguidores no Twitter, foi contratado pela agência que organiza a campanha digital de Dilma para tratar da estratégia para as redes sociais. “Meu papel não é fazer posts em blogs ou tweets, mas sim trabalhar as coisas internamente”, emenda. Entre as estratégias para mobilizar os militantes do PT e do PMDB, Marcelo garante que o jogo baixo estará descartado. Mas reitera que nenhuma provocação ficará sem resposta.

“A ideia é trazer a comparação entre as realizações da gestão atual contra a anterior, numa postura pró-ativa, apresentando os fatos. Mas, se as provocações vierem, vamos responder, só que com argumentos e não com mais baixaria”, defende. Branco ainda rechaça estratégias comuns na internet usadas para inflar marcas e produtos. “Quando se trata de uma empresa, pode ser útil criar artifícios para conseguir mais seguidores no Twitter ou referências no Google. Mas não vejo muita utilidade em uma campanha política. As pessoas não vão digitar Dilma para pesquisar”, conclui.

A estratégia do PT, muito inspirada no caso de sucesso de Obama, é criar, com as redes sociais, canais de comunicação em que a informação possa ser divulgada para os militantes, mas também capitalizar em cima do que for criado por eles, como vídeos, fotos ou textos. “A campanha online não será voltada apenas para os filiados, mas para apoiadores em geral. A ideia não é só fazer guerra de comunicação, mas ajudar para que a campanha ocorra de forma descentralizada. Ela não pode ser pensada por um grupo pequeno de pessoas, mas sim por milhares de internautas”, acredita Branco.

“Vamos responder tudo”

“A turbinagem e a falsificação de indicadores pode funcionar para ajudar a marca de uma cerveja, mas não é positiva para uma campanha”

Comando

Quem vai cuidar da campanha da Dilma é a agência Pepper Comunicação, montando a equipe, da qual faço parte, com os norte-americanos Scott Godstein e Joe Rospars, que cuidaram da campanha de Obama para as redes sociais e mensagens de celular, e Andrew Paryze, da Blue State Digital. Essa equipe vai ser responsável pela estratégia na internet, mas não definirá a estratégia de campanha, e sim desdobrará a estratégia geral. Tem uma confusão de que as coisas seriam definidas pelos americanos, mas não é isso. Eles trarão a experiência no uso das ferramentas. O case do Obama é o maior sucesso mundial hoje. Então, agregaremos esse valor do marketing político e nós, brasileiros, coordenaremos.

Novo meio

No Brasil, o uso da internet era limitada pela legislação. É um novo uso para as campanhas, e não só para os políticos, mas também para os eleitores. A internet pode ser decisiva, mais ainda não se tem como medir o grau de influência. Mas, que vai fazer diferença, vai. É uma forma de aproximar o político com os eleitores. No caso da Dilma, temos um patrimônio que é o governo atual e sua aprovação, num patamar que nunca tivemos. Desde que sou adolescente, sempre tivemos aquela história de que um dia vai chegaria a vez do Brasil. E, hoje, mesmo os opositores mais ferrenhos reconhecem que o Brasil vive a melhor fase da sua história. Tanto que o Obama falou que o Lula é o cara. A nossa estratégia vai ser mostrar as realizações e compará-las com as do período anterior.

Objetivos

A campanha online não será voltada apenas para os filiados, mas para apoiadores em geral. A ideia não é só fazer guerra de comunicação, mas ajudar a campanha para que ocorra de forma descentralizada. Não pode ser pensada por um grupo pequeno de pessoas, e sim por milhares de internautas. Temos a vantagem de ter do nosso lado os partidos que tem o maior número de militantes, e ainda de ter o apoio dos que estão mais à esquerda, que têm a tradição do militante orgânico. Mas, no fim, o objetivo não deixa de ser atingir os indecisos.

Estratégia

Não apelaremos para o uso de posts de blogueiros negativos e não vamos usar os blogueiros pagos. Cada um tem o seu espaço, sua liberdade de expressão. Não vamos articular para atacar e destruir a reputação de alguns blogueiros. Isso fica feio isso na blogosfera. A ideia é usar os canais (Twitter, Identi.ca, Orkut, Facebook e YouTube) de forma propositiva. Para isso, vamos estimular blogs espontâneos. Assim, esperamos estimular a campanha descentralizada em estados e municípios. Os endereços já existentes vão ser valorizados, para se criar uma dinâmica em rede, que estimula dando conteúdo para que toquem a campanha com suas particularidades. Os conteúdos também virão de baixo para cima.

Baixaria

Vamos ter o esforço de responder tudo, nada vai passar. A baixaria não é novidade em campanhas eleitorais, só deverá ser transposta para a internet. Nossos apoiadores também serão orientados nesse sentido. A turbinagem e a falsificação de indicadores pode funcionar para ajudar a marca de uma cerveja, mas não é positiva para uma campanha. Cada baixaria será respondida com fatos. Até porque a internet funciona como um grande arquivo, que guarda todas as informações.

Americanos

Temos diferenças importantes, como no uso das redes sociais, em que somos mais ativos, comunicativos. Já na questão da infraestrutura de banda larga, temos uma carência importante. Aqui, por exemplo, o Orkut é o principal espaço, já o MySpace é bem menos importante. Por isso que a estratégia não será a mesma adotada na campanha do Obama, mas eles trarão a experiência no uso das ferramentas.

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Lula ‘estadista global’: “Esse prêmio mostra a estima que o mundo tem por Lula e por suas políticas de sucesso. Ele está comprometido com todas as áreas sociais e é um exemplo de liderança”, disse presidente do Fórum de Davos.

Presidente será reconhecido como “estadista global” pelo evento, criticado por ele no passado

Em sua última participação como presidente brasileiro no Fórum Econômico Mundial de Davos, Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de “estadista global”. Lula tem sido um dos mais assíduos frequentadores do evento que reúne a elite capitalista mundial, apesar de muitos, entre os quais o seu fundador, Klaus Schwab, ainda se lembrarem de suas críticas ao evento no passado. Neste ano, Davos ainda dedica uma reunião para debater “o futuro do Brasil”. “As pessoas falam muito da China. Mas tenho muito confiança no Brasil”, disse Schwab ao Estado. Já a administração Obama esnobou neste ano o evento e praticamente não estará presente.

O fórum será realizado a partir de 27 de janeiro, na luxuosa estação de esqui de Davos, nos Alpes. Será a primeira vez que o prêmio será dado pela organização, mas a forma de escolha do vencedor não foi esclarecida pela entidade. Schwab disse que a escolha de Lula foi baseada numa pesquisa com empresários e líderes ligados ao fórum. Já fontes do fórum admitem que não houve uma regra clara sobre a escolha.

“Esse prêmio mostra a estima que o mundo tem por Lula e por suas políticas de sucesso. Ele está comprometido com todas as áreas sociais e é um exemplo de liderança”, diz Schwab. O prêmio inédito será entregue pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no dia 29.

Neste ano, além de Lula, o fórum terá a presença do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e dos chefes de governo da Espanha, Canadá, África do Sul, Senegal, Colômbia, México, Grécia e Israel. Já a administração de Barack Obama vem rejeitando uma aproximação do fórum e praticamente nenhum representante do presidente americano irá à Suíça.

Poucos dias depois de assumir a presidência em 2003, Lula deixou parte do PT irritada ao anunciar que iria ao Fórum Econômico na Suíça. Naquele ano, foi também ao Fórum Social Mundial. Segundo Lula, sua ida a Davos era “para mostrar que outro mundo é possível” – usando o próprio slogan do Fórum Social.

Lula se tornou uma das estrelas de Davos e uma das provas de que o evento estava disposto a ouvir os representantes do Sul. Afinal, o brasileiro representaria um país emergente, com um discurso duro, social, mas não considerado extremista nem inconveniente como o de Hugo Chávez, Evo Morales e outros. Seu presidente do Banco Central era ex-presidente do BankBoston e o ex-ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, era um grande exportador.

Neste ano, Schwab quer dar um lugar de honra a Lula. “Eu conheci Lula 20 anos antes de ele ser presidente e já me diziam que ele seria o líder do País”, afirmou o fundador de Davos. Além do prêmio, o Brasil terá uma sessão inteira dedicada ao futuro do País, com a participação de empresários e de Meirelles.

“O Brasil será a quinta maior economia do mundo até 2020″, disse Schwab. Questionado sobre os desafios do Brasil nos próximos quatro anos, Schwab se recusou a responder. “Acho melhor deixar isso para Lula.”

Jamil Chade/Estadão

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Pro dia nascer melhor – 18/01/2010

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Haiti e a presença do Brasil no Caribe

Apesar das críticas iniciais, à época, das oposições, Lula acertou quando, atendendo a mandato da ONU, enviou tropas brasileiras ao Haiti. Agora, quando do catastrófico terremoto, a presença das Forças Armadas do Brasil representa o que de melhor os brasileiros somos capazes.
O editor


Ninguém poderia ter previsto com precisão o terrível terremoto no Haiti, ainda que especialistas tenham advertido para a possibilidade. E seria também intelectualmente tortuoso tentar usar fatos pouco previsíveis de agora para justificar uma decisão tomada lá atrás.

Mas algo é inegável: é ótimo que o Brasil e suas Forças Armadas estejam hoje bem instalados em terras haitianas. É a partir da posição brasileira ali que a comunidade internacional poderá intervir para evitar o caos absoluto.

Houve algumas resistências internas quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com mandato da Organização das Nações Unidas, decidiu mandar tropas para a nação mais miserável das Américas, na esteira de uma conturbação política.

Uns acusaram o Brasil de oferecer braços para manter a dominação colonial. Outros recorreram a uma crítica mais habitual. Por que gastar lá fora um dinheiro que poderia ser bem empregado aqui dentro, para coisas supostamente mais importantes?

O destino, com seus critérios obscuros, e neste caso trágicos, acabou transformando a empreitada haitiana num dos mais importantes investimentos desta administração no campo das relações internacionais.

O Brasil é agora o jogador-chave no cenário da tragédia. E não era automático que fosse assim. A América Central não é área de influência natural nossa.

Se há hoje ali uma disputa, é mais entre os Estados Unidos e a Venezuela, ainda que esta tenha perdido impulso depois do revés hondurenho. Sem falar nas dificuldades econômicas que atravessa o país de Hugo Chávez.

O Haiti é um lugar onde o governo brasileiro vem fazendo tudo certo (outro, após tropeços iniciais, é a Bolívia). Metemo-nos ali depois de chamados, e com amplo respaldo internacional.

Quando decidimos entrar, foi para valer, mas com jeito. Teve até jogo da seleção brasileira em Porto Príncipe. E nossas tropas têm executado a missão com profissionalismo, sem os incidentes comuns em situações como essa, de quase ocupação.

Há um imenso espaço a preencher nas Américas, desde que os Estados Unidos estão mobilizados por outros vetores, como a guerra contra o terrorismo. É a hora do Brasil.

Claro que sempre haverá tensões e divergências na relação do dia a dia com a superpotência, o que é normal. Parceria não é submissão. Mas é uma oportunidade de ouro que a situação tenha conduzido a isto: a consolidação da liderança regional, e ampliada, do Brasil interessa também, e muito, à Casa Branca.

E com a vantagem de o presidente americano ser Barack Obama. Sempre será mais fácil defender a legitimidade de uma cooperação com ele do que seria com outro qualquer.

blog do Alon

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Só falta o Moto Rádio

Grande ano, 2009, para o presidente Lula. Só não se pode dizer que melhor, impossível, porque, quando se trata de Lula, nada é impossível. Com seus poderes e uma estrela que vou te contar, ele deverá prolongar 2009 até a Copa do Mundo ou tornar 2010 ainda melhor para ele.

O jornal francês “Le Monde” elegeu-o “o homem do ano”. O espanhol “El País“, “a personalidade” idem. O inglês “Financial Times“, um dos 50 da década.

Antes disso, Barack Obama disse que ele era “o seu cara”, o que o Brasil entendeu como se ele fosse “o cara”. E o que dizer dos 72% de aprovação popular no sétimo ano de governo?

Quando, normalmente, os mandatos presidenciais já começam a azedar, o de Lula está mais fresco e perfumado do que nunca.

Ruy Castro/Folha de S. Paulo

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