Humor Crítica Índio pescando lata de sardinha Biratan

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Golpe tucano

Sob a liderança do PSDB, os ruralistas tentaram dar um golpe ontem no processo de votação do Código Florestal. A discussão do Código em si já é uma ameaça.

Pior é o golpe tucano, porque ele tentava atropelar tudo e votar já a anistia para desmatadores e a permissão de plantar espécies exóticas na Amazônia. O barulho das sirenes do Greenpeace parou a votação, por uma semana.

O mundo todo está discutindo como proteger as florestas tropicais, um dos itens centrais da maior e mais aguardada negociação climática do mundo. E no Brasil há uma escalada na direção oposta: a de como destruir mais facilmente.

O golpe tucano foi imaginado assim: o Código Florestal tem várias ideias ruins, mas está ainda no começo do processo. Das 45 sessões, foram realizadas apenas três. No debate democrático pode, quem sabe, ser melhorado. É uma esperança. O golpe foi pegar um outro projeto que está quase terminando a tramitação, colocar nele todas as ideias floresticidas e votar, atropelando o novo Código.

O instrumento usado para o golpe foi o PL 6.424, do senador do PSDB Flexa Ribeiro, que desde 2005 tramita no Congresso. Ele surgiu de uma péssima ideia do senador: usar palmácias em vez de espécies nativas na recomposição da reserva legal de 80% na Amazônia.

O projeto abria espaço para que a Malásia, que já fez um enorme estrago por lá, plantando palmas em áreas de vegetação nativa, viesse fazer o mesmo no Brasil. Assim, quem desmatou mais do que os 80% permitidos poderia constituir reserva legal com essas plantas exóticas. Seria um convite ao desmatamento para a plantação de espécies com uso comercial.

O projeto de Flexa Ribeiro foi aprovado no Senado e estava dormindo na Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Recentemente, a bancada ruralista depôs o relator e nomeou o deputado Marcos Monte, do PSDB de Minas. O substitutivo dele é coincidentemente muito parecido com um documento da Confederação Nacional da Agricultura.

Se fosse aprovado na Comissão de Meio Ambiente da Câmara — recentemente dominada pelos ruralistas — não precisaria ir para o plenário, poderia voltar para o Senado na reta final da aprovação. Aí nem seria necessário mais discutir o Código Florestal porque aquelas ideias já estariam no projeto.

Em torno do substitutivo juntaram-se ruralistas de outros partidos e o presidente da Comissão, deputado Roberto Rocha, do PSDB do Maranhão. Queriam pôr em votação de qualquer maneira ontem.

Foi quando os manifestantes do Greenpeace se acorrentaram nas mesas com o corpo cheio de sirenes. O barulho acordou algumas lideranças tucanas e a votação passou para a semana que vem, mas como único item da pauta.

O que diz o projeto floresticida? Pelo cálculo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, a proposta representaria a anistia de quem desmatou algo como 34 milhões de hectares na Amazônia e no Cerrado, inclusive em áreas de preservação permanente.

Miriam Leitão/O Globo

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Câmara aprova projeto com novas regras para compra de terras na Amazônia

A Câmara dos Deputados aprovou ontem restrições para a compra de terras na Amazônia por estrangeiros. O projeto de lei, que será analisado no Senado, estabelece que o estrangeiro deve residir no Brasil há dez anos. Ele só poderá adquirir uma propriedade de até 15 módulos fiscais (uma média de cerca de 1.140 hectares, na região). Hoje, o limite é de 50 módulos fiscais.

Para o deputado José Genoino (PT-SP), relator na proposta aprovada em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a nova lei servirá para impedir “grandes domínios” estrangeiros.

Com a limitação de compra por indivíduo, o projeto de lei contempla uma das medidas que o governo queria implantar no auge da polêmica sobre a “invasão estrangeira” da Amazônia.

A proposta que o Executivo elaborou em setembro — mas desistiu de enviar ao Congresso para não afugentar investimentos durante a crise econômica internacional — também previa reduzir de 25% para 10% o limite geral de posse estrangeira em municípios da Amazônia.

De Leila Suwwan/O Globo

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Os caças do Brasil

Por Cel. Hiram Reis e Silva ¹

“A guerra não é mais para instalar outro modelo econômico: ela é o modelo”. (Dario Azzelini)

- Esclarecimentos – Projeto F-X2

“O Comando da Aeronáutica informou aos fabricantes finalistas do Projeto FX-2 (Boeing, Dassault e SAAB), nesta semana (8/9), que será possível apresentar propostas de melhoria dos quesitos que fazem parte do processo de seleção dos novos aviões de caça para a defesa do país.

Em nota divulgada nesta semana, o Ministério da Defesa informou que a negociação com os três finalistas prossegue com a possibilidade de aprofundamento e redefinição das propostas apresentadas”.

- Caças

“Não podemos comprar um avião caça sem possuir a tecnologia e é justamente porque pensamos em produzir uma parte deste avião no Brasil. Temos uma importante empresa que é capaz de fazê-lo”. (Presidente Luiz Inácio Lula da Silva)

A corrida armamentista, como sempre, devido aos valores astronômicos envolvidos, é carregada de escândalos, tramas de toda ordem, declarações estapafúrdias por parte das autoridades e argumentos inverossímeis dignos de um enredo de 007. Mas desta vez, achamos, que as tratativas estão tomando o rumo certo.

A França resolveu rever o alto custo dos 36 caças Rafale, ponto mais desfavorável aos franceses na disputa com os fornecedores suecos (da Saab) e americanos (da Boeing), e, também, conceder ao Brasil exclusividade nas vendas do jato na América Latina para que o acordo seja firmado.

Os americanos reagiram, imediatamente, e informaram ao governo brasileiro que a proposta de transferência de tecnologia só foi aprovada pelo Congresso norte-americano no último dia 5 setembro.

“A Missão dos Estados Unidos no Brasil recebeu diversas indagações sobre a situação da proposta da Boeing para a concorrência dos caças FX-2. Entendemos que uma decisão final ainda não foi tomada em relação ao vencedor do contrato. O F/A-18 Super Hornet é um caça de avançada tecnologia testado em combate e acreditamos que é o melhor em comparação com seus concorrentes. O governo dos EUA apóia totalmente a venda do F/A-18 Super Hornet à Força Aérea Brasileira.

(…) Isso significa que a aprovação do Governo dos Estados Unidos para transferir ao Brasil as tecnologias avançadas associadas ao F/A-18 Super Hornet é definitiva. O governo aprovou também a montagem final do Super Hornet no Brasil.”

- Submarinos nucleares

Segundo o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia: “A questão essencial nessa escolha (submarinos franceses) é a troca de tecnologia, que os outros países não fizeram. Não vamos mais às compras, mas vamos co-produzir os nossos armamentos. E isso tem importância para o atual quadro de defesa da América do Sul”.

“O Brasil está prestes a adquirir da empresa estatal francesa DCNS (Direction des Constructions Navales Services) cinco submarinos pagando dez vezes o valor que poderia desembolsar se tivesse aceitado a proposta da empresa privada alemã HDW (Howaldtswerke-Deutsche Werft)”.

(O GLOBO)

O jornal O Globo, não menciona que a proposta alemã era apenas para a construção de dois submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica) e que a Marinha alemã não pode transferir tecnologia de construção de submarinos nucleares porque simplesmente não a possui.

A proposta francesa, por sua vez, inclui a construção, no Brasil, de quatro submarinos convencionais, que, através de transferência de tecnologia, capacitarão o País fabricar seus próprios submarinos com propulsão nuclear.

A proposta inclui, também, a construção de um estaleiro para a fabricação de submarinos e de uma nova base naval, para os submarinos nucleares. A tecnologia nuclear do submarino será integralmente nacional, desenvolvida pela Marinha do Brasil.

- Cel Gélio Fregapani

Mais uma vez me socorro da lucidez e do conhecimento estratégico militar de meu caro amigo Coronel Gelio Fregapani sobre a análise sobre a compra dos caças e submarinos nucleares pelo governo brasileiro transcrevendo parte de se Comentário nº 50, de 13 de setembro de 2009.

- Si Vis Pacem Bellum

“Se nosso objetivo é dissuadir, torna-se imperioso fazer com que o preço de qualquer agressão seja mais caro do que o possível lucro. Isto inclui a capacidade de causar danos na defesa e a capacidade de retaliar. Dentro dessas premissas, concluímos:

1. A melhor forma de dissuadir uma agressão é poder responder (retaliar) com um ataque nuclear. Quem tiver armas atômicas e meios de lançá-las sobre o país do agressor, estará livre de ataques militares e até mesmo de pressões insuportáveis. Submarinos nucleares sempre terão sua importância, mas só serão eficiente arma de dissuasão se dotados de mísseis com ogivas nucleares, capazes de atingir, das proximidades da costa, centros vitais do país agressor. Aumentando as tensões, teria que ‘viver’ no mar, incógnito, para evitar ser destruído no porto.

2. Se tratando de aviões, os únicos que poderiam retaliar seriam os Sukoy russos, pela autonomia. Para o combate, como plataformas de tiro, melhores ou piores, todos cumprem satisfatoriamente suas missões. O desempenho depende mesmo é do armamento e dos ‘avionics’. Contra um inimigo infinitamente superior, independente do tipo da aeronave, não teríamos chance de vitória ou de causar dano expressivo, mas provavelmente os nossos seriam destruídos ainda em terra. Neste caso a sobrevivência dependerá do sucesso em ocultar o local de guarda, o que favoreceria a escolha de aviões de pouso e decolagem vertical, mesmo em detrimento de outras características. Ainda assim, quaisquer dos que comprarmos serão úteis para manter a respeitabilidade entre e os vizinhos e, principalmente, para inibir (e combater), firmas de segurança tipo Blackwaters e Halliburton eventualmente contratadas pelas ONGs indigenistas para garantir a independência das reservas.

3. Em terra, não há como se enfrentar, em campo raso, exércitos infinitamente superiores, mas podemos desafiá-los com guerrilhas na selva, nas cidades e nos sertões, desde que haja população brasileira no local. Ainda que seja mínima a capacidade de retaliação – a não ser sobre os aliados do país mais forte – a capacidade de causar dano, de cobrar um preço caro demais pela agressão, dependerá de adequarmos o armamento, o equipamento e os procedimentos para a nova realidade.

A mobilidade ainda crescerá de importância, mas não as blindagens; motociclos e ‘boogies’ armados com mísseis devem substituir os dispendiosos e vulneráveis carros de combate (tanques). De vital importância serão os mísseis portáteis e as armas manejadas e controladas a distância, as minas e o jogo de sensores. Entretanto a chave da vitória será sempre a existência de uma população local, armada e imbuída de decisão de defender a Pátria. Só isto que deixa uma região inconquistável.

Isto evidencia o erro estratégico de interditar a fronteira aos não-índios. Só poderemos reverter a bobagem que fizemos, permitindo garimpos nas reservas”.

- Parceria com a França (Cel Gélio fregapani)

“Há lógica na definição da parceria militar com a França. Lógica, comercial, mas principalmente política. A França e o Brasil se unem, não contra os EUA, mas de alguma forma para fugir da sua influência.

Na época da bipolaridade, razões históricas e geográficas nos colocaram como aliados menores (satélites) dos EUA, o que, se não foi vantajoso pelo menos cumpriu a finalidade da segurança. Com a queda do mundo comunista, todos ficaram na incomoda posição de subordinação à hegemonia Norte-Americana, reconheçamos, bem mais suave do que as anteriores, mas nela não mais havia motivo para contemporizar com seus aliados e se ampliaram as desconfianças pré-existentes na medida em que disputavam o controle dos recursos naturais. Mesmo antes da crise, o futuro já apontava para uma tendência ao poder multipolar, cada grupo com um líder e seus satélites.

Numa comparação doméstica, Colômbia e Peru aprofundam a sua ligação com os EUA, aliás, de dependência. A Venezuela, o Equador e a Bolívia voltam-se para a Rússia, em alianças também desequilibradas, enquanto o Brasil tende a optar pela França, formando um bloco onde ambos os parceiros tem a mesma importância.

A orgulhosa França secularmente procura não se submeter a hegemonias, mas mesmo sendo um dos mais sofisticados tecnologicamente, não dispõe de base física para, sem alianças, ser um dos pólos de poder mundial. O Brasil, um país continental, com a Amazônia, mercado crescente, com produção agrícola, biocombustíveis e agora com o pré-sal, sem falar das maiores jazidas de urânio do planeta, torna-se para a França, o parceiro ideal. Poderia também ser o parceiro ideal para outras potências tecnológicas sem a base física, pois nenhum bloco pode ser significativo sem os recursos naturais de um país-continente. Foi uma questão de escolha.

Na parceria houve interesse estratégico. Para nós, a certeza da transferência de tecnologia propiciará o avanço que almejamos e em troca a França certamente visa, mais do que a mercados, ao acesso a recursos naturais escassos no mundo, entre os quais, sou capaz de apostar, o urânio. Vale lembrar que a França é uma potência nuclear. Por que não podemos ser também?

Prosseguindo esta parceria como esperamos, será formado um novo centro de poder a altura dos demais, mas onde os parceiros serão iguais e complementares”.

¹ Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

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Amazônia a venda

Blog do Mesquita - Humor Cartuns Amazônia Venda de Terrenos

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Os Rafales e a cobiça internacional

Ponto para o presidente Lula ao justificar a mega-compra bélica na França como forma de defender o pré-sal e a Amazônia. Toda longa marcha começa pelo primeiro passo.

O importante na decisão de equipar não propriamente melhor, mas menos pior, nossas forças armadas, foi o reconhecimento de duas evidências até agora encobertas pelas elites nacionais: o petróleo tem sido causa maior de sucessivas guerras e invasões no planeta, de um lado, e, de outro, a cobiça internacional permanente que ameaça a floresta amazônica.

O governo Lula passa a admitir aquilo que a administração neoliberal de Fernando Henrique desprezava e até açulava. Mesmo assim, haverá que mantermos os pés no chão. Décadas passarão antes que o Brasil se considere preparado para defender a Amazônia e para impedir que o pré-sal venha a ser disputado pelas grandes potências.

Tome-se a compra dos caças de última geração, os Rafales, que vamos receber da França em prazo não inferior a cinco anos. Serão 36. Basta atentar para o fato de que um simples porta-aviões dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Rússia e da própria França carregam, cada um, perto de 90 caças de igual potencial aos que agora adquirimos a prestação.

Só na comparação com os Estados Unidos, 900 caças moderníssimos poderiam estar sobrevoando a Amazônia em quinze minutos, se dez dos porta-aviões que Washington possui chegassem ao nosso litoral ou estacionassem numa das sete bases instaladas na Colômbia. Para não falar do Peru.

Vale o mesmo para o submarino nuclear que veremos terminado dentro de dez anos. Só a ex-União Soviética deixou enferrujar quinze deles quando submergiu como potência mundial. Mas a Rússia conservou pelo menos outros vinte, em pleno potencial de ação. Os americanos possuirão mais de trinta, contra o nosso ainda fantasma no papel.

Não adianta ser pessimista numa hora dessas. Melhor acender um fósforo do que amaldiçoar e lamentar a escuridão, de onde podemos estar saindo. O governo Lula deu a partida, reconhecendo as ameaças à nossa soberania e às nossas riquezas, é o que importa.

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

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A Marinha do Brasil prepara a criação de uma segunda esquadra. Já decidiu que a base será o mais próximo possível da foz do Rio Amazonas.

É uma mudança estrutural, a primeira do gênero em 115 anos, desde que Floriano Peixoto, o segundo presidente do período republicano, confinou a esquadra nacional ao Rio de Janeiro por razões políticas.

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Por Hiram Reis e Silva ¹

“Enquanto Lula fica se imiscuindo nos problemas da vizinha Colômbia, fazendo coro com o lunático do Chávez, vendo ameaça aonde não existe, dois Estados brasileiros correm grande perigo de fato com os projetos do índio cocaleiro, que afora estar usando da violência para expulsar agricultores brasileiros do território boliviano, está colocando em risco nossas fronteiras ao criar assentamentos para plantação de coca, o que irá incentivar ainda mais a violência e o crime na região. E Lula preocupado com Uribe”.

- Assentamento de Cocaleiros

Neste final de semana, aviões da Força Aérea Boliviana aterrissaram no Aeroporto Internacional de Pando, transportando centenas de cocaleros que ocuparão lotes de terras na fronteira do Acre. O projeto de reforma agrária de Evo Morales prevê o assentamento de quatro mil plantadores de coca nas áreas de fronteira, ocupando, numa fase inicial do projeto, cem mil hectares.

Os assentamentos na região da fronteira agravarão os ilícitos decorrentes da rota do tráfico internacional. Os cocaleros, certamente, irão incentivar o tráfico no território brasileiro, aumentando significativamente os índices de criminalidade.

- Nación Camba

A ‘Nación Camba’ é uma região da Bolívia Oriental que cobre dois terços do país e é formado pelos Estados de Santa Cruz, Beni, Pando, e Departamentos de Chuquisaca e de Tarija. Em pouco mais de um século a região se converteu na primeira potência econômica do país graças, sobretudo, à venda do gás e da soja. As características históricas e culturais singulares existentes entre o Altiplano boliviano e as Zonas Baixas deram origem a movimentos autonomistas e separatistas. Evo, ao deslocar seus simpatizantes antes das eleições para Pando, neutraliza as correntes políticas que lutam pela independência e procura garantir sua reeleição.

- Enfretamento

Morales afirma que seu projeto de assentamento visa a manutenção da soberania ameaçada pelos brasileiros, assumindo uma clara postura de quem não ficou satisfeito com a solução relativa à questão das refinarias da Petrobras e de quem contesta o Tratado de Petrópolis, que pos fim à Questão Acreana.

Numa verdadeira operação militar, os brasileiros estão sendo expulsos e os plantadores de coca ocupam, de imediato, terras que pertenciam a agricultores brasileiros.

“(…) Prado (deputado estadual do PSB) disse que está surpreso com a ONU, pois um de seus braços auxiliares, a Organização Internacional para Migrações (OIM), está atuando com truculência no deslocamento das famílias de brasileiros. Além disso, Prado quer saber o que está sendo feito com os dez milhões de dólares que o Governo brasileiro repassou à OIM e que deveriam custear o deslocamento das famílias. ‘Não estão indenizando ninguém e ainda extorquem e fazem ameaças’, acusa o deputado.

Segundo relato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Plácido de Castro, Francisco de Assis, quando alguém pergunta aos funcionários da OIM o que acontecerá, caso não queiram deixar suas terras, a resposta é a mesma: então podem ir preparando o peito para a bala.

‘Eles usam um uniforme com o emblema da OIM e são de cinco nacionalidades diferentes, mas não tem nenhum brasileiro’, informa Sebastião Vieira de Pinho, presidente da Associação dos Seringueiros de Plácido de Castro. Sebastião, 42 anos, mora desde os três em uma propriedade de mil hectares onde sobrevive do extrativismo de borracha e castanha. ‘Toda a produção de borracha de Plácido de Castro vem dos seringais da Bolívia’, explica. No ano passado, a associação, de 40 famílias, produziu 150 toneladas de borracha e 29 mil latas de castanha.

O vereador Raimundo Lacerda (PC do B) de Brasileia, também teme que os ânimos se exaltem nas colocações mais distantes por falta de comunicação. ‘Tem gente que passa seis meses sem vir à cidade e pode ser vítima de especuladores interessados em ficar com suas propriedades. Tem muitos falando que não vão sair. Além disso, a população de Brasileia está indignada e querendo expulsar os bolivianos. Aí vão médicos, dentistas, enfermeiros que trabalham lá’, disse”. (Arthur/Gabriela)

Enquanto isso, o governo ‘companheiro’ cede aos pedidos de Fernando Armindo Lugo de Méndez, do Paraguai, propondo a alteração de Tratado de Itaipu e sugere a ‘convocação’ do Presidente dos EUA para discutir o aumento da presença militar norte-americana na Colômbia. O governo parece estar mais preocupado com seus vizinhos do que com seus próprios cidadãos.

¹ Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Site:
http://www.amazoniaenossaselva.com.br

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O singular presidente Hugo Chavez prepara nova investida retórica contra a Colômbia, pelo fato daquele país haver permitido aos Estados Unidos implantarem em seu território mais quatro bases militares. Serão “marines” e paraquedistas aos montes, mais mísseis, tanques e toda a parafernália bélica da maior força armada do planeta. Sem falar na recém-criada Quarta Frota Naval patrulhando as costas da América do Sul, pouco inclinada a chegar perto do litoral africano.

Terá o presidente da Venezuela motivos para ficar temeroso, mas a pergunta que se faz é: “e nós?” Nós somos chefiados pelo “cara”, o presidente mais admirado por Barack Obama, alguém, tão confiável para os gringos a ponto de servir de exemplo para o resto do mundo.

Só que a Colômbia não faz fronteira apenas com a Venezuela. Está colada no Brasil em milhares de quilômetros de selva desabitada. E sem esquecer que a Quarta Frota poderá desestimular aventuras pouco claras do coronel Chavez, mas, também, navegar por cima das mais fabulosas reservas de petróleo descobertas no nosso pré-sal. Um pouco de atenção não faria mal ao ministro Nelson Jobim, até porque os submarinos a ser construídos na França levarão dez anos para cruzar o Atlântico, enquanto os caças franceses que vamos comprar não terão autonomia para voar de Paris até a Amazônia…

Carlos Chagas – Tribuna da Imprensa

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Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia

Até hoje eram conhecidos 25 casos de guerrilheiros mortos; relato do oficial confirma e dá detalhes da perseguição

Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas.

Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.

Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. Muitos se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ocorreram disparos.

Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PC do B – a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar.

O que foi a guerrilha do Araguia

Leia mais…

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O midiático ministro do colete, ops!, do Meio Ambiente, Carlos Minc, encontrou quem, como diz o “neo-neologista” Galvão Bueno, quem o “encare de frente”!

De dentro dos coloridos, bregas e ribaltinos coletes, sua (dele) ex-celência, procura “ambiente” que venha a garantir sua (dele) periclitante chance de se reeleger deputado pelo Rio de Janeiro.

Apesar de pertencer ao DEM — continuo acreditando ser gozação chamar de democrata um partido, filhote do PFL, onde pululam Marco Maciel, Ronaldo Caiado, os herdeiros do soba baiano ACM e outras “democráticas” figuras — a lúcida e emblemática Senadora Kátia Abreu desmonta toda e qualquer argumentação do ministro na questão da posse das terras na Amazônia.

O editor

Mais sintoma de uma pré-campanha eleitoral do que “grito” de ambientalista. Para a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os ataques do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aos ruralistas e aos colegas de Esplanada têm motivação eleitoral. “Ele está montando o circo para ganhar a eleição. Está com problemas de eleição no Rio.”

Kátia não ficou convencida com a demonstração de reconhecimento público feito por Minc, que afirmou ter se excedido ao chamar os ruralistas de “vigaristas” na semana passada e que iria buscar entendimento com a senadora. “Minc não pode se auto absolver; a mim, ele não engana”, disse.

De acordo com a senadora, o melhor era que o assunto se encerrasse, pois, segundo ela, está se estendendo demais. “Não quero fulanizar o tema, mas mantenho a posição de início até que esse senhor mude de comportamento”, afirmou. Para a presidente da CNA, como ministro de Estado Minc age mal não só ao expor o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como também os demais ministros.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente revelou a jornalistas que, em encontro reservado com o presidente, demonstrou insatisfação em relação a alguns colegas. Ao Estado, chamou o governo de “casa da mãe joana”.

A presidente da CNA disse ter notado nas entrelinhas do discurso de Minc certa ironia. “Ele disse que falaria até com os ruralistas. Por que esse até? Não somos criminosos”, justificou. Kátia também afirmou que não está disposta a ouvir elogios do ministro, mas se mostrou disponível a conversar, assim que ele deixar de lado as ironias e vulgaridades.

Ontem, o ministro fez a seguinte pergunta: “Ora, se fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por que não posso fazer com a senadora Katia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada?”

Célia Froufe – O Estado de São Paulo

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Amazônia urbana
por Ateneia Feijó

A retirada dos não-índios da Raposa Serra do Sol ainda pode render mais algumas histórias. O que é natural. Com a reserva indígena decretada, inicia-se um novo ciclo e novas opiniões. Dou-lhes uma: “Saiam da Amazônia! Se a terra foi garantida para os índios, que a cultura deles também seja garantida.” Não, não sou eu quem está dizendo, mas assinaria embaixo. E quem diz, então? O escritor manauense Milton Hatoum, conhecedor como poucos do mundo amazônico. Filho de imigrantes libaneses, nasceu em Manaus em 1952 e é ganhador de três Jabutis, o mais prestigiado prêmio literário no Brasil.

Suas palavras no parágrafo acima têm a ver com sua posição totalmente contrária à presença de evangélicos e quaisquer missionários na reserva Raposa Serra do Sol. Em entrevista à revista de História da Biblioteca Nacional deste mês, ele também ressalta que não se pode proibir o Estado de entrar em terras indígenas e se diz a favor de uma ocupação das fronteiras pelo Exército e pela Marinha.

Por quê? Para começar, os povos das fronteiras não são apenas brasileiros. Os índios do Alto Rio Negro, por exemplo, também são colombianos. Costumam se expressar no idioma próprio de sua tribo, falam tukano (etnia hegemônica), língua geral (nheengatu), português e alguns se comunicam em espanhol. Poliglotas. Inacreditável? Estive várias vezes por lá e pude constatar essa realidade desconhecida da maioria dos brasileiros.

Para se ter uma idéia, em São Gabriel da Cachoeira, o terceiro maior município do país, com 109.180 km² de extensão, 90% da população é indígena; prefeito tariano e sub-prefeito baniwa. Todos estão inseridos na vida econômica, política e cultural da região como agricultores, comerciantes, bancários, professores, vereadores, artesãos, pajés, militares, etc. Informatizados, têm internet e vivem misturados com os não-índios. Lá no Alto Rio Negro, fronteira com Colômbia e Venezuela, na chamada Cabeça do Cachorro.

Mas esse tipo de assunto parece interessar pouco aos outros habitantes do Brasil. E por me deparar volta e meia com posições sem pé nem cabeça relativas à Amazônia, fez-me um bem danado ler a entrevista de Milton Hatoum. Ele se queixa da visão estereotipada que estrangeiros e brasileiros têm do tema. Das pessoas não perceberem que existem “muitas Amazônias”. E daí não admitirem que certas paisagens como as existentes em Roraima são totalmente diferentes das do médio Amazonas ou do Alto Rio Negro.

Outra coisa que o incomoda bastante é as pessoas do Brasil e do resto do mundo ignorarem a Amazônia urbana. Desconhecerem que cerca de 80% dos habitantes amazônicos estão nas cidades. “Metade de Manaus não tem água, e o maior rio do mundo está logo ali. Isso para mim é gravíssimo.” Alguém tem dúvida de que Hatoum está com a razão? Porém, atenção. Nada disso significa que despreze a luta e propostas interessantes de preservação ambiental. Ele acredita que o manejo florestal é totalmente possível. Concorda com opções que vão de perfumes e cosméticos a plantas medicinais e uma variedade enorme de frutas. Entretanto, ressalta, tem que envolver os pesquisadores que moram na região. Gente do Museu Goeldi, do Inpa, da Embrapa, das universidades. “Infelizmente, essas pessoas não são ouvidas”, lamenta.

E enfatiza que o estado do Amazonas preservou a floresta e destruiu a cidade. Algo que passa ao largo dos ecomilitantes. Manaus era ocupada por 300 mil pessoas em 1968 e hoje tem quase 2 milhões de habitantes; por causa da criação da Zona Franca, evidente. O crescimento caótico a transformou numa cidade violenta. Que não impediu a atração de executivos e técnicos de outras partes do Brasil (principalmente paulistas), coreanos, japoneses…

Quer dizer, a memória urbana manauense foi arrasada. E se Hatoum não contasse, poucos cariocas saberiam agora que havia uma linda praça em Manaus, a praça São Sebastião, “com pedras portuguesas, cujo desenho de ondas pretas e brancas inspirou Burle Marx para fazer o calçadão de Copacabana”. Você sabia?

Ateneia Feijó é jornalista e escritora. Trabalhou nos principais jornais e revistas do país – entre eles a extinta Manchete, o Jornal do Brasil e o Correio Braziliense.

blog do Noblat

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