O Big Brother — não o do chatíssimo Bial mas o do genial George Orwel —, deixa de ser uma ficção restrita ao romance 1984.

O ameaçador romance entre o Google e Barack ObamaBarack Obama e GoogleUm espectro ronda o mundo: o relacionamento cada vez mais próximo do Google com o futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Isso só pode acabar mal. Quando uma empresa começa a se envolver diretamente na política, quem paga o pato somos nós. Sempre.

As corporações (pequenas, médias e grandes) têm como único objetivo ganhar dinheiro – e o Google não foge disso. Cá entre nós, o sistema legal e as instituições dos países muitas vezes aparecem para os empresários como um entrave aos seus negócios. Aí, só restam duas opções.

A primeira é aceitar as coisas como elas são e ganhar menos grana do que o esperado. Por que você acha que o pessoal de Mountain View aceitou se submeter às regras do regime ditatorial da China? Não dava para ignorar um mercado de mais de 1 bilhão de pessoas com crescimento econômico recorde… A segunda alternativa é dar um jeito de alterar essas estruturas e estourar a banca. Que modo melhor de fazer isso do que tornar-se amigaço do Obama?

Para quem tem memória curta, no ano passado o Google quase tomou uma pancada do Departamento de Justiça dos EUA quando tentou firmar um acordo de publicidade com o Yahoo!. A empresa estava prestes a ser classificada como um monopólio quando resolveu voltar atrás, com medo de ver a sua fama de “superlegal” ser destruída (a Microsoft, que já passou por isso, que o diga). Mas tudo poderia ter corrido bem em Washington se houvesse um maior número de compadres.

As provas de que o Google tenta estreitar laços com Obama são muitas. Seu CEO, Eric Schmidt, declarou apoio ao democrata e ajudou na campanha pela sua vitória (ele fez a ressalva de que a empresa continuava neutra, mas você acreditou? Tsc… tsc… tsc…). Tem mais. O Google vai fazer uma festa no dia da posse de Obama (disseram que será um evento também voltado para os republicanos… Hum… Sei…). Por falar nisso, seis dos seus executivos – Eric Schmidt, Larry Page, Marissa Mayer, Chad Hurley, Richard Costolo e David Drummond – doaram um belo dinheiro (US$ 25 mil cada um) para a cerimônia de posse do futuro presidente americano.

Bem, e o que nós temos com isso? Tudo. Nenhum político é bobo. Aqueles que se deixam influenciar sempre pedem algo em troca. E é aí que mora o perigo. Obama pode mudar uma regrinha aqui e ali para alegrar o Google. Depois, vai cobrar o que achar que deve, como, por exemplo, o acesso aos dados de milhões de usuários que estão nos servidores da empresa. Aí você pode dizer: “Imagina, o Obama é joia”. Dá no mesmo. Porque os republicanos um dia vão assumir a presidência e podem querer se vingar desse namoro declarado. Como? Obrigando o Google a abrir a caixa preta de seus servidores.

da Info Online

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Recebi este excelente texto, que reproduzo abaixo, mas, infelizmente sem identificação do autor. É uma reflexão prá lá de pertinente, no momento em que a chamada web2 vai se tornando mais presente como mídia interativa. Os regimes praticantes do “olho do grande irmão”, a “olímpicamente ditatorial China, por exemplo, se movem para tentar estender seus (deles) tentáculos, para controlarem corações e mentes.

Quando li “1984“, do George Orwell, eu achava graça na idéia de que todas as edições do jornal oficial fossem reimpressas a cada mudança da conjuntura política, para adequar o relato do passado às conveniências do presente. Era um absurdo, naqueles tempos inocentes do século passado.

Ele descrevia assim o processo:
“O que acontecia no labirinto invisível ao qual levavam os tubos pneumáticos, ele não sabia em detalhes, mas sabia em termos gerais. Assim que todas as correções que se fizessem necessárias em qualquer edição familiar do ‘The Times’ tivessem sido coligidas e reunidas, aquele número seria reimpresso, a cópia original destruída e a cópia corrigida colocada nos arquivos em seu lugar.

Este processo de alteração contínua era aplicado não só aos jornais, mas a livros, periódicos, panfletos, pôsteres, folhetos, filmes, trilhas sonoras, desenhos animados, fotografias – a todo tipo de literatura ou documentação que pudesse concebivelmente ter algum significado político ou ideológico.

Dia a dia, e quase minuto a minuto, o passado era atualizado. Desta forma, toda previsão feita pelo Partido poderia ser demonstrada como correta por todas as evidências documentais, e nenhum registro de notícia ou nenhuma expressão de opinião que conflitasse com as necessidades do momento seria permitido. Toda história era um palimpsesto, apagado e reescrito exatamente com a freqüência que fosse necessária. Em nenhum caso seria possível, quando isso fosse feito, provar que qualquer falsificação tivesse ocorrido.”

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