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Ridículo – Nova missão de Cunha: a paz no Oriente Médio quarta-feira, 10 de junho de 2015

Após dar sucessivas demonstrações de que é o poder de fato em Brasília, Eduardo Cunha ofereceu aos brasileiros um gostinho do que seria um Brasil oficialmente presidido por ele. Cansado de tanto subjugar o governo Dilma Rousseff, o deputado decidiu colocar seus talentos a serviço do mundo.

Em sua primeira viagem oficial ao estrangeiro, o presidente presumido da República foi procurar desafios novos no Oriente Médio. Encontrou. Eis o título de notícia veiculada no portal da Câmara: “Cunha recebe pedido sobre mediação de paz no Oriente Médio.” O deputado ecoou a novidade no seu Twitter: “Em missão oficial na Palestina, Eduardo Cunha recebe pedido sobre mediação de paz no Oriente Médio.”

No comando de uma comitiva de 13 parlamentares, Cunha reuniu-se com a fina flor do poder palestino. Esteve, por exemplo, com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, e com Riad al-Malki, ministro palestino de Negócios Estrangeiros. Foi esse último interlocutor quem sugeriu à eminência parda do Brasil que promova no Congresso Nacional reuniões com representantes de Israel e da Palestina para negociar um processo de paz na região.

Prenhe de humildade, Cunha deu uma resposta que não orna com a fama de homem-bomba que Dilma tenta grudar nele: “Vou levar essa sugestão para o Brasil, mas Israel e Palestina estão há muitos anos envolvidos no processo, e nós não vamos achar que seremos os proprietários de uma eventual solução dos conflitos. Acho que é importante levar isso ao conhecimento dos parlamentares e, dentro da nossa humilde possibilidade, o que pudermos fazer para contribuir, tenho certeza que o Parlamento vai se sensibilizar.”[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Na véspera, Cunha e seu séquito tinham visitado o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o Legislativo israelense. O resultado fora exposto noutra notícia do portal da Câmara: “Autoridades israelenses pedem apoio a Cunha para manter país na Fifa.” No Brasil, muitos tratam o poder de Cunha como parte do folclore político. Mas Israel, que possui um serviço de espionagem famoso pela eficiência, parece supor que o deputado conhece a Fifa melhor do que o FBI.

Israel estava com o Brasil atravessado na traqueia desde junho do ano passado. Reagira mal a uma crítica de Dilma. Ela classificara como “massacre” os ataques que soldados israelenses faziam contra o território palestino, matando civis. “Há uma ação desproporcional”, dissera Dilma. “Não é possível matar crianças e mulheres de jeito nenhum.” Em resposta, um porta-voz da chancelaria de Israel, Yigal Palmor, dissera que o Brasil é “politicamente irrelevante”, um autêntico “anão diplomático.”

Eduardo Cunha, porém, foi tratado como gigante. Segundo a notícia da Câmara, “recebeu honras de chefe de Estado”. Foi como se as autoridades israelenses quisessem expressar sua gratidão ao Brasil por ter mandado a Jerusalém seu primeiro time, retendo Dilma em Brasília.

Presidente do Congresso israelense, Yuli-Yoel Edelstein saudou Cunha no plenário com um discurso consagrador. “Ele escolheu Israel como destino de sua primeira viagem oficial, um ato simbólico que nos leva de volta ao apoio acolhedor de um estadista brasileiro, Osvaldo Aranha”, disse, evocando a memória do ex-chanceler brasileiro que defendera na ONU, em 1947, a criação do Estado de Israel. Ouviu-se um barulhinho ao fundo. Era o ruído de Osvaldo Aranha se revirando no túmulo.

Muita gente criticou a viagem de Eduardo Cunha ao Oriente Médio, definindo-a como turismo financiado com dinheiro público. Injustiça. A passagem dele pela região desce à crônica política como uma espécie de breve governo Cunha, uma amostra do que seria o Brasil se o poder de fato substituísse o poder de direito.

Até aqui, Eduardo Cunha vinha desafiando apenas a Dilma. Agora, parece decidido a desafiar também o ridículo. Não é o suficiente para levar paz ao Oriente Médio. Mas exige muito mais coragem.
Blog Josias de Souza

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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