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Poluição industrial ameaça sobrevivência das orcas

Baleias assassinas próximas às zonas industriais estão mais ameaçadas“Baleias assassinas” próximas às zonas industriais estão mais ameaçadas

Como se não bastasse confinar e caçá-las, a humanidade também envenena as baleias. O vilão é um poluente industrial banido desde a década de 1970, cujo efeito sobre a fertilidade dos animais é sentido também no Brasil. 

Baleias são animais fascinantes: gigantescas, inteligentes e enormemente sociais. Possivelmente até mais sociais do que nós, seres humanos, pois, se por um lado as admiramos, por outro complicamos bastante sua vida. Como se a caça comercial já não fosse problema suficiente, nós as confinamos e envenenamos.

Um estudo publicado na revista especializada Science lança luz sobre a ameaça mais recente aos mamíferos gigantes: populações inteiras de orcas estariam em perigo por culpa da substância tóxica bifenilpoliclorado (PCB). Segundo a equipe internacional de pesquisadores, os mais atingidos são espécimes das águas do Brasil, Gibraltar e Ilhas Canárias, assim como de regiões do Reino Unido, Japão e nordeste do Pacífico.

O PCB conta entre os organoclorados, possivelmente o grupo mais conhecido entre os 12 piores poluentes industriais. Apelidados em inglês de “the dirty dozen” (os doze imundos), esses compostos tóxicos – que incluem pesticidas, substâncias empregadas em fábricas e subprodutos de processos de queima – foram proibidos em todo o mundo na Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, em 22 de maio de 2001.

Apesar de já ter sido banido desde os anos 1970, até a entrada em vigor do tratado internacional o PCB continuou a ser empregado em muitos países, na produção e utilização de componentes eletrônicos. O composto era muito apreciado como isolante, por ser dificilmente inflamável, quimicamente estável e não conduzir eletricidade.

Apesar de banido há cerca de 40 anos, PCB pode estar presente em eletrodomésticos antigos e não devidamente descartadosApesar de banido há cerca de 40 anos, PCB pode estar presente em eletrodomésticos antigos e não devidamente descartados

Empregado sobretudo nos condensadores encontrados em grande número de aparelhos elétricos, o bifenilpoliclorado também era encontrado em motores ou dispositivos hidráulicos, além de produtos de plástico e borracha, pigmentos e até mesmo em papel para fotocópias.

Em seres humanos submetidos a contato prolongado, a substância desencadeia diversos sintomas diretos de intoxicação, como queda de cabelo e irritação da pele. Acima de tudo, porém, ela é cancerígena e danifica o sistema nervoso e reprodutivo.

“Todo poluente que produzimos acaba no mar”

Medindo até dez metros e apelidadas de “baleias assassinas”, as orcas na realidade pertencem à família dos golfinhos. Os cientistas liderados por Jean-Pierre Desforges, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, examinaram os níveis de PCB de 351 espécimes. Seu tecido adiposo apresentava concentrações de até 1.300 miligramas de PCB por quilo: 50 miligramas por quilo já bastam para prejudicar a fertilidade e o sistema imunológico. 

 

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As mais contaminadas são as populações na proximidade de áreas industriais. Partindo dos níveis de intoxicação ambiental documentados, os pesquisadores desenvolveram um modelo simulando sua progressão futura. A conclusão foi que dez de um total de 19 populações de orcas poderão estar dizimadas pelo PCB nos próximos 100 anos.

As altas concentrações do composto resultam em redução da prole. “Nas áreas contaminadas é raro observarem-se orcas recém-nascidas”, confirma a coautora do estudo Alisa Hall, da Universidade Saint Andrews, na Escócia. Nos casos extremos, o contingente de orcas pode estar extinto dentro de 30 a 40 anos, enquanto nas zonas menos contaminadas, como as regiões ártica e antártica, suas populações deverão crescer.

No entanto os cientistas enfatizam que muitos outros poluentes ambientais podem prejudicar os animais, de substâncias extintoras à base de organofosfato a ácidos perfluoroalquílicos (APFA) e naftalinas policloradas (PCN).

“Todas as substâncias tóxicas que nós produzimos acabam chegando ao mar”, lembra Joseph Schnitzler, da Escola de Veterinária de Hannover. A produção de bifenilpoliclorado foi suspensa, mas o poluente ainda pode ser encontrado em equipamentos mais antigos. Entregar seu descarte a especialistas competentes é a única forma de proteger os mamíferos aquáticos do PCB, frisa o médico.
DW

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