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Pena Filho – Versos na tarde – 21/11/2016

Soneto do Desmantelo Azul
Pena Filho ¹

Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
Depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas

Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço

E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul: azul

¹ Carlos Souza Pena Filho
* Recife,PE – 1929
+ Recife,PE – 1960

 

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