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Zuckerberg pede perdão ao Parlamento Europeu pelo escândalo do vazamento de dados

“Nos últimos anos não fizemos o suficiente para evitar que as ferramentas que criamos fossem usadas também para causar dano”, disse o fundador do Facebook 

Mark Zuckerberg (à esquerda) junto com o presidente do Parlamento Europeu

Mark Zuckerberg (à esquerda) junto com o presidente do Parlamento Europeu AFP

LENTIDÃO FRENTE A INGERÊNCIA ELEITORAL RUSSA

“Em 2016 fomos muito lentos em identificar a ingerência russa nas eleições dos Estados Unidos.” O mea culpa entoado por Mark Zuckerberg em Bruxelas incluiu este aviso. O fundador do Facebook disse estar consciente da importância dos próximos processos eleitorais que o continente viverá, incluindo as eleições para o Parlamento Europeu em maio do ano que vem. Cada novo pleito virou um teste em que se observa com lupa a capacidade do Facebook de combater as notícias falsas e eventuais intromissões estrangeiras. Para o empresário, o desafio é que todas as vozes possam se expressar durante as campanhas com liberdade e em igualdade de condições.

Mark Zuckerberg é hoje um homem solicitado. A classe política empenhou-se nas últimas semanas em colocá-lo sob os holofotes para explicasse pessoalmente aos cidadãos a fuga de dados de 87 milhões de usuários do Facebook. O resultado desses apelos à ordem foi desigual. Zuckerberg foi em abril ao Senado norte-americano, onde entoou um solene pedido de desculpas. O Parlamento britânico exigiu sua presença, mas no lugar dele teve que se conformar em acusar de falta de ética ao diretor de tecnologia da empresa. O último ato dessa turnê do perdão ocorreu na tarde desta terça em Bruxelas, sem coadjuvantes nem dublês. “Ficou claro nos últimos anos que não fizemos o suficiente para evitar que as ferramentas que criamos fossem usadas também para causar dano. Seja no caso das notícias falsas, da interferência estrangeira em eleições ou do mau uso dos dados das pessoas. Foi um erro, e sinto muito”, admitiu Zuckerberg.

 

Depois de uma breve troca de impressões com o presidente do Parlamento, Antonio Tajani, que o recebeu com honras dignas de um chefe de Estado, ambos se encaminharam para a sala onde os líderes europeus os aguardavam. Lá Zuckerberg leu uma declaração de quase 10 minutos em que pediu desculpas pela enésima vez desde que, há dois meses, foi revelado escândalo da Cambridge Analytica, que afetou 2,7 milhões de usuários europeus.

Na rodada de perguntas, ficou claro que Zuckerberg não estava na sede da sua empresa na Califórnia. “A Cambridge Analytica é um caso isolado ou a ponta do iceberg?”, questionou o líder do Grupo Popular (conservador), Manfred Weber. “Talvez nem sequer o senhor controle a sua companhia. Teve que se desculpar 15 vezes em uma década, três delas neste ano, e só estamos em maio”, cutucou Guy Verhofstadt, dos Liberais. O líder belga recorreu à ficção científica e comparou Zuckerberg ao protagonista de O Círculo, um livro distópico sobre uma influente empresa da Internet que viola os limites da privacidade.

Curtido pelo duro corpo a corpo que manteve no mês passado no Senado e na Câmara de Representantes (deputados) dos Estados Unidos, onde prestou depoimentos de mais de cinco horas cada um, Zuckerberg se defendeu com aprumo na sua breve visita ao Parlamento Europeu, sem alterar o semblante, e insistiu em que a maior rede social do mundo aprendeu com os erros. “O Facebook já não é mais uma empresa que espere as denúncias dos usuários, age de forma proativa”, defendeu.

Como quer ser lembrado?

Zuckerberg recordou que no ano passado foram apagadas 30.000 contas falsas na França para evitar intromissões nas eleições que levaram Macron ao Palácio do Eliseu. Destacou que foram bloqueados 200 aplicativos que recolhiam dados, e que muitos outros estão sendo investigados. Assegurou que 99% das mensagens terroristas desaparecem quase imediatamente do Facebook. Louvou ainda o fato de que a empresa chegará a quase 10.000 funcionários na Europa no final deste ano.

Fiel ao roteiro que interpretou em seu país, Zuckerberg não evitou a autocrítica. Reconheceu que o Facebook precisa investir mais em segurança e privacidade, e que as mudanças necessárias para proteger os dados dos usuários “vão demorar”. À sua frente, os interrogadores, mais de uma dezena, viram-se limitados pelo pouco tempo disponível. Uma torrente de perguntas ficou sem resposta, mas Zuckerberg se comprometeu a respondê-las por escrito nos próximos dias.

Da sua passagem por Bruxelas ficará o simbolismo do pedido de perdão aos cidadãos europeus em uma sessão transmitida pela Internet. O diagnóstico da posteridade, exposto por Verhofstadt, foi uma das perguntas sem resposta. “Como o senhor quer ser lembrado: como um gigante da tecnologia, ao estilo de Bill Gates e Steve Jobs, ou como o gênio que criou um monstro digital que destruiu nossas democracias?”, interrogou ao fundador do Facebook.

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