1 Estrelas2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (13 votos, média: 5,00 de 5)
Loading...

Lope de Vega – Versos na tarde – 31/07/2017

Letra para cantar
Lope de Vega¹

Não serem, Lucinda, estrelas
as tuas pupilas belas,
bem pode ser;
mas que em sua claridade
não haja alguma deidade,
não pode ser.

Que a boca celestial
não seja o próprio coral,
bem pode ser;
mas que não exceda a rosa
em ser vermelha e cheirosa,
não pode ser.

Que não seja o branco peito
de cristais ou neve feito,
bem pode ser;
mas que não vença em brancura
os cristais e a neve pura,
não pode ser.

Que não seja um anjo, o colo
da Fênix, o próprio Apolo,
bem pode ser;
porém que de anjo não tenha
o que com anjo convenha,
não pode ser.

Não teres flores nas veias
nem de lírios as mãos cheias,
bem pode ser;
mas que nelas não se vejam
quantas graças se desejam,
não pode ser.

¹Félix Lope de Vega Carpio ou Lope Félix de Vega Carpio
* Espanha – 25 de Novembro de 1562 d.C
+ Espanha – 27 de Agosto de 1635 d.C
Dramaturgo, autor de peças teatrais e poeta espanhol.


Fundador da comédia espanhola e um dos mais prolíficos autores da literatura universal, Lope de Vega tem origens numa família modesta. Estudou com os jesuítas e entrou depois para o serviço do bispo D. Jerônimo Manrique, que lhe proporcionou sólida formação e levou-o consigo a Alcalá de Henares, estudou na Universidade de Salamanca (1580-1582), serviu na Invencível Armada (1588), enviada contra a Inglaterra e sobrevivendo à derrota começou a escrever as suas famosas deramas (1588).

Foi secretário do Duque de Alba (1590) e mudou-se para Toledo e depois para Alba de Tormes.

Após escrever sua primeira obra de sucesso, o romance La Arcadia (1598), voltou a Madrid decidido a entregar-se à literatura, e foi ainda secretário do Duque de Sessa (1605). Já autor consagrado, estabeleceu-se definitivamente em Madrid, mas com a morte da então esposa Juana e de um de seus filhos, sofreu uma forte crise espiritual que o levou a se tornar religioso (1610), ordenou-se (1614) e e foi nomeado oficial da Inquisição.

Também famoso pelos vários casamentos, inúmeras aventuras amorosas extra-conjugais e escandalosos romances, que pareciam ampliar sua inspiração, entre eles Marta de Navares, a Amarílis de seus versos, que conheceu (1616) e com quem manteve um amor sacrílego que escandalizou Madrid. A morte dela (1632), seguida de uma série de desgraças pessoais, mergulhou o poeta em profunda depressão, que se prolongaria até sua morte.

Da sua vastíssima produção literária, conhecem-se hoje como de sua autoria 426 comédias e 42 autos, além de milhares de poesias líricas, cartas, romances, poemas épicos e burlescos, livros religiosos e históricos, entre eles os extensos poemas como La Dragontea (1598) e La Gatomaquia (1634), os poemas curtos Rimas (1604), Rimas sacras (1614), Romancero Espiritual (1619) e a célebre écloga Amarilis (1633), uma impressionante homenagem à amada morta.

Ainda são destaques por sua originalidade, os épicos Jerusalén conquistada (1609), o Pastores de Belém (1612) e o romance dramático La Dorotea (1632).

Termos: , ,
Trackback

Nenhum Comentário até o momento. Faça o seu também!

Preencha os dados abaixo e faça seu comentário!

Você deve está Logado para comentar.