loader
Arte | Poesia | Literatura | Humor | Tecnologia da Informação | Design | Publicidade | Fotografia

Literatura – Bakhtin quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Obra de Bakhtin que só foi publicada na íntegra recentemente na Rússia ganha versão em portuguêsBlog do Mesquita,Literatura

Nikolay Gyngazov/Global Look Press

Desenvolvida nos anos 1930, a “Teoria do romance” de Bakhtin só foi publicada, e de forma parcial, no ano de sua morte, em 1975, no volume “Questões de literatura e de estética”.

Foi só em 2012, porém, que o texto integral veio à luz, na Rússia, no conjunto de suas “Obras reunidas”. A partir desta nova edição crítica, com organização de Serguêi Botcharov e Vadím Kójinov, a editora  publica agora no Brasil o segundo tomo da “Teoria do romance”, com tradução de Paulo Bezerra, ex-professor de teoria da literatura na UERJ e de língua e literatura russa na USP e um dos maiores tradutores de Dostoiévski.

O volume introduz um dos conceitos-chave do pensamento de Bakhtin, o “cronotopo”, ou seja, a configuração do tempo e do espaço na prosa literária.

Neste “ensaio de poética histórica”, o autor parte do romance grego, passa pelas obras de Apuleio e Petrônio, pelo gênero biográfico e autobiográfico (Platão, Plutarco, Santo Agostinho), pelo folclore, pelos romances de cavalaria (incluindo uma original análise da “Comédia” de Dante) e pelos personagens picarescos, para chegar à extraordinária obra de François Rabelais.

Obra e degredo

Mikhail Bakhtin nasceu em 1895 em Oriól, na Rússia. Estudou em Odessa e Petrogrado, foi professor de história, sociologia e língua russa na cidade de Nével, na década de 1910, e liderou um grupo de intelectuais que ficaria conhecido como “Círculo de Bakhtin”.

Em 1928, foi preso pelo regime de Stálin, mas ainda conseguiu publicar um de seus trabalhos mais importantes, “Problemas da obra de Dostoiévski” (1929). Condenado a um campo de trabalhos forçados, teve a pena comutada para o degredo no Cazaquistão, onde viveu até 1936.

Bakhtin continuou proibido de viver em grandes cidades e se estabeleceu em Saransk, isolado do circuito acadêmico e literário da União Soviética, trabalhando como professor em escolas públicas.

O autor foi resgatado do ostracismo somente na década de 1960 por três estudantes de Moscou —Kójinov, Botcharov e Gátchev —, que o ajudaram a se reintegrar ao cenário intelectual do país e a editar suas obras.

Assim, o ensaio sobre Dostoiévski foi revisto e publicado sob o título “Problemas da poética de Dostoiévski” (1963) e foram editadas sua tese de doutorado “A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais” (1965) e a coletânea de ensaios “Questões de literatura e estética” (1975).

Ele morreu em Moscou, em 1975.

Compartilhe a informação:

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

#

© Copyright 2018 Blog do Mesquita - Direitos Reservados. | POLÍTICA DE PRIVACIDADE | MBrasil

Gosta do meu blog? Compartilhe a informação :)