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Jean Cocteau – Poesia – Versos na tarde – 27/04/2017

A Poesia
Jean Cocteau ¹

Aproveitei-me, confesso, de certos acidentes
Do mistério e de erros de cálculos celestes.
Aí está toda a minha poesia: eu decalco
O invisível (o que para vós é invisível).

Ao crime disfarçado em traje desumano,
«Mãos ao alto!», gritei eu, «É inútil reagir»,
A encantos informes tratei de dar contorno;
Das astúcias da morte a traição informou-me.

Com tinta azul fiz aparecer, de súbito,
Fantasmas transformados em árvores azuis.
Será louco dizer que é simples ou sem perigo
Empresa semelhante. Incomodar os anjos!

Descobrir o acaso em flagrante delito
De batota, e as estátuas a tentarem andar!
Por cima de cidades que pareciam desertas,
Nos mirantes aonde somente chega a voz.

Dos galos, das escolas, buzinas de automóveis
(Os únicos ruídos que das cidades sobem),
Surpreendi, provindos dos subúrbios do céu,
Assombrosos rumores, gritos de outra Marselha.

¹ Jean Cocteau
* Paris, França – 1889
+ Paris, França – 1963 


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