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Google e desaparecimento das línguas

Especula-se, veja matéria abaixo a desse comentário, que a tecnologia pode contribuir com o desaparecimento de 50% dos idiomas hoje falados na terra.

A língua é dinâmica.

Considero um processo natural a substituição de idiomas, seja por decadência de um grupo social seja pelo predomínio econômico/militar de uns sobre outros. Foi, e será assim, desde o começo da civilização, e, penso, até o fim dos tempos.

Recentemente para alguns filólogos, antropólogos e cientistas sociais, o declínio, e mesmo a extinção da diversidade cultural e linguística está ligado à perda de biodiversidade.

Essa corrente de cientistas tem como referência pesquisas baseadas em um estudo da rede britânica BBC. A pesquisa, publicada na “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”, e conduzida pelo professor Larry Gorenflo, da Universidade de Penn, detectou que 70% dos idiomas do mundo inteiro foram descobertos em locais com as mais ricas biodiversidades.

Não deve ser abstraído a revolução provocada, primeiro pelo rádio e televisão, uniformizando a linguagem – no Brasil o poder da rede Globo, a meu sentir, é responsável por boa parte da extinção da linguagem coloquial regional, substituída pelo ‘carioquês’ noveleiro – e pela internet.

Essa, internet, por universal, criando uma nova linguagem, misto de terminologia técnica com o uso de contrações fonéticas – blz, bjs, naun, etc. – bem como a reintrodução na linguagem, universalizando-a, dos pictogramas conhecidos como ‘emoticons’, :- ). Mas nada disso é novidade.

Sempre houve tentativas de uniformizar a linguagem, e o Esperanto é o mais visível exemplo.

Steven Roger Fischer fala fluentemente inglês, francês, espanhol e alemão. Esse americano “se defende” como diz coloquialmente, em cinco outras línguas e consegue ler, razoavelmente, em aproximadamente oitenta idiomas. Esse pesquisador americano, nunca esteve no Brasil, saliente-se, é um apaixonado declarado pela riqueza cultural do Brasil, e tem um previsão no mínimo inquietante para o futuro da língua portuguesa: “ela vai desaparecer e seu lugar será ocupado pelo portunhol. Para ele, nada há para se lamentar.

A língua, como os seres vivos, está em contínua transformação e processo de enriquecimento.

Em recente entrevista à revista Veja ele assim se expressa sobre o desaparecimento de idiomas:
“Falam-se entre 4.000 e 6.800 idiomas na Terra. Haverá menos de 1.000 em 100 anos. Em 300 anos, não mais do que 24. Inglês, mandarim e espanhol serão as mais faladas. A maioria das pessoas será bilíngüe e dominará um desses três idiomas. Hebraico e árabe também sobreviverão em vista da importância religiosa, como aconteceu com o latim. Inglês certamente será a língua franca”.

Na rescaldo desse fogueira entendo que aos pais e educadores cabe a função de ensinar, sem abolir ou criticar as variáveis de cada idioma, criticar a linguagem popular e discriminar o uso da gíria, o idioma culto.

É importante ensinar que todas as formas de expressão são válidas e úteis, cabendo tão somente ensinar em que contexto esses diversos “idiomas’ devam ser usados. Afinal todo o conhecimento científico está grafado na linguagem culta, e a ele, o conhecimento científico, só terá acesso aquele que dominar essa linguagem. Desconheço um livro de biologia, ou física, grafado em linguagem chula.

Ps. A considerar, também, com o surgimento de tecnologia da informação, especialmente ‘softwares’ de tradução automática, surge a possibilidade real de permitir que todos os idiomas sejam compreendidos por todos.
José Mesquita – Editor


PROJETO IDIOMAS EM RISCO DO GOOGLE, SOBRE O DESAPARECIMENTO DAS LÍNGUAS:

Especialistas estimam que apenas 50% dos idiomas falados hoje estarão em uso até 2100.
O desaparecimento de um idioma significa a perda de informações culturais e científicas valiosas e pode ser comparado ao desaparecimento de espécies.
As ferramentas de colaboração usadas entre as comunidades, os estudiosos, as organizações e as pessoas de todo o mundo podem fazer a diferença.
O projeto “Idiomas em risco” é um recurso on-line para registrar, acessar e
compartilhar amostras e pesquisar sobre idiomas em risco. Ele também é uma forma de compartilhar conselhos e práticas recomendadas com pessoas que trabalham na documentação ou no fortalecimento de idiomas ameaçados.

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