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Florbela Espanca – Versos na tarde – 25/06/2014

Ruínas
Florbela Espanca¹

Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!

E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… Deixa-os tombar.

¹Florbela De Alma Conceição Espanca
* Vila Viçosa, Portugal – 1894 d.C
+ Matosinhos, Portugal – 1930 d.C


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