Flora Figueiredo – Versos na tarde

Poema
Flora Figueiredo ¹

A lembrança é um barbante.
Uma ponta amarrada no começo da história,
outra, em nosso tornozelo.

Se o fio estica muito, mal dá para continuar.
É a linha da Memória que vai ficando puída,
a da lembrança, não.

Feita de fibra grossa,
não afrouxa até que um anjo venha desatá-la
e a transforme numa corredeira de estrelas.
E quanto mais a corredeira for cumprida,
tanto mais rica há de ter sido a vida.

¹ Flora Figueiredo
* São Paulo, SP. – 1951 d.C

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  1. Belo poema, vou procurar techos da Flora Figueiredo para colocar no Frasário (http://www.frasario.com.br )

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